Moon Society: The lighthouse.

21 Capítulo dezenove: Dando voltas.


Notas iniciais
A história trata de transtornos mentais, exposição a grandes traumas, situações de crise, abuso de substâncias e álcool, não recomendado para o público mais sensível ou para pessoas com histórico de transtornos PODE APRESENTAR GATILHOS.

Nos sentamos em nossos lugares na classe seguinte.

― Idiota, grandessíssimo imbecil filho da...

― Eu queria ter um idiota desses me beijando ― Mirella falou.

― Para de desviar a atenção para aparência dele ― Falei.

― Você deveria parar de brigar com ele o tempo todo e... Sabe... Aproveitar o tempo... Como Julianne faz.

Eu fiz uma cara de nojo.

― Eu não ligo para como Julianne faz, okay? Eu só... Não sou igual a ela.

― Posso perguntar uma coisa?

Eu revirei os olhos.

― Eu só quero prestar atenção na aula ― Falei exausta.

― É arte ― Ela disse entediada fechando meu livro ― Você e Joseph...

― Não começa.

Alertei, mas era Mirella, ela esfregaria minhas merdas na minha cara para me ajudar e não estava nem aí se isso fosse desconfortável.

― Vocês tinham... Seja lá o que fosse antigamente e você não se importava se ele ficasse com outra pessoa...

Eu gemi de frustração cobrindo meus olhos com os dedos e os apertando.

― É totalmente diferente...

― Verdade... Porque não está apaixonada por Joseph.

Eu ri.

― Apaixonada? Mirella eu mal conheço o cara, se toca.

Ela se inclinou e me olhou com um sorrisinho cínico.

― Por que é diferente?

Eu a olhei séria.

― Conheço Joseph, sei que ele se importa o suficiente para não fazer... Qualquer estupidez terrivelmente séria e irreversível que vá colocar no lixo meu... Progresso, com a minha saúde mental, somos familia e... Eu sei o que esperar... Do Joseph... Com Eros não... É como... Correr direto para um abismo.

Mirella me olhou.

― Está apaixonada ― Confirmou.

― Ele é um idiota.

― Um idiota lindo de morrer, que está fazendo um... Montão de merdas, mas é um idiota lindo e te deixa nervosa e confusa e está louca por ele ― Disse cinicamente.

― Podemos pelo amor de Deus falar de qualquer coisa que tenha a ver com arte?

― E o amor não é uma arte?

― Cala a boca Mirella!

― Vai dizer que não sonha com dar uns amassos com ele? Sem compromissos.

Eu a olhei confusa.

― Dar o que? AÍ MEU DEUS, Mirella!

― Sim? ― Perguntou se inclinando mais perto totalmente interessada.

― Vai se foder, está me empurrando para o abismo e isso não é o que minha melhor amiga deveria fazer é?

― Okaaay, vamos falar do seu aniversário, vai convidar seus novos amigos?

Eu revirei os olhos.

― Você faz de propósito ― Acusei a chutando com minha perna boa.

― Aí isso doeu, eu estava falando de Jackson, Arian, Hunter... Não posso fazer nada se não para de pensar no Eros queridinha.

Fechei os olhos respirando fundo para tentar me acalmar e acidentalmente não enfiar minha caneta no olho da minha melhor amiga, eu me arrependeria disso.

Quase cantei aleluia quando o sino tocou, eu amo Mirella, muito, mas eu precisava me livrar dela, porque o fato de ela me conhecer melhor do que eu me conhecia e esfregar na minha cara as coisas que eu tentava esconder e ignorar estava me deixando maluca.

Na classe de álgebra II eu tive que me sentar com Veida, Brenda, algo assim, era a garota que eu vi cheirando cocaína na festa em que William me levou.

― Olha só quem eu encontro... Brown... Parece que você andou metendo o nariz onde não foi chamada novamente, oh... Não, talvez o braço e a perna... Fizeram um ótimo trabalho, pode me dizer quem foi? Preciso mandar um cartão de agradecimento.

― Desculpa, eu não consigo te ouvir direito, acho que seu nariz está congestionado... Ah... Tem um pó branco bem aqui ― Apontei para o nariz dela.

