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20 Capítulo 20 - Lily
Notas iniciais
Entrei na cozinha, Scott logo atrás de mim. Peguei a pipoqueira e o milho no armário, colocando-os em cima da mesa. Coloquei o milho para estourar e fiquei sentada em cima da pia.
– Sabe, você fica simplesmente linda com esse pijama de alcinha. — Scott falou, sentando ao meu lado.
– Cala a boca. — resmunguei e bati no braço dele.
– Eu calaria se não fosse verdade. — ele me beijou na bochecha, enquanto eu, definitivamente, me sentia corar.
Para mim, ainda é estranho ter Scott no meu pé do ouvido me elogiando a cada cinco segundos, mas não é nada mal. E não é nada diferente do que ele fazia na época que eu o odiava. Só que, agora, ele me elogia ao invés de tentar me deixar pra baixo.
– Então, porque na sexta? — ele perguntou do nada.
– Como assim porque na sexta?
– Porque você e Summer vão dormir uma na casa da outra nas sextas?
– Ah. Não sei, acho que fazemos isso desde sempre.
– Hum. E que tal o sábado?
– O que tem o sábado?
– Eu quero um dia também. — ele levantava e abaixava uma sobrancelha, enquanto dava um perfeito sorriso malicioso.
– Scott! — joguei um pano de prato na cara dele e me levantei da pia, indo pegar a pipoca já pronta. — Minha mãe quase surtou quando eu disse que estava namorando. Imagine o que ela faria se eu pedisse uma noite para você como eu faço pra Sums. Iam ter, no mínimo, 25 câmeras no meu quarto, sendo que 20 só entre o colchão e o lençol do corpo.
Ele riu.
– Eu seria um bom garoto. Garanto isso. — suspirei. — Ou, pelo menos, vou tentar.
Rimos.
– Ora, ora. Quem diria que eu tenho um cavaleiro bad boy à minha disposição?
Rimos novamente e eu o beijei.
Levei a pipoca para a sala e fomos assistir um filme qualquer que estivesse passando na TV.
●●●
O primeiro filme já tinha terminado e já tínhamos assistido um outro. Era mais de meia noite e os meninos ainda estavam com a gente. Não queria nem saber o que ia acontecer se minha mãe aparecesse. Não queria imaginar, mas aconteceu.
Ouvi o som do carro estacionando na garagem. Nos entreolhamos.
– Lily, tenha uma boa morte. A tia Emma e o tio Phil vão te matar. — Summer falou, pondo a mão em meu ombro.
– Deus do céu! — resmunguei. — Rápido! Meninos, subam as escadas e entrem na primeira porta à esquerda. Vão, vão! Pelo amor de Deus.
Scott e Bobby saíram logo da sala, subindo as escadas como foguetes. Bem a tempo.
– Olá, querida. — minha mãe apareceu sorridente na porta, meu pai a seu lado. — Oi, Summer. Aquele carro lá fora é seu? — mamãe perguntou naturalmente para Sums.
– Claro, tia.
– Não acho que uma caminhonete vermelha e toda acabada seja um carro melhor, mas tudo bem. Quem sou eu para julgar?
Lily suspirou.
– O meu carro está no conserto, então peguei o carro do meu namorado emprestado.
– Hum... vão dormir, meninas. Está tarde.
– Certo, mãe. Já estávamos indo, certo, Sums? — falei.
– Sim. Boa noite. — ela falou e ambas subimos as escadas, entrando em meu quarto antes que eles viessem atrás de nós e vissem os meninos.
O único problema é que não vimos nem Scott nem Bobby no meu quarto.
– Puta que pariu. — Summer exclamou baixinho. — Onde eles estão?
– Não faço ideia. — respondi no mesmo tom que ela. — Será que eles estão no quarto à frente?
– Provavelmente.
– Então fudeu.
– O que tem no quarto à frente? — ela sentou-se na cama.
– Álbuns de fotografia. Antigos.
Ela começou a rir.
– Se lascou.
– Por acaso, também tem umas fotos suas, amore.
– Vamos pra lá agora. — ela levantou rapidamente da cama, já saindo do quarto. No corredor, nos deparamos com meus pais.
– Pensava que vocês iam dormir, meninas. — minha mãe estava com uma sobrancelha levantada.
– E vamos. — respondi. — Mas Summer está procurando pelas sandálias dela.
– Deixa pra lá, Lily. — Summer falou. — Deve estar no quarto.
– Deve estar. — suspirei. — Boa noite.
Entramos de volta no quarto.
– E agora, Sums? Eles devem estar no outro quarto rolando de rir com as fotos.
– Na verdade, não, mas aposto que são muito fofas. — Scott falou, saindo do armário (literalmente, não figuradamente — ELE É MEU, SAIAM DE PERTO, VIADOS) e vindo me abraçar. Bobby aparecera segundos depois dele.
