Moon Society: The lighthouse.
22 Capítulo vinte: Quase de acordo.
Notas iniciais
Vesti impecavelmente meu uniforme com a ajuda de Lucyla, mas minha perna ainda tinha aquela bota ortopédica horrorosa e meu braço ainda tinha aquele gesso verde horroroso.
― Você teve uma boa noite? ― Meu pai perguntou se sentando ao meu lado com o jornal já em mãos.
― Sim senhor, na verdade não dormia bem assim há tempos ― Menti descaradamente enquanto pegava a colher com minha mão boa para comer porridge.
― Como está se virando na escola com esse braço? ― Minha irmã perguntou preocupada.
― Kyle e Mirella me ajudam, fazemos quase todas as aulas juntos ― Expliquei ― Humm ― Resmunguei de boca cheia pegando minha mochila nos pés da mesa, revirei até encontrar meu papel das aulas extracurriculares ― Quero falar sobre meu trabalho no hotel ― Deixei claro.
― Seus estudos são mais importantes, nas férias nós conversamos ― Minha mãe falou.
Meu pai olhou para minha perna quebrada sugestivamente.
― Depois de me livrar disso ― Deixei claro ― Só quero dar ao senhor uma lista das aulas extra que serão oferecidas esse ano... Eu escolhi aulas extracurriculares de administração, negócios e economia ― Falei ― Pensei que se soubesse meus horários o senhor e mamãe podiam coordenar meus horários de trabalho.
― Não sei se é viável, vai ficar cheia... Você é...
― Uma pessoa normal que pode muito bem fazer as duas coisas ― Falei ― Mason não disse para me deixar melhorar?
Ela me olhou e assentiu.
― Me deixe saber do seu progresso nessas aulas, sim? ― Meu pai falou parecendo realmente satisfeito com a lista que eu entreguei.
― Sim senhor ― Falei sorrindo ao saber que havia ganho 50% da batalha.
― Termine seu café Jonah, Ian e Wilhelm estão esperando ― Minha mãe disse.
Eu terminei o café da manhã e manquei até meu banheiro, escovei os dentes pensando em toda a segurança que eu carregava comigo agora, pensando sobre o cara que me seguiu, o que será que ele queria? O que teria acontecido se... O idiota do Eros não estivesse lá?
Jonah estava sozinho no hall, de pé me esperando.
― Sabe quando vou tirar isso? ― Perguntei a minha mãe.
― Tucker prometeu que antes da sua festa você tiraria ― Falou me abraçando ― Tenha um bom dia, eu amo você.
― Tenha um bom dia na escola ― Meu pai disse beijando minha testa ― Não se meta em encrenca, amo você.
Os carros deixaram a Riverview alguns minutos depois.
― Jonah pode ligar o rádio?
Ele me atendeu imediatamente.
Let it be estava tocando.
― Gosto dessa canção ― Jonah deixou escapar.
― Beatles caras, como não amá-los? ― Ian falou.
― Eu também acho, ótimo gosto musical ― Falei divertida.
Eles sorriram gentilmente voltando a olhar para a estrada.
Wilhelm tinha a mesma cara impaciente e nos o ignoramos, ele estacionou no prédio 01 onde eu teria as aulas de química, biologia, física, e inglês felizmente ficava no mesmo prédio.
Depois de inglês tive artes visuais, história, álgebra II, contabilidade, o intervalo foi um pesadelo porque os representantes de algumas faculdades vieram para tirar dúvidas dos formandos e aquilo estava me deixando aflita, no fim do próximo semestre seis amigos estariam indo embora.
Eu, Mirella e Kyle não faríamos as mesmas aulas extracurriculares, por isso eu estava fadada a ficar sozinha com os seres que sou obrigada a chamar de colegas de classe, eu só esperava que meu parceiro não fosse alguém falador ou irresponsável, porque preciso aprender tudo o que puder usar em meu trabalho no hotel... Cada dia dessas aulas são necessário e valiosos.
