Moon Society: The lighthouse.
4 Capítulo Dois: O você acha que eu sou?
Notas iniciais
Então caminhei até a minha casa cortando caminho, o lado bom das ruas na Irlanda é que a maioria dos finais de ruas tem cercas que vão dar em outras ruas, por onde você pode cortar caminho, que é o que eu sempre faço já que não posso dirigir e dar toda aquela volta de 1 km da casa de Paul Lucas até a minha não é uma opção.
Quando eu estava quase na cerca que separa o fim da Southnock da Bellevue uma chuva torrencial começou a cair sobre mim, minha falta de sorte aparente, eu escorreguei quando descia da cerca e minhas mãos arrastaram na terra e meus joelhos ficaram cheios de lama, depois de caminhar pela Bellevue parecendo um monstro de lama cheguei ao um muro branco e ele dava um uma avenida linda demais que levava até um bosque que dá para os fundos da minha casa.
Quando cheguei à frente da minha casa estava furiosa, deprimida, chateada, coberta de lama e ensopada até a alma, mas não pude deixar de sorrir ao ver o carro azul da tia Em na frente da casa.
Minha tia Em é a pessoa mais divertida e cheia de energia e empolgada e legal que eu já conheci, ela sempre vê o lado bom das coisas e tenta te animar quando você está na pior.
Passei pela porta amaldiçoando toda aquela água lá fora, comecei tirando meus tênis que estavam arruinados, assim como minha jaqueta, meu cabelo e meus jeans.
― Olhe quem chegou ― Em disse sorrindo enquanto ela e mamãe desciam as escadas.
― Oi ― Falei sem graça passando as mãos por meu rosto molhado.
― Pelo amor de Deus minha filha, já são dez horas, olha o seu estado Brieanna andou rolando na lama? ― Pediu pegando uma toalha no armário embaixo da escada e colocando em torno de mim.
Emily riu e fez um gesto dramático por trás da minha mãe e eu não pude deixar de rir.
― O que é engraçado? ― Minha mãe perguntou.
― Nada, mãe eu só caí, okay, está chovendo lá fora ― Falei.
― Por que seus amigos não trouxeram você? Onde estava até essas horas?
― Mãe, eles não me trouxeram porque eu não quis, Joseph é um idiota, todos os garotos são uns idiotas ― Xinguei frustrada ― Estávamos no Lucas.
― Andou 1 km até aqui na chuva às dez da noite? Brieanna o que tem na cabeça filha?
― Claro que não andei 1 km até aqui mãe, vim pela Bellevue ― Falei calmamente.
― O que já Falei sobre pular cercas como um moleque Brieanna, Meu Deus.
― Ai mãe, agora não, por favor, eu estou exausta, irritada e vou para o banho ― Falei baixo me desvencilhando dos braços da minha mãe e começando a subir as escadas.
― Depois vamos conversar sobre isso ― Gritou.
― Estou ansiosa por isso ― Ironizei.
Entrei no quarto escuro sem me dar ao trabalho de acender as luzes, fui tirando minhas roupas e jogando elas por todo o banheiro, entre no chuveiro quente e deixei a água bem quente escorrer por meu corpo na tentativa de me acalmar, não teve o efeito esperado, eu senti aquele aperto no peito e uma vontade incontrolável de chorar e explodi em uma torrente de lágrimas escorrendo por meu rosto, eu solucei e tentei respirar fundo para me acalmar, mas só conseguia chorar.
Depois de sair do chuveiro sequei preguiçosamente meu cabelo, sem o pentear, fui até o closet e vesti um conjunto de moletom cinza e preto e me joguei na cama cobrindo minha cabeça com o travesseiro, demorou menos de meia hora para que alguém batesse insistentemente na porta.
Não pode ser minha mãe, não pode.
― Posso entrar? ― Ouvi a voz rouca de Em ecoar por meu quarto escuro.
Eu dei uma risada me sentando.
― Você sempre pode ― Falei sorrindo.
― Nem nos falamos direito ― Ela choramingou acendendo as luzes.
― Me desculpa me pegou em um dia esquisito ― Falei piscando algumas vezes para e acostumar com a luz forte.
Ela se sentou ao meu lado na cama e passou o dedo por minha bochecha.
― Estava chorando.
Eu sequei minha bochecha com as costas das mãos e funguei limpando a garganta.
― Como estão as coisas? ― Perguntou me olhando muito séria.
― Nossa Emily, você já foi mais sutil ― Brinquei.
― Sutileza é minha marca registrada ― Disse apertando minha mão.
― Hoje não foi fácil, ultimamente não está sendo fácil ― Admiti.
― Eu nem posso imaginar como está sendo ― Disse sinceramente ― Mas sabe que pode me contar qualquer coisa, pode me ligar, mandar mensagem te texto, um fax, sinal de fumaça, qualquer coisa eu estarei aqui, não é?
― Eu sei, obrigada ― Falei.
― Quer conversar sobre por que estava aqui encolhidinha no escuro chorando? ― Perguntou sentando com as costas na cabeceira da minha cama e me abraçando.
― É só que... Às vezes sinto como se ninguém me entendesse, meus amigos, eu... Eu gostava de ficar perto deles, parecia que tínhamos coisas em comum, que eles me entendiam, mas hoje eu... Eu não tenho mais certeza de nada, sabe? É como se eu não tivesse escolhido nada na minha vida, nem meus amigos, nascemos juntos e as coisas foram acontecendo... Eu fui seguindo o fluxo, as coisas que impuseram a mim, sendo uma boa garota, eu nunca me queixava, nunca respondia, nunca discordava e agora eu... Não tenho ideia de quem eu sou.
― Todo mundo tem uma fase assim, Brie , é normal tudo o que você está passando, está descobrindo quem você é, seus amigos também estão, não tem um manual de como crescer sem cometer erros, são para isso que servem os erros, eles fazem você crescer, descobrir quem você é, seus amigos vão errar com você, você vai errar com eles, mas é importante que você se lembre de porque costumava querer ser amiga deles, por que vocês são fortes juntos, entende?
― Sim, eu não tinha pensado desse jeito, obrigada Em, mesmo ― Falei sorrindo-lhe.
― Estou aqui para isso, baby Boo.
Eu fiz uma careta engraçada com a língua para fora.
― Ai vocês precisam parar com isso.
― Sua mãe ela está preocupada ― Em falou ― Ela me disse, abre aspas, ela escuta você, quer que eu te convença a ir para a Itália comigo, o que andou aprontando? Você costumava ser a garota boazinha, sempre apostei que Malloney quem arranjaria encrenca primeiro ― Falou me cutucando ― O que aprontou?
― Nada, é só que... Ela acha que Wexford tem um clima trágico e que isso não ajuda na minha recuperação ― Falei ― Quer que eu volte à terapia com Sarah e Mason.
― Você acha que isso vai ajudar? ― Emily perguntou.
― Sinceramente? Não, mas sinto falta da medicação, me ajudava a dormir e não escutar as
― As?
― Vozes ruins na minha cabeça ― Falei sem graça.
Emily me olhou um pouco atônita e suspirou.
― Você tem tido aqueles pensamentos sobre se machucar? Tem que ficar forte, por você e pelas pessoas que te amam.
― Eu vou tentar ― Falei sorrindo.
Tive um pesadelo, eu estava em um lugar escuro, era grande, cheio de espelhos negros com molduras prateadas, eu ouvi o barulho dos meus passos ecoando pelo chão, não conseguia ver nada, nem ouvir nada além dos meus passos e minha respiração ofegante, eu comecei a correr muito rápido mesmo sem conseguir ver, eu estava com tanto medo, quando eu escorreguei bati com o rosto em um espelho e ele se partiu em milhares de pedaços contra o meu rosto.
Acordei ofegante, chorando e me contorcendo enquanto alguém me segurava.
― Hey, não chore você está bem, está tudo bem, foi só um pesadelo ― Emily disse me segurando enquanto afagava meu cabelo.