Brenda chutou a minha perna quebrada duas vezes, antes de me empurrar no chão, ela e as idiotas que estavam com ela riam enquanto eu vi todos os anéis de saturno.

Eu não iria conseguir me levantar, mas tentei mesmo assim, apoiando minha mão boa no chão antes de ela chutar meu braço e então pisar na minha mão.

― Nunca mais repita o que acabou de dizer, entendeu Brown?

― O que está acontecendo aqui? ― Jackson perguntou entrando na sala.

Veida me segurou pelo cotovelo e me levantou do chão me empurrando contra Jackson, depois praticamente atirou minha muleta em mim.

― Sua amiga caiu novato, aqui na Lun ajudamos uns aos outros ― Falou sorrindo debochada.

― Podem ir para os seus lugares ― O Mr. Todd disse.

― Você não caiu ― Jack falou, não era uma pergunta.

― E o dia só está começando ― Falei baixo.

Me sentei com uma menina que eu nunca havia visto, mas ela parecia legal e falava apenas o necessário o que já era ótimo porque eu não estava afim de conversar.

Dei graças a Deus quando o intervalo foi anunciado porque eu estava morrendo de fome, mas minha animação morreu quando encontrei apenas Kyi e Mitchie na mesa.

― Onde eles estão?

― Eles tem uma palestra estúpida...

― Vocacional ― Kyle corrigiu.

Eu pensei por alguns segundos.

― Faculdade ― Falamos juntos.

― Eu... Nossa... Logo eles vão...

Eu não conseguia terminar.

― Parece que sim ― Kyle concordou ― Mas é uma coisa boa não é?

― Suponho que sim ― Mirella falou ― Temos que tentar ver o lado bom... ― Argumentou.

― Que é? ― Perguntei.

― Caramba pense na liberdade que vamos ter quando ele estiverem estudando na faculdade, todas as festas que vamos pode ir ― Falou.

― Desde quando você é toda, liberdade e festas? ― Kyle riu.

Mirella deu de ombros.

― Posso me sentar aqui? ― Uma garota disse se aproximando.

Eu olhei para ela confusa, ela vestia o uniforme da Lun melhor que qualquer um de nós jamais vestiríamos e tinha uma pele pálida quase translúcida que pareciam ótimos com o cabelo escuro, tão preto quanto a meia noite e olhos vibrantes de um azul pleno.

― Sou Victoria ― Ela disse sem graça.

Eu demorei alguns segundos para raciocinar.

― O’Reilly...

Falei pasma.

― Claro que pode sentar, junte-se a nós, é um prazer te conhecer ― Mitchie falou.

Uau... Ela não parecia... Em nada com Petros, Charlotte, Eros ou mesmo Agatha, a curiosidade estava me matando.

― Você é Victoria O’Reilly ― Falei .

Ela sorriu sem graça.

― Até onde eu sei ― Confirmou ― Você deve ser Brieanna... Não é? Ouvi falar de você... Vocês Brown...

Eu engoli seco.

― O que está achando? Da cidade e... Da escola?

― Levando em consideração que essa é a primeira escola que eu já estudei... Não parece tão ruim quanto na TV.

Nós rimos.

― É só o primeiro dia, vai piorar, não se preocupe ― Mirella falou bebendo a água da garrafa.

Victoria arregalou os olhos azuis.

― Isso...

― Ela não está falando sério ― Eu disse batendo no ombro de Mirella ― Não... Em tudo... Você está...

― No 9° ano ― Ela disse ― Me falaram que eu preciso ficar até completar 15 anos que é... Daqui três meses, então eu vou para o 1° ano.

Eu assenti.

― Nós somos do 1° ano, nossos amigos são do 2° e do 3° ano ― Kyle falou espetando um brócolis e levando à boca.

Passamos algum tempo conversando com Victoria e nós despedimos logo que o sino tocou.

Eu tive o restante das minhas aulas e eu tinha muito mais dever de casa do que era usual à Lun, nosso último horário era de educação física, eu claramente não podia participar, então fiquei nas arquibancadas fazendo um registro das atividades feitas em sala de aula.

Duas folhas, uma com tudo o que eu entregaria, outra com a que eu estava usando para liberar o stress.

A Sra. Drake coordenou uma corrida de oito voltas...

