Moon Society: The lighthouse.

15 Capítulo treze: Garotas boas gostam de caras ruins


Notas iniciais
A história trata de transtornos mentais, exposição a grandes traumas, situações de crise, abuso de substâncias e álcool, não recomendado para o público mais sensível ou para pessoas com histórico de transtornos PODE APRESENTAR GATILHOS. O que estão achando? Qualquer erro me avisem que arrumo.

Chegamos a festa no parque e absolutamente todas as pessoas que eu conhecia e que eu já havia ouvido falar estavam lá, incluindo minha irmã e o tal de Ravine.

― Você pretende beber? ― Morgh perguntou.

― Não, eu voltei com a medicação ― Falei.

Morgh me deu um sorriso e um abraço orgulhoso.

― Então vamos te arranjar um refrigerante ― Falou passando o braço por meus ombros.

Depois de pegar o meu refrigerante eu me juntei a todos em uma pequena roda.

― Todos, juntem aqui para um brinde ― Kaleb disse.

Eu e Mirella chamamos a todos os outros para brindar.

― Aos fins e novos começos ― Kaleb disse levantando o copo dele.

Ele parecia estar brilhando, feliz, lindo.

Todos nós fizemos nosso próprio brinde e decidimos dançar.

Eu fui para a pista com minhas amigas para fazer o que eu achava que parecia dança, porque sou totalmente sem jeito para isso, eu quase me sentia feliz, Kaleb estava fazendo April agir como um ser humano, Mall estava aceitando o fato de eu ter me esgueirado para uma festa assim que ela saiu, mas relaxou quando percebeu que eu estava bebendo refrigerante e tinham um monte de pessoas cuidando de cada passo que eu dava naquela festa.

Elaine, Elizzy-sei-lá-o-que estava de castigo então Joseph estava sozinho, Lucas, Kyle e Carriene estavam lá.

Eu e Morgana nos afastamos e estávamos com as outras garotas apenas observando a festa e todos dançando e se divertindo quando um carro vermelho de aparência chique estacionou no lado oposto ao que estávamos, Arian desceu acompanhada de dois jovens de cabelo dourado platinado.

Eles eram realmente bonitos, não em termos comuns, não a beleza óbvia, algo diferente, como uma luz e havia algo diferente em seus olhos azuis misteriosos, a mesma coisa intrigante que eu via nos olhos de Arian, mas eu nunca consegui entender o que era.

Eu estava olhando muito, esbarrei em Kaleb e meu copo de refrigerante caiu no chão espirrando o conteúdo para todos os lados.

― Porra Brie ― Kaleb xingou.

― Me... Me desculpa ― Falei distraidamente.

― Está bem? Você ficou dispersa de repente ― Morgh que estava de costas para o ponto onde eu olhava disse tocando meu ombro

― Você conhece eles? ― Perguntei à April e Malloney que conheciam todo mundo.

A garota era bonita, alta, parecia ter uns 23 anos, o garoto parecia ter a minha idade, talvez um ano a mais.

― Para de encarar eles ― Mitchie falou.

― Okay... Eu…

Arian cumprimentou algumas pessoas e depois de conversar com meus amigos por um tempo perdi ela e os jovens loiros de vista.

Alguns dos meus amigos decidiram pular no lago, em um desafio idiota, por isso todos nós nos juntamos a eles, nos sentando nas escadas que desciam até o lago, vi o garoto conversando com Julianne, ela parecia interessada demais, dando largos sorrisos.

Continuei olhando até Arian perceber minha atenção, estreitar os olhos e acenar.

Eu acenei de volta.

Arian moveu os ombros me perguntando o que eu queria e apontei com o queixo na direção dos jovens, Arian fez uma careta, cutucou eles e disse algo antes de eles andarem até onde estávamos.

― Oi Briea ― Arian falou me abraçando de forma mais íntima do que eu gostaria.