Logo ao entrar percebi que essa sala era diferente de todas as outras da Lun, não haviam cartazes nem decorações de incentivo e cores brilhantes, tudo era branco e bege, ao invés de mesas para duplas, haviam algumas mesas redondas como as que usávamos no jardim de infância.
Kelly Osborne e Hilary Kensington se sentaram na mesma mesa que eu, sobrando apenas mais um lugar.
Eu esperei pacientemente, retirando como podia as minhas coisas da mochila e ajeitando na mesa.
Alguém entrou apressado, se desculpando com a professora, depois se sentou no lugar vago em minha mesa, que era o único disponível, esbarrou na mesa derrubando as coisas das meninas.
― Me desculpa ― A voz de...
― Julianne ― Falei entre dentes.
― O que faz aqui? ― Ela perguntou.
― Estudando, deveria tentar ― Falei .
Eros sorriu quando se sentou e Julianne foi para uma outra mesa.
― Aposto que seus pais te obrigaram a fazer essa aula ― Ele disse cínico.
― Vai se foder, os seus te obrigaram ― Sussurrei de volta.
Ele parou de sorrir e segurou meu braço com força, se aproximando devagar.
― Não fale dos meus pais ― Disse entre dentes.
― Me. Solta... Você é um idiota ― Falei puxando meu braço.
― Meus pais não me obrigam a fazer nada ― Ele atirou de volta.
― Vou administrar os hotéis da minha família ― Expliquei ― Eu Preciso aprender tudo o que puder o quanto antes.
― Parece decidida ― Observou.
― Você ainda não viu nada.
― Por que sempre tenho a impressão de que está sendo uma imbecil?
― Porque meu comportamento reflete o seu?
― Você é uma garota frustrante pra caralho.
― Chega de conversa, vamos começar logo, gostaria de deixar claras as regras desta classe, são proibidos celulares, Ipod, mp3, qualquer tipo de aparelho multimídia, desliguem, se acharem que não podem lidar com a pressão e prazos apertados, essa aula não é para vocês ― Falou ― Vou passar uma lista de presença, depois explicar o trabalho do semestre, entre eles vamos realizar pequenos projetos e tarefas.
Assinei a lista de presença passando para Hilary e Kelly.
― Nesse semestre vocês realizarão um trabalho em grupo, esse é o motivo de estarem divididos em quatro pessoas nessas mesas redondas, cada mesa será uma empresa, terão que trabalhar juntos, então se vocês tem alguma diferença com alguém, superem, primeira regra do mundo dos adultos, vocês por muitas vezes vão trabalhar com pessoas a quem vão detestar, sejam profissionais, sempre, deixem as diferenças de lado e trabalhem em equipe, em segundo lugar, precisam de comunicação, comunicação é a chave do sucesso ― Sua equipe será uma empresa, portanto precisam escolher ou criar um produto ou serviço, vocês dividirão tarefas e cada um terá uma responsabilidade, os lucros desta empresa serão acumulados em uma conta aberta pela escola e será movimentada por toda a equipe, no fim do semestre, se trabalharem duro, terão uma boa quantia para dividir entre vocês... Não que muitos de vocês precisem...
Ela disse isso olhando especialmente para mim, eu senti meu rosto queimar, senti uma fisgada na espinha e tentei não baixar os olhos, as palavras da minha mãe rodeavam minha cabeça “Não se importe com a opinião das pessoas se for uma amiga boa e leal é nisso que vão basear seu julgamento, não nos dígitos de sua conta bancarias”
Isso me deu forças extra.
A Srta. Asford passou a aula inteira se dirigindo à turma, mas fazendo perguntas especialmente a mim, eu tentava responder corretamente, mas gaguejava e arrancava risadas de toda a turma, incluindo Julianne, que não fazia nenhuma questão de rir discretamente.
Ela também perguntava coisas à Eros, mas ele tinha uma facilidade absurda em falar em público e responder qualquer coisa, expressar suas opiniões e pensamentos.
Sai da sala no fim da aula, andando rápido enquanto minha cabeça só esquentava.
― Brieanna espera ― Eros disse andando até mim.