Obs. Julianne fica terrível em roupa de ginástica

Os alunos iniciaram uma partida de voleibol com times mistos...

Obs. Eros é lindo de morrer, mesmo com aquela atitude cínica e arrogância charmosa.

A partida de voleibol corria sangrenta, Kyle e Mirella são muito competitivos, aquilo estava começando a me preocupar, um baque de alguém encontrando o chão me assustou e me fez desviar os olhos dos papéis e olhar em direção à quadra.

O jogo havia parado e Julianne estava caída, Eros estava no outro time, mas se aproximou, enquanto Julianne berrava que Mirella havia a acertado de propósito e disse uma imbecilidade pejorativa sobre suas origens, então Mirella disse algo sobre fazer ela engolir aquelas palavras e Kyle arrastou Mirella para longe.

A aula foi encerrada, todos foram mandados para o vestiário e a senhora Drake recolheu meu relatório.

Eu me continuei escrevendo sobre nada, desenhando e ouvindo música enquanto esperava meus amigos terminarem de tomar banho.

Eu senti alguém puxar meus fones e então a folha na qual eu desenhava um colibri.

― Você é boa nisso ― Eros falou.

Eu franzi as sobrancelhas.

― Isso é invasão de privacidade, será que pode me devolver? ― Falei aflita, aquela era a mesma folha onde eu havia escrito meus pensamentos sobre a aula de educação física.

Ele sorriu para meu desenho, então dobrou a folha e franziu os lábios antes de me entregar.

― Espera... Oh...

Ele tinha aquele sorriso convencido nos lábios.

― Eu só posso dizer que estou surpreso.

Eu revirei os olhos e me levantei.

― Me dá essa merda seu idiota ― Falei tentando andar na direção dele, mas me desequilibrei e minha muleta caiu.

― Não se atreva a encostar em mim ― Falei quando ele tentou me ajudar.

Me abaixei como podia e peguei a muleta de volta.

― Por que te deixo tão irritada?

Eu bufei.

― É difícil tentar entender você ― Falou passando a mão pelo cabelo loiro.

― Você não tem que me entender, é só me deixar em paz, qual é a droga do seu problema?

― Eu não dou uma dentro ― Ele falou divertido.

― O que?

― Nada do que eu faço é certo...

― Me deixa em paz ― Falei entre dentes.

― Você é uma mentirosa terrível, sabe...

Eu suspirei exausta.

Eros sorriu e se aproximou segurando minha mão, quando ele segurou minha mão foi diferente, não como sentir choque, nem frio na espinha, nada daquilo, apenas... Silêncio, mas segurar a mão de alguém em alguns momentos significa coisas para caramba.

Tem a sensação de que quando uma pessoa te decepciona você tem que se esforçar para não desistir dela, olhá-la com olhos de perdão e compaixão, porque se não conseguir, tudo o que conseguirá pensar quando olhá-la é sobre todas as vezes que ela te machucou.

Não conseguia parar de olhar para Eros, parte de mim sabia que eu deveria unir forças e me afastar, uma voz no fundo de mim dizia que eu deveria correr na direção oposta, você deveria ser madura e resolver seus problemas, dialogar, não fugir deles, mas quando dei por mim dei estava beijando o meu maior problema.

Foi tão desesperador e intenso quanto na primeira vez, mas não como antes, Eros fez isso de uma forma diferente, suas mãos estavam em meu pescoço, então desceram por meu ombro e puxou meu corpo até estarmos mais perto do que deveríamos e eu mal conseguia raciocinar, demorou até unir força o suficiente para me afastar.

A minha muleta cair novamente, o estrondo do ferro contra o concreto da quadra me fez estremecer.

― Porra! ― Falei cobrindo meus olhos com a mão boa ― Nunca mais... Só... Fique longe de mim... Porra!

― Calma, foi só um beijo...

― Foi só você avançando um limite novamente seu... Estúpido ― Falei irritada.

Meu cérebro começou a ferver enquanto minhas mãos e meu corpo tremiam, eu não conseguia fazer o ar chegar em meus pulmões, eles estavam em chamas, como quando eu vejo... Coisas que não estão lá... Eu me sentei no chão, cobrindo meus ouvidos e tentando me acalmar.

