Moon Society: The lighthouse.
16 Capítulo catorze: Apenas amigos, como você disse.
Notas iniciais
Mitchie já havia chegado e eu a vi, ela estava distraída, usando uma das camisetas com frases de efeito e jeans e all stars, ela acenou quando me viu passar pelas portas giratórias da livraria dos pais do William.
Ingrid e Stephen me cumprimentaram e me fizeram prometer que apareceria qualquer dia com meus pais, eu tinha uma impressão de que eles estavam tentando juntar minha irmã e William, preciso admitir que também gostaria que isso acontecesse.
― Oi cara pálida ― Mitchie disse me abraçando ― E aí como está?
― Legal, acho...
― Saiu com Eros ontem?
― Que sutil Mirella...
― O que? Sabe que eu não consigo ficar fazendo voltas, me conta logo.
― Saímos...
― E aí?
― Comemos, conversamos...
Ela assentiu animada tirando alguns livros de uma prateleira e lendo a sinopse.
― E somos amigos ― Falei.
Mirella parou para me olhar confusa.
― Está brincando?
Eu ri.
― Mas vocês se beijaram e...
― Aparentemente, isso não quer dizer nada ― Falei .
― Isso é...
― Ele deve beijar todas ― Falei irritada colocando de volta um livro na prateleira.
― Pode ser...
― Acabamos de nos conhecer, de qualquer forma ― Dei de ombros.
― Não fique chateada, garotos bonitos fazem isso até começarem a gostar de alguém.
Eu a olhei divertida.
― É desde quando você é terapeuta especialista no comportamento adolescente?
Ela riu.
― Rude, eu tenho uma vida.
Eu a empurrei.
― Você é inacreditável Rodriguez ― Falei enquanto andávamos para fora depois de pagar pelas coisas que escolhemos.
Mirella olhou para algo atrás de mim e arregalou os olhos, depois me olhou.
― Nós deveríamos ir até em casa, mamãe tem saudades de você, ela tem milhares de histórias sobre Paris, o que acha?
Eu a olhei confusa.
― Pode ser... Você está esquisita ― Falei me virando para ir para o outro lado.
― Espera ― Mirella disse segurando meu rosto, quase torcendo meu pescoço.
― Aí, calma, o que você tem? ― Perguntei confusa massageando minha nuca enquanto virava ― Ah... Isso ― Falei vendo Eros e Julianne no Petty’s birtrô.
Eles não estavam se tocando nem nada, mas eles sorriam muito, senti meu estômago revirar especialmente porque eles pareciam ótimos juntos... Julianne era o tipo de garota que ele levava em encontros... Julianne não estava quebrada e não tinha sombras para fazer ela desejar morrer cada segundo do dia.
Eros disse algo e ela baixou o rosto vermelho, eu sabia o que aquele sorriso causava.
― Eles parecem ótimos juntos não é?
― Ele é um idiota, vamos embora ― Mitchie falou.
― Eu acho que deveríamos passar e dar um oi ― Falei divertida.
Mirella negou com a cabeça me seguindo quando eu segui para o restaurante.
Logo que nos sentamos o garçom veio anotar nossos pedidos, pedi um chá e torradas com geleia e Mirella uma torta de chocolate com nozes.
― Pode mandar um bilhete ao senhor O’Reilly na mesa 13?
― Certamente senhorita Brown ― O garçom falou.
Eu arregalei os olhos para ele quando notei que ele havia me chamado por meu sobrenome desde que nos sentamos.
Droga de vida.
Um segundo depois Eros apareceu em minha mesa.
― Oi ― Ele disse sorrindo ― Eu estou com...
― Julianne... Eu achei que você não conhecia ninguém...
Joguei como quem não liga, eu queria não me importar.
― Nos esbarramos quando eu fui levar Victoria na... Espera, está com ciúmes dela?
Eu ri.
― Faça me o favor Eros, você não é nada ― Falei jogando duas notas na mesa e me levantando junto com Mitchie.
― Espera ― Ele disse me segurando pelo braço ― Não pode falar assim comigo e ir embora...
Eu ri cinicamente.
― Eu posso fazer a porra que eu quiser.
― Ela me chamou e eu não queria ser rude.
Eu e Mirella rimos antes de eu soltar meu braço e descer as escadas.
― O que queria que eu fizesse?
― Eu quero que você vá se foder, Eros ― Falei puxando Mitchie pela mão.
Mirella e eu ligamos para Kaleb e Willian e acabamos em uma festa, quase 12h00pm corri para casa, porque minha irmã me mandou uma mensagem, meus pais voltaram de Dublin mais cedo e eu provavelmente levaria um belo castigo.
Eu a deveria uma pelo resto do mês, assim que cheguei corri para cima para me livrar do cheiro de álcool e cigarros enrolados à mão.