― O que quer de mim?
― Eu achei que você quisesse fazer essa aula...
― Eu queria... Quer dizer, eu quero é só que... Essa professora parece ter alguma coisa contra...
― A sua família?
Eu assenti olhando em volta, não queria ter aquela conversa ali.
― Ela parece ter algo contra a minha também ― Ele admitiu ― Pra você é novidade ter gente te odiando pelos negócios dos seus pais?
Eu o olhei e ele riu.
― Eu já lido com isso a algum tempo ― Ele admitiu.
Eu fiquei o olhando um tempo.
― Como lida com isso?
― Eu faço a minha parte, o segredo é não se importar com a opinião das outras pessoas, a única opinião que importa sobre você é a sua, da sua família, no fim do dia é tudo o que temos.
Eu suspirei e voltei a andar, saindo do prédio, Eros seguiu ao meu lado, até o canteiro na lateral do prédio, Wilhelm, Ian e Jonah seguiam atrás de nós, em silêncio, eles nem faziam barulho ao andar... Isso é tão irritante, dois homens daquele tamanho deveriam ter a decência de darem a uma garota alguma privacidade.
― Você não vai desistir dessa aula, não é?
― Não mesmo ― Falei .
― Essa é a minha garota ― Falou sorrindo.
― Eu não sou a sua garota, pare de ser retardado.
Ele me olhou chocado.
― É só uma expressão... Por que as vezes parece que você me odeia? ― Perguntou passando as duas mãos pelo cabelo.
― Bom, porque as vezes eu te odeio mesmo ― Falei chutando algumas pedrinhas, ao me sentar no muro do corredor.
Ele riu.
― Ah é por isso, você é tão... Cínico!
― A gente deveria sair de novo...
Eu o olhei perplexa.
― Você tem um problema mental? Você não está com a Julianne ou algo assim?
― Da última vez que chequei... Não... Nenhum problema mental... Talvez eu não consiga pensar direito com você por perto ― Admitiu me deixando um pouco atordoada ― Julianne e eu... É complicado...
― Você acabou de conhecer ela!
― Acabei de conhecer você também...
― Então não estão... Juntos?
― Como amigos?
― Amigos que se beijam?
― Como sabe se eu beijei ela? ― Disse estreitando os olhos.
Eu engoli seco.
― Eu não sei e não me importo ― Falei desviando meus olhos e me afastando.
― Qual é Briea!
― Então está admitindo?
― Da um tempo ― Ele disse frustrado.
― Dou sim, que tal agora mesmo? ― Falei voltando para onde Jonah, Ian e Wilhelm estavam, segurando minha mochila, depois voltamos a caminhar para o prédio onde teria minha última aula.
― Vamos sair daqui? ― Perguntou baixo.
― Não, nós não vamos ― Sussurrei de volta.
― Por favor, você é meio que... Minha única amiga aqui ― Falou sorrindo gentilmente.
Eu fiquei olhando aquele sorriso idiota... Aquele idiota bipolar...
― Você não pode fazer isso comigo ― Falei fazendo um gesto para Wilhelm, Ian e Jonah me deixarem conversar, Jonah fez um careta e andaram apenas alguns metros à frente.
― Por favor Brieanna, olha... Eu só queria sair e conversar, meus pais me deram o maior castigo por... Você sabe... Aquele dia... Eu realmente só queria ajudar... Você meio que me deve uma.
Eros salvou minha vida, mas eu não iria admitir aquilo em voz alta e fazer ele se sentir ainda mais.
― Sabe que eu não te devo nada, não pedi a sua ajuda...
― Você é absurda ― Falou segurando a minha mão boa ― Vamos... Aposto que não aguenta mais ficar trancada em casa nem com esses seguranças gigantes em volta de você.
Eu suspirei, eu só queria umas horas de liberdade, só algumas horinhas.
― Eu não poderia mesmo que eu quisesse, eu não estou dizendo que eu quero... Tenho seis babás lembra? E esse chip idiota, meus pais iriam me deixar de castigo para o resto da minha vida se eu fizer algo assim...