Eu quase podia ouvir as vozes me mandando ficar calma, Mason, Emily, Morgana e Peter o senhor daquele lugar onde fui com Morgana.

Você está no controle

Você está no controle... Só... Faça ir embora... Respire... Faça ir embora.

Minha garganta começou a doer.

― O que diabos...

Eros passou a mão pelos cabelos.

― Como pode fazer isso?

Eu suspirei.

― Fiz o que? Só... Fica longe de mim, okay, volte para a sua namorada, por favor.

Ele estreitou os olhos.

― Eu estou tentando ajudar e... Caramba Você é infantil pra caralho ― Ele resmungou.

― Foda-se, se eu sou infantil então volte para a sua namoradinha super madura.

― Foda-se ― Ele disse se levantando ― Pelo menos Julianne sabe o que quer ― Ele disse.

― É... Ela sabe MUITO diferente de você ― Falei ― Você só... Confunde minha cabeça, confunde a dela, você é bipolar pra caralho e totalmente fodido da cabeça Eros.

Dor... Dor... As veias em minha cabeça não paravam de pulsar.

Meus olhos estavam em chamas sobre ele, Eros apenas me olhava em silêncio.

― Vai. Embora. Agora ― Falei respirando ofegante.

Algo no ginásio estourou tão alto que fez meus ouvidos doerem.

Eros ficou me olhando ainda sem se mover.

― Você... Como você...

Não sei quanto tempo se passou, o que é normal quando tenho esses black-outs, então, Morgana, Kyle e Mirella estavam ali.

― Vamos, você precisa ir embora ― Morgana falou.

Jonah, Ian e Wilhelm queriam que eu entrasse imediatamente no carro, mas eu queria me despedir dos meus amigos e é o que eu faria, estava sentada sobre o capo do blindado ridículo, com Jonah Harrington ao meu lado, ele continuava sério, mas já conversava mais.

― Ian, espere no carro ― Jonah falou.

― Não, Ian esta me fazendo companhia ― Falei.

― Eu tenho certeza que não quer que a senhorita Brown fique desprotegida aqui fora, não é Ian? Não queremos que nossa última missão se repita não é?

Ian travou e apenas seguiu até o banco do carona, eu não receberia ordens de Jonah, não mesmo.

Minha curiosidade sobre “A última missão de Ian é Jonah” me deixou tensa.

Eu me despedi de todos os meus amigos e disse que eu não poderia sair, mas que eles poderiam me ver se quiserem.

Eu vi Eros a alguns metros no estacionamento, falava com Julianne e tinha uma Victoria entediada ao lado dele, eu sorri sem graça e ela acenou se despedindo, eu acenei de volta e aquilo não passou despercebido por Julianne e Eros, que arrastou a irmã para o carro e saiu de lá tão rápido quanto podia.

Entrei em casa já arrancando minha mochila das costas a e jogando ao lado da escada, tirei meu casaco e joguei também, me sentei tentando assimilar tudo o que havia acontecido hoje, eu não chorava a alguns dias e quando comecei não conseguia parar.

Senti uma mão tocando o meu cabelo e meu corpo saltou de tanto medo, mas relaxei quando vi que era só Lucyla, ela sentou ao meu lado.

― Pode chorar, as vezes faz bem, coloque tudo para fora, o que houve? Como foi na escola?

Eu suspirei secando a minha bochecha.

― Eu acho... Eu não sei se eu deveria ter voltado... Você sabe... Eu... Eu acho que não estou pronta para o mundo... As pessoa... Elas são... Terríveis as vezes.

― Querida, o mundo é imprevisível, ninguém nunca está pronto para o que vai acontecer, você só vai lidando com as coisas que acontecem, as vezes podemos planejar as coisas, mas na grande maioria das vezes, é imprevisível... Todo mundo ficou muito infeliz sem você aqui, não fique pensando que não deveria ter voltado, é aqui o seu lugar.

― Já sentiu que todo mundo está deixando de gostar de você? Porque é difícil de lidar?

Ela suspirou.

― Ninguém está deixando de gostar de você amor, já pensou se fossemos todos iguaizinhos. Se pensássemos igual?

― As crianças na escola foram terríveis hoje... Eu e Eros brigamos e nos xingam os.