O garoto loiro olhou para Arian de forma esquisita e ela negou com a cabeça.

― Esses são Eros e Charlotte, eles acabaram de chegar a Wexford, mudaram de Wicklow.

― É um prazer conhecer vocês ― Charlotte disse apertando as mãos de todos.

O garoto apenas sorriu e ficou me olhando sério.

― Olá Brieanna!

― Olá Eros ― Falei sorrindo.

Ele apertou minha mão, depois se inclinou e beijou minha bochecha por alguns segundos, foi suave, como pétalas de rosas, como sentir a brisa soprando na manhã de inverno, senti o dos meus pulmões ser extinto e meu rosto esquentando.

Todos na nossa “roda” ficaram em silêncio, olhando uns aos outros.

― Você... É... Quer uma bebida? ― Eros perguntou em tom moderado.

Eu pisquei confusa algumas vezes.

― Eu... É... Eu não bebo, na verdade.

April me puxou pelo cotovelo e sussurrou em meu ouvido.

― Brieanna, se um tremendo gato te oferece uma bebida você aceita, entendeu?

― Pare de dar péssimos conselhos, pode ir, apenas, nada de bebidas e... Fique onde eu posso te ver okay? ― Minha irmã disse ajeitando minha franja.

Eu assenti e segurei a mão que Eros estendia a mim, nós seguimos pela clareira até o carro onde as bebidas estavam.

― Você aceita energético de laranja? Acho que é a única coisa não alcoólica aqui ― Falou.

― Laranja parece ótimo ― Falei.

Nós caminhamos até as escadas que desciam até o lago, descendo até a metade delas, nos sentamos frente a frente.

― Então... ― Ele começou ― Você e Arian estudam juntas?

― Não, a Saint Patrick é terrível, eu estudo na Lun Evanic

― Ah...

― É a única escola laica da região, nós não temos aulas de religião, nem cruzes e bíblias por toda parte e você? Vai estudar na Saint Patrick?

― OH, não, eu... Eu e minhas irmãs estudávamos em casa, mas eu acho pouco provável que a minha mãe vá nos matricular em uma escola cristã.

― Então... Charlotte não é sua única irmã?

― Não, eu tenho Victoria e Agnes ― Falou.

Eu assenti.

― Acho que vou pedir aos meus pais para nos matricular na... Como se chama mesmo?

― Lun Evanic, ela foi uma curandeira daqui, mas ela foi queimada...

Eu estava falando sem parar, era como se eu não conseguisse me controlar perto dele.

― Você é tão inteligente, Brieanna ― Ele disse sorrindo e passando o dedo por minha bochecha.

― Na verdade essa é uma história que todo mundo sabe...

Ele gargalhou e isso me fez reparar que ele me fazia lembrar de alguém, só não sabia exatamente quem.

― Você gosta de Hurling? ― Perguntei aleatoriamente.

― Costumava jogar com os meus primos, mas não diria que sou bom, muito pelo contrário, sempre erro as jogadas e eles ficam zangados comigo... Você gosta?

― Você nunca foi a escola?

― Comunitária conta?

― Não... Eu acho que não, você é legal, espero que sobreviva a o primeiro trimestre

― É tão ruim?

― É a escola...

Ele riu de novo daquele jeito.

― Você tem olhos turbulentos...

― Isso é bom?

― São difíceis de ler...

Eu mordi os lábios para não deixar meu pensamento de “Você tem olhos sexys” escapar por meus lábios estúpidos.

Nós continuamos conversando sobre as maiores aleatoriedades e coisas idiotas, falei mais sobre mim do que já havia falado com qualquer um dos meus amigos.

― Você pode dirigir? ― Perguntei incrédula.

― Sim, mas eu rodei na primeira prova prática, Deuses! Eu estava tão nervoso.

― Eu acho que não vou passar na primeira... Eu sou um tanto quanto ansiosa, a coisa legal é que meu pai vai me deixar escolher meu carro, ele fez o mesmo com minha irmã.