A chuva caia e o vento golpeava a casa toda e todas as janelas rangiam sem parar, eu estava a beira de uma crise e estava me sentindo em um filme de terror, agora o castigo não parecia uma das piores coisas, só queria meus pais em casa.
Lucyla e Malloney estavam pondo a mesa do jantar quando me juntei a elas.
― Está tudo bem? ― Minha irmã perguntou estreitando os olhos.
― Vai ficar ― Falei.
Ela me olhou soltando alguns talheres.
― Garota você tomou ácido de novo?
Eu arregalei os olhos olhando para ver se Lucy estava por perto.
― Claro que não, eu disse que não foi de propósito ― Resmunguei ― Nunca mais vou fazer aquilo.
Falei com nojo.
― É só essa tempestade... Onde eles estavam quando ligaram?
― Eles devem estar chegando aí, vai ficar tudo bem ― Minha irmã disse tocando meu ombro, como se para confirmar suas palavras ouvimos o som das portas da garagem se abrindo.
― Esse tempo mudou do nada ― Mamãe falou.
Eu me preparei psicologicamente para a bronca e o castigo... Que surpreendentemente não veio.
― Paaai ― Falei abraçando ele.
― Oie boo Butterfly ― Ele disse sorrindo e beijando meu cabelo.
― Vamos jantar? ― Minha mãe falou.
Nós nos sentamos a mesa e comemos em silêncio, depois Lucy retirou a mesa com minha ajuda e meus pais mandaram Malloney e eu para a biblioteca...
Me sentei em silêncio ao lado da minha irmã que parecia tranquila demais.
― Você acha que eles vão...
― Fica quietinha ― Ela revirou os olhos.
Meus pais entraram fechando a porta.
― Onde você se meteu na tarde de ontem? ― Meu pai perguntou.
― Eu saí com meu amigo...
― Que amigo? Você não sabe que precisa atende o celular? Liguei para você dezoito vezes, quantas você atendeu? Nenhuma, precisei ligar para todos os seus amigos e nenhum deles sabia de você, exceto Joseph... Onde você estava? ― Perguntou à minha irmã.
― Eu tenho uma vida.
Meu pai estava calmo, mas desapontado.
― Eu apenas fui dar uma volta, eu estou bem, não tem necessidade de...
― Tem sim, você deveria saber como me sinto quando você não dá notícias ― Minha mãe disse massageando as têmporas.
Eu dei de ombros.
― Já falei sobre esses gestos evasivos...
Ela disse ríspida.
Eu me perdi em pensamentos enquanto eles discutiam com minha irmã.
Malloney puxou o elástico em meu pulso o estalando em minha pele e ele trazendo de volta a realidade.
― Ai ― Gemi de dor.
― Então é para isso que serve? ― Perguntou divertida.
― Cala a boca!
― Calma ― Meu pai falou para nós duas.
― Estou cansada disso ― Falei exausta ― E quem elegeu Joseph meu guarda costas? O senhor deu essa liberdade a ele? Sabe que ele foi rude e gritou comigo? Com Eros O’Reilly? Que a propósito é com quem eu estava.
― Espera... Os O’Reilly estão morando em Wexford? ― Minha mãe perguntou.
Eu dei de ombros.
― Eles acabaram de se mudar.
― Você está... Saindo com ele?
― Somos conhecidos, nem amigos, saímos uma vez...
― Eu espero que sim ― Meu pai disse.
― Me fale dele, ele bonito? ― Minha mãe perguntou ― Vocês estão namorando, ficando... Como vocês chamam hoje em dia?
― Mãe pelo amor de Deus ― Protestei envergonhada cobrindo o rosto e afundando no sofá ― Somos amigos okay... Nem isso.
― Quem são os pais dele? ― Meu pai perguntou ― Ele é um O’Reilly...
― Tem algo contra eles?
― Não tenho nada a favor ― Ele disse.
― Ele é filho de Petros e Agatha ― Falei confusa ― Irmão de Charlotte... Não sei o que esperam que eu diga...
Meu pai nunca se opunha a quase ninguém...
Depois de subir as escadas com o remédio que já havia me deixado exausta.
Joseph, Melinda, eu, Lucas e Kyle estávamos brincando na clareira do lago... Apenas um verão antes de ela...
Mas não éramos nós mesmos... Paul ainda era o Paul de dez anos... Joe ainda era a criança loira de dez anos e nós ainda éramos nós aos nove anos.
Melinda ainda tinha luz e vida e bochechas vermelhas.
― Nós vamos brincar de casa ― Falou alto.
Nós nos olhamos entediado, sempre acabávamos fazendo as vontades dela, mesmo que as totalmente irritantes.
― Você é Joe vão ser os pais do Kye e eu e Lucas vamos ser os pais da Clair ― Ela disse apontando para a boneca de cabelos azuis feita de pano.
― Tudo bem, vamos morar na casa da árvore e vocês na casa das bonecas ― Disse a Brieanna de nove anos.