― É complicado, mas você é inteligente demais para ficar chorando por qualquer coisa ― Falou ― Está com fome?

― Faminta, meu estômago está colando nas costas ― Admiti ― Mas preciso me trocar ― Eu choraminguei.

Lucy e eu subimos devagar, depois ela me ajudou a tomar banho e eu estava enrolada em meu roupão, esperando por minhas roupas.

― Já sabe o que quer vestir pequeña?

― Aquela blusa vermelha de mangas longas e qualquer agasalho que você achar.

Ela trouxe a roupa que eu pedi e me ajudou a vesti-la e a colocar a bota novamente.

― Que arranhões são esses? ― Lucy perguntou tocando minha barriga.

― Eu acho que são do acidente ― Falei dando de ombros.

Lucyla enrugou os lábios e fingiu aceitar minha desculpa esfarrapada.

Eu comi e fiquei ali por baixo, tocando piano para Lucyla, lendo e a assistindo fazer as tarefas, já que não poderia ajudá-la por conta do meu braço e perna quebrados.

Minha mãe chegou e foi direto para o escritório guardar alguns documentos, eu fui até lá do jeito que podia, me apoiando na perna boa e na muleta.

― Mãe tem um minuto?

Ela parou tudo o que estava fazendo e me olhou com a sobrancelhas franzidas.

― Você não deveria estar andando, força sua perna Brieanna.

― Eu preciso falar com você da festa, sabe.

― A sua festa de aniversário ― Corrigiu.

Eu gemi de frustração.

Minha mãe me ajudou a ir até a biblioteca e me sentou no sofá.

― Me desculpa falar com você assim, estou meio estressada, meu amor ― Minha mãe disse me abraçando ― Como foi seu dia? ― Perguntou beijando todo meu rosto.

Eu ri.

― Foi tudo bem ― Menti olhando meus dedos.

― Foi mesmo?

― Só tem muita gente nova... Coisas novas... Sabe...

Ela ficou me olhando.

― Precisamos fazer uma lista ― Falei.

Ela assentiu.

― Quer fazer agora?

― Aham.

Minha mãe pegou a sua inseparável agenda eletrônica que tinha praticamente a vida toda dela.

― Certo, as cores da decoração eu estava pensando em...

― Preto ― Falei .

Ela me olhou incrédula.

― Muito engraçado!

― É a minha festa, se vou ter que passar por isso, vai ser do meu jeito ― Falei .

― É... Mas... Preto?

― É sério, estava pensando em algo como século XVI, tudo em preto e prata, ou dourado... Quem sabe vermelho... Eu sei que você pode pensar em algo ― Falei.

Ela suspirou e assentiu.

― Certo, já escolheu o tema, as cores, eu já falei com o buffet, o salão... Obviamente tem que ser no hotel, nenhum salão na cidade é grande o suficiente.

― Mãe... Nada chique e espalhafatoso... Só... Simples tudo bem?

― Filha... Seus avós estão vindo para a sua festa, nossos amigos...

― Eu sei... Mas é o meu aniversário... Obviamente não ligo para isso, só quero uma festa com todas as pessoas importantes.

― Amor tem que se acostumar com isso, essa é a sua vida... Essas coisas que damos a você e sua irmã... Não são nem metade do que vocês merecem... São tudo o que nós temos, faríamos qualquer coisa por vocês, não tem que se sentir mal com isso.

― A lista de convidados...

Falei mudando de assunto.

― Todos os seus amigos e os pais deles? ― Pediu. Eu ri.

― Eu só tenho oito amigos próximos mãe

― Quanta negatividade!

― É a verdade, apenas Paul, Joe, Morgh, Mitchie, Kyle Arian, Kaleb e William me aguentam, as outras crianças... Eles me acham irritante e...

― Não importa o que as outras pessoas pensam, sabe disso, olhe para nós, acha que eu e seu pai chegamos onde chegamos se importando com o que os outros pensam?

Eu suspirei.

― Todo esse dinheiro só aumenta o abismo entre nós e as outras pessoas... As pessoas normais.

― Se você for leal e uma boa pessoa é nisso que as pessoas vão basear seu julgamento, tem que saber que seu dinheiro...