― Privilegio para poucos... Meu avô me deu Eleanor, eu sempre sonhei com esse carro.

― Eleanor, ela... Seu carro tem um nome? Um nome de mulher?

― Você nunca viu 60 segundos?

Fiz uma careta.

― Você precisa ver... Quando faz 16 anos?

― No dia 1 de novembro.

Ele parou de rir.

― É um bom dia.

Eu o olhei confusa e dei de ombros.

― Quando você fez 16 anos?

Ele mordeu o lábio.

― Promete que não vai tirar sarro de mim? Tudo bem se rir, já estou acostumado... Eu nasci em 14 de fevereiro...

Ele esperou até eu assimilar a coisa toda, demorou cerca de um minuto e meu cérebro praticamente fez um click.

― Você se chama Eros e nasceu no dia de San Valentin? Seus pais devem te odiar... ― Brinquei.

― Pare de rir, não, não pare, você fica linda rindo assim.

Eu parei de rir.

― Eu estraguei a coisa toda? É bonito você ficar toda tímida, meio que um charme ― Falou tocando minha bochecha.

― Você nasceu no dia dos namorados, isso é meio fofo ― Falei .

Eros concordou comigo se inclinando para que seus lábios tocassem os meus gentilmente.

Eu queria beijá-lo, mas e se ele me beijar e odiar? E se ele for do tipo que beija todas as garotas em festas? Eu não beijaria esse tipo de garoto.

Eu me afastei dele.

― Eu acho melhor nós voltarmos...

― Por que? Ainda não é tão tarde, você não pode ficar ao menos mais cinco minutos? ― Perguntou com sua voz doce, me olhando com os olhos azuis da cor do céu.

Eu engoli o nó em minha garganta e empurrei a ansiedade para um canto até que eu pudesse lidar com ela.

― Cinco minutos, meus amigos vão ficar preocupados

Ele assentiu se sentando mais próximo e segurando a minha mão, aquilo causava uma sensação de frisson, sentia um suor frio escorrendo por minha nuca.

― Então... Você está sempre por aqui?

Eu ri... Belo começo.

― Isso soou tão idiota, mas quero dizer, a festas e tudo mais.

― Não tanto, acabei de voltar... De... Férias e... Eu... Eu não vinha tanto em festas... Eu e meus amigos íamos ao golfe Club... Mas fomos proibidos de entrar porque Joseph e Kyle acertaram uma mangueira com o taco e inundaram toda a pista e... Ficamos muito velhos para golfe de qualquer forma... Nós também praticamos esportes no Gorey e vamos ao cinema, teatro, a opera... Bom... Eu vou com Morgh já que ninguém mais aguenta o gosto musical dela ― Falei ― Eu estou aqui falando sem parar novamente.

― Gosto de ouvir você...

― Ninguém gosta de me ouvir...

― Bom eu gosto ― Ele disse segurando meu rosto e unindo nossos lábios novamente.

Os lábios dele se moveram lentamente junto aos meus, eu não conseguia processar o que estava acontecendo... Talvez ele tenha perdido uma aposta ou algo do tipo.

Eu só consegui pensar em como ele estava perto, como seus lábios eram macios e gentis e como era diferente de beijar Joseph. Eros tinha gosto do refrigerante de laranja, foi incrível e quente, bom... Incrivelmente quente.

Ouvi uma voz ao longe chamando o meu nome, então a voz foi se aproximando, ficando mais alta, até que ouvi um pigarro e me afastei de Eros.

― Briea ― Ouvi a voz da Mirella.

Nos afastamos ainda mais, extremamente constrangida evitei olhar para Eros, eu mal conseguia olhar para Mirella, eu pisquei e ela me arrastou pela mão escada à cima.

― Ei, espera... Eu...

― Meia noite, vamos embora ― Mitchie disse me arrastando.

― Você não pode... Sei lá... Me dar seu número?