― Depois vamos tomar chá ― Mel falou.
― Tanto faz, vamos logo com isso ― Joseph falou.
Minha visão ficou escura, então eu e Joseph éramos nos mesmos nos beijando, então éramos nos aos nove e dez anos, quando Joseph me beijava na clareira do lago.
Na manhã seguinte acordei atordoada e confusa... O que foi esse sonho? Eu nem mesmo me lembrava de ter beijado Joseph...
Desci as escadas devagar coçando meus olhos inchados depois de me vestir.
― Ei, dormiu bem? ― Meu pai perguntou beijando minha bochecha.
― Surpreendentemente bem ― Falei.
― Bom dia amor ― Minha mãe disse me dando uma tigela com porridge.
― Sabe... Vou fazer uma inspeção mensal do Hotel, ver se todos estão alinhados e fazendo seu trabalho com excelência... Vai ser divertido... Quer se juntar a mim? ― Meu pai perguntou.
Minha mãe pigarreou e ele a ignorou.
― Como um treinamento ― Minha irmã acusou.
― Como saber de onde vem o dinheiro que você joga fora ― Meu pai acusou ― Quando foi a última vez que foi até o hotel?
― Eleazar Richard ― Minha mãe protestou.
― Eu quero ir pai, só vou me trocar ― Falei animada.
Eu e meu pai saímos pela porta da frente uma hora depois.
― Vamos no Audi? ― Perguntou.
Eu suspirei.
Maldito carro chamativo.
― Tudo bem.
Ele abriu a porta para mim dando a volta e se sentando atrás do volante, assim que ele deu partida seguindo para fora da nossa rua.
― Seu cinto de segurança ― Falei.
― Fique calma... Nunca levei uma multa sabia? ― Falou divertido ― Claro que não podemos falar o mesmo da sua irmã... Tenho que pagar três multas por mês... No mínimo... Filha...
― Oi?
― Sabe que eu amo você... Não é?
― Aham... Pai! Por Deus olhos na estrada ― Falei quando ele se virou para me olhar.
― Fique calma garota, vai ter um ataque cardíaco antes dos 20 ― Falou.
Ele cortou a rodovia até Rosslaire e chegou a o Brown’s hotel na Trinity avenue onde todos o conheciam.
Contornando a fachada na praça em frente ao hotel, sorri para o local, a praça lembrava a praça da catedral de São Francisco na Itália, havia me esquecido do quão grandes eram as coisas aqui e o peso disso... A responsabilidade sobre meus ombros se eu decidisse seguir meu pai... Era esmagadora, todos esperavam algo de mim, que eu fosse a filha perfeita, a herdeira responsável que cuidaria de tudo quando meus pais... Não pudessem mais... Eu odiava pensar nisso.
Passamos pela entrada com colunas brancas como o Pathernom, tudo era exatamente como meu pai havia sonhado quando ele era apenas um garoto na faculdade de Stanford.
O salão hall principal tinha um tapete vermelho sangue com o brasão de nossa família em dourado, tudo era feito de mármore negro, incluindo as escadas que levavam aos escritórios dos meus pais.
Abaixo das escadas haviam quatro elevadores, três deles levavam os hóspedes através dos trinta andares e um levava até o depósito, a área dos funcionários e os quatro andares da garagem subterrânea.
Subimos pelas escadas de mármore até o salão rosa, com certeza a escolha de cores feita por minha mãe, haviam cerca de cinquenta funcionários parados perfeitamente alinhados, moças de um lado e rapazes do outro.
As moças vestiam um vestido de cortes simples em vermelho com detalhes em dourado, sapatilhas pretas e meias brancas até os joelhos e os rapazes smoking cinza, todos com luvas brancas de algodão com sapatos muito bem engraxados e gravatas vermelhas alinhadas.
Haviam três funcionários mais afastados dos outros conversando em tom baixo, um senhor de smoking, sapatos e luvas tudo em preto, uma senhora de terno azul que tinha cabelos dourados platinados, claramente tingidos e um jovem louro quase albino que costumava ser a minha babá quando minha mãe precisava me trazer para o trabalho quando eu tinha quatro anos.
― Darwin ― Falei o abraçando fazendo ele dar alguns passos para trás.
― Ei Mon Pettit ― Ele falou com sotaque carregado ― Como você cresceu ― Ele disse um pouco vermelho.
― Evelin ― Meu pai me repreendeu e eu percebi que todos olhavam minha interação com um Darwin totalmente envergonhado.
― Me desculpa ― Falei envergonhada.
― Tudo bem ― Falou divertido.
Fiquei de pé ao lado do meu pai, que parecia muito sério no trabalho.
― Hoje como vocês sabem, é o dia da inspeção mensal, checamos se tudo está indo bem, se mantemos a excelência em nossos serviços e o que podemos fazer para sermos ainda melhores ― Falou firme.
Eu me sinto muito orgulhosa dele e de tudo o que ele conquistou sozinho em sua maior parte.
