Moon Society: The lighthouse.
23 Capítulo vinte e um: Sob pressão.
Notas iniciais
Eu tomei banho e minha mãe me ajudou a descer as escadas, nós nos sentamos na mesa de jantar, todos estávamos quietos demais... Tudo estava quieto demais e a tensão do ar podia ser cortada por uma navalha.
Um som de pneus freando invadiu os meus ouvidos, seguido por um estampido.
― Isso foi um tiro? ― Minha irmã perguntou.
Mais três estampido e um som de pneus.
Meu pai se levantou.
― Pai não pode ir lá fora ― Choraminguei.
― Elea não é seguro ― Minha mãe falou segurando a mão dele, ela também parecia desesperada ― Os seguranças estão lá fora?
― Sim, estão fazendo rendição à cada duas horas ― Meu pai falou.
A porta da frente abriu com força, passos e mais passos, Wilhelm, Jonah e Ian entraram pela porta da sala de jantar, fechando a porta atrás deles, eles estavam tensos, tinham armas apostos e olhares preocupados.
― O que houve? ― Meu pai perguntou.
― Podem guardar essas armas aqui ― Minha mãe disse.
Eles a obedeceram imediatamente.
― Podemos ter um minuto senhor?
Meu pai assentiu.
― Podem esperar no escritório ― Falou.
― Não, eu tenho direito de saber ― Falei .
Meu pai revirou os olhos e assentiu para Ian prosseguir.
― Nós percebemos uma movimentação estranha, era um porche preto ― Ian informou.
― Eu pedi a identificação, seis vezes, o carro avançou, eu atirei para o alto, então ele continuou avançando e atirei nos pneus e na lataria... Era um blindado senhor... Se quer saber.
Meu pai passou a mão pelo cabelo nervoso.
― Algo que ajude a identificar o carro?
― Não senhor, sem placas, adesivagem e sem números nos vidros.
― Inferno... Esse não é o carro que seguiu vocês? ― Meu pai me perguntou.
― Não senhor naquela noite era um Mustang azul ― Falei .
― Como tem certeza? ― Perguntou Ian.
Ele estava mesmo insultando minha inteligência?
― Eu sei diferenciar carros ― Falei irritada.
Minha irmã riu baixo.
― Já informamos a polícia, senhor.
― Precisamos que os outros membros da família também usem o localizador ― Jonah falou ― Cada membro da família deve andar acompanhado o tempo inteiro, senhor, também deixaremos um membro da equipe na casa fazendo a segurança da senhora Lopez, a equipe deve se comunicar o tempo todo e temos uma palavra de segurança para o caso de alguém ser rendido ― Jonah falou a Ian e Wilhelm que assentiram.
Eu me afastei deles para o canto da sala de jantar, respirando fundo e tentando conter a crise de ansiedade.
― Vai acabar tudo bem ― Ian falou tocando meu ombro.
― Estou com medo... Aquele barulho horrível...
― Desculpe por isso...Quer saber um segredo para se livrar do zumbido?
Eu o olhei confusa... Como ele sabia que meus ouvidos zumbiam nesse momento?
― Eu já ouvi muitos tiros ― Ele disse divertido ― Cubra seu nariz e faça força... Como se fosse assoprar ― Falou.
Eu fechei os olhos e fiz o que ele disse e.. O zumbido maldito parou.
― Obrigada Ian... Não tenho como agradecer direito ― Falei sorrindo.
― Fique nas nossas vistas ― Falou divertido.
Jonah gesticulou para Wilhelm que saiu e voltou minutos depois, com uma caixa preta.
Eram relógios de pulso, G-Shock como o que eu tinha, apenas cores diferentes, um dourado, um prateado e um rosa, as mesmas entradas USB na lateral.
Meu pai fez uma careta, depois pegou o Dourado e deixou o prateado para minha mãe e minha irmã pegou o rosa.
― Como isso funciona? ― Minha irmã perguntou.
Jonah se aproximou.
― Com sua licença, senhorita Brown...
― Oi Jonah... Então você é o cara que me rastreia por aí? ― Perguntei divertida.
Jonah sorriu gentilmente.
Meu pai fez uma careta.
― Brieanna ― Ele me repreendeu.
Jonah parou de sorrir e ajeitou melhor meu relógio.