― É sério?

― É...

― Arian tem meu número... Eu realmente preciso ir.

― Você vai me atender, quando eu te ligar?

― Yeah... Eu não sei... Talvez... Eu não sei... Se é uma boa ideia...

― Vocês se falam amanhã ― Falou Mitchie.

Eu não consegui encontrar nenhum dos meus outros amigos ou minha irmã, então fomos direto para o el camino de Morgana.

― Ai meu Deus! Vocês se beijaram.

― Espera, quem se beijou? ― Morgh perguntou.

― Você não presta atenção? Briea e Eros ― Mitchie disse.

Morgana ajeitou o retrovisor para me olhar.

― E então?

Eu passei minhas mãos pelo rosto.

― O que dizer? Eu ainda estou meio confusa

― Você quis isso ou...

Eu fiz uma careta.

― Eu... Sim... Mais ou menos.

― Bom... Sorte a dele, ele deu a maior sorte de beijar uma tremenda gata.

Eu a olhei entediada.

― Estou falando sério ― Morgh argumentou.

― É... Mas é se ele for igual... Ao Willian?

― Um galinha? ― Mitchie perguntou ― É possível, foi só um beijo, não se martirize.

― Você é linda!

Eu revirei os olhos.

― Não estou brincando, você é linda!

― Ele quer sair com você de novo, ele não pediria se fosse um galinha.

Mitchie argumentou.

― Ele quer? ― Morgh perguntou.

Eu sei de ombros.

― Alguém não ficará feliz com isso ― Falou baixo.

― Meu pai? Ele só volta segunda e ele não vai saber.

Mirella riu.

― Você é muito lenta.

― Não estava pensando no seu pai, Brie, Joseph não vai ficar muito feliz.

― Ele não tem nada haver com isso... O que quer dizer com isso? ― Perguntei confusa.

Morgh revirou os olhos dando de ombros.

Elas me levaram para casa, eu entrei correndo e Lucyla estava cuspindo fogo, me mandou para o meu quarto após me fazer jurar várias vezes que eu não descumpriria o horário.

Quando me deitei não consegui dormir, mesmo após tomar meus remédios, comecei a me sentir suja, sufocando, como se algo estivesse errado, mas não conseguia descobrir o que era... Logo a realização de que talvez aquilo não fosse eu, talvez a energia de alguém estivesse me fazendo sentir aquelas coisas.

Eu me levantei e desci até o primeiro andar para dormir no quarto dos meus pais, apaguei depois de abraçar os travesseiros com o cheiro dos meus pais.

De manhã acordei com alguém me sacodindo bruscamente.

― Seu celular está tocando à horas ― Lucy falou.

O número não tinha registro em meu telefone.

― Você pode...

― Estou saindo ― Ela disse batendo a porta antes de sair do quarto.

― Olha eu disse que sairia com você, mas não precisava me ligar às... ― Olhei o relógio ― Deus São sete e meia da manhã ― Falei incrédula.

― Brie... Sou eu Emi...

― Ah... Olá você... Mudou de número?

― Quase, esse é do meu namorado...

― Você tem um namorado? Desde quando?

― Um mês, é bem recente.

― Por qué só sei disso agora?

― Queria ter certeza que a coisa daria certo antes de te contar ― Argumentou.

― Bom ponto... Então...

― Tem um encontro? ― Perguntou curiosa.

― Quase... Talvez... Eu não sei.

― Lucy está por aí?

― Não, só euzinha...

― Seus pais? Malloney? Liguei só para saber como estão...

― Mamá e Papá estão em Dublin ― Falei confusa ― Não viu eles na casa da vovó?

― Nós... Meio que não estamos nos falando ― Emily jogou.

― Ela está com aquelas cobranças sobre casamento e netos?

― Você é boa nisso ― Emily admitiu.

― Eu só observo os detalhes.

― Sua voz está cansada... O que fez ontem?

