Moon NamJin 1° Sequência
1 Seokjin
Um de Novembro, Sete da Manhã.
Na escola havia uma sala, e nessa sala havia Seokjin.
Não que ele fosse o centro de tudo naquele lugar mas era uma pessoa importante, porém, nem tudo é perfeito pra quem tem muita fama. E o pior é se a fama for preenchida por comentários ruins que sim, estragam a imagem dele.
Mas nunca acreditar nas fofocas dos outros parecia não fazer mais efeito.
Mesmo sendo tão desprezado as pessoas nunca pensavam no quanto ele era especial lá dentro. Os trabalhos por exemplo, era ele quem liderava tudo e somava os pontos dos alunos, era ele que sempre inventava alguma coisinha pra ganhar nem que seja um mísero pontinho.
Ninguém nunca deu valor pra isso.
Mas pensando pelo lado bom, ele aprendeu a não dar atenção e só seguir seu cargo de ajudante e aluno daquela merda de escola.
Precisava anotar os nomes de seus colegas que estavam indicados a fazer mais um trabalho, um trabalho que valia as notas do último trimestre inteiro e que provavelmente todos iriam participar por conta disso. Faltava apenas o diretor ir na sala explicar sobre e finalmente eles começarem a fazer.
Enquanto escrevia um nome calmamente e analisava com cuidado aonde escrevia, acabou por borrar com brutalidade por levar um susto com o toque do seu celular. Na hora não quis atender depois de ter resmungado um palavrão mas foi obrigado quando leu o nome da sua mãe na tela.
— Al-
— VEM PRA CASA AGORA! — ela o interrompe para gritar alto e fazer o coitado quase ficar surdo afastando um pouco o celular da orelha.
— Mãe você sabe que eu não posso, se o diretor me descobre é capaz de me matar. — diz um pouco alto e indignado de ter sido interrompido.
— SE VOCÊ NÃO VIR EU TIRO O SEU CELULAR. — grita novamente e encerra a ligação.
Ele engole um seco pensando nas milhares tentativas de fuga que poderia fazer mas que obviamente nenhuma iria dar certo, pois no final com certeza iria ser pego.
Antes de tudo precisava ligar para seu motorista o buscar, claro. Depois sair da sala cautelarmente e observar se o diretor estava em volta, se não estiver a barra tá limpa e pode sair correndo até a rua.
Claro que isso é um bom plano.
Discou o número de seu motorista e o esperou atender, o que durou belos minutos mas que finalmente escutou a voz do homem no outro lado da linha.
— E aí Miss Coreia. — fala animado e toma um gole de café em seguida.
Mesmo Seokjin implicando para o motorista — mais conhecido como Jack pela família — não chamar ele de Miss Coreia o homem nunca parava, parecia um vício que pra ele era engraçado de mais.
— Pode me buscar na escola agora?
— Eu acabei de chegar na frente da escola, mandado pela sua mamãe claro. — ri e termina de tomar seu café.
— Então eu já tô indo. — encerra a ligação.
A mamãe pensou em tudo pelo jeito.
Se levantou com o cu na mão e se aproximou da porta lentamente para espiar se o diretor estava por volta. A sorte é que sua sala privada era bem próximo a porta de entrada da escola, o que eram na verdade vidraças enormes que podiam ser abertas por dois lados.
Observou tudo em volta e encontrou um belo nada além de uma faxineira passando um esfregão no chão. Aproveitou aquilo pra sair correndo já que os portões viviam abertos e que era muito fácil de algum aluno fugir, por que sinceramente ninguém se importava.
Avistou o carro do seu motorista ao lado de fora e correu o mais rápido que pôde para entrar no veículo. Para conter sua adrenalina de praticamente ter fugido ele respira fundo observando o vidro do carro se fechar sozinho.
— Pra onde quer ir Miss Coreia? — fala animado observando o garoto ofegante pelo restrovisor.
— Pra casa. — pousa a mão sobre o peito se sentindo aliviado.
Jack se emburra por ter tido esperanças do garoto querer ir para alguma cachaçaria ao invés de obedecer sua mãe, coisa que na maioria das vezes acontece.
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Dormia calmamente até ser acordado pelo freio do carro e com o barulho das rodas raspando no asfalto.
Jack é um dos melhores motoristas da Coreia. Bom. Pelo menos era o que dizia no currículo.