― A maioria de vocês conhecem a minha garotinha
― Paaai ― Falei morrendo de vergonha.
― Brieanna Evelin Brown ela vai ser a futura chefe de vocês
― Não combinamos nada disso ― Deixei claro.
― Um pai pode sonhar ― Ele devolveu.
― Sonhar ― Concordei.
Darwin apenas riu baixo.
― Vou tomar conhecimento dos números, funcionamento e do pessoal... Quero que vá com Darwin e ele vai te mostrar tudo do estacionamento até o último andar, todo o funcionamento e as rotinas, tome nota de tudo, é muito importante.
― Sim senhor, pode deixar ― Falei beijando a bochecha dele.
― Vai ser um prazer mostrar tudo a ela, vamos Mon Pettit? ― Darwin disse me oferecendo seu antebraço.
― Te vejo mais tarde ― Falei.
Eu e Darwin saímos do salão descendo as escadas até os elevadores.
― É assustador saber que um dia eu vou ter que cuidar de tudo isso ― Falei olhando nossa foto de família em tamanho gigantesco cobrindo uma das paredes do Hall principal.
― Você vai se dar bem, tenho certeza, seu pai vive dizendo o quão inteligente você é e quão orgulhoso ele é de você ― Darwi disse ― O que quer ver primeiro?
Eu pensei um pouco.
― Sinceramente? Não venho aqui há séculos e preciso ver tudo, você ouviu o chefão
― Tudo?
― Sim, cada centímetro ― Falei sorrindo.
― Tudo bem, Mon Pettit, Senhorita Brown, o expresso Andrieux de hotelaria vai partir ― Ele disse divertido apoiando a mão em minhas costas para me guiar até o elevador.
Caminharmos pelo hotel enquanto ele me falava da melhor forma que podia o funcionamento.
― Estamos divididos em cinco, sua mãe cuida da gestão, recursos humanos e relações públicas, Senhor Brown cuida de todas as contas, licenças e trâmites legais e dos intercâmbistas e eu, Darwin Andrieux, Forchammer e Korolenko, Helga Forchammer e Enzo Korolenko ― Falou contra gosto ― Forchammer cuida das arrumadeira, carregadores e manobristas e Korolenko cuida do serviço de quarto, os fornecedores do restaurante, e parcerias..
― E você?
Ele sorriu.
― Eu cuido de tudo que não funciona, da manutenção, dos zeladores, da segurança, das agendas e dos eventos que recebemos, dos pertences esquecidos e de devolvê-los... Acho que é tudo ― Falou.
― Parece legal ― Admiti.
― Eu amo, eu amo ver pessoas diferentes o dia todo, amo ver essa movimentação e gente de todos os lugares... É como um parque de diversões para mim.
― O salário...
― O que tem? ― Darwi falou confuso.
― Compensa...
― Seu pai é o homem mais generoso e justo que já conheci senhorita Brown ― Andrieux disse respeitosamente ― Nunca duvide disso.
― Eu nunca o faria ― Falei sorrindo orgulhosamente.
Nossa visita pelo hotel se arrastou por todo o dia, ele mostrou a cozinha, os quatro andares do estacionamento, o salão de festas, a sala de reuniões, o auditório, o campo de mini golfe, e todos os trinta andares, não me recordava de o Brown’s ser tão grande assim, no fim da tarde quando minhas pernas estavam cansadas de tanto andar por todo o hotel, meu cérebro estava fervendo com todas aquelas informações, estranhamente, no fim do dia eu estava apaixonada por tudo naquele lugar e apenas sentia vontade de voltar lá todos os dias... Talvez a estratégia do meu pai tenha funcionado.
Andrieux me levou de volta ao escritório do meu pai no fim da tarde, ele conversava com Korolenko e ForchHammer, tinha uma expressão dura quando entrei e ela se desfez quando ele me olhou.
― Eu... É... Deveria ter batido... Quer que eu espere lá fora? ― Perguntei envergonhada.
― De forma alguma, já havíamos acabado... Como foram?
― Perfeito, somos cinco estrelas ― Falei animada.
― Excelência em nossos serviços ― Meu pai concordou ― Os melhores da Irlanda.
― Quanta modéstia senhor Brown ― Brinquei me aproximando mais e me sentando no braço da poltrona que ele estava.
― Seu pai está certo, jornais e revistas de todo o país elogiam nossos serviços ― Korolenko apontou.
― Naturalmente com sua vida social atarefada não deve ter o conhecimento de tal coisa ― Forchammer falou ácida.
Eu demorei alguns segundos para entender que aqueles dois estavam insultando minha inteligência.
Meu pai abriu a boca para repreender eles, mas se calou quando me pronunciei.
― Com todo respeito que me foi dado por meus pais, não vejo como minha vida social ou mesmo em qualquer âmbito pode dizer respeito aos senhores ― Falei firme ― Eu me dirigi ao meu pai... Com todo respeito.