― Fui a uma festa...

― Tem bebido? Vá devagar... Não pule etapas... Cuidado com as pessoas com quem anda.

― Eu sei me cuidar Emily.

― Conheceu alguém? Vai me falar dele?

― Talvez... Digo... Eu conheci, mas eu ainda não tenho muito para falar ― Admiti ― Quando tiver será a primeira a saber.

― Acho bom, Brie... Eu preciso desligar, tenho que selecionar e editar as fotos para um catálogo, até mais, eu amo você.

― Tudo bem, até mais ― Falei desligando.

Enquanto descia as escadas após me trocar vi minha irmã passando pela porta da frente tentando não fazer barulho com cara de culpa.

― Ei! Você...

Falei cruzando os braços.

― Você está fazendo aquele olhar que o Papai faz... Para com isso, estou bem, sou bem grande.

Eu continuei a olhando preocupada.

― Brieanna é sério, está tudo bem, eu só perdi a noção das horas...

― Você... Com quem você estava? Não vou dedurar você nem nada... Mas, você não deveria dormir fora assim... Sabe como as pessoas são.

― Ei! Nada aconteceu, então não tem razão para se preocupar, o que as pessoas acham não importa, o que eu digo a você sempre? Vai tomar seu café da manhã, diga a Lucy que tentou me acordar e eu te chutei para fora, okay?

Eu assenti.

― Você quer tomar café da manhã comigo?

Minha irmã riu.

― Eu vou apagar sis, podemos sair para almoçar, o que acha?

Eu assenti sorrindo.

Passei minha manhã com Lucy, comendo uma torta enquanto conversávamos coisas aleatórias, ela me fez várias perguntas sobre o período em que ela ficou de férias.

Perto do horário do almoço eu estava pronta, já havia desistido de sair com Eros, se ele não havia me ligado, não iria ligar de qualquer forma, minha irmã que disse que iria almoçar comigo, me dispensou e foi para a aula de ginástica, de francês e provavelmente ao shopping.

Meu celular tocou quando eu ajudava Lucy com as roupas.

― Alô ― Falei confusa.

― Ei! Brieanna Brown? É Eros... Bom Eros O’Reilly... Primo de Arian... Ela quem me deu seu número...

― Me lembro de você Eros.

― Bom, muito bom... O que está fazendo? Tem planos para hoje?

Eu franzi as sobrancelhas.

― No que está pensando?

― Não é um encontro oficialmente... Nem nada... Eu só pensei que talvez você pudesse me mostrar a cidade... Se estiver tudo bem.

Eu suspirei.

― Não... Sim... Digo... Por que quer sair comigo?

Ele riu.

― Porque você é legal... Eu estou pedindo para dar uma volta por aí, não te pedindo em casamento nem nada, eu convidaria minha prima, mas nós brigamos à cada dez segundos bem como primos.

Eu engasguei.

― Vocês são primos mesmo?

― Pode acreditar, minha tia se casou com o pai dela, então os filhos dos irmãos dos meus pais são primos, certo?

― Devem ser, eu não tenho primos, Joe, Lucas e Kyle são o mais próximo de irmãos e primos que eu tenho.

― Então... Vai me mostrar a cidade?

― Tudo bem, esteja aqui às 02h00pm, não se atrase.

― Tudo bem, duas em ponto, feito, obrigada... Espera... O seu endereço?

― WhiteRock Hill, rua Riverview, a última casa da rua... Não tem como errar... É... Antiga e... Tudo bem... Acho que é isso.

― É a rua do bosque assombrado?

― Tem medo de fantasmas?

― É claro que não, te vejo as duas.

― Não se perca garoto de Wicklow.

― Nunca.

― Você vai sair com um rapaz? ― Lucyla perguntou.

Eu estreitei os olhos.

― Sim senhora López e não, não é um encontro.

― Quem é ele?

― Eros.