― Assim como?
― Sair com você quando eu deveria estar na minha aula... A parte racional de mim acha que eu deveria ir para a aula ― Admiti, parando em frente ao meu armário ― A parte totalmente idiota quer mesmo algumas horas de paz sem esses seguranças e meus pais e minha irmã e meus amigos preocupados demais e em modo super protetor.
Eros riu.
― E que parte está ganhando? ― Perguntou realmente interessado.
― Eu não sei ― Falei tirando o relógio que rastreava todos os meus passos.
Eros sorriu e pegou o relógio e atirou dentro do meu armário, fechando ele em seguida, a decisão havia sido tomada e eu estava ansiosa por isso.
Nós dois caminhamos pela porta dos funcionários daquele bloco, tão rápido quanto a minha perna quebrada permitia.
― Estamos muito longe de onde o meu carro está, nesse ritmo vamos demorar um século.
Eu estava sentindo minha perna doer e muito, me arrependi por não ter trazido a muleta.
― Me desculpa, mas eu tenho uma perna quebrada que está me matando de dor o dia todo ― Falei sentindo uma lagrima estúpida escorrer por minha bochecha.
Eros parou de andar e me olhou.
― Meu Deus, eu sou um babaca ― Falou se desculpando.
― Sou obrigada a concordar com você, pela primeira vez ― Falei contragosto ― Você não é muito conhecido pela inteligência é?
Ele riu, aquela risada escandalosa e alta, com as bochechas dele ficando vermelhas, a risada que enchia meu peito com aquela sensação estranha... Não... Ele é um idiota, não somos amigos.
― Se segure em mim ― Falou passando um dos braços por trás dos meus joelhos e o outro por minha cintura.
― Ei! ME PÕE NO CHÃO, EROS ― Falei morrendo de vergonha ― Eu tenho... Para com isso, eu não tenho cinco anos, eu posso andar sozinha ― Reclamei me contorcendo.
Ele riu.
― Pare de se mexer, assim vai machucar sua perna, no seu ritmo vamos demorar uma eternidade e precisamos sair daqui antes que suas babás deem falta de você.
Quando alcançamos o estacionamento uma chuva fina caia, acho que uma tempestade estava vindo do mar, algo assim.
Eros me ajeitou no banco do carona, eu estava morrendo de frio, depois de atar meu cinto de segurança, fechou a porta do Shelby e deu a volta se sentando ao volante, tremendo de frio, ele ligou o aquecedor e posicionou em minha direção.
Nós saímos do estacionamento um tempo depois, não sei como Eros convenceu Clarence a deixar ele passar, porque ele nunca deixava ninguém sair antes do horário sem uma autorização.
― Para onde está me levando Eros?
― Eu não sei realmente... Só preciso sair daqui e preciso de você comigo.
Eu suspirei.
Eros dirigia feito um maluco, o que me deixou apavorada, me fazendo apertar o banco de couro com força.
― Vai devagar ― Berrei.
Ele riu.
― Não vamos bater okay?
― Vai devagar ou essa será a última vez que eu vou entrar nessa coisa com você seu idiota.
Ele bufou frenando bruscamente o que fez meu copo ser apertado ao banco pelo cinto.
― O que é a vida sem um pouco de emoção?
― Bom, eu prefiro emoções que não separem meus membros do resto do meu corpo ― Falei batendo no braço dele com minha mão.
Ele me olhou divertido.
― Já que estamos falando de... Membros e emoções intensas...
― Eros ― Falei incrédula.
Ele riu novamente.
― Eu realmente gosto da sua companhia... Sabe... Quando não estamos brigando e arrancando os cabelos um do outro... Parece que nós nos entendemos bem...
Eu sorri devagar.
― Também gosto da sua companhia Eros... Sabe... Você pode ser muito amável... Quando você não está sendo um porco arrogante e prepotente ― Falei dando de ombros sem desviar meus olhos da imensidão azul a minha frente.
Ele gargalhou, enquanto tomávamos a avenida em direção à praia.