― Porra! ― Xinguei.
― Você tá toda gelada ― Falou preocupada.
― Estou bem, não conta para a minha mãe, por favor ― Pedi secando minha bochecha.
― Brie, Eu...
― Em, por favor.
― Ela deve ter ouvido você, você estava chorando, muito alto e gritando, fiquei muito preocupada ― Em disse.
― Eu vou ficar bem ― Prometi.
Já era de manhã, Emily se despediu de mim e ela desceu para ir embora, eu me levantei e fui para o chuveiro e me vesti.
Desci as escadas e chegando à cozinha vi um bilhete junto com meu café da manhã.
Meus pais tinham ido a Waterford e minha irmã provavelmente não perdeu a chance de ganhar umas roupas novas.
Isso significa que meus pais finalmente se deram conta de que eu não preciso de babá, temos um avanço, tomei meu café da manhã e mandei um sms para o Kyle e Paul Lucas convidando para vir passar o dia comigo, porque não queria sair e não quero ficar sozinha.
Eu estava realmente chateada com Joseph, eu posso ter sido um pouco infantil, mas ele também foi ontem, eu só queria um tempo com os meus amigos, ele não tinha nada que convidar aquela garota, eu nem conheço ela, ninguém conhecia ela, só ele.
Kyle respondeu meu sms e que em uma hora estaria ali, o que me deu um tempo para arrumar algumas coisas para fazermos, Mas já haviam passado duas horas e meia e eles não estavam ali, comecei a ficar realmente preocupada.
Eles estavam com Joseph ontem e com Elaine, Elizzy sei-lá-o-que.
Eu peguei o telefone e disquei o numero do Kyle, que tocou por três vezes e nada... E se eles ficarem amigos daquela garota e não quiseram mais ser os meus amigos? E se Kyle arranjar uma namorada e eles saírem em casais para fazer programas de casais e eu não puder mais sair com eles, porque eu não namoro ninguém, e se ninguém nunca quiser namorar comigo? E se eu ficar sozinha para sempre?
― Alô ― Eu ouvi a voz de Kyle soar no telefone, mas eu já estava chorando e não sabia por que isso estava acontecendo ― Brie... É você? ― A ligação estava bem ruim cheia de chiados.
― Como sabe que é ela? ― A voz de Paul Lucas soou ao lado dele.
― É o número de lá... Brie ― Kyle me chamou ― Está aí?
― E... Eu ― Eu solucei
― Hey não chora, Fala comigo o que houve? Você se machucou? Está doente? ― Kyle perguntou aflito ― Acelera essa porra Lucas ― Ele xingou.
― Eu não sei por que ― Eu solucei novamente sentindo meu estômago revirar e minha cabeça latejando, estava enjoada e suando frio, me sentei no chão da cozinha.
― Hey nós estamos chegando, onde estão seus pais? ― Perguntou ― Fica falando comigo já vamos chegar okay? Por que não abre a porta para a gente?
― Eu... ― Solucei de novo com todas as lágrimas embaçando meus olhos ― Eu... Eu... Na... Não consigo ― Respirei fundo tentando fazer aquela sensação ruim no meu peito ir embora.
― Não consegue? Você está bem? Onde você está? Está aí em cima?
― Cozinha ― Falei com minha voz falhando.
Eu ouvi um barulho da porta abrindo tão rápido que ela bateu na parede com força depois barulhos de passos e Kyle e Lucas chegaram à cozinha.
― Aí está você ― Kyle disse ofegante.
― Hey, o que você tem? ― Paul Lucas disse se ajoelhando ao meu lado ― Você nos deu um baita susto ― Falou ofegante ― Porra!
― E... Eu achei que... Que vocês não vinham
― Desculpa a gente se atrasou um pouco por que
― Cadê a Malloney? ― Joseph perguntou cortando Lucas.
― Eu... Não sei... Eu só...
― Vem levanta desse chão, Você tá toda gelada ― Lucas disse me pegando no colo.
Ele andou comigo até a sala de televisão, pegou uma das mantas que estavam no sofá e me cobriu.
― Para de chorar, está tudo bem ― Kyie disse colocando o moletom quentinho dele em mim.
― Se vocês forem amigos da Elaine vocês não vão mais querer ser os meus amigos? ― Perguntei com medo.
― Quem? ― Paul Lucas perguntou
― Quem é Elaine, Brie? ― Kyle perguntou
― O nome dela é Elizzy ― Joseph falou divertido.
― Se Kyle arranjar uma namorada então vocês vão sair em casais e então não vou mais poder sair com vocês e eu não sei arranjar mais nenhum amigo ― Falei olhando os meus dedos.
― Eu posso ser colega de outras garotas, mas melhor amiga é só você, a Carrie é muito ciumenta, não cabe tanta mulher assim na minha vida, ela te ama porque somos melhores amigos desde que andávamos de fraldas ― Paul Lucas disse sorrindo e tirando minha franja dos olhos.
― Hey, que bobeira é essa? Sempre vamos ser seus amigos, Além do mais a gente teria que arranjar uma garota surda para não ouvir as besteiras que Kyle fala ― Joseph disse rindo e levou um soco de Ky no braço.
Nós nos sentamos para assistir a um filme, que novamente, o escolhido foi To Kill A Mockingbird, que é meu favorito e devo ter assistido umas 70 milhões de vezes.
Eu estava meio desconfortável, só queria que aquela sensação de que algo ruim vai acontecer fosse embora, é horrível viver com isso.
Acho que você não se dá conta da mudança até ela acontecer, e ultimamente um bilhão de coisas mudaram e eu sei que mais um bilhão de mudanças estão para acontecer, mas eu não sei como lidar com elas.
― Você está bem? ― Kyle perguntou ― Está um pouco pálida.
― Quer que eu pegue uma água para você? ― Paul perguntou.
― Não eu só... Estava pensando em algo que Emily me disse ontem.
― Emily esteve aqui? ― Lucas perguntou confuso.
― Quando ela voltou para Dublin? ― Kyle pediu.
― Ela estava em Cork pela manhã e veio até aqui, ficou para dormir e voltou a Dublin hoje de manhã ― Falei.
― O que foi que vocês conversaram? ― Joseph perguntou.
― Ela... Eu falei para ela que minha mãe quer que eu volte a ver Mason, sabe
― Você pensou em... Se machucar de novo? ― Paul perguntou preocupado vindo se sentar perto de mim no sofá.
― Não é só... Às vezes...
― Não pode fazer isso ― Ele disse ― Quando acontecer precisa pedir ajuda, ligar para algum de nós ou seus pais e Malloney ou Emily, não pode se machucar de novo ― Lucas disse tudo em um fôlego só.
É por isso que não gosto de falar sobre isso com eles, estão emocionalmente envolvidos demais, entram em pânico, não posso os fazer ficarem preocupados comigo.
― Eu estava falando com Emily que ultimamente tenho a sensação que eu não me encaixo em lugar nenhum, de novo, sabe, os meus pais não me deixam respirar, eu não consigo sentir nada ― Falei baixo ― Eu estou com medo de machucar vocês ― Falei baixo ― Em disse que me sinto desse jeito porque eu não sei quem eu sou que não existe um manual para crescer sem cometer erros, que eu vou cometer erros com vocês e que vocês vão cometer erros comigo, mas... E se eu cometer um erro tão ruim e vocês não quiserem mais falar comigo e eu magoar vocês porque estou desse... Jeito?
― Hey, se acalme, está pensando demais e enlouquecendo com isso, sua cabeça está até soltando fumaça ― Lucas disse divertido.
― Ninguém vai abandonar você ― Kyle disse ― Amigos são assim mesmo, eles fazem merda uns com os outros, mas depois se desculpam e é isso.
― Ninguém vai deixar você sozinha, qual o pior erro que pode cometer? Está falando como se fosse matar alguém, nada disso vai acontecer ― Joseph falou.