― Eros quem? Filho de quem? Não está sendo específica.

Eu mordi os lábios.

― Ele é primo de Arian, sobrinho dos O’Grady.

― Agora sim, quero que ele entre, tenha bons modos e traga você no horário.

― Okay xerife, preciso me preparar.

― Não se meta em encrenca...

― Não vou ― A tranquilizei.

Cheguei ao meu quarto me sentindo exatamente como meu primeiro dia de aula na Lun, meu estômago estava revirando, boca seca e mãos suando, mas agora não tinha nada haver com bullying e humilhação pública.

Qual é o problema comigo? Isso nem é um encontro... Não oficialmente... Eu nem conheço direito o cara.

Quando desci as escadas após ouvir o carro estacionando, Lucyla dizia algo a Eros com aquela cara de quando ela briga comigo.

― Olá vocês ― Falei desconfiada.

Eles sorriram.

― Seu amigo é muito inteligente e gentil querida ― Lucyla disse.

Eu ri.

― Você conseguiu deixar ele vermelho ― Acusei.

― Não estou ― Ele tentou se defender ― Tenho que dizer... Uau

Eu o olhei desconfiada.

― Certo.

― Aonde vamos? ― Perguntei.

― Eu não conheço quase nada aqui... Esperava que me guiasse.

Eu bati em minha testa.

― É claro, eu esqueci... Só...

― Podemos ir? ― Perguntou ― Não se preocupe, vou cuidar dela ― Ele prometeu.

― É melhor cuidar mesmo ― Lucy disse.

Eros me guiou até um sedan preto com vidros escuros.

― E o Shelby? ― Perguntei confusa.

― Ele chama muita atenção...

― E nós queremos discrição porque...

― Eu só achei que você fosse preferir não chamar atenção... Sendo... Quem é... Mas podemos ir até a minha casa e sair em minha Eleanor...

― Uou, Uou, passos muito grandes, vamos sair nesse carro mesmo ― Falei ― Não acredito que deu nome de mulher para o seu carro ― Resmunguei abrindo a porta do carro e me sentando.

Eros deu a volta e entrou logo em seguida e ficou me olhando de uma forma esquisita.

― Por que está me olhando assim?

― Você pensou em mim ontem? ― Falou como se estivesse me dando um bom dia.

Eu ri.

― Você é muito convencido, sabia garoto!

― Isso é um sim?

― Não pode ficar me fazendo essas perguntas indiscretas.

― Por que? É bem simples.

― É pessoal demais!

― É sobre nós, não é tão indiscreto.

― Não existe nós Eros!

Ele riu e continuou esperando a resposta.

― Deus, garotos são tão esquisitos, se eu disser que sim você liga logo essa droga de carro e dirige?

Ele assentiu.

― Então tá, talvez eu tenha pensado um pouco.

Ele sorriu claramente satisfeito.

― Vai me contar o que você pensou?

― Longe demais ― Falei erguendo a mão para ele parar de falar.

― Você é sempre teimosa e mal humorada assim?

― Pode crer ― Confirmei olhando a chuva do lado de fora da janela, amo o barulho da chuva caindo e deixando tudo com aquela cor escura e um cheiro que eu amo.

― Bom, acho um charme.

― Não pode ficar me falando essas coisas!

― Você é sempre constrangida assim?

― Podemos só ir?

― Deveríamos estar nos divertindo, seu mal humor não ajuda, promete que não vai ser uma ranzinza o dia todo?

― Promete não me fazer perguntas constrangedoras?

― Feito ― Falou apertando minha mão e se inclinando em minha direção, eu baixei meus olhos, porque de repente minhas unhas ficaram realmente interessantes ― Você é linda demais para morrer em um acidente automobilístico ― Disse engatando o cinto de segurança.

― Dirige tão mal assim? ― Perguntei preocupada.

― Eu dirijo muito bem, obrigado.

Eu ri.

Eros guiou para fora da minha rua.