― Nossa... Para uma pessoa tão pequena você tem muito ódio dentro de você... Me pergunto o porquê ― Falou se divertindo as minhas custas ― Além do mais... Para alguém que carrega o sobrenome que você carrega, com o dinheiro e a educação que você recebe... Você xinga veementemente... Tenho que admitir que aprendi alguns novos com você... Eu nunca tinha sido xingado de porco arrogante...
Eu ri.
― Você acha demais se quer saber ― Falei ― Você não tem ideia do que é carregar o nome Brown, nem da educação que eu recebo, quanto à raiva, a culpa é sua, não posso me desculpar por isso.
Eros parou o carro na praia, muito longe dos arredores da escola.
Todas as pessoas sensatas estavam em locais fechados, apenas eu e ele estávamos andando pela praia enquanto uma tempestade se anunciava, eu e Eros caminhamos pela faixa de areia e nos sentamos sob a chuva.
Eros ficou fazendo um monte de piadas idiotas sobre suas primeiras impressões dos alunos e professores da Lun Evanic.
― Pare de me fazer rir, seu idiota, estou brava com você ― Falei irritada.
― Pois não deveria ― Falou segurando minhas mãos gentilmente ― Parece que tudo o que eu falo é errado... Só que você também.
― Vai mesmo me culpar pela forma como você me trata?
Perguntei incrédula.
― Não... Não é nada disso ― Falou alto, irritado.
― Pois foi o que pareceu ― Falei no mesmo tom, irritada.
― Ei não grita comigo!
― Foi você quem começou a gritar ― Falei me afastando e cobrindo o rosto com as mãos, minha perna estava latejando, muito.
Eu sabia que não deveria ter saído com Eros, sabia que meus pais ficariam furiosos, que eu provavelmente ficaria de castigo para o resto da eternidade, que provavelmente cancelariam minha festa de aniversário e ainda assim... Eu estava aqui.
― Você ainda está com dor? Tem algo que eu possa fazer? ― Perguntou.
― Não, já vai passar ― Falei negando com a cabeça, respirando fundo e me sentei sobre o Shelby vermelho.
― Ei eu... Prefiro que não faça isso ― Falou me fazendo sair de cima do capô.
Eu bufei irritada.
― Você é inacreditável!
― É uma pintura recente ― Falou.
― Foda-se a droga da pintura do seu carro Eros... Por que me trouxe aqui? Para ficar de pé e sentir dor?
― Eu só queria passar um tempo com você... Não nos falamos direito desde...
― Nos vemos na escola todos os dias, não é o suficiente? Eu ter que ver você com aquela idiota o dia todo?
― É por isso que está agindo assim comigo? Está com ciúmes da Julianne? Deus você é tão infantil.
Eu queria bater nele.
― Eu não sei se você ouve realmente os absurdos que você me diz ou se possui surdez seletiva, eu só... De quantas formas absurdamente estúpidas você ainda vai me machucar?
Eu queria arrancar aqueles olhos azuis brilhantes estúpidos.
― Nunca foi minha intenção machucar você ― Falou.
Ele não parecia estar mentindo... Mas não era como se fosse totalmente verdade.
― Precisamos parar de nos interpreta mal ― Admitiu ― Você tem um péssimo problema com comunicação ― Falou segurando minha mão.
― Só eu tenho?
Ele riu.
― Talvez eu tenha um pouco.
Eu virei meu rosto e os lábios dele pressionaram minha bochecha por alguns segundos antes de ele rir sem graça.
― Não faça isso ― Falei sentindo minha garganta seca.
― Você tem certeza?
― Sim... Não... Quero dizer eu tenho, por favor ― Falei . ― Você não parece tão certa disso ― Falou tocando minha bochecha.
Eu tentei argumentar, mas era verdade, eu não tinha certeza de nada, é difícil tentar entender alguém quando existem um monte de espaços em branco, frases soltas e insinuações ambíguas.