― Eles aparentemente são relógios normais, a prova d’água, marcam as horas, tem cronômetro e despertador... Mas eu os alterei e instalei um nano chip de inteligência artificial, é um sistema de monitoramento e localização por satélite, independente de área, manda um sinal a cada 30 minutos para um tablet que cada membro da segurança possui ― Ele disse mostrando o tablet, ele tinha um mapa, Jonah aproximou e ele mostrou uma planta da nossa casa, com um ponto vermelho piscando, depois que Ian, Wilhelm e Jonah apertaram um botão no relógio dos meus pais e irmã mais três pontos acenderam.
Jonah clicou no ponto vermelho e tinha uma ficha, minha foto, dados, meu tipo sanguíneo e até meus batimentos cardíacos.
― Isso mede a minha...
― É para saber que você está viva ― Ian falou.
Passei a mão pelo cabelo frustrada e me sentindo invadida, mas dando graças à Deus por ter deixado o relógio no armário quando saí com Eros.
― O que monitoramento significa? ― Malloney falou ― Espera... Isso é um microfone? ― Pediu incrédula ― Não vou usar isso, é mais do que invasão de privacidade ― Ela disse alto.
― Micro... Microfone então vocês escutam o que eu falo com todo mundo desde que colocaram essa merda no meu pulso? ― Perguntei furiosa.
― Olhe essa boca ― Minha mãe falou.
― Não ouvimos o tempo todo, não somos espiões ― Jonah falou sem jeito.
― Meu Deus, isso é loucura, tira esse microfone daí Ian, eu juro que nunca mais vou usar isso se não tirar.
― Ele não sai ― Se desculpou ― Eu demoraria... Só vamos ouvir se você sumir novamente ― Ian falou secamente se afastando um pouco.
― Chega vocês duas, o microfone fica, vocês vão usar esses localizadores, andar com seguranças e pronto, não tem negociação ― Meu pai falou.
Eu subi as escadas com a ajuda de Lucyla, que me deu meus remédios, algum tempo depois, eu não estava nada feliz com tudo o que aconteceu, com todas as novidades e as exigências da segurança e do meu pai.
Fui até a janela do meu quarto e afastei a cortina e olhei para a entrada da garagem, onde estavam Wilhelm, Jonah e Ian, de pé, vidrados na rua, armas em mãos, um calafrio passou por minha espinha.
Fui até o closet e tirei o relógio e o joguei junto com minha roupa suja, eu tentei dormir por quase duas horas, mas eu tinha um monte de perguntas sem respostas, e eu iria enlouquecer ou acabar me machucando se ficasse ali.
Fui devagar até a porta no começo do corredor, onde ficava o quarto dos meus pais.
Bati três vezes, antes de a porta abrir, meu pai estava de pijama, ele tinha o cabelo molhado, me olhou confuso.
― Ei! Está tarde, o que faz aqui de pé?
― Eu não consigo dormir ― Falei sentindo vontade de chorar.
― Ei! O que você tem? ― Minha mãe perguntou quando apareceu, ela vestia um roupão preto, tinha os cabelos presos.
Eu comecei a chorar.
― Vem aqui ― Meu pai falou.
― Você está com dor? ― Minha mãe perguntou me sentando entre ela e meu pai.
― Por que isso está acontecendo com a gente? ― Perguntei soluçando.
Minha mãe suspirou e passou as mãos pelo meu rosto.
― Eu queria saber, meu amor, gostaria de ter uma resposta, mas infelizmente eu não tenho ― Ela lamentou.
― Esse tipo de coisa nunca aconteceu com a gente ― Falei ― Mesmo quando... Quando Mel morreu, nós aparecemos em todos os jornais e... Isso não aconteceu.
― Eu tenho mais... Coisas do que naquela época...
Meu pai disse dando de ombros como se isso não fosse importante.
― E se algo acontecer com tia Em? Com meus avós? ― Falei desesperada ― Ou Joseph e os garotos? Morgana? Eu não quero que as pessoas que amamos se machuquem porque...
― Eu a ouvi ― Minha irmã falou ― Eu vim saber se precisavam de algo ― Disse entrando e se sentando entre eu e minha mãe.
― Ela só está assustada ― Minha mãe falou tirando a franja da minha irmã dos olhos.
― Que bom que não sou a única ― Minha irmã falou passando os braços em volta de mim ― Isso nunca tinha acontecido com a gente ― Falou.
― Pai você vai mandar alguém para cuidar dos avós e tia Em? ― Perguntei chorando.
― Eu mando, amor, de manhã eu já vou falar com eles, tudo bem? ― Falou secando meus olhos.
― Não, te-tem que ser agora, pai se acontecer alguma coisa a noite? Se entrarem na casa deles? Eles...