– Porque não disseram que estavam aqui? — Summer perguntou.
– Bem, eu simplesmente queria te ver desesperada uma vez na vida. — Bobby respondeu Summer com um sorriso idiota na cara. — Nunca tinha te visto desesperada.
– E você? — perguntei para Scott.
– Eu? — ele perguntou e eu assenti. — Bem, eu queria só apreciar a vista sem que você soubesse. — ele sorriu.
Corei. Porque raios essa criatura adora tanto ficar me secando? Ah, é. Ele é o meu namorado.
– Lily, qual a chance da tia Emma estar desconfiada? — Sums perguntou.
– Não são chances. Ela está desconfiada.
– Isso quer dizer que não podemos sair? — Scott perguntou, um sorriso malicioso se formando em seus lábios.
– É bem por aí, pelo que eu entendi. — Bobby falou, com um sorriso igualmente malicioso.
– Sosseguem aí. — reclamei. — Vocês vão ter que dormir aqui e sair bem cedo ou pular pela janela e ir a pé para casa, já que minha mãe acha que sua caminhonete está com Summer.
– Lily, como você tem a audácia de fazer uma pergunta dessas? — Scott perguntou. — Sinceramente, eu parei de escutar depois da sugestão de dormir aqui.
– Então nem preciso perguntar o que vocês vão escolher. — sorri.
– Não mesmo. — Bobby afirmou, puxando Summer de lado.
No meu quarto, estavam a minha cama de solteiro e um colchão, também de solteiro, onde Summer sempre dormia. Se você chutou que eu e Summer dormimos nos colchões e os meninos no chão, errou feio.
Ficamos eu e Scott na cama e Summer e Bobby no colchão. Para realizar a proeza de dividir uma cama de solteiro, tive que dormir de lado, as pernas quase saindo da cama. Scott se espremeu do meu lado, suas pernas encostando nas minhas e seu rosto perdido em meus cabelos. Apesar disso, tudo o que eu conseguia pensar era: "não caia da cama, Lily!"
Esse pensamento sumiu quando Scott beijou minha nuca, deixando uma trilha de beijos até o ombro. Toda a preocupação em cair foi substituída por um arrepio delicioso que passou por todo o meu corpo.
– Boa noite. — ele sussurrou no meu ouvido, depositando um beijo num ponto sensível atrás da orelha, me fazendo arrepiar novamente.
– Boa noite. — respondi calmamente, enquanto ele passava um braço ao redor de minha cintura.
Recostei a cabeça em seu peito, enquanto puxava o cobertor sobre nós. Seu braço continuava segurando minha cintura e diminuindo ainda mais a pouquíssima distância entre nós. De repente, estávamos colados, eu podendo escutar perfeitamente as batidas de seu coração e duvido que ele não pudesse escutar as batidas do meu.
– Scott. — chamei baixinho.
– Oi. — ele respondeu também baixinho.
– E se eu te disser que estou considerando o seu dia? — perguntei sorrindo.
Pude senti-lo sorrindo.
– Bem, se você ainda está considerando, significa que eu posso caprichar mais até que você aceite.
– Se você quiser fazer isso, eu não impedirei.
– Hum, hoje não. Vou deixar pra outra vez.
– E quem te disse que vai ter outra vez? — perguntei, enquanto ele brincava com uma mecha do meu cabelo.
– Não sei. Só tem algo me dizendo que essa não vai ser a única vez que você vai dormir com a minha ilustre presença.
– Hum, convencido. — rimos baixinho e eu puxei o cobertor mais para cima.
Nem me toquei quando adormeci com aqueles braços fortes ao meu redor.
●●●
Acordei com Scott se levantando da cama, mas preferi fingir que estava dormindo, só para saber o que ele faria. Escutei-o amarrando os tênis e andando pelo quarto. Do nada, senti um beijo na minha testa.
– Bom dia. — eu disse, ainda sonolenta.
– Bom dia, flor do dia. — ele respondeu, olhando para mim, ainda enrolada no lençol. — Dormiu bem?
– Sim, mas duvido que você tenha dormido bem.
– Porque? Se eu estivesse com você, dormiria bem até num tronco.
Corei.
– Pelo amor de Deus, pare de ser fofo por três segundos! — rimos baixinho para não acordar Summer, que era a única que ainda estava dormindo.
– Eu preciso ir. Senão, você vai ter problemas por minha causa.
– Se forem por sua causa não serão problemas. Serão os ossos do ofício.
– Olha só quem pede para que eu pare de ser fofo! Chega a ser irônico. Agora eu tenho que ir. — nos beijamos. — Tchau Lily.
Então ele saiu pela janela pela qual Bobby havia passado há pouco tempo, me deixando "sozinha" no quarto. Levantei da cama e fui fechar a janela. Logo depois, voltei a dormir, praticamente explodindo de alegria.
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