― Ou você está certa ― Falou afastando meu cabelo dos olhos ― Ou é só uma péssima mentirosa e... Nós dois sabemos que a segunda opção é a mais provável.
Eu toquei a bochecha dele.
― É disso que estou falando, você precisa parar de agir feito um porco arrogante, então talvez possamos ser amigos ― Parte de mim acha você um galinha irritante e extremamente cínico.
― E a outra quer muito me beijar?
― Vai se foder Eros!
Ele riu e me puxou pelo quadril antes de sua boca delicada demais tocar a minha.
Ele me beijou de uma forma que não havia feito na primeira vez que nos beijamos, de uma forma que Joseph nunca havia me beijado e que se eu estivesse vendo de fora provavelmente morreria de vergonha, mas estava imersa nos sentimentos que seus lábios junto aos meus e sua língua me causavam.
Eros sorriu contra os meus lábios depois sua língua traçou o contorno dos meus lábios e ele chupou meu lábio inferior antes de me puxar para mais perto.
Eu gemi quando meu braço quebrado ficou entre nossos corpos.
― Desculpa ― Eros disse acariciando meu ombro.
Eu tentei responder alguma coisa, mas ele não pareceu se importar, apenas segurou meu cabelo e aprofundou o beijo que já era mais do que eu esperava.
Apenas nos afastamos longos minutos depois para respirar.
― Deus ― Falei sentando no Shelby novamente ― Nós... ― Respirei fundo ― Não devíamos fazer isso...
Eros respirou fundo me olhando.
― É... Ou... Nós devíamos fazer isso de novo... Muitas vezes ― Ele disse sorrindo.
― Eros, estou falando sério ― Falei tentando não sorrir e falhando miseravelmente ― Julianne.
Ele revirou os olhos.
― Você pensa demais ― Ele disse antes de voltar a me beijar.
Eu e Eros passamos mais tempo do que consigo calcular, a chuva fina ainda caia, eu tinha suas mãos em meu rosto, meu cabelo estava molhado e começando a grudar em meu pescoço, o cabelo dele é tão perfeito de tocar quanto eu imaginava, nossos lábios estavam roxos e nossos dedos quase congelando, mas era mais do que eu poderia esperar.
Eu não sabia o que iria acontecer amanhã, mas hoje era o suficiente.
A confusão que aconteceu depois não estragou a beleza daquele dia.
Os carros de segurança frearam, meu pai estava lá, com Wilhelm, Ian e Jonah furiosos e os outros três, o carro de Petros estava lá, com Agatha e Uma criança de cabelos dourados, uma garotinha, provavelmente era Agnes.
Eu e Eros nos olhamos apreensivos.
― Estamos aqui há cinco horas ― Ele disse olhando o relógio de pulso ― Me desculpa.
― Perdi a noção do horário... Nossa estou tão ferrada.
― Você mocinha, vá direto para aquele carro ― Meu pai disse furioso, seu rosto estava vermelho escarlate.
― Mil perdões, senhor Brown, eu e Briea perdemos a noção do tempo ― Eros Falou calmo.
― Não, senhor Brown, eu quis sair, Eros apenas me deu uma carona.
― Que ótimo porque você vai ficar de castigo para o resto da sua vida ― Meu pai falou alto ― Vá para aquele carro imediatamente ― Falou.
― Mas pai...
― Não teste a minha paciência Brieanna Evelin Brown, vai para o carro agora...
Eu bufei e comecei a caminhar para o carro, Agatha me lançou um olhar decepcionado, eu havia visto ela apenas uma vez, não queria que ela achasse que eu era inconsequente ou estúpida.
Eu parei ao lado do carro onde os meus seguranças estavam, com caras piores do que a do meu pai, aquilo me fez tremer, eles deveriam estar muito irritados comigo, devem ter levado uma bronca por minha causa, deveriam estar me odiando, ofendidos por uma adolescente ter despistado eles.
― Oi Jonah!
― Isso foi muito irresponsável senhorita Brown ― Jonah falou oferecendo o relógio que deveria estar em meu pulso.
Eu hesitei antes de deixá-lo colocar o relógio.