― Filha, fica calma, nada vai acontecer ― Minha mãe falou ― Você está muito nervosa amor.
― Eu estou com medo.
― Eu sei, todos estamos ― Meu pai falou ― Escutem o que vou dizer, nossa família é tudo o que eu tenho, nunca vou deixar nada acontecer com vocês ― Ele disse nos abraçando.
― Eu vou te dar outro remédio tá? ― Minha mãe disse indo até o closet, depois ela saiu, vestindo pijama e foi até o banheiro, voltou com pílulas e um copo de água.
Eu não sei quanto tempo depois eu dormi, exausta de tanto chorar, ainda assustada, mas tinha meus pais e minha irmã por perto.
Durante toda a noite eu tive pesadelos com aquele estampido terrivelmente alto, com o som de pneus frenando e sangue... Muito sangue e carros.
Há semanas eu não acordava gritando desesperadamente como naquela manhã.
― Ei calma, eu estou aqui ― Minha mãe falou me abraçando.
Eu respirava ofegante.
― Deus... Me desculpa ― Falei baixo.
― Está tudo bem, respire ― Ela disse massageando meu coração super acelerado, demorei algum tempo para me acalmar.
― Você...
Minha mãe pigarreou.
― A senhora dormiu aqui?
― Sim, você se mexeu a noite toda, tudo bem?
― Eu fico sonhando com aquele barulho...
― Que barulho?
― De tiros, foi tão alto ― Falei .
Minh mãe suspirou.
― Me desculpa amor...
― Não é sua culpa mãe ― Falei abraçando a cintura dela.
Ela sorriu.
― Fazia tempo que não ficávamos assim ― Minha mãe disse.
― Que horas são? ― Perguntei confusa, minhas cortinas bloqueavam qualquer flash de luz.
― São 09h00am ― Falou.
― Que? E a escola? ― Falei me sentando.
― Eu já liguei para a escola boo, expliquei tudo, você estava muito nervosa, seu remédio te derrubou, está tudo bem, descanse, vou ficar com você.
― Onde estão papá e Malloney?
― Ela foi para a escola e seu papá foi para o hotel.
― Eles...
― Malloney levou Alfred e James, seu pai levou Jeff e Wilhelm, Ian e Jonah estão lá embaixo... Está tudo bem ― Falou acariciando meu cabelo ― Está com fome? ― Perguntou indo até a janela e abrindo um pouco as cortinas.
Eu concordei.
― Estou faminta ― Falei me ajeitando nos travesseiros, minha cabeça rodou um pouco e senti algo pingando no meu cobertor.
Eu passei a mão pelo rosto e minha mão se encheu de sangue.
― Mãe, mãe eu tô sangrando ― Falei desesperada.
Minha mãe veio até mim rápido e segurou meu rosto.
― Meu Deus, vamos trocar essas roupas, você precisa ir para o hospital ― Falou me ajudando a levantar devagar devido a meu braço e a minha perna quebrada.
Minha mãe me ajudou a me vestir e descemos as escadas, eu tinha um lenço em meu nariz, ela chamou Lucy, ela informou Jonah e Wilhelm, eles rapidamente prepararam o carro.
― Senhora Brown, mantenha a cabeça dela nivelada, se ela inclinar para trás pode causar um coágulo ― Jonah explicou.
Eu gemi de dor quando minha mãe nivelou minha cabeça.
Depois de me enfiarem no carro, Lucy e minha mãe entraram, Jonah e Ian se sentaram na frente.
Eu havia fechado os olhos, mas reconheci a voz de Ian.
― Fox para Alpha, verde, sinal verde, elemento está em aula, estou no perímetro.
Depois alguém respondeu.
― Dragon para Alpha, sinal verde, o artefato está em reunião, em minha linha de visão e irei onde ele for.
Jonah finalmente respondeu.
― Alpha e Shark para team, erário e diamante em movimento, deslocando para cruz 28, leste 7, 9, sangramento nasal, Fox, deixe Artefato saber disso ― Jonah falou ― ninho, perímetro seguro, verde, prosseguir.
Meu cérebro ainda estava fritando muito quando cheguei ao hospital, logo eu estava em uma sala, minha mãe explicava a situação para o médico da emergência.
― O que houve com você? ― Tucker perguntou.
Eu expliquei para ele tudo o que aconteceu e o pesadelo e que eu havia gritado muito essa manhã, Tucker retirou os algodões e me examinou com uma lanterna.