― É seu dinheiro, seu e do meu pai... Eu só...

― Se morrermos amanhã, será seu e da sua irmã ― Falou ― Tem que saber que seu dinheiro não é um abismo entre você e as pessoas, é uma ponte, se forem seus amigos de verdade não vão se importar se você e Malloney tem menos ou muito mais dinheiro que eles ― Falou segurando minha mão.

Eu suspirei.

― Podemos esquecer esse assunto só por hora?

Minha mãe suspirou.

― Seus amigos e os pais deles?

― Sim, Lucas, Kyle, Joe, William, o irmão dele, Jack, Arian, Hunter

― Eu não sei se gosto destes jovens...

― Por favor mãe, são meus amigos... Eles não vão arrumar nenhuma confusão ― Prometi.

― Eu acho bom mesmo ― Ela disse.

― E April... Malloney iria chamá-la de qualquer forma, mas quero que ela saiba que eu a convidei também.

― Por que? Vocês nem são tão amigas assim ― Falou desconfiada.

― Devo uma a ela ― Falei dando de ombros.

― Deve? O que?

― Você não quer saber... Acredite.

― Não foi nada ilegal e irresponsável, espero.

― Nada ilegal e irresponsável ― Prometi.

― Me sinto mais tranquila então ― Disse divertida voltando a digitar ― Vai convidar Eros?

― Não ― Falei respirando fundo.

― Pensei que vocês fossem amigos ― Falou me olhando atentamente.

― Não somos, não mais... Eu só... Sei lá

Ela ficou esperando eu terminar, mas eu não sabia o que dizer.

― Se lembre de não ficar magoada porque ele cometeu um erro, todo mundo comete erros, vocês ainda estão tentando aprender sobre a vida, seus amigos não perdoam você quando você faz algo? Então, de a ele uma segunda chance.

Eu pensei e assenti.

― Os O’Reilly? ― Ela perguntou.

Eu revirei os olhos.

― Ei, já falamos sobre isso e é muita falta de educação ― Repreendeu.

― Tudo bem Senhora Brown, pode chamá-los se quiser.

― Okay ― Falou animada.

Minha mãe estava tão animada com aquilo que eu a deixaria fazer o que quisesse e até convidar o Godzila se fosse fazer ela feliz.

― Meu Deus, já são 10h30pm ― Falou ― Você precisa dormir ― Disse apavorada.

Minha mãe me ajudou a subir e vestir o meu pijama, me deu meus remédios e meu pai chegou um pouco depois disso e eles ficaram comigo por alguns minutos, ele me falou novidades do hotel e que Darwin me mandou um cartão com votos de melhora e que já sente minha falta no trabalho.

― Mãe eu... É... Obrigada por tudo ― Falei

Era o meu jeito de dizer eu te amo.

― Não precisa agradecer amor, boa noite, eu amo você ― Falou beijando minha bochecha.

― Boa noite boo butterfly ― Meu pai disse.

Eu peguei meu celular e enviei uma mensagem à Morgana.

“Terminei a lista de convidados e os últimos detalhes da festa, só falta escolhermos as roupas e os convites e então estamos prontos.

Século XVI aí vamos nós.

Beijos, te vejo amanhã Morgana das fadas”.

Depois de guardar meu telefone, tentei dormir, mas tive uma noite totalmente agitada, acordei na primeira vez com a janela aberta e ventando, na segunda com o abajur ligado, na terceira com meu cobertor perto da porta do meu quarto e por último minha luz acesa.

Na manhã seguinte estava me sentindo péssima, mas precisava parecer disposta e bem e foi o que fiz, porque li uma vez que os vencedores são aqueles que alcançam as coisas que almejam, mas acabei descobrindo sozinha que os vencedores são os que buscam forças dentro de si mesmos e nunca desistem.

Tenho que unir forças que eu não tenho na maior parte do tempo para me sentir feliz, eu tento pensar em todas as pessoas que me amam, que continuam me amando mesmo que eu as decepcione, eu tenho uma casa e amigos, costumava pensar que precisava ser forte por eles... Mas a vida continuou depois que Melinda morreu... Eu precisava ser forte por mim mesma, não por Joseph e os garotos, não por meus pais, por mim, preciso estar bem independente dos fatores externos.