Andrieux ficou vermelho tentando conter uma crise de riso, mas meu pai não teve a mesma sorte e ele explodiu em uma risada.
― Não se pode negar que ela é uma Brown legítima, a sua filha, senhor ― Andrieux disse tentando aliviar a tensão.
Eu não queria dizer aquilo ou soar rude, mas foi mais forte do que eu como se eu não pudesse controlar.
Eu tentei não sorrir, mas foi impossível, o rosto de ambos tomou uma cor vermelha e eles finalmente se pronunciaram.
― Naturalmente ― ForchHammer falou ríspida.
― Ninguém pode mesmo negar que ela se parece com o senhor, uma líder no controle de tudo ― Korolenko apontou.
Eu queria vomitar com aquela bajulação e pela expressão do meu pai, ele também.
― Não me diga o que já sei desde que ela aprendeu a falar ― Ele disse beijando minha testa ― Alguns nasceram para liderar outros para seguirem, seleção natural ― Apontou.
― Naturalmente ― ForchHammer disse.
― Se nos permite ― Korolenko disse educadamente.
― Podem ir, estão dispensados, Darwin pode ir, quando eu terminar com Brieanna conversamos.
Os três saíram imediatamente.
As três semanas seguintes foram iguais à aquele dia, eu acordava de manhã, me arrumava e depois de tomar café ia com meus pais para o hotel, ocupava a minha cabeça durante todo o dia, quando chegava estava exausta e apenas comia, tomava banho e tomava meus remédios, que ainda não estavam fazendo efeito, porque todos os dias por volta das três ou cinco da manhã eu acordo suando frio e tremendo o inferno para fora de mim.
― Você está distante de novo ― Minha irmã falou.
― Só estava pensando em umas coisas do hotel.
― Por falar no hotel, como vai por lá?
― É legal, eu e Darwi fazemos muitas coisas legais juntos.
― Só você mesmo Briea.
― O que? Lá é muito legal, trabalhar no hotel, com as pessoa, você deveria vir com a gente.
― Não é trabalho se você é a filha do chefe Brieanna, não é como se estivesse trabalhando.
― Bobeira sua...
― Alguém já gritou com você?
Eu a olhei confusa.
― Eles deveriam gritar?
― Já disseram que fez algo errado?
― Bom, não...
― Gritam quando é um trabalho de verdade, nosso pai está te ocupando.
― Como assim?
― Está te ocupando para você não ver Eros... Joseph... Garotos no geral.
― E quem disse que quero ver eles?
― Não quer? ― Perguntou aquando a sobrancelha.
― Cala a boca ― Falei e sai da cozinha.
Segui até o escritório do meu pai onde ele preparava sua pasta com alguns documentos.
― Oi, estou pronta para ir ― Falei.
― Não achei que você iria hoje ― Admitiu confuso.
― Darwi disse que sábado é um bom dia, hoje vão ter dois eventos e eu quero acompanhar.
― Okay, apenas quatro horas, entendeu?
― O senhor é a pessoa mais conflitante, primeiro quer que eu me envolva com as coisas do hotel e depois me chuta de lá.
― Não é nada disso ― Ele falou.
― Então o que é?
― Sei que não tem dormido, eu ouço você na biblioteca, sei o que está fazendo e esse garoto não merece sua atenção assim.
― Não me importo com ele, estou fazendo isso por mim e não por qualquer garoto ― Prometi.
― Então está tudo bem?
― Perfeitamente senhor Brown.
― Perfeito então... Vamos ao trabalho Senhorita Brown.
Hoje era um dia importante porque a orquestra de Wexford irá apresentar um novo concerto com novas composições e havia uma conferencia de empresários de importação e exportação e o Brown’s é o único com capacidade para acomodar todas aquelas pessoas.
Quando cheguei Andrieux estava uma pilha de nervos e dando mil ordens de serviço.
― Eu... Não achei que você viria hoje... Na verdade ― Ele disse não parecendo nem um pouco animado em me ver.
― Eu pensei que como estamos lotados você precisaria de ajuda ― Joguei sorrindo.
― Bom eu...
Ele coçou a nuca sem jeito.
― É sério Andrieux, eu já vi tudo, sei o que fazemos e como trabalhamos e se você não parar de me tratar como a filha do seu chefe e começar a me tratar como qualquer jovem que trabalha aqui eu vou chutar sua bunda ― Eu disse não reconhecendo a mim mesma.
Ele riu.
― Você fala igual a ele ― Falou rindo ― Vem aqui, isso chegou hoje ― Falou pegando algo no armário.
Era um uniforme igual ao do Darwin, só em um tamanho bem menor, o meu tamanho, até tinha meu nome nele, uma plaquinha em dourado escrita Brown.
― Eu preferia meu primeiro nome ― Admiti.
― Por que? ― Perguntou confuso.