Mesmo sendo um bobalhão e quase sempre a senhorita Jee se estressa com as coisas que ele fala, o Seokjin jamais iria deixar ela demiti-lo. Até por ser o pai que o Seokjin nunca teve.
— Chegamos Miss Adormecida. — diz sorrindo e organizando seu chapéu.
O garoto abre a porta rápido e sai do carro sem ao menos fechá-lo, fazendo o motorista ter de sair do seu assento e fechar a porta, que por acidente bateu com força o provocando um grito fino
Correu o mais rápido que pôde até dentro de casa ouvindo milhares de bom dia de seus empregados mas nunca dando uma resposta, até trombar com o seu irmão no meio da cozinha e quase cair pra trás.
— Pra quê essa pressa toda? — segura os ombros de Seokjin o fazendo voltar a realidade.
— Aonde tá a nossa mãe? — dá uma voltinha procurando nos lados.
— Ela tá no quarto. — fala um pouco emburrado e indo até a geladeira para escolher o que comer.
O menor corre rápido até o andar de cima sem nem dar um tchau para o irmão e entra ligeiro no quarto da senhorita Jee, que na hora se assustou e foi rápido até o garoto.
— Querido. — o abraça choramingando e logo se afasta puxando o menor pela mão até sua estante de saltos, o que deixou o garoto extremamente confuso. — Olha o que aconteceu. — encena um choro colocando as mãos sobre o rosto.
A única coisa que observou foi milhares de saltos no chão, alguns desorganizados e outros que supostamente a mulher tentou arrumar mas não conseguiu.
— E o que aconteceu?
— OS MEUS SALTOS VOCÊ NÃO TÁ VENDO? — diz agora enfurecida e depositando um tapa no ombro do garoto que reclamou massageando a região do golpe. — Vamos vamos, arrume todos eles.
— Mas mãe-
— SE NÃO FIZER EU TE PROÍBO DE SAIR. — fala alto e sai raivosa do quarto, quase quebrando a porta com a força que teve para fecha-la.
Seokjin era usado como um escravo em qualquer situação, até mesmo nos sentimentos mas isso é outra história.
A empregada que arrumava seu quarto ainda não tinha chegado e como o irmão de Seokjin ia trabalhar logo logo, e ela o adorava, a única opção era chamar Seokjin que ela sabia muito bem que não podia sair da escola em momento nenhum, mas ela pouco se importa.
O melhor era ter ficado na escola e apanhado da mãe do que chegar em casa e ter que arrumar sapatos perdendo seu tempo precioso que poderia estar gastando organizando suas coisas.
Pensando pelo lado bom ele conseguiu arrumar os sapatos de uma maneira rápida, pelo menos pra ele foi rápido por que quando olhou o horário no seu celular eram sete e trinta e oito da manhã, horário que seus afazeres deveriam de ter sido completados se não fosse interrompido pela sua mãe.
Mesmo todo atrasado ele não se importou de ir na cozinha roubar uma banana para comer e ir descascando a fruta lentamente até o carro.
Quando entra no veículo e dá uma mordida na banana os olhos do motorista se arregalam e ele se vira pra trás tentando pegar a fruta do garoto.
— O que tá fazendo?? — diz mastigando e desviando das mãos do homem.
— Você não pode comer um minion!
Seokjin pula para o outro lado do assento e esconde a banana atrás das costas esperando que o motorista desista daquela brincadeira idiota de não matar seu minion.
— Dessa vez você venceu, mas dá próxima nós iremos fazer uma rebelião... — semicerra os olhos encarando Seokjin pelo retrovisor e vendo seu sorriso torto ser logo quebrado por mais uma mordida na fruta.
Tá bom, o Jack é um dos motoristas mais idiotas que existe.
Logo depois dessa brincadeira besta o homem dirige até a escola novamente, mandado pelo Seokjin é claro, por que se caso o garoto não falar o destino é capaz de cair em algum bar aleatório sem ao menos perceber.
Quando o carro para em frente ao colégio e o menor olha a janela, o seu cu tranca com a imagem assustadora do diretor observando os dois.
O motorista acenou alegremente para o homem e ele apenas o encarou feio, mas Jack não ligou nenhum pouco.
— Acho que ele gostou de mim. — lança uma piscada para o diretor que continuou com a mesma postura.
