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12 Capítulo 12. - Summer.
Notas iniciais
Lily passou a mão pelos cabelos cacheados, sujando-os de argila.
Era novamente a ultima aula do dia, artes. Dessa vez nos estávamos fazendo vasos de argila. Sim, nós estávamos usando aquela coisa que gira. Não, eu não era boa Rivers a coisa que gira.
Lily estava seguindo as regras em perfeição, fazendo um belo vaso enquanto o meu parecia ter sido amassado por um punho (o que havia acontecido).
Cruzei as pernas e olhei fixamente para a argila que ainda restara. Nunca havia me irritado tanto com alguma coisa relacionada a artes.
Olhei de canto para Bobby que parecia apreciar a cena com demasiada atenção, um sorriso brilhando de canto, como se minha desistência fosse algo que o encantasse. Seu vaso estava perfeito como o de maioria da sala.
– Queridos? — a professora chamou subindo no pequeno palanque que estava no meio da sala. — por favor? — ela pediu novamente.
Eu me virei, relutante de querer deixar meus olhos longe dele.
– Meus adoráveis alunos, como vocês sabem nós sempre fazemos um trabalho todo ano e esse não será diferente. Esse ano nós iremos trabalhar releituras! — ela deu um pulinho de animação. — esse trabalho sera em grupos de quatro. Cada grupo poderá escolher qualquer obra famosa existente, Monalisa, O grito, qualquer uma!
Uma garota loira do outro lado da sala levantou a mão.
– Professora, nós poderemos escolher os grupos? — a loira perguntou.
– Claro! — a professora falou ainda mais animada. — vocês podem usar o resto da aula para formarem seus grupos! — ela sorriu para a turma. — Vão!
Olhei com cumplicidade para Lily que respondeu com um olhar de mesma magnitude.
– Qual a obra que você pensou? — ela perguntou.
– Monalisa. — falei. — uma releitura com colagens.
– Parece divertido! — Scott declarou aparecendo logo atrás de Lily. Ele parecia ter voltado normal desde o episódio de terça.
– Você não está convidado. — Lily falou.
– E eu estou? — Bobby perguntou surgindo logo atrás de mim. Uma mecha dos meus cabelos brincando em seus dedos.
– Não. — resmunguei puxando a mecha de seus dedos. Os lábios dele se contraíram em forma de linha em puro desgosto e descrença. Minhas bochechas coraram. — quer dizer...
– Ela quis dizer isso sim! — Lily falou irritada.
– Vamos, baby, não seja tão chata. — Scott debochou.
– Baby?! — falei em uníssono com Lily.
– Escuta aqui... — Lily começou. — se você me chamar de baby mais uma vez, eu juro que vou te dar um tapa.
– Um tapa? — Scott perguntou incrédulo. — não tem nada melhor que isso?
– Olha aqui seu...
– Vocês podem parar por favor? — pedi irritada.
– Verdade. — Bobby concordou. — minha morena já está ficando irritada.
– Sua morena? — perguntei vermelha.
– Minha morena. — Bobby passou as mãos envolta de mim e me abraçou pelas costas.
– Me largue. — pedi minhas mãos sobre as dele.
– Nunca, minha bela morena. — ele resmungou perto do meu ouvido.
– Me largue. — pedi novamente tentando tirar os dedos dele. — por favor.
– Já que você me pediu com jeitinho... Não.
– Por que vocês dois não procuram uma cama? — Scott perguntou.
– Bobby. — eu pedi novamente.
– Eu vou te largar apenas quando vocês aceitarem fazer um grupo conosco. — Bobby declarou, o aperto de seus braços aumentando em torno da minha cintura.
– Me ajude. — olhei para Lily suplicante.
– Não. — ela falou as bochechas vermelhas de raiva. — eu já estou presa a essa coisa em um trabalho! — ela apontou para Scott. — eu decididamente não quero ficar presa novamente.
– O que você está querendo dizer com isso? — Scott perguntou.
– Você entendeu.
– Acho que vamos ficar assim por mais algum tempo. — Bobby sussurrou em meu ouvido.
Senti meu coração bater contra meu peito perigosamente rápido. Bobby cheirava a um perfume masculino gostoso, doce, mas nada que chegasse a ser ruim. Ele poderia ouvir as batidas de meu coração se prestasse atenção. Mas o que me deixava mais preocupada eram seus lábios próximos ao meu pescoço e rosto.
Passei os dedos pelo meu cabelo e senti os lábios dele encostando de leve em minha mão, um pequeno e delicado beijo. Bobby poderia fazer muito mais do que isso se quisesse. Graças que ele não fez.
Cravei minhas unhas na mão de dele, que deu alguns passos para trás e (por infelicidade) caiu em cima do meu vaso artesanal que ainda não estava seco.
Virei-me para Lily e Scott que haviam parado de brigar. Lily me olhou perplexa e Scott já não conseguia parar de rir.
Bobby se levantou com facilidade um sorriso travesso no rosto.
– Me desculpe, eu... — mas antes que eu pudesse terminar ele esfregou um pouco de argila que tinha na mão em meu rosto e pescoço.
– Você fica muito mais bonita um pouco suja. — ele declarou.
– Ora seu... — eu peguei uma mão cheia de argila e joguei nele, mas Bobby se abaixou a tempo, fazendo que Lily levasse argila no meio dos peitos.
Scott riu feito uma hiena quando isso aconteceu. Seus cabelos loiros balançando feito folhas.
– Você está rindo? — ela perguntou irritada.
– Como eu não iria rir? — ele retrucou com a mão na boca.
Lily destruiu seu perfeito vaso e espalhou uma mão cheia de argila na testa de Scott, que não parou de rir mesmo assim.
– Você vai me pagar! — ele jogou mais uma bola de argila atingindo Bobby em cheio no queixo e na boca.
– Filho de uma... — ele murmurou, parando assim que me viu rir da sua cara.
Bobby pegou o excesso que estava em sua boca e esfregou no meu cabelo.
– O que está acontecendo aqui? — a professora havia chegado aonde nós estávamos, suas bochechas gorduchas vermelhas de raiva. — como vocês podem ser tão infantis?
Foi nesse momento que uma bola de argila atingiu em cheio o narizinho da professora.
– Os quatro, para a sala do diretor agora! — ela gritou. Uma veia saltava de sua testa.
Nos saímos em meio a risadas, seguindo em direção a sala do diretor.
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