Nós continuamos falando e assistindo a outros filmes, até eu ouvir o barulho da porta principal abrindo e alguém falando.
Eu olhei para Kyle muito confuso quando Joseph se levantou saindo da sala de televisão seguido por Paul, depois ouvi Joseph gritando, Malloney gritando e Lucas mandando os dois se acalmarem.
Uns minutos depois Malloney entrou na sala de televisão, ela estava bem vestida, com um vestido azul claro, saltos da mesma cor e o cabelo loiro preso em uma trança.
― Hey, você está bem? ― Malloney perguntou preocupada ― Eu achei que você iria dormir até mais tarde, me desculpe, eu fui resolver uns problemas com April e eu me atrasei ― Ela disse me olhando preocupada.
― Eu estou bem agora eu só...
― Você pode não contar aos
― Você é muito cínica, não acredito que está chantageando ela para não dizer que deixou ela sozinha, sua egoísta fodida ― Joseph berrou.
― Para de gritar comigo imbecil ― Malloney gritou de volta.
Eu senti minha cabeça latejar algumas vezes.
― Ela podia ter se machucado... Entende isso? ― Joseph falou ― Não deveria ter deixado ela sozinha.
― Ela disse que está bem, não foi tão
― Não foi tão sério? É claro que pra você nunca é sério, você não viu ela quando nós chegamos ― Kyle disse.
― Ela teve uma crise de ansiedade e ela estava sozinha porque você foi fazer qualquer merda com a April na rua, quando deveria estar com ela, eram só algumas horas até chegarmos não podia aguentar umas horas? ― Paul perguntou furioso.
Parem de gritar, todos vocês, estão fazendo minha cabeça doer ― Falei chorando e colocando as mãos nos meus ouvidos.
― Hey me desculpa ― Lucas disse ― Nós não vamos gritar.
― Pode ficar sabendo que tio Elea vai saber disso ― Joseph disse.
― Pode contar seu fofoqueiro, você é bom nisso ― Malloney xingou.
― Parem com essa merda ― Kyle falou.
― Eu já estou em casa, vocês já podem ir ― Malloney disse.
― Não pode mandar a gente embora ― Ky disse.
― Claro que posso é a minha casa ― Ela disse.
― Não pode porque eu os chamei e essa casa também é minha ― Gritei ― Eu... Eu quero ficar sozinha ― Falei cobrindo o rosto com as mãos.
― Brie ― Paul Lucas disse.
― Por favor, só me deixem sozinha, não aguento mais ver as pessoas brigando por minha causa ― Falei saindo da sala e indo para o meu quarto.
Eu bati a porta trancando ela e me sentando no chão, eu chorei por horas e horas, até ouvir alguém bater na porta.
― Hey Brie, eu já me desculpei, por favor, abre a porta se mamãe e papai te verem desse jeito trancada no quarto vão me ferrar e nunca mais vão te deixar em paz ― Ela jogou sujo.
― Eu não quero ver ninguém ― Falei soluçando.
― Vamos lá, eu prometo que não olho pra você ― Minha irmã disse parecia que ela estava sentada no outro lado da porta.
Eu respirei fundo e me levantei devagar abrindo a porta para ela.
― O que houve para você ficar daquele jeito? ― Perguntou sentada ao lado da minha porta.
Ela já estava com outra roupa e o cabelo solto.
― Eu não sei, não dá pra controlar.
― Você não sabe como começa? ― Perguntou.
― Com pensamentos e eu não conseguindo respirar e então minha cabeça começa a latejar e...
― Entendi, bom... Eu não entendi, mas é que... Você precisa melhorar Brie, tem que se esforçar, eu não quero que nossos pais te mandem para o hospício de novo, as pessoas vão falar sobre isso de novo e não vai ter sempre alguém para cuidar de você, você precisa ser forte, se não nossos pais nunca vão te deixar em paz, é sério ― Falou.
― Você é uma porra de uma egoísta, não está nem ligando para o meu bem estar, se eu tenho uma crise de ansiedade, o inferno que eu passei naquele lugar e passo e você nem pode imaginar como é e só está preocupada com o que as pessoas vão falar se eu for para o hospício de novo?
― Você sabe que não é disso que eu
― Sai daqui Malloney, obrigada por sua preocupação ― Falei fazendo aspas com as mãos.
Eu bati a porta e xinguei todos os nomes feios que vieram a minha cabeça, estou cansada dessa merda, preciso sair daqui, vesti umas roupas, desci as escadas e peguei um casaco no armário embaixo das escadas.
Fui para o escritório porque precisava ligar para a única pessoa que podia me ajudar nesse momento.
― Kaleb ― Falei assim que ele atendeu.
― Hey, olha só... Eu não esperava que fosse você, quando voltou? Não nos falamos faz um bom tempo ― Ele disse dando uma risada ― Tudo bem?
― Mais ou menos, você sabe como é...
― Eles estão te deixando louca você ainda está na condicional? Eu sei o que você quer... Joseph é bem chato, você sabe que eles vão me encher por séculos...
― Eu sei, eu meio que, ainda estou na condicional e hunm, estou aproveitando que os meus pais saíram para negócios em Waterford e quero que você me leve para algum lugar ― Falei baixo.
― Por que está sussurrando? Você vai me meter em encrenca ― Ele suspirou.
― Mas você é o meu irmãozão tem que me levar, Malloney está me deixando louca, por favorzinho ― Falei baixo.
― Ahh, Brie... Okay, o que quer fazer?
― Qualquer coisa que inclua sair de casa ― Falei
― Eu vou a uma festa hoje lá pelas 11h00pm ele disse.
― Muito tarde, meus pais vão chegar às 10h0pm preciso estar na cama há essa hora ― Falei.
― Ainda te colocam na cama às dez da noite? Que crueldade ― Kaleb riu.
― Calado ― Xinguei
― Certo, me encontra no Randon Ross, perto da Charleton, o pessoal vai fazer um esquenta para a festa do Thommas, eu apanho você lá.
― Por que acha que vão me deixar entrar no Randon da Charleton? ― Perguntei ― É um bar +21 ― Falei
― Só diz que é a irmã do Kaleb e que eu vou te buscar lá okay? ― Kaleb disse ― Não chame atenção nem arrume encrenca ― Falou.
― Mas eu nunca
― A encrenca sempre encontra você ― Ele disse.
Eu dei uma risada.
― Te vejo daqui uma hora ― Falou.
Eu peguei minhas coisas e quando estava na porta minha irmã estava voltando da cozinha.
― Aonde você pensa que vai pirralha?
― Não penso, eu vou, para qualquer lugar bem longe de você ― Falei saindo e batendo a porta, a deixei falando sozinha mesmo.
Eu caminhei pela minha rua, descendo em direção a Charleton e segui por mais alguns metros, passando a frente do Clube de Rugby e indo para o Randon Ross, um bar pequeno e azul.
Eu entrei pela porta lateral e dei de cara com um segurança enorme sentado em um banco alto.
― Está perdida? Você não pode entrar ― Ele disse.
― Eu sou irmã do Kaleb, ele me pediu para esperar por ele aqui ― Falei.
Ele deu uma risada.
― Não me importo de quem você é irmã, você sabe ler? ― Ele perguntou apontando a placa que dizia proibida a entrada de menores de 21 anos.
― Eu sei ler, tenho certeza que se você chamar o seu chefe ele vai me deixar entrar ― Arrisquei.
― Meu chefe tem mais o que fazer querida ― O segurança disse segurando o meu braço ― Agora dá o fora daqui ― Falou.
― Você é muito imbecil mesmo, eu preciso esperar por ele ali dentro seu idiota, ME SOLTA SEU TROGLODITA EU SEI ANDAR ― Falei alto.
― Hey o que está havendo aqui? ― Um loiro disse se aproximando.
― Essa garota disse que quer entrar e esperar o irmão, algo assim, está na cara que é menor de 21 anos, não autorizei a entrada ― O segurança falou.
