Moon Society: The lighthouse.

31 Capítulo vinte e nove: Coisas que você deveria saber.


Notas iniciais
A história trata de transtornos mentais, exposição a grandes traumas, situações de crise, abuso de substâncias e álcool, não recomendado para o público mais sensível ou para pessoas com histórico de transtornos PODE APRESENTAR GATILHOS.

Seguimos para o Brown’s, a praça estava cheia, muita gente entrando e saindo, o salão principal estava fechado para minha festa, mas os dois salões de baixo estavam abertos ao público, e haviam eventos acontecendo, reuniões, palestras, hóspedes se divertiam no golfe, nas saunas, piscinas internas aquecidas, o pequeno spa que o hotel tinha a oferecer.

Segui com minha mãe até a sala do meu pai, onde conversamos sobre as minhas escalas agora com a escola e as aulas extracurriculares e meus horários, terapia e aulas de direção.

Desci e fui para o subsolo, pegar meu cartão e o rádio, localizei Darwin que me passou o que eu tinha a fazer, comecei a trabalhar, encontrei Darwin para uma pausa para um chá no bar do hotel às 06h46pm.

Uma movimentação estranha no Hall chamou nossa atenção, ouvi os seguranças no rádio, ouvi o nome do meu pai e eu e Darwin fomos checar o que estava causando aquela gritaria.

Um homem estava sendo dominado pelos seguranças, precisei chegar mais perto para conseguir ouvir o que ele estava falando, minha mãe tinha uma expressão preocupada e segurava o ombro de meu pai, que era muito maior que ela, mas parecia totalmente suscetível às vontades dela.

― Vocês arrogantes, acham que todo seu dinheiro pode fazer o que quiserem, passar por cima de qualquer um, aqueles tiros, as bombas... Aquilo não tinha nada haver com Julianne... Ela se feriu por causa da sua cria irresponsável.

Eu gelei... Esse era o Senhor Townsend? Julianne estava ferida? Eu tentei me lembrar dela na festa no fim de semana... Dela na escola hoje... Julianne tinha sumido e eu fui egoísta o suficiente para não prestar atenção nisso, Deus! Como ninguém havia me dito uma coisa dessas?

― Pai... O que está havendo?

― Isso... A culpa é sua... De todos vocês ― O senhor Townsend disse se contorcendo sob as mãos firmes de Jonah.

― Ian... Tire a Brieanna daqui ― Minha mãe disse.

Ian andou em minha direção.

― Não se atreva a colocar as mãos em mim Ian, pai, mãe o que está havendo? Esse senhor é o pai de Julianne? Ela está ferida? Por que ninguém me contou isso?

O senhor Townsend pareceu confuso com minha própria confusão, mas seus olhos explodiram em ira novamente.

― Ela teve uma lesão na espinha ― Berrou ― E a culpa é toda de vocês... Me solte seu crápula, vocês vão ser processados ― Ele disse.

Meus pais me arrastaram com Jonah e Ian para a sala dele.

― Pai... Me conte o que está acontecendo...

Ele suspirou.

Servindo um whiskey e indo até a janela, olhando para o campo de golfe lá embaixo, o mar ao fundo.

Eu fui até a mesa dele e me sentei, havia uma pasta escrita Townsend X Brown.

Revirei os papéis rapidamente enquanto meus pais cochichavam.

― Julianne se machucou? Na explosão de uma bomba? ― Perguntei.

― Brieanna ― Minha mãe repreendeu puxando a pasta da minha mão.

― Eles estão nos processando? Me falem alguma coisa pelo amor de Deus ― Pedi.

― Isso é assunto de adulto!

― Eu não sou criança pai ― Berrei ― Porra!

― Modere esse tom mocinha ― Meu pai disse se sentando na cadeira dele.

― Olhe esse linguajar ― Minha mãe falou.

Eu bufei.

― Por que não param de esconder coisas de mim? Achei que tínhamos concordado em sermos honestos ― Falei ao meu pai ― O senhor me explicou sobre as ações... Por que não pode me falar disso?

Minha mãe me olhou surpresa com a menção das ações da Brown’s, depois olhou para meu pai que deu de ombros.

― Falei sobre a poupança... Precisava da assinatura dela para algumas alterações na conta ― Ele explicou.

Ela suspirou.

― Pai... ― Insisti.

― Volte ao trabalho ― Ele disse ― Seu intervalo acabou fazem dez minutos ― Ele disse sem me olhar ― Em casa conversamos.

Eu o olhei magoada.

― Sim senhor Brown, com licença ― Falei e sai batendo os pés.

Raiva corria por meu corpo, Darwin tentou sondar o que estava acontecendo, no hotel não se falava de outra coisa, haviam fotógrafos lá fora, todos os funcionários foram instruídos quem desse uma palavra com a imprensa podia passar no Rh e estaria dispensado de suas funções, ouvi dizer nos corredores que era uma ordem da Chefona.

Eu ri com o apelido.

Tentei me concentrar no meu trabalho, o tempo e todas as tarefas ocuparam minha mente e às 02h00pm estava escondida na sala de Darwin, evitando meus pais e Jonah.

Mas precisei subir, precisava estar em casa logo, tomar meus remédios e descansar para estar 100% em minha primeira aula teórica de direção.

O caminho para casa com minha mãe, Jonah e Ian foi silencioso, fui direto para meu quarto sem falar com ela, Emily estava lá, usando meu computador, pediu desculpas pela invasão e esperava que não estivesse incomodando, apenas ri e beijei ela, ela me disse que aproveitou o tempo para fazer exercícios, tirar algumas fotos que ela passou algum tempo me mostrando e que foi ver alguns conhecidos.