― Espera... Como vocês...
Eu havia deixado meu celular no meu armário junto com o relógio.
― Vocês arrombaram meu armário?
Ian se mexeu desconfortável.
― A direção da escola tem a combinação do armário de todos os estudante.
Eu bufei.
― Como sabiam onde eu estava? Não mintam para mim
Eles me olharam ofendidos.
― Os pais do senhor O’Reilly nos autorizaram a rastrear o celular dele ― Ian falou.
Eu o olhei incrédula.
― Isso é loucura... Vocês são muito...
― Nosso trabalho é mantê-la viva, senhorita Brown ― Jonah disse irritado.
― Você consegue entender isso? Poderia cooperar conosco não se colocando em situações...
― Nada aconteceu ― Falei interrompendo Ian.
― Porque fomos nós a encontrá-la, mas poderia não ter sido, entende isso? ― Jonah falou.
Eu revirei os olhos.
― Não repita esse tipo de comportamento, senhorita Brown ― Ian parecia irritado.
Eu os ignorei e fiquei olhando enquanto Petros e Agatha pareciam berrar com Eros, o pai dele apontava o dedo enquanto Eros parecia envergonhado.
Meu pai disse algo que fez Eros corar violentamente, depois meu pai passou a mão por seu cabelo e Petros tocou o ombro dele dizendo algo.
Meu pai andou até nós, com uma expressão irritada, apontou para o carro furiosamente.
― Já entendi, entrar no carro ― Falei irritada.
O caminho até em casa foi feito em silêncio e eu juro que meu pai estava vermelho, quase soltando fumaça de tão irritado.
Jonah parou na entrada da garagem e Ian desceu para me ajudar, mas meu pai disse que não precisava, ele mesmo me ajudou a sair do carro, me deu minha muleta e nós andamos até minha mãe.
― Deus, Evelin, vai direto para o escritório ― Falou apontando para dentro.
Eu bufei.
Entrei jogando a muleta perto da escada.
― Você está fodida sis ― Minha irmã falou divertida e eu mostrei o dedo pra ela.
― Pode começar me dizendo onde estava com a cabeça? ― Minha mãe falou alto, ela parecia muito mais calma do que o meu pai estava.
― Eu... Eu não sei... Eu só... Só...
― Não sabe? ― Meu pai berrou irritado batendo na mesa e me fazendo arregalar os olhos.
― E se vocês estivessem sendo seguidos? ― Minha mãe indagou.
― Nós não fomos, nós estamos bem, não precisa...
― Até esse maluco ser preso, Se’s é tudo o que temos ― Minha mãe disse.
― Eu não quero mais que tenha contato com aquele garoto irresponsável... Aquele inconsequente... Se ele colocar as mãos em você de novo eu mato ele ― Meu pai falou se levantando e servindo uma dose de whiskey ― Não vou permitir que ele a coloque em risco novamente.
― Ele não me colocou em risco nenhum!
― Ele atropelou você, você mesma disse isso ― Falou minha mãe.
― Eu estava no hospital, quebrada, com dor não estava falando sério... Eros salvou a minha vida.
― Pare de defender esse inconsequente ― Meu pai disse me olhando furioso ― Ele não pode proteger você, entende isso? Se ele realmente se importasse com você ele jamais afastaria você dos seus seguranças, não acha estranho ele colocar você em perigo? Que ele estava na hora certa e no lugar certo naquele dia? ― Meu pai falou fazendo aspas com as mãos.
Eu tentei não pensar nisso... Não... Isso só podia ser coisa da cabeça dele, Eros nunca... Eu não sabia.
― Eu acho que Eros não tem nada a ver com isso...
― Você está começando sua vida agora... Você acabou de conhecer Eros, não tem como saber ― Minha mãe disse.
