Morando com um vampiro

2 Capítulo 1 - Olhos cor de sangue


Notas iniciais
Oi oi gente! Tudo bem? Sei que demorei (muuuito) pra postar, mas aí está...

De todas as coisas que já me aconteceram, essa é a mais estranha. Uma tia qual eu nunca soube da existência morre, deixando para mim uma mansão localizada na região da Transilvânia. Realmente, não tem como ser mais estranho.

Apesar de aparentar ser um ganho na loto (mesmo com um ano de imposto atrasado), eu tinha minhas dúvidas sobre o que poderia estar por trás disso. E as possíveis possibilidades as quais eu mantinha-me pensando eram nada mais nada menos que abomináveis.

Minha imobilidade momentânea foi descontínua pelo estalo de dedos no meu rosto e minha visão tornou-se focada em Abie.

– Está tudo bem? – perguntou ela, com sua porção habitual de preocupação.

– Ah, sim. Está.

Minha amiga franziu o cenho e olhou-me descrente. Eu já estava acostumada com o olhar de aflição que aparecia eventualmente em seu rosto. Pelo menos quando me olhava. Mas que próximo não ficaria preocupado com uma garota de 24 anos, pseudo escritora com bloqueio, que mal consegue pagar as contas e comer? Não posso ficar com raiva desse olhar; talvez com vergonha, mas não com raiva.

– Eu só estou um pouco hesitante com tudo isso. Uma tia desconhecida que faleceu e deixou-me uma mansão que fica a um mar de distância de onde eu moro atualmente. Isso é de mais para uma garota como eu.

– Está se subestimando de novo? Charlotte!

Cedi com um suspiro e retirei o que disse.

Abie é uma pessoa boa, altamente altruísta, determinada e confiante. Sempre admirei isso nela. Ela não consegue só me apoiar nas horas difíceis – que são quase todas, por aqui -, mas também me transmite esperança e qualquer má fé que eu apresente, ela afronta.

– A sorte finalmente está ao seu favor e você fica pensando besteiras? Amiga, está claro que tem uma história mal resolvida por traz disso e a sua chance de descobri-la é indo até ela. Agora de um sorriso e viva!

– É. Você pode ter razão... – ela sorriu, segurando minhas mãos – Mas continuarei desconfiada.

E então seu sorriso foi removido do rosto em instantes, dando lugar a uma total expressão de tédio.

– Você é o pessimismo em pessoa.

Abie voltou a fechar a última mala e a colocou no chão.

– Ser realista não significa ser pessimista, eu apenas vejo as coisas da forma que elas estão.

– As coisas não estão ruins, e você continua uma pessimista.

Abie foi verificar na janela se a buzina de carro vinha do táxi que havíamos chamado e então disse que me acompanharia até o carro. Ela me ajudou com as bagagens e enquanto o taxista guardava-as no porta-malas, nos abraçamos.

– Isso é... – gaguejou ela com a voz chorosa. – Horrível! Eu não acredito que vamos ficar longe uma da outra!

– Ah, Abie. – Retribui seu abraço. – Eu te amo muito.

– Eu também te amo.

Tentei soltar-me para entrar no carro, mas Abie me impediu mantendo-me em um abraço forte.

– É, Abie...

– Ah, sim. Desculpa.

Sorri amigavelmente, prometendo visita-la no próximo mês e responder a suas cartas.

Sentada no carro, com o rosto grudado no vidro, observei Abie distanciar-se e passei a me sentir sozinha a cada quilômetro percorrido.

Minha viagem transatlântica começaria e a única certeza que tenho é que... Na realidade, observando nesse instante, eu não tenho nenhuma certeza. Isso é tão metafísico...

...Uma viagem depois...

Acordei com um uma leve mexida no braço. Com os olhos totalmente abertos, olhei ao redor e percebi que já havíamos chegado à Brasov, na Romênia. A aeromoça que havia me acordado desejou-me uma boa estadia e continuou seus afazeres.

Não sei que rumo a minha vida pode tomar agora, em suma estou mudando-me para um país onde não conheço ninguém e onde nem emprego possuo. Não sei onde estava com a cabeça quando decidi me deslocar dessa maneira.

Escolhi um entre muitos táxis na frente do aeroporto, para me levar ao endereço escrito pelo homem do Registro de Imóveis.

Brasov é um lugar magnifico, tão lindo a ponto de me inspirar e ajudar-me a escrever o restante do meu livro. Permaneci a viajem tão envolta do meu enredo e personagens que não me dei conta do lugar para onde estávamos indo. Era um tanto... Obscuro.

O lugar era composto por árvores altas de cascas aparentemente secas, com as folhas de cor verde escura que cobriam o sol formando uma penumbra no auge. A estrada de chão estreita cortava o seguimento das árvores e estas a acompanhavam até uma grande grade que cercava uma mansão. Uma mansão mais obscura ainda.

– Senhorita – chamou-me o taxista fazendo-me fita-lo a tempo de vê-lo com os olhos no retrovisor. – Tem certeza que esse é o lugar certo?

O sol começava a ceder o lugar à lua e a floresta tornava-se ainda mais escura e observando com muita atenção, pude avistar olhos cor de sangue no topo de uma árvore.

–Para falar a verdade... Não.

Notas finais
A partir de agora os capítulos serão postados com mais rapidez. Desculpem pela demora! XOXO~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.