― Quem é você? ― O loiro me perguntou.
― Sou Brieanna Brown ― Falei ― Não, não Brown ― Me xinguei por ter dito meu sobrenome ― Só Brieanna, sou irmã do Kaleb ― Falei ― Ele me pediu para esperar ele aqui, está vindo me buscar ― Falei.
― Aquele sem vergonha sempre me arruma problema ― O loiro falou rindo ― Você só vai entrar porque devo uma a ele, mas não se acostume, posso me encrencar se alguém pegar você aqui ― o Loiro falou ― Eu me chamo Lance, Não sabia que o Kaleb tinha irmã caçula ― Ele disse confuso enquanto andávamos até o bar.
― Eu não sou irmã de sangue ― Menti
― Oh, certo, entendo, bom, Irmã do Kaleb ― o Cara disse rindo incrédulo ― Você pode ficar por aqui, assim posso ficar de olho em você enquanto trabalho, espero que seu irmão não demore ― Falou ― Não arrume encrenca, aquela gritaria com o segurança já chamou muita atenção ― Falou rindo.
Eu fiquei sentada no balcão do bar esperando Kaleb por algum tempo, Lucas veio conversar comigo, mas logo voltava a trabalhar, Kaleb chegou uma hora e meia depois.
― Nossa já estava com a bunda quadrada de tanto ficar sentada ― Falei me aproximando do Kaleb.
― Eu sei, demorei em sair da oficina, fui pegar umas coisas emprestadas por lá, vou falar com Lance, espera lá na entrada ― Pediu sorrindo.
Ele estava tão bonito, usava uma jaqueta de couro com algumas marcas estampadas e jeans e botas, o cabelo cacheado dele estava todo bagunçado e a pele morena estava gelada quando eu o abracei.
― Você está todo gelado ― Falei colocando minhas mãos quentes nas bochechas dele.
― Eu sei, está bem frio lá fora, trouxe uma jaqueta para você.
Eu apenas assenti e segui para a porta pela qual havia entrado, depois de mais algum tempo falando com algumas pessoas Kaleb saiu e eu o segui pelo estacionamento até ele parar ao lado de uma moto, mas não qualquer moto, era uma coisa monstruosa, vermelha, uma moto enorme.
― Que porra é essa? ― Perguntei assustada.
― É meu presente de aniversário ― Kaleb disse ― Você gostou?
― Eu só...
― Cuidado com as palavras, ela tem sentimentos.
Eu dei uma risada
― Uau! Ela é... Grande ― Falei.
― É uma das mais rápidas do mundo ― Kaleb disse.
― April já andou nela? ― Perguntei confusa.
― No dia em que eu ganhei, ela tem um capacete personalizado, sou um namorado decente Brie.
Eu dei uma risada descontrolada, às vezes era estranho que Kale namorasse a April.
― Você e seu pai precisam de ajuda médica ― Falei ― Como é o nome dela?
― A marca dela é Hayabusa ― Kale disse colocando uma jaqueta de motoqueiro em mim.
― Eu vou parecer um E.T ― Falei sem graça enquanto ele colocava o capacete em mim.
― Antes um E.T. vivo do que humana e morta ― Falou.
― Pilota tão mal assim?
― Hahaha engraçadinha você, pode ir a pé se quiser ― Devolveu.
― Auch! Essa doeu, Kaleb estou com medo, eu não quero cair, essa moto é enorme ― Falei vacilando.
― Eu também sou ― Ele disse cheio de graça ― Olhe eu piloto bem, a gente não vai cair, eu prometo ― Falou me colocando em cima da moto.
― Eu vou cair assim ― Falei
― Vai nada, se não ficar se debatendo ― Ele disse embarcando na moto.
― Já andou de moto antes? ― Ele perguntou ligando a moto.
O ronco do motor quase fez meu coração saltar do peito.
― Claro que não, meu pai me mataria, ele vai me matar se me vir nessa coisa ― Falei medrosamente.
― Segura firme em mim ― Ele disse passando meus braços em torno dele ― Não solte, ouviu? ― Kaleb perguntou.
― Eu ouvi, segurar firme, não soltar ― Conclui.
― Vai ser divertido ― Falou guiando a moto para o asfalto.
― Vá devagar ― Pedi
― Eu vou ― Kaleb disse.
Nós íamos à festa na casa do Thommas, na Woodbine, Kaleb seguiu pela segunda saída na Town Wall e estava andando devagar demais, começou a me dar nos nervos.
Quando chegamos à 2ª saída para a Haughton pedi para ele acelerar.
― Kaleb, podemos ir mais rápido, por favor? ― Pedi
Ele riu alto.
― Sabia que você iria gostar, segura firme ― Ele disse antes de descer o pulso e voar pelos 700 metros entre Irishtown e a Maldings, logo estávamos na casa do Thommas, eu tinha um cabelo bagunçado, estava tremendo de frio e de medo, mas com um sorriso no rosto.
― Essa foi a coisa mais divertida que já fiz em muito tempo ― Falei rindo.
― Eu imaginei que seria ― Ele disse sorrindo ― Senti sua falta, nem acredito que você voltou ― Ele disse rindo.
― Pois é eu também não acredito ainda ― Falei
― Vamos entrar e dar uma surra nesses caras pálida no bilhar ― Falou me puxando pelo corredor lateral da casa até o final do quintal que dava em um campo aberto.
Havia muitos carros com o farol alto ligado para iluminar, alguns Jeeps com refletores e várias músicas tocando juntas em um volume alto, algumas pessoas dançavam e outras apenas conversavam e bebiam.
Eu já havia bebido duas cervejas entre uma partida depois dei meu lugar como dupla do Kaleb para o Oddimund e fiquei os olhando de longe enquanto ficava olhando as pessoas entrando e saindo pela porta lateral.
― Está esperando o namorado? ― um cara mais velho perguntou quando eu cheguei perto da mesa com as bebidas.
― Desculpa, o que? ― Perguntei confusa.
― É que percebi que você ficou olhando para a porta.
Eu corei um pouco, na verdade eu estava olhando para a porta pra ter uma ideia de quanto tempo eu demoraria a sair se algo desse errado e eu sempre acho que algo errado vai acontecer... É como um sexto sentido, eu sempre sinto meu estômago esquisito quando coisas ruins vão acontecer.
― Eu não... Não estou esperando meu namorado.
― Então ele não vem?
― Você precisa ter um namorado para esperar por um ― Falei
― É verdade ― Ele disse com o sotaque arrastado dando risada ― Então... Sem namorado? ― Eu assenti ― Bom isso é bom ― Ele disse rindo.
Eu neguei com a cabeça e ri pegando mais uma cerveja.
― Você é americano ― Falei.
― Tão óbvio? ― Perguntou.
― Seu sotaque é engraçado, meu melhor amigo também é americano então... Sei reconhecer.
Ele deu uma risada alta, ele parecia um pouco bêbado, era um cara alto com cabelo castanho e vestia umas roupas maiores que ele.
― Sou William MacCurry, a propósito ― Ele falou estendendo a mão.
― Eu sou Brieanna ― Falei.
― Sem sobrenome? ― Ele pediu rindo.
― Quem é que sai falando o sobrenome para as pessoas em uma festa? ― Argumentei.
― Bom ponto na verdade, nunca se sabe quando você está falando com um psicopata, você é bem desconfiada né? ― Pediu divertido.
― Cautelosa ― Corrigi me sentando no sofá do outro lado do corredor.
― Então, eu não sou psicopata e meus pais tem uma livraria no centro ― Falou ― Você provavelmente já foi lá, parece do tipo que lê ― Ele disse se sentando na outra ponta do sofá.
― Do tipo que lê... Isso quer dizer Nerd? Como é do tipo que lê? ― fiz aspas com as mãos.
William sorriu.
― Gostei de você, respondendo a sua pergunta Brieanna sem sobrenome, você parece inteligente.