Quando Seokjin cria coragem para abrir a porta do carro o diretor se aproxima dando um passo à frente, fazendo o seu cu travar por conta do susto.
Mas tá tudo sob controle.
A porta é fechada e ele finalmente se aproxima do diretor, dessa vez com um sorriso simpático que claramente era forçado. O homem olha o carro partindo rápido e com o motorista cantando uma música aleatória, enquanto dançava loucamente quase batendo o veículo no poste.
— Bem que eu senti falta de alguém nessa escola. — debocha rindo para o segurança ao lado. — Será que o trabalho vai acontecer sem o representante? — solta mais uma risada que foi rapidamente cortada pela sua expressão de raiva.
O garoto alisa o braço se sentindo um merda de ter saído no meio do seu horário e tenta criar palavras para explicar do porquê da sua fuga.
— Eu tive que ajudar a minha mãe senhor, foi um caso urgente e-
— Sem desculpas. — diz firme cortando sua frase.
O diretor o puxa pelo braço levando até dentro da escola e passando por tudo até chegar na área de limpeza, onde entregou uma vassoura para o garoto o vendo encarar o objeto um tanto confuso.
— Não quero nenhuma poeira nessa escola, começando por agora.
O homem se retira em passos pesados indo até seu escritório e deixa o menor indagando e pensando na frustração que seu peito acumulava cada vez mais que pensava sobre ser puxado até ali para ser usado como um escravo.
De novo.
Mesmo com aquela tristeza o invadindo, ele começa a varrer o local, de uma maneira nem tão rápida por não querer estar fazendo aquilo, mas tentando aceitar aos poucos. No decorrer que o tempo passava ele varria mais rápido até que levou um susto com o sinal da escola, que no horário — de oito e meia — seria o intervalo.
Ficou parado observando o sinal vibrar fazendo um barulho ensurdecedor que nem percebeu as pessoas em volta começando a sussurar entre si por vê-lo segurando uma vassoura na mão.
— Ei baixinho. — um garoto se aproxima roubando sua atenção. — Seu nome é Seokjin mesmo ou Cinderela?
O comentário causou alguns risos baixos em volta de si e então ele percebeu que estava no meio de uma multidão de pessoas e segurando uma bendita vassoura na mão.
— Acho que já deu por hoje Seokjin.
Quando o diretor se aproxima todos em volta desviam os olhares para qualquer canto aleatório apenas para fingir não estar rindo de Seokjin, que na hora abraçou a vassoura por ter levado um susto.
— Pode guardar isso aí. — ele aponta para a vassoura e sorri discreto se afastando do local.
O menor encara todos em volta e percebe que vários se afastaram dali, indo por exemplo para o pátio ou cantina. Sabia bem do medo que tinham do diretor e agradecia às vezes por isso, mesmo também tendo um pouquinho de medo.
Pouquinho: muito, em grande quantidade, em grande volume, enorme, incrivelmente grande.
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Enquanto guardava a vassoura na pequena porta de limpeza, era possível escutar umas risadas e vozes femininas vindo próximo dali. Obviamente ele chegou um pouco mais perto fingindo organizar os produtos.
Organizar tirando eles de seu lugar mas releve.
— É esse daqui. — a garota mostra a foto de um rapaz no seu celular que não deu para ver direito e que deixou Seokjin mais curioso para descobrir quem é, até por ser um garoto.
— Ele deve ser muito gostoso. — a outra ri pervertida analisando o celular.
Seokjin observa a garota quase se molhando por causa da foto e torce o nariz desviando um pouco o olhar para não ser pego.
— Ele é da onde?
— Não sei ainda, só sei que vai começar a estudar aqui.
— Você descobre tanta coisa. — elas riem entre si e saem do lugar ainda vidradas no celular.
Seokjin fecha a porta dos produtos de limpeza e espia semicerrando seus olhos para tentar enxergar de longe a foto, mas infelizmente falhando.
A única coisa que viu foi um cabelo loiro o fazendo revirar os olhos por achar que o carinha é aqueles nojentinhos de olho verde que provavelmente vai cair nas fofocas dos outros se caso ele realmente começasse a estudar ali.
Para ter certeza absoluta sobre o que tinha ouvido ele precisava falar com o diretor desse assunto, que logicamente