― Você não tem ideia do que as pessoas são capazes quando há muito dinheiro envolvido ― Meu pai falou ― Qualquer um sabe o quanto você significa e que eu pagaria qualquer coisa para você não se machucar... Isso torna você um alvo ― Ele disse ― Você poderia ter morrido... Você sabe a forma como se sentiu quando aquele louco seguiu você e Morgana? Pois se lembre disso quando pensar em sair sem segurança novamente
― Você está de castigo, nenhum dos seus amigos podem vir, você não pode sair sob hipótese alguma.
― Como se eu fosse conseguir...
― Não é engraçado Brieanna, Deus eu estou tão furiosa com você agora ― Minha mãe disse ― Quero seu computador, seu Ipod, seu celular está comigo e você está proibida de falar no telefone, você vai a escola e volta direto para casa, Jonah, Ian e Wilhelm ficarão com você o tempo todo, sabe aquele acordo de esperar fora do prédio das suas aulas? Esqueça, eles vão te acompanhar para cada uma das suas aulas, eles não vão tirar os olhos de você um segundo ou Deus me ajude, eu mesma coloco os traseiros deles na rua.
Eu fiquei olhando para ela perplexa, definitivamente esse é o maior castigo que já recebi na vida inteira.
― Me desculpa ― Falei ― Eu sei que deveria ter avisado onde nós estávamos.
― Não deveria ter saído da escola, para começar ― Minha mãe falou.
― Foi estupidez e irresponsabilidade ― Meu pai falou.
― Nada aconteceu, eu gostaria de dizer que me arrependo de ter saído, mas não estaria falando a verdade, eu só sinto muito por ter preocupado vocês e os homens de preto, se querem saber eu tive uma tarde ótima ― Falei deixando o meu celular sobre a mesa e saindo do escritório.
Lucyla me ajudou a subir e me perguntou se eu queria tomar um banho eu apenas assenti e ela me ajudou a tomar banho e depois vestir roupas secas.
Eu me deitei abraçando meu travesseiro e fiquei pensando em tudo o que aconteceu naquela tarde, respirei fundo antes de apagar.
Eu senti alguém segurar meu pé e colocar meias neles, depois um cobertor me cobrindo.
Uni forças para abrir os olhos e me virar.
Minha mãe e Lucy estavam ali.
― Chamei você para jantar várias vezes e você não acordou ― Minha mãe falou.
Eu sorri.
― Estou cansada, foi um dia cheio ― Falei tentando não sorrir e falhando novamente.
Minha mãe mordeu o lábio inferior e prendeu a respiração tentando não rir e não conseguiu.
― Ela parece mesmo um pouco arrependida? ― Perguntou a Lucyla.
Lucy negou sorridente.
― Nem consegue parar de sorrir.
― Muchos besos ― Lucy Falou.
Minha mãe riu.
― Ainda estou furiosa com você e você continua de castigo ― Falou.
― Não deveria estar furiosa, eu não cometi nenhum crime ― Falei.
― Eu sei que não, nós recebemos... Nós ficamos apavorados, até sua irmã, seus amigos, ninguém sabia onde você estava... Precisa entender que nosso patrimônio... Nosso nome... O nosso dinheiro...
― É seu dinheiro, não meu!
― Você é a nossa filha caçula, é mais importante do que tudo, mais frágil... Isso torna você...
― Um alvo ― Repeti as palavras de meu pai.
Minha mãe fechou os olhos assentindo, ela se juntou a mim na cama e me abraçou apertado, beijou meu rosto e o meu cabelo, entrelaçou nossos dedos, ela estava tremendo, parecia querer se certificar de que eu estava mesmo ali.
― É muito mais sério do que estão me contando não é?
Ela hesitou.
― Mãe, me conta.
― Nós não sabemos, Bolton e os outros estão investigando... Seu pai... Ele recebeu algumas fotos... São fotos tiradas de você... De perto... Na escola, por isso precisamos te deixar protegida de todos os lados que pudermos, nada de sair sozinha ― Falou.
― Por que só eu? Por que não Malloney? Tia Em? Você?
― Não sabemos amor... As possibilidades são uma pior que a outra e eu não quero que perca seu sono por isso, eu e seu pai morreríamos antes de deixar qualquer um colocar as mãos em você.
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