― Okay, talvez você não seja um psicopata ― Falei.
― Mas ainda assim não vai me dizer seu sobrenome ― William argumentou divertido.
― É que as pessoas tem uma reação... Complicada ― Falei.
― É nome de comida? Algum assassino? Você é parente de alguém da máfia? ― Pediu divertido.
Eu suspirei e me aproximei falando baixo.
― Brieanna Evelin Brown ― Falei.
Ele se afogou com a cerveja e me olhou meio atônito.
― Uau você é
― Eu sou ― Falei o cortando e olhando envolta ― Não fala isso alto ― Pedi envergonhada.
― Uau... Não é... Não é o que eu esperava, realmente, Então, você é a irmã caçula da Mall ― Ele disse baixo.
Eu arqueei as sobrancelhas e o olhei desconfiada.
― Você a conhece? E anm... Geralmente lembram-se da filha mais bonita do casal real da hotelaria ― Falei.
William fez uma careta como se tivesse bebido ácido.
― Nós saímos um tempo... Nós... Temos alguns amigos em comum ― William disse dando de ombro.
― Ela é menor de idade ― Falei o olhando feio.
― Você é da polícia? ― Ele pediu divertido.
Eu ri nervosamente e dei de ombros.
― Então... Sua irmã vem hoje? Aqui? ― Ele pediu.
― Eu espero que não ― Admiti ― Ela não sabe onde eu estou.
― Seus pais sabem que você saiu, quer dizer, você tem idade para vir a festas e tal? ― Perguntou.
― Você é da polícia? ― Devolvi divertida.
― Touché ― Falou rindo.
― Não existe uma idade para ir a festas, e não... Eles não sabem ― Falei.
― É não existe uma idade ― Ele disse.
― Não acredito que você namorou a minha irmã ― Falei fazendo uma careta.
― Tão ruim assim? ― Ele perguntou se olhando como se avaliasse a si mesmo.
― Não, não é você... Digo, não parece fazer o tipo dela.
― Por que não pareço rico? ― Pediu ofendido.
Eu respirei fundo.
― Não era para soar assim, digo... Não dá para acreditar que você namorou a minha irmã porque realmente não faz o tipo dela... Você é legal e ahnm... Ela é uma...
― Arrogante? Mimada? Superficial? Os adjetivos são tantos.
― Eu iria dizer uma sem noção, mas acho que olhando assim... Pode ter um pouco de verdade, apesar de eu não gostar nada de pessoas xingando a minha irmã ― Eu falei olhando-o feio ― Não faça de novo ― Falei.
― Me desculpe.
― Tudo bem, então... Por que vocês não deram certo?
― Sua irmã é... Meio infantil.
― Ela tem dezessete anos ― Falei ― Você tem vinte e pouco não pode culpar ela.
― Ela é infantil até mesmo para alguém de dezessete anos ― Argumentou ― Ela tem umas manias feias, e tem aquela arrogância que é charmosa às vezes, mas outras vezes faz você querer arrancar aqueles os olhos azuis bonitos dela e ela é meio superficial e escuta quem não deveria, não tem personalidade ― William finalizou.
― Uau... Acho que você a conhece melhor do que eu conheço ― Falei.
― Acho que você tem mais personalidade e ficou com toda a inteligência, mais bonita, bonita de um jeito... Diferente do que Malloney.
Eu dei uma risada e neguei com a cabeça sentindo meu rosto esquentar.
― É difícil de acreditar nisso ― Falei rindo.
― Quer outra cerveja? ― William perguntou se levantando do sofá onde nos sentamos e me estendendo a mão.
Eu assenti pegando a mão dele.
― Você é bem alta, quantos anos você tem? ― Perguntou abrindo a geladeira.
Eu mordi o lábio.
― Faço quinze anos logo ― Disse baixo.
Ele me olhou meio incrédulo.
― Logo quando? Uau isso é... Na verdade não é o que eu esperava
― É você já disse isso ― Impliquei socando o braço dele.
Eu fiquei impressionada em como foi fácil conversar com William que se mostrou extremamente inteligente e a cada segundo de conversa eu percebia o quão opostos eram minha irmã e William, mas se eu pudesse dar um empurrão... Ele é o cara que eu escolheria para entrar para a família.
Acabamos em uma conversa sobre filmes, que evoluiu para adaptações boas e ruins de livros para o cinema, então curiosidades sobre adaptações, então atores favoritos, depois monetização na indústria cinematográfica e filmes que têm boas críticas sociais e então para economia e crise, tudo isso em mais ou menos duas horas, uau!
― Eu fico um pouco mal com todas essas coisas acontecendo, quero dizer, tem um monte de pessoas desempregadas na Irlanda, você sabe.
― Ter grana é uma coisa boa Brie, a gente precisa de dinheiro para viver.
― Eu sei, não estou dizendo que eu não preciso, realmente, só preciso pedir algo e meus pais me dão, mas é que... Um monte de gente vive com o que eu ganho de mesada e é tão, tão injusto e só aumenta o abismo entre mim e as pessoas normais, eu tento não agir como uma garota riquinha e deslumbrada, eu só...
― Mas você é rica ― Ele sussurrou.
― Errado, os meus pais são, nunca movi um dedo para conquistar nem um centavo de todo aquele dinheiro, eu nem nunca trabalhei então, é tudo dos meus pais ― Falei.
― Você tem uma boca inteligente, Brown, mas soa bem comunista ― Ele disse rindo.
― Não, eu não sou comunista só... Eu gostaria que todo mundo pudesse ter oportunidades iguais.
― Comunista ― William cantarolou.
― Fale de novo ― Falei disse irritada
― Comu...
Eu molhei meus dedos na cerveja e sacudi em frente ao rosto dele.
― Auch... Meu Deus! Entrou nos meus olhos ― Ele disse coçando os olhos.
― Ai meu Deus! Desculpa-me, deixe-me ver ― Falei.
― Trouxa ― William disse rindo ― Sabia que você era uma medrosa Brown.
― Cala a boca, idiota, não quero mais ser sua amiga.
― Quer sim, está louca para eu te contar uns podres da sua irmã assim pode chantagear ela.
― Claro que não... Talvez um pouco, ela sempre tenta dificultar minha vida ― Falei possessa.
Nós fomos para o campo no lado de fora procurar Kaleb.
― Aqui está frio demais ― reclamei.
― Agradeça o frio ou seríamos o jantar dos mosquitos ― William riu ― Quer a minha jaqueta? ― Ele perguntou fazendo menção de retirar ela.
Eu o olhei engraçado e ele riu.
― Não, Kaleb me trouxe uma só preciso... Achei-a ― Falei puxando William até onde Kaleb dançava com uma garota de uma forma... Que os pais não querem ver os filhos dançando.
― Espero para o seu bem que essa seja a April ― Disse por trás do Kaleb.
― Brie, estava procurando você ― Kaleb disse.
― Bom não estou na boca dela ― Falei divertida.
Kaleb e April riram.
― Eu arranjei um amigo novo, mas aí descobri que ele namorou minha irmã ― Falei ao Kaleb ― Agora não sei se quero que ele seja meu amigo ― Falei confusa, certo talvez o álcool tenha começado a fazer efeito.
Kaleb riu junto com April e William que se juntou a nos formando uma roda.
― Esse é o William ― Falei ao Kaleb.
― Eu já sabia Brie.
― Que ele namorou a Malloney? ― Pedi confusa.
― Eles já terminaram ― April emendou.
― Por que todo mundo sabe disse e eu não sei disso?
― Sei lá Brie, pergunta para a sua irmã ― Kaleb disse.
― Ela é menor de idade ― Falei
― Quem? ― Kaleb perguntou
― A minha irmã...
― É verdade, você também é Brie, sabia disso William?
― Sim, inclusive a April também não é menor? ― William devolveu.
― Quatro meses, só mais quatro meses ― April falou rindo ― Espera, Malloney está aqui? Por que a Brieanna está aqui? ― April perguntou.