― Então me fale mais de você, qual sua história? Sempre morou aqui?

― Isso não é interessante, por que quer saber isso?

― É o que os amigos fazem, eles sabem essas coisas.

― Você não quer saber isso, acredite.

― Qual pode ser a pior coisa? Matou um peixinho? Chutou sua professora do elementar? ― Perguntou seguindo para o lado da cidade onde o porto ficava.

― Vai se decepcionar, não tem nada de interessante para saber ― Admiti.

Nós pegamos um almoço no meu restaurante favorito e caminhamos pela avenida Trinity conversando e olhando os navios do porto.

Depois seguimos para o carro e ele dirigiu guiado por mim até onde o parque Gorey ficava.

Nós nos sentamos um cima de uma mesa de piquenique embaixo de uma choupana, a chuva batia em tudo e molhava nossos sapatos.

Ficamos trocando informações bizarras sobre nossas vidas, eu acabei sabendo mais informações do que eu gostaria, não achei certo falar todos os meus problemas, era totalmente novo conhecer alguém que não veria as partes quebradas de mim, não sabe todas as coisas estúpidas que eu já fiz incluindo deixar minha melhor amiga morrer.

― É sério, tem que ter alguma coisa ruim, ninguém é um santinho o tempo inteiro ― Falei incrédula.

― É só isso mesmo o que eu já te falei, Eros Godric O’Reilly, mudei para cá com as minhas três irmãs e meus pais, que tem toda essa veia artística e estão sempre procurando por algo, dessa vez não sabemos o que é, mas eu confio neles e sei que vai dar tudo certo.

― Vocês já moraram em muitos lugares... Isso deve ser ótimo, consigo contar nos dedos de uma mão só as vezes em que eu sai de Wexford.

― Você nunca quis? Ou não teve oportunidade?

― Ambos, acho...

― Eu estou feliz de ter mudado... Feliz de fazer amigos como você.

Eu o olhei confusa e ri ironicamente.

Amigos... Amigos... Então por que diabos ele... Eu e Joseph somos amigos... Joseph é apenas inconveniente... Eros é...

Garotos são todos uns estúpidos, droga.

― Nós deveríamos ir ― Falei olhando o céu ainda mais escuro e o barulho dos trovões como se o mundo estivesse rachando.

― Sim... É claro ― Falou se levantando.

Nós caminhamos pelo parque lado a lado, mas havia um silêncio constrangedor, eu estava sentindo uma onda estúpida de ansiedade vindo sobre mim e eu não estava me sentindo assim antes... Droga!

― Você está bem? De repente você ficou calada e...

― Não... Sim... Eu só...

― Foi algo que eu disse? Ou fiz?

É foi, nada faz sentido quando você tem ansiedade as situações que deveriam não ter importância tem um peso de uma tonelada.

― Eu só quero ir embora.

― É só chuva ― Falou jogando seu casaco sobre mim.

Eros dirigiu até WhiteRock sem desviar os olhos em silêncio, já na minha casa ele parou o carro se virando para me olhar.

― Você tem certeza que está legal?

― Foi um dia longo.

― Eu me diverti muito.

Eu assenti.

― Parece que você não é o assassino do machado ― Joguei.

― Pode ser... Lucy não deve estar tão certa disso... Nos atrasamos uma hora e meia... Desculpa, deveria ter ficado de olho no relógio.

Eu suspirei apertando meus olhos com as ponta dos dedos, esse atraso me renderia um sermão de uma hora.

Olhei as chamadas perdidas em meu celular, Joseph, Joseph, Joseph seis chamadas, minha mãe, 4 chamadas, meu pai dezoito chamadas, Deus! Eu estava tão ferrada.

― Lucy vai te odiar, se prepare... Ela é dura com horários.

― A minha mãe também é, eu meio que entendo...

― Então é isso... Nós nos vemos por aí ― Falei .