Eu não queria entrar no assunto Julianne com Emily, pareceria que eu só a usava para descarregar meus problemas, além do mais Emily não estava lá e eu achava pouco provável que meus pais tivessem compartilhado algo com ela ou minha irmã.

Emily se retirou para tomar banho antes do jantar.

Eu queria chorar e ter alguém para ligar, talvez eu devesse ligar para Mason... Mas ele provavelmente não teria respostas e faria perguntas que eu queria ignorar... Eros estava muito envolvido... Não seria capaz de me ajudar... Morgana... Morgana deveria saber o que fazer, certo?

Liguei para Morgh e expliquei para ela a situação no hotel e a tal pasta e como meus pais reagiram e como eu estava me sentindo.

― Olha querida... Quando houve a explosão... Você e Juliane estavam se batendo, eu estava tentando separar vocês... Mirella, Eros e Jonah nem tinham chegado ainda... Quando tudo aconteceu foi o que eu já te disse, o chão tremeu, teve um clarão e vocês voaram longe uma da outra, Julianne não parecia machucada e estava respirando... Mas você... Estava pálida e sem ar... Você... Você parecia...

― Morta?

Morgana concordou em um som nasal.

― Seus pais provavelmente estão tentando te proteger... Não que mentir seja certo... Mas... Tente apreciar o gesto.

Eu concordei com ela.

― Você não vai desistir né?

― Preciso saber ― Falei.

― Boa sorte com isso ― Morgana disse sinceramente.

Me despedi dela e me arrumei para descer e ter o jantar.

Meu pai na ponta, minha mãe a minha frente, minha irmã ao meu lado e vovô, Emily e vovó à frente dela.

Eu comia em silêncio, tinha um milhão de pensamento em minha cabeça.

― Você está calada... Aconteceu alguma coisa? ― Minha irmã perguntou.

― O pai de Julianne esteve no hotel hoje ― Falei.

― Brieanna ― Meu pai repreendeu.

― Fez uma cena, xingou todo mundo... Até eu... Ele disse... Que sou uma cria inconsequente... Que Julianne teve uma lesão na espinha... Sabia disso?

Minha irmã abriu a boca e negou.

― Estão nos processando por lesão corporal... Não é louco? E eu só soube disso porque o pai dela apareceu... Do contrário nossos pais continuariam mentindo para mim... Eu devo ser a maior otária da história do mundo não é?

― Já chega ― Minha mãe falou.

― Por que nunca me disseram? O que os pais de Julianne querem?

― Eu paguei por todas as despesas médicas e pela cirurgia... Pareciam bem contentes, agora estão processando você por lesão corporal, Julianne alegou que você a agrediu ― Meu pai falou ― Então sendo seu responsável... O processo cabe a mim... O processo correrá e um médico pode facilmente provar que a lesão foi causada pela queda, não por agressão... A explosão não foi culpa sua ou de nenhum de nós... Quando o pegarem ele responderá por isso também, tentativa de homicídio... Os pais de Julianne querem uma indenização... O valor não é importante, mas não vou dar um centavo a esses oportunistas, conheço esse tipo de gente e eles não vão parar de pedir dinheiro.

Eu suspirei.

― Por que precisam de acontecimentos dramáticos para me dizerem a verdade? Não bastava só me dizer a verdade? No mesmo dia? Droga pai!

― Olhe esse linguajar ― Falou minha mãe.

― Quanto eles querem?

― É um valor miserável.

― Quanto pai?

― Alguns milhares, não é grande coisa.

Arregalei os olhos.

― Por que não paga logo? É só dinheiro, não é o que vocês dizem? A garota quase morreu por minha causa.

― Você não tem culpa de nada disso ― Minha tia falou.

Eu suspirei.

― Sabe que isso não é verdade.

Suspirei me levantando.

― Com licença.. Pode me dar os meus remédios? ― Pedi a minha mãe.

Subi as escadas e fui colocar um pijama, deitei e demorou cerca de 20 minutos para minha mãe aparecer com um copo de água e meus comprimido.

― Brie!

― Não quero mais falar disso com vocês ― Falei ― Vocês sempre escondem coisas de mim ― Falei.

Minha mãe me olhou feio.

― Estou exausta Brieanna... Entende que é difícil para mim também? Ver que não posso proteger você me mata lentamente... Não tenho paz fazem quatro anos... Eu acordo duas vezes por noite para checar se você está bem... Não posso perder você... ― Falou com os olhos cheios de lágrimas.

Eu suspirei desviando meus olhos cheios de lágrimas, se eu a olhasse não iria aguentar.

― Eu amo você, seu pai, seus avós, Emily e sua irmã e todos amamos você e tudo o que eu fazemos é para tentar te proteger

― Mentir para mim não é me proteger, estão me decepcionando, eu sou forte o suficiente para lidar com as coisas agora ― Falei.

― É? Será que é mesmo? E se formos honestos e for mais do que pode aguentar? E se você quebrar de novo? Se voltar à aqueles hábitos de se machucar? Se você...

― Mason pode me ajudar se acontecer... Nunca vamos saber se não tentarmos... Preciso de espaço, existe um limite de coisas que vocês podem escolher por mim... Mas preciso que sejam honestos e me deixem decidir o que é demais ou não...

Ela suspirou e se inclinou para me beijar.

― Boa noite.

― Boa noite mãe.

― Eu amo você boo, tenha bons sonhos.

― Mãe eu... Também ― Falei.

Ela sorriu acendendo as estrelas do teto e fechando a porta atrás dela.