― Porque fui convidada ― Falei obviamente.
― Eu a trouxe, deixa ela se divertir, acabou de sair da condicional.
― Você foi presa? ― William perguntou me olhando incrédulo.
― Não, eu não fui ― Falei dando um soco na barriga do Kaleb.
― Ai Brie, porra de mão pesada.
― Eu estava em um... É tipo uma clínica.
― Não fique perguntando é falta de educação ― Kaleb falou.
Eu ri.
― Ela tá bêbada? ― April pediu incrédula ― Não acredito que deram bebida para ela ― April falou batendo no braço dos dois e tirado minha cerveja ― Sabe que ela não pode beber porque ― April sussurrava para Kaleb.
― Eu não tomo mais ― Falei sussurrando também.
― Ela só bebeu três cervejas ― William falou.
― Vem dançar comigo ― Kaleb disse me puxando pelo pulso.
― Ah não, vai dançar com a April ― Resmunguei.
― A gente faz muitas coisas e dança não é bem uma delas ― Ele remendou.
― Eu realmente não precisava dessa informação ― Falei.
― Concordo ― April disse o olhando feio.
Kaleb me puxou para o espaço maior entre os carros onde tocava Rude boy.
― Essa música é boa ― Ele disse me segurando pela cintura.
― Eu nunca tinha ouvido ― Admiti.
― Em que planeta você está vivendo? ― Perguntou divertido.
― Em um onde eu acabei de sair do hospício e eu estou evitando qualquer tecnologia e redes sociais...
Eu dei uma risada com a cara que ele fez.
― Bom isso acaba hoje ― Ele disse rindo.
Eu assenti e olhei para onde April estava e ela parecia brigar com William que por sua vez não parecia dar a mínima para o que ela estava falando, William acenou para mim sorrindo.
Kaleb me girou e continuamos dançando, ele ficava me fazendo rir e ele é meu melhor amigo, até April vir estragar nossa Vibe.
― Com licença, vou pegar meu namorado de volta agora.
― O que? Não, cai fora April, não tá vendo que estamos conversando ― Reclamei.
― Espera um pouco que eu já volto para você ― Kale falou.
Eu bufei e me afastei deles parando ao lado de William, nós dois começamos a virar tudo que continha álcool que passasse por perto.
Tequila com sal e limão, Uísque, Blood Mary, algumas cervejas e uma batida que era 95% álcool e 5% morango.
Eu bebi grandes copos com a batida de morango, que no final tinha um gosto amargo que me fez fazer uma careta, depois de um tempo comecei sentir muito calor e suar muito e sentir meu corpo tendo uns arrepios, parecia que tudo havia ficado em câmera lenta, parecia que eu estava flutuando e minha cabeça estava muito leve, só me dei conta de que talvez fosse hora de ir embora quando todo mundo começou a ir embora e eu não tinha ideia de quanto tempo havia passado, meu coração estava batendo muito rápido e eu ainda estava suando, apesar de me lembrar de que estava muito frio quando chegamos.
― Kale, precisa me levar embora ― Falei apavorada me apoiando no carro em que Kaleb estava abraçado com April, eu escorreguei e April me segurou pela cintura.
― Quanto você bebeu? ― Kaleb perguntou ― Você está com uma cara engraçada ― Ele disse rindo ― E está toda suada.
― Só hunm... Pouquinho ― Falei rindo enquanto tentava focar o rosto dele.
― Ela está de porre, espera Malloney ver isso ― April disse.
― Cale a boca ― xinguei.
― Você não vai falar nada, ela acabou de voltar, deixa ela se divertir ― Kaleb disse me puxando para me sentar no capô de um carro.
― Não se mova, vou conseguir um carro para te levar para casa ― Kaleb disse.
― E a moto? ― April pediu.
― A deixo aqui depois vamos lá para a minha casa com ela ― Kaleb explicou pegando a jaqueta que havia trazido para mim e colocando em mim.
― Aquela é a filha do Bolton sem blusa? ― Perguntei com minha voz falhando e estava me sentindo esquisita, parecia que eu iria ter um ataque cardíaco a qualquer momento.
― Para você ver ― Kale disse fechando o zíper da jaqueta até em cima.
― Por que fui te deixar sozinha com William? ― Kaleb praguejou.
Eu comecei a sentir minha cabeça rodar, comecei a ouvir barulhos de sinos e meus movimentos e os movimentos de tudo e todos ao redor pareciam ocorrer em câmera lenta, assim como luzes roxas e rosas, unindo a flashes, Kaleb estava brilhando em luzes fluorescentes.
― Você está brilhando ― Falei colocando minha mão no meio da cara do Kaleb, que parecia estar bem distante, mas na verdade estava parado à minha frente bem perto de mim.
― Eu estou? ― Ele perguntou confuso afastando minha mão do rosto dele.
― Você está brilhando, verde e rosa, verde e rosa ― Falei com minha voz soando distante e engraçada ― Tem um sino na minha cabeça e Kaleb está brilhando ― Falei a April.
― Brie chega de beber ― Kaleb falou pegando minha cerveja.
― Não Kaleb, minha vida está uma chatice, você quem disse que eu deveria me divertir.
― Não assim ― Ele disse me puxando pelo quadril quando escorreguei do capô.
― Kaleb ― April chamou o puxando e dando um beijo desentupidor de pia.
― Ai que nojo, eu não preciso ficar vendo isso ― Falei ― Kaleb são 09h00pm preciso estar em casa às 10h00pm.
― Você nem me deu atenção hoje ― April reclamou falou fazendo um biquinho ridículo ― Está me trocando pela irmãzinha caçula da Malloney.
― Não troquei ninguém por ninguém ― Kaleb disse olhando para ela ― Vamos dormir lá em casa ― Kaleb disse.
― Ai que nojo ― repeti revirando os olhos ― Onde está a nossa carona? ― perguntei
― É Brandon, ele já deve estar vindo.
Eu escorreguei de novo e dessa vez Kaleb estava distraído conversando com April e eu bati direto com os joelhos e os cotovelos no chão.
― Porra ― Kaleb disse me levantando ― Está bem?
Eu comecei a rir.
― Acho que sim, não tenho certeza ― Admiti.
― Aqui beba uma água ― William disse ― Eu juro que não sabia que tinha LSD na batida de morango e quando eu a vi já tinha bebido ― William se desculpou.
― Você é retardado? ― Kaleb perguntou.
― Ela está drogada? Que ótimo, sério, isso só melhora ― April reclamou ― Quanto você bebeu? ― April perguntou segurando meu rosto com a lanterna do celular perto, o flash fez meus olhos doerem.
― Muito ― Falei rindo.
― Umas... Dez cervejas, tequila, duas doses de uísque e dois copos bem grandões dessa batida de morango, acho que tinha uns três pontos dentro do copo dela ― Falou William confuso.
― Ela precisa vomitar ― April falou
― O que? ― Kaleb perguntou confuso
― Vai fazer o efeito passar mais rápido, ela está brisando.
Kale, April e William ficaram me olhando por um tempo.
― Nem quero saber como você sabe disso ― Kaleb falou ― Só se estiver confortável com isso ― Kaleb disse.
Eu assenti.
Fui até uma árvore e me ajoelhei no chão, colocando meu dedo na garganta, até aquela ânsia de vômito me atingir, Kaleb segurava o meu cabelo enquanto eu vomitava todo o conteúdo alcoólico em meu estômago.
Quando eu me levantei estava confusa, sonolenta, com minha cabeça doendo e meu corpo pesado.
― Minhas pernas estão doendo muito ― Falei ao Kaleb
― O que? Você caiu àquela hora me deixa ver ― Falou me sentando no capô do carro de novo.
Kaleb puxou meu jeans e minhas pernas estavam azuis.
― Está azul, eu quebrei, ai meu Deus! Eu quebrei Kaleb
April tocou minha perna e iluminou com a lanterna do celular.