Eros se inclinou juntando nossos lábios antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, foi diferente de beijar ele na clareira, senti meu rosto queimando e minha cabeça confusa demais com uma sensação de que algo estava errado e querer correr para casa e me lavar, estava me sentindo suja.

― Preciso ir ― Falei me afastando e saindo do carro.

Eros desceu do carro me segurando pelo braço.

― Me desculpe, eu não devia... Eu só ― Ele me deu um abraço desajeitado.

Eu senti minha cabeça girando e uma falta de ar terrível.

Então uma freada e uma porta batendo.

― Onde você se meteu? ― Joseph falou irritado.

― Eu não te devo satisfações.

― Uma porra que não deve, seus pais te ligaram o dia todo, eu te liguei, todos estavam atrás de você

― Estou bem, vou ligar para eles, já pode ir ― Falei .

Ele riu cínico.

― Vou dormir aqui, você não pode ficar sozinha, pelo que parece coisas ruins acontecem, tio Elea disse amarre ela se for necessário... Você vai ter uma longa conversa quando eles votarem.

― Cala a droga da sua boca ― Falei me afastando ― Me desculpa por isso... Até amanhã ― Falei sem pensar direito, apenas queria me livrar dos dois.

― As quatro ― Eros falou rindo provocativamente para Joe.

― Ótimo, bem vindo a Wexford ― Falei .

Beijei Eros no rosto antes de entrar com Joseph berrando comigo logo em seguida.

― O que diabos está acontecendo aqui? ― Malloney quis saber.

― Não vou ficar aguentando as suas idiotices, sou livre para sair com quem eu quiser ― Falei ― Não estamos na idade média.

― Então está saindo com esse aí agora?

― Ele se chama Eros e isso não é da sua conta ― Falei irritada.

― Mas é claro que é!

― Somos amigos Crowley!

Ele riu.

― Tenho certeza que ele quer ser seu amigo ― Falou irônico.

― Me poupe, você não tem que querer merda nenhuma.

― É o que nós vamos ver ― Joseph berrou.

― Já chega, vocês dois, para a cozinha agora ― Malloney berrou.

Nós três nos sentamos na ilha da cozinha.

― Qual é a de vocês? Onde acham que estão para gritar dessa forma um com outro?

― Brie anda saindo com um idiota, ela sumiu a droga do dia inteiro e mal conhece o cara, Eros, Erin algo assim.

― Eros O’Reilly e isso continua não sendo da droga da sua conta, somos amigos!

― Sim vi como são amigos quando ele enfiou a língua na sua boca.

― Espera o que? ― Malloney falou confusa me olhando preocupa ― Já chega Joseph, pode cair fora!

― Acha que julgamos você responsável para cuidar dela? ― Ele perguntou irônico ― Vou dormir aqui.

― Que bom, tenha uma ótima noite ― Minha irmã falou me puxando pela mão para o quarto dela.

Então Malloney me interrogou sobre tudo, sobre tudo o que eu sabia sobre os O’Reilly em Wexford, especialmente por Charlotte, tentei dizer tudo o que eu sabia, mas não era muita coisa, estava quase chorando para ela me liberar e eu poder tomar banho e dormir.

Tive muitos pesadelos naquela noite, acordei diversas vezes ofegante, chorando, meus pesadelos tinham tempestades e trovões, tudo o que eu via era escuridão... Fiquei furiosa comigo mesma por me deixar tão sensível.

Na manhã seguinte tudo o que eu precisava fazer era ocupar minha mente, assim fiz, liguei para Mirella, para me acompanhar, compraríamos alguns livros e daríamos uma volta pela cidade, apenas eu e a minha melhor amiga mais doida, uma vez que Morgh estava com Nathaniel.

Nós encontraríamos perto do porto, já que ela mora naquele lado da cidade, pedi a minha irmã para me levar e ela me disse que tinha yoga, me mandou não chatear ela e me deu dinheiro para o taxi.