― Vão ficar me tratando como...
― Se trabalhar duro e for honesta é nisso que as pessoas vão se referir a seu trabalho, não importa quem seus pais são.
Eu concordei.
Depois de me vestir no pequeno banheiro, nos usamos o elevador para ir até o Hall principal onde Darwi me deu dez ordens e um cartão mestre que me permitia ir à qualquer lugar daquele hotel.
Tentei cumprir todas as dez ordens que Andrieux me deu com o melhor de minha capacidade e em tempo hábil, fiquei cantando elas em minha mente para não me esquecer de nada.
Depois voltei a recepção e encontrei Darwi lá, ele me olhou surpreso.
― Você já acabou tudo o que te pedi para fazer?
― Sim... Tem mais alguma coisa que quer que eu faça?
― Uau... Esse hotel precisa se mais gente como você Senhorita Brown ― Falou divertido pegando um rádio embaixo do balcão da recepção ― Uma empresária esqueceu um laptop no restaurante do hotel, é muito importante para uma apresentação que será feita na reunião ― Falou massageando as têmporas ― Antes de mandar você ao achados e perdidos, quero que vá até ForchHammer e veja se alguma das meninas achou e está com ele, vou checar com os seguranças, se ninguém de ForchHammer encontrou o laptop quero que vá a Korolenko e diga isso a ele, depois vá a cozinha e peça aos dois garçons para abastecer as bebidas da sala de conferência e ficarem apostos para servir as pessoas, eu vou encontrar e auxiliar cinquenta CEOS furiosos com uma conferência atrasada e chamar o técnico porque um dos elevadores está com problemas logo hoje ― Falou parecendo preocupado ― E boa sorte ― Falou a mim.
― Pode deixar, eu vou encontrar, Boa sorte ― Falei antes de ir para o elevador que levava ao subsolo.
Eu andava pelo corredor no lado leste que levava até a sala de Forchammer, quando alguém apressado esbarrou em mim.
― Me desculpa ― Falei .
Percebi que a garota tinha lágrimas escorrendo.
― Você está bem? Qual é o seu nome?
― Sou alguém com pressa ― Ela disse ajeitando o sapato e saindo do corredor.
Eu suspirei, garota esquisita.
Passei por uma porção de jovens apressadas e que pareciam abatidas demais para falar onde a ForchHammer se encontrava, até que a encontrei sentada em uma mesa vazia, nada em volta com os pés altos.
Ela me olhou de cima a baixo e suspirou.
― O que faz aqui hoje? Aqui em baixo? Achei que ficasse seguindo Andrieux por aí.
― Andrieux está trabalhando, eu também e a senhora deveria fazer o mesmo ― Falei apontando para seus pés sobre a mesa.
Ela os baixou e ficou me olhando.
― Não me provoque pirralha, eu fatio adolescentes espertinhas todo os dias e não vou aceitar ordens de uma fedelho que até ontem usava fraldas e mamadeira porque ela é herdeira de alguém ― Falou desdenhosa ― Vá para qualquer outro lugar brincar de herdeira.
Eu respirei fundo.
― Eu não me importo a quanto tempo está trabalhando nisso, você não é minha chefe e eu não sou sua subordinada, não respondo a você, eu odeio gente me dizendo o que fazer, mas a senhora deve entender isso, porque trabalha para o meu pai e ele é exatamente como eu, a diferença entre nós é que eu puxei a paciência e compaixão da minha mãe, então... Vamos começar de novo... Bom dia Senhora ForchHammer, Andrieux me informou que uma das CEOS esqueceu um laptop no restaurante, esse laptop é muito importante, poderia por favor checar se uma das suas garotas não o encontrou? Chame elas ForchHammer ― Ordenei.
Ela ficou muito vermelha, achei que ela teria um ataque, então ela respirou fundo.
― Você é uma cobra venenosa como a sua mãe ― Falou rude se levantando.
Eu dei um passo a frente, mas me lembrei que ela é uma senhora muito mais velha.
― Eu deveria dar o que a senhora merece, mas felizmente, aquela cobra venenosa que é a minha mãe me deu uma educação excelente, mas me ensinou com quem usá-la e com certeza não foi com nazistas prepotentes miseráveis como você ― Xinguei ― Agora levante seu traseiro daqui e faça a droga do seu trabalho... Muito bem feito ― Deixei claro ― Nunca mais fique no meu caminho.
Ela tremeu e pegou o rádio.
― ForchHammer, alguma de vocês encontrou um laptop no restaurante?
― Eu Tawny, levei ele para o depósito essa manhã senhora.
― Ótimo ― Ela berrou ― Agora volte a trabalhar ― Gritou com a moça ― Bom tem sua resposta garota
― Senhorita Brown ― Corrigi ― Obrigada! Senhora ForchHammer.
Eu pessoalmente não gostava de ForchHammer e gostava ainda menos de ter que responder a ela, mas se ela espera que eu me cale para a forma como ela trabalha está muito enganada.