― Ela não quebrou nada, nem está ralado ― Kaleb disse.
― Ela está drogada, Brie, para de se debater, olha para mim, está tudo bem com a sua perna ― April disse ― Olha ― ela disse pegando a minha mão e colocando no meu joelho.
― Está doendo ― Falei choramingando.
― Não está doendo, você está com sede? ― Pediu April.
― Minha boca está seca ― Admiti.
― É assim mesmo, a gente já vai embora, Okay? ― April disse ― Cadê a porra desse carro? ― April reclamou.
― Vamos ao meu carro ― William disse.
― Vem aqui ― Kaleb disse me puxando para andar.
― Kaleb ― Chamei com medo o chão estava derretendo ― Eu vou cair, o chão está todo mole ― Eu disse segurando o braço dele com força.
― Não vai não, olha só ― Kaleb falou batendo o pé no chão ― Está tudo bem, vamos para o carro do William e vamos para casa, okay?
Eu assenti.
Nós três entramos no carro de William, Kaleb foi à frente com William e eu e April sentamos no banco de trás do carro.
O carro sacudia e uma náusea horrível foi tomando conta de mim, eu comecei a sentir um gosto salgado na boca e comecei a respirar fundo para não vomitar até que não consegui mais segurar.
― Para o carro vou vomitar ― Gritei.
William freou rápido e eu fui para frente April me segurou antes que eu batesse com o rosto no painel e eu vomitei muito forte, parecia à garota do Exorcista, molhando o painel e o vidro.
― Puta merda ― Kaleb xingou.
― Me desculpa ― Falei começando a chorar.
― Está tudo bem é só... Você vomitou o painel do meu carro ― William falou.
― Você vai vomitar mais? ― April perguntou.
― Não, acho que não ― Falei chorando.
― Está tudo bem ― Falou Kaleb.
Nós paramos em um posto de gasolina onde Kaleb e William limparam o painel e o vidro, depois pegamos a estrada de volta a Riverview.
Deveriam ser 10h00pm quando Kaleb me rebocou para fora do carro junto com April, William preferiu não descer e dar de cara com a minha irmã ou os meus pais, assim que Kaleb tocou a campainha e a porta se abriu eu comecei a vomitar em cima do sapato que minha irmã usava.
― Puta que pariu o que aconteceu com ela? ― Malloney perguntou se afastando enquanto eu vomitava mais.
― Ela foi a uma festa, bebeu e nós a encontramos e trouxemos para casa, vai ajudar a gente ou ficar fazendo pergunta? ― Kaleb pediu.
Malloney fez uma cara de nojo e retirou os tênis e veio na nossa direção.
― Ei que porra você tem na cabeça?
― Vamos levar ela para cima antes que tio Elea e Oli chegue ― April falou.
― Leva ela para o banheiro, vou limpar essa merda ― Malloney falou ― Não a deixem vomitar em mais nada.
Kaleb me ergueu e me levou escada acima.
― O dela é no terceiro andar ― April falou.
April abriu a porta e Kaleb ia me colocar na cama.
― Não leve ela para o banheiro, ela precisa de um banho, está um nojo ― April disse.
Kaleb me sentou na privada e ficou me segurando pelos ombros até April e Malloney aparecerem.
― De quem foi a ideia brilhante? ― Malloney perguntou retirando a jaqueta que Kaleb havia colocado em mim.
― Eu liguei para o Kaleb ― Falei confusa, minha cabeça estava girando, era uma sensação engraçada e me fez rir.
― O que é engraçado sua estúpida? ― Malloney falou furiosa.
― Ela está na trip, deixe-a rir, melhor do que chorar e vomitar ― April disse rindo ― levante os braços ― April falou.
― Vocês não vão dar banho em mim, eu posso fazer isso sozinha ― resmunguei levantando os braços.
― E arriscar de cair e bater essa cabeça oca? Não mesmo ― Malloney falou.
― Eu ainda estou sentindo minha boca seca, e vendo um monte de cores e sons ― Falei confusa ― O chão parece gelatina... Quanto tempo isso vai durar Aapril ― Falei sentindo minha língua dormente.
― Que papo é esse? ― Malloney olhou confusa para April que a olhou com tédio.
― Irão durar mais algumas horas, tipo umas... Seis ou oito, porque estava misturado com álcool, temos que torcer para ele não ter aumentado o efeito o que eu duvido, mas levando em consideração todo o vômito, a maior parte deve ter saído do seu sistema, você vai ficar legal, contanto que não fale na frente dos seus pais e não chegue muito perto para que eles não vejam suas pupilas do tamanho de bolas de Hurling.
― Que porra é essa April, vocês a deixaram usar o que? ― Perguntou Malloney possessa.
― NÓS não a deixamos fazer nada ― April replicou ― Estava na bebida da festa, o efeito foi maior nela porque é a primeira vez dela, quando a encontramos ela já estava assim ― Falou ― Agora pare de me fazer perguntas, temos que dar um jeito nela antes que os seus pais cheguem.
― Eu deveria deixar vocês se foderem ― Malloney falou se afastando para nos olhar.
― E o que ganha com isso? ― April pediu.
― Também não ganho porra nenhuma te ajudando com isso ― Malloney falou
― Para de fazer doce, só está puta porque não foi convidada, vão ter outras festas ― April provocou.
― Não sei por que sou sua amiga, sua idiota.
― Porque sou a única babaca que aguenta você ― April devolveu.
Depois April e Malloney me ajudaram a retirar metade das minhas roupas e me enfiaram debaixo da água fria.
― Porra essa água está fria, não, ai para com isso ― Falei furiosa quando Malloney me empurrou de volta para baixo do jato de água fria.
― Tem que ser fria, para passar o efeito desse álcool e ácido todo e fazer você acordar ― April remendou.
― Eu estou acordada, porra, isso está muito gelado, por favor, já estou melhor ― Falei batendo meus dentes e me tremendo inteira.
― Mais um pouquinho, por ter vomitado no meu sapato ― Malloney disse me empurrando pelos ombros.
― Sua pu
― Hey, lembre-se que não vou te dedurar, mas tem um preço ― Malloney falou desligando o chuveiro.
Eu bufei pegando a toalha e o hobie.
Eu vesti o hobie e April me ajudou a caminhar até a cama, onde me sequei mais rápido do que já havia feito em toda a minha vida enquanto April ria do meu jeito desajeitado.
― Vem me deixa secar o seu cabelo ― April falou sorrindo.
― Espera ― Falei quando ela puxou a toalha das minhas mãos.
April ficou olhando as cicatrizes nos meus antebraços e pulsos com a boca aberta.
― Ei para de ficar olhando ― Falei sem graça.
Ela me olhou corando violentamente.
― Eu... Desculpa-me só...
― Está tudo bem April, são só cicatrizes ― Falei ― Pode encostar não machuca ― Falei rindo.
Ela deu um sorriso desconfortável e passou a ponta dos dedos pelas minhas cicatrizes, quando April se afastou ela tentou disfarçar, mas eu sabia que os olhos dela estavam quase transbordando.
― Eu tenho que ir, a minha carona está me esperando ― April falou me cobrindo ― Você não vai conseguir dormir, então ouça música e leia um pouco, mas não saia do quarto e se seus pais aparecerem finja que está dormindo, é melhor do que correr o risco de falar alguma coisa engraçada e eles notarem que você está na trip.
― April...
― OI?
― Obrigada ― Falei sorrindo ― A gente provavelmente vai voltar a me odiar amanhã, mas não vou esquecer-me de hoje ― Falei.
― Não mesmo, está me devendo uma ― April devolveu.
Depois que elas saíram, fiquei pensando que talvez April quisesse algum favor ou me faria cometer algum delito por ela porque ela e minha irmã nunca são legais comigo, tem grandes chances de eu ser a piada da vez, mas não acho que isso tenha tanta importância porque, falando sério, a minha vida "social" já é uma piada.
― Eles estão à uma hora de casa ― Malloney falou aparecendo na porta ― Tem algo que gostaria que eu trouxesse?
― Não, obrigada mesmo assim, pode, por favor, apagar as luzes? ― Pedi educadamente.
― Sim, deixo as do teto ligadas? ― Pediu e eu apenas assenti.
Quando ela fechou à porta as únicas luzes era o efeito das estrelas verdes no teto do meu quarto.
Eu provavelmente ainda tinha LSD no meu sistema porque eu ainda tinha sinos tocando em minha cabeça, estava com a visão meio turva, sem noção de profundidade e enxergando tudo piscando em cores fluorescentes.
― Porra, eu nunca mais vou beber ― Falei me arrastando até o banheiro, quase não consegui chegar a tempo no vaso sanitário.
Novamente vomitei até a minha alma sair do corpo e voltar, depois me levantei ofegante e escovei os dentes me jogando em seguida na cama.
Fiquei pensando em todos os acontecimentos dessa noite e no jeito como William entrou na vida da Malloney e agora na minha... O jeito como ele falou da minha irmã, como ele parece conhecê-la mais do que eu conheço, William me disse que eu tenho personalidade, que sou mais inteligente, ele notou que eu sou diferente dela apenas em alguns minutos, ninguém nunca havia notado que eu sou outra pessoa, não só um sobrenome.
William me disse que eu sou bonita e ninguém disse isso antes, tirando tia Em e Joseph, mas eles não contam, Tia Emi diz que cada garota é bonita de seu próprio jeito, é difícil fazer as pessoas prestarem atenção em você quando você tem Malloney para chamar toda a atenção aonde quer que ela vá sem nem se esforçar, na verdade também nunca me perguntei se eu gostaria que alguém prestasse a atenção em mim.
Ninguém nunca me disse que sou incrivelmente bonita, nem que sou horrivelmente feia... Joseph me beijou, mas porque me conhece desde que nascemos talvez ele não me ache feia, mas ele estava com Elaine, Elizzy sei-lá-o-que, então talvez ele ache ela bonita, ou incrivelmente bonita e também tenha beijado ela, talvez ele esteja beijando ela agora.
O pensamento me fez torcer o nariz e os lábios, nojo.
Talvez eu goste dessa parte de não ter atenção, como parte da mobília ou o papel de parede... Porque olhando com atenção... Veriam todas as falhas e elas estão longe de serem normais.
Levantei-me e fui até o espelho do banheiro, prendi o meu cabelo em um coque e lavei o meu rosto, assim talvez me sentisse melhor.
― Talvez não seja tão ruim assim ― Falei olhando fixamente meu próprio reflexo.
Eu vesti outro conjunto de moletom, peguei o meu laptop e desci as escadas, estava muito frio lá embaixo, eu fui até a cozinha e enchi uma caneca enorme de café bebendo tudo de uma vez só, fazendo careta para o gosto horroroso, tentei comer, mas ainda estava sentindo enjoo e minha garganta parecia estar fechada.
Caminhei até o sofá da sala de televisão e liguei a televisão apenas para ter algum barulho perto de mim, além dos sinos na minha cabeça, eu desabei no sofá da sala com qualquer porcaria passando na televisão.
Alguns minutos depois ouvi uma gritaria na porta de entrada, eram os meus pais e Malloney, mas eu não conseguia entender por que eles estavam gritando assim.
― Onde sua irmã está? ― Meu pai perguntou.
― Ela está no quarto estava dormindo ― Malloney berrou ― Nada de errado aconteceu com ela.
― Ela teve uma crise de ansiedade e você não estava aqui ― Minha mãe repreendeu.
― Ela podia ter... Você não entende a gravidade disso? ― Meu pai berrou do alto das escadas ― Brieanna ― Ele chamou.
Eu me levantei com meu laptop nas mãos e andei até o hall.
― Eu estava na sala de TV... Por que estão gritando?
― Diga a eles que você está bem ― Malloney disse.
― Eu estou bem, eu... Por que estão gritando com a minha irmã? ― Pedi mal humorada.
― Por quanto tempo ela te deixou sozinha?
― Eu... Eu não sei, quando eu acordei não estava aqui, mas então Paul Lucas e os garotos estavam chegando e eu... Eles demoraram e eu me senti um pouco... Eu não sei o que aconteceu... Não foi culpa de Malloney, teria acontecido mesmo se ela estivesse aqui, eu acho, eu... Não sei.
― Está vendo sua irmã se sentir culpada por uma coisa que foi sua culpa? ― Meu pai perguntou a Malloney.
― Não é culpa de ninguém eu não gosto quando vocês brigam por minha causa ― Falei olhando para os meus dedos.
― Como vou confiar para mandar você fazer faculdade em outro país se você nem tem responsabilidade para cuidar da sua irmã caçula por algumas horas ― Meu pai berrou.
― Meu Deus! Ela já tem quase quinze anos, eu estou tão cansada disso ― Malloney falou dando as costas e subindo as escadas.
― Malloney Valentine!
― A deixe Elea ― Minha mãe disse.
― O que você fez hoje? ― Meu pai perguntou chegando perto de mim e sorrindo.
― Eu só assisti a filmes com os garotos, depois mais nada ― Falei sem o olhar, ele iria saber que eu estava mentindo.
― Filmes hunm? ― Mamãe falou desconfiada ― Você ficou bem depois? Que aconteceu... ― Ela perguntou.
― Mãe eu fiquei bem, Paul Lucas chegou e eu consegui me acalmar é só...
― Você só o quê? Tem certeza de que não quer conversar com alguém? Não precisa ser Mason de novo, ou Sarah, podemos chamar alguém de fora, talvez nós vamos até Londres... ― Minha mãe divagou.
― Eu não estou mais doente mãe, eu vou ficar bem ― Falei tentando provar realmente que aquilo era verdade.
― Nós amamos você, sabe disso não é?
― Sim, eu sei disso ― Falei.
― Eu quero que você durma no primeiro andar, só hoje está bem? Quero que fique pertinho hoje ― Minha mãe me disse.
― Mãe, eu não gosto de dormir aqui embaixo ― Falei.
― Você não estava bem hoje mais cedo, por favor, só hoje ― Pediu.
― Eu não vou fazer...
― Eu não disse que você iria, eu só quero você perto caso precise de alguma coisa ― Falou minha mãe.
― Mas quero dormir no meu quarto, eu posso descer e chamá-los se precisar de vocês ― eu disse impaciente.
― Brieanna, você vai dormir no primeiro andar essa noite e está decidido, agora suba e traga as suas coisas para baixo ― Minha mãe disse.
― Pai!
― Filha, obedeça a sua mãe, é só hoje ― Ele disse beijando meu cabelo.
― Eu acho que você deveria se mudar para um dos quartos ao lado do nosso, eu não me sinto confortável com você dormindo lá em cima sozinha ― Minha mãe disse.
― Eu não me sentiria confortável dormindo aqui em baixo, eu gosto do meu quarto, você sabe disso ― Falei.
― Brie...
― Mãe, eu durmo aqui embaixo hoje se isso a faz feliz, mas não vou mudar de quarto, não mesmo, eu vou buscar as minhas coisas e vou dormir, com licença ― Falei baixo.
A noite é o período mais difícil, já percebeu que quando você se deita para tentar dormir é o período do dia em que você mais reflete, o único período do dia em que mais se reflete sobretudo o que já se fez, está fazendo e fará... Tem uma razão lógica para tipo de fenômeno acontece durante todo o dia os pensamentos estão focados no que você está fazendo e planejando, mas quando você está indo dormir, seu corpo está se preparando para entrar num estado de inconsciência, o inconsciente é onde ficam todos aqueles pensamentos que você ignorou durante todo o dia.
Há anos atrás eu passava semanas, até meses com pouquíssimas horas de sono, fazia qualquer coisa para não ver o que eu via quando eu fechava os meus olhos
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