― Você estourou um vaso, deve ser por alguma alergia, está sentindo coceira?
Neguei com a cabeça.
― Vou cauterizar, mas quero uma tomografia para ter certeza de que esse sangramento vem daqui ― Falou tocando a ponta do meu nariz ― E não daqui ― Falou tocando minha testa.
― Ah não, de novo não ― Falei .
Minha mãe riu.
― De novo? Quantas já fez? ― Perguntou confusa.
Eu fiz uma careta.
― Se lembra que eu disse que bati a cabeça na casa dos Crowley... Então... Eu cai da dispensa de cabeça no chão ― Falei .
― Quem trouxe você ao hospital?
― Morgana e Joseph, depois chamaram papai...
― E como não me contam algo assim?
― Não queria te preocupar ― Falei .
Ela suspirou passando a mão pelo cabelo.
― Poxa vida, não podem me esconder esse tipo de coisa Brieanna.
― Não vamos, prometo, além do mais, o único agravante foi aquele inchaço ridículo na testa ― Resmunguei.
Ela riu e beijou minha testa.
Depois me levaram para uma sala, onde eu troquei de roupas e precisava fazer uma tomografia, Jonah não saia do meu lado por nenhum segundo, estava serio demais.
Depois me mandaram para um consultório onde Tucker estava vestido de branco, com máscara, luvas e óculos, um anestesista aplicou uma injeção e eu apaguei alguns segundos depois.
Assim que acordei parecia que minha cabeça estava do avesso e respirar pelo nariz era incômodo, minha mãe, meu pai, minha irmã e os homens de preto estavam lá.
― Você vai ganhar um cartão VIP daqui pequena boo ― Meu pai falou acariciando meu cabelo.
Eu sorri.
― Aposto que seu nariz estourou de tanto gritar ― Minha irmã falou ― Foi uma manhã assustadora.
Eu me desculpei a olhando, ela sorriu segurando minha mão.
― Como se sente?
― Do avesso ― Admiti ― Já posso ir embora?
― Eu vou chamar o médico, bem vinda de volta senhorita Brown ― Jonah falou.
Eu sorri de volta e ele saiu.
Malloney me olhou, estreitando os olhos, minha mãe fez uma careta e negou devagar.
― O que foi? ― Perguntei confusa.
Malloney riu negando com a cabeça.
Jonah voltou algum tempo depois com Tucker.
― Aparentemente está tudo bem, vou passar uma receita de um spray cicatrizante para o nariz, eu juro senhorita Brieanna Evelin O’Brien Brown, se eu vir você aqui pelos próximos seis meses, eu vou ficar muito bravo, talvez até te dê. Uma injeção ― Brincou.
Eu ri.
― Pode deixar, a próxima vez que me vir será para tirar essa bota feiosa e essa tipoia terrível, depois... O senhor vai a minha festa? É meu aniversário!
― Isso foi um convite?
― É claro, estou completando mais um ano de vida, o homem que me opera, costura, alinha e cola precisa estar lá ― Falei sorrindo.
― Então será uma honra senhorita Brown ― Tucker falou emocionado.
Sai do quarto com meus pais, empurrada em uma cadeira de rodas.
― Jeff e Alfred estão fazendo uma varredura, vão posicionar os carros na saída de emergência para sairmos rapidamente senhor ― Jonah falou.
― Tudo bem Jonah Meu pai concordou impaciente.
Depois de Jeff e Alfred darem um sinal, Jonah apertou o fone contra o ouvido e fez um sinal para que nós seguíssemos com ele e Ian até a saída de emergência, em uma saída totalmente cronometrada, as portas foram abertas por Jonah e Ian e os três carros pararam, no carro da frente estavam Alfred e Jeff, para nos escoltar, James e Wilhelm foram do segundo para o último carro com Lucyla e Ian e Jonah abriram as portas do segundo carro para minha mãe, irmã e eu.
― Dragon pronto!
― Fox pronto!
― Phoenix pronto!
― Shark pronto!
― Wolf pronto! ― Ian falou.
― Alpha pronto, saída autorizada, mantenham posição ― Jonah falou ― Rota alternada.
― Jonah é alpha? ― Falei divertida.
Ian sorriu.
Jonah fez uma careta ao volante e minha irmã me cutucou.
Saldo total do meu dia, eu não fui a escola, estou incomunicável... Eu não tenho ideia de como está a situação, não tenho notícias de nenhum dos meus amigos e Eros... Não fui a escola e perdi um dia inteiro em um hospital, saldo negativo.
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