No depósito dos achados e perdidos, tudo era extremamente organizado, haviam janelas para a luz natural e dois armários do chão ao teto com várias portas e gavetas com adesivos, cada tipo de pertence ficava em um espaço.
Eu procurei rapidamente na gaveta em que dizia eletrônicos e era o único computador lá, um parecido com o que eu tinha em casa.
Corri para a sala de conferência, onde Andrieux e Korolenko estavam tentando acalmar uma senhora de meia idade, que vestia um conjunto de terninho e saia executivos.
― Aqui ― Falei .
― OH Deus! Graças a Deus, a apresentação depende desse laptop ― Ela disse quando a entreguei ― Obrigada, senhorita...
― Brown, senhora.
― Como o senhor...
― Eleazar Brown ― Darwi falou ― É a filha caçula do homem, senhora.
― Seu pai deve ter orgulho de você me dando um abraço desajeitado.
Eu travei, sempre tive um problema com pessoas estranhas me tocando.
Darwin percebeu e interrompeu.
― Tem uma grande apresentação Teah.
Ela assentiu se despedindo e entrando na sala de conferencias.
Alguns segundos depois Korolenko berrou comigo.
― Por que demorou tanto? Onde estava com a cabeça?
― Não pode gritar com ela homem, perdeu o juízo? É a filha do seu chefe, dono de tudo isso ― Darwi falou gesticulando em volta.
― Não pode gritar comigo não porque sou a filha do seu chefe o dono de tudo isso ― Falei gesticulando em volta ― Mas porque não é educado gritar com as pessoas, se quer gritar com alguém vá e grite com ForchHammer que demorou para fazer o trabalho dela e localizar o laptop porque estava com o traseiro inútil escondido lá embaixo ― Falei.
― Ela gritou e foi rude com você? ― Andrieux perguntou.
― Sim, eu acho que ela e Korolenko fazem muito isso com os jovens que trabalham aqui, não me admira que todos pareçam abatidos e nervosos.
― Eu ainda estou aqui ― Korolenko falou.
― Infelizmente ― Falei.
― Continue achando, não faz diferença ― Ele murmurou.
― Quer apostar?
― Não se meta no meu caminho ― Ele latiu para mim andando em minha direção.
― Não vai querer fazer isso ― Darwi falou.
― Vai choramingar para o papai? ― Ele zombou.
Eu ri.
― Não... Mas posso acidentalmente... Deixar escapar para mamãe ― Zombei.
Korolenko fechou os olhos suspirando.
― Você é uma serpente venenosa como a sua mãe.
Eu andei na direção dele, queria chutar a bunda dele, mas Darwi me tirou de lá, preciso me lembrar de agradecê-lo.
― A quanto tempo isso está acontecendo? ― Perguntei furiosa.
― Algum tempo ― Darwi falou passando as mãos no rosto.
― E por que ninguém faz nada?
― Porque Korolenko e Forchammer os colocariam na rua.
― Achei que só meu pai pudesse fazer isso
― Imagine administrar tudo e ainda ser responsável por quem entra ou sai do quadro de funcionários... Beba um chá ― Ele disse me dando uma caneca fumegante.
Eu bebi devagar.
― A quanto tempo... Minha mãe sabe disso?
― Sim, ela os odeia, por ela estariam no olho da rua há século, mas eles são realmente bons no que fazem, por isso somos cinco estrelas... Eles se comportam melhor quando sua mãe está por aqui.
― Melhor ― Falei mais calma, bebendo meu chá devagar.
― Eles tem brigas terríveis, sua mãe quem manda no RH... Só que... Ela não tem... Aparecido muito com tudo...
― Hnmm... Com tudo o que tem acontecido comigo ― Conclui.
― Brie... Seu pai paga o melhor salário, pergunte a qualquer funcionário, aguentar ForchHammer e Korolenko é fácil, o salário compensa ― Andrieux falou.
Mais tarde naquele dia Darwi me dispensou e eu subi para o escritório... Do meu pai que futuramente... Seria o meu, mas não acho que eu pertenço à esse andar.
Bati duas vezes antes de abrir a porta, mas meu pai estava acompanhado de um senhor de terno e haviam alguns papéis sobre a mesa.
― Eu posso esperar...
― Tudo bem, na verdade preciso apresentar vocês ― Meu pai disse ― Esse é o senhor O’Neil, meu gerente e amigo ― Falou sorrindo para mim ― Como foi seu dia? Parece exausta ― Falou preocupado.
Eu ri.
― Não tenha um colapso, estou ótima, jovens fazem isso o tempo todo e eu vou sobreviver ― Falei Tive um dia ótimo e Darwi e todos pararam de me tratar como sua filha e me deram trabalho de verdade.
Ele me olhou sério, depois sorriu.
― Então trabalhou duro hoje?
― Sim, agora posso entender porque é importante.
― É, mas seu lugar... É bem ― Falou se levantando e me sentando no lugar dele ― Aqui em cima.
― Não posso apenas comandar de lá e deixar minha irmã aqui brincando de comandar?
― Seu lugar é aqui em cima, sem negociação ― Ele falou ― Você daria seu sangue, suor e alma lá embaixo e sua irmã ainda conseguiria falir tudo ― Ele disse.
Eu suspirei.
― Cumprimente o senhor O’Neil, vocês vão trabalhar juntos no futuro ― Ele disse ao homem ― Essa é a minha garotinha.
― Paaai ― Protestei.
― Tudo bem, minha herdeira, Senhorita Brown.
Eu apertei a mão dele com firmeza.
― É um prazer conhecer a senhorita Brown... Seu rosto é familiar... Me lembra alguém que eu conheci... Não importa agora.
― Deve ser da imprensa, aposto que também passam por isso... Esses abutres vivem invadindo a privacidade alheia.
― Só posso concordar.
Eu e meu pai deixamos o Brown’s às 09h00pm, chegando em casa subi as escadas direto para o banheiro, me desfiz do meu uniforme, depois de um banho me sentindo pesada e exausta apaguei em minha cama.
Acordei com minha mãe acariciando meu cabelo.
― Ei boo...
― Eu perdi o jantar?
― Não, eu vim acordar você, parece cansada, como foi o seu dia?
― Foi bacana, Darwi me deu trabalho de verdade e ele e Korolenko e ForchHammer pararam de me tratar como a filha do casal real e me deixaram trabalhar de verdade, não gosto muito de ForchHammer e Korolenko, mas o resto do pessoal foi muito legal.
― Espero que estejam a tratando muito bem se não dou um chute no traseiro deles, não importa se seu pai acha que eles são os melhores ou qualquer coisa dessas ― Falou irredutível.
― Eles estão ― Menti evitando seus olhos avaliativos.
― Espero que sim, vai trabalhar amanhã?
― Não, papai me chutou, me disse para dar uma volta e me divertir, eu absolutamente não entendo, ele me disse que trabalhei três semanas sem parar, mas todo mundo faz isso.
― Que bom, fico tão orgulhosa de você, mas seu pai está certo, você precisa descansar também, mesmo quem trabalha tem folga, vá sair com seus amigos e se divertir.
― Vocês devem ter razão ― Falei .
― Agora vamos jantar ― Falou.
Eu desci as escadas com minha mãe me juntando a minha família à mesa.
― Olhe para você toda exausta ― Meu pai falou.
― Só um pouquinho.
― O que fez hoje no hotel? ― Minha irmã perguntou.
― Bastantes coisas, foi legal.
― Claro ― Ela riu.
― Pai diga a Malloney, diga que eu trabalho de verdade, não fico vendo todos trabalharem porque sou sua filha.
― Pare de provocar sua irmã Malloney ― Minha mãe repreendeu ela.
― Por que você tem prazer em machucar ela? Na verdade ela ajudou muito, várias pessoas elogiaram seu trabalho hoje, estou orgulhoso de você ― Ele falou segurando minha mão por cima da mesa.
Eu sorri para ele e minha mãe e minha irmã revirou os olhos.
Depois do jantar subi as escadas até meu quarto, me joguei na cama e liguei para Morgana.
― Olá Morgana das fadas.
― Oi boo butterfly ― Falou divertida ― Soube que está trabalhando de montão.
― Sim, mas meu pai me deu folga esse domingo, então pensei em juntar todo mundo, podemos almoçar e ir ao cinema?
― É claro que sim ― Falou ― É claro que eu quero, podemos almoçar, ir ao cinema, fazer compras vai ser divertido, podemos levar Mitchie e Nath e os outros?
― Que outros?
― Tem falado com ele? Ele acha que você está saindo com Eros e que está brava com ele ― Ela jogou.
Eu suspirei.
― Não estou namorando ninguém, o cara é um idiota e... Eu não estou brava... Bom, ele me irritou bastante, não admito aquele tipo de comportamento territorialista, mas não estou brava.
― Então podemos chamar Joseph?
― Sim, podemos... Eros está com Julianne.
― Sinto muito.
― Não sinta, eu sabia que ele era um idiota, de qualquer forma.
― Vamos sair e nos divertir e tirar lindas fotos para ele ver como você não se importa com ― Falou divertida.
― Tão Hollywood ― Brinquei.
― Tudo bem, aceito essa
Eu suspirei, ficamos na linha por mais alguns minutos, eu não queria ficar sozinha, mas não podia exigir nada de ninguém.
Já sentiu como se você fosse um incômodo para as pessoas?
― Boa noite boo butterfly, amo você.
― Eu sei, boa noite Morgana das fadas.
Eu estava com uma sensação esquisita, o mesmo frio na espinha que precede a algo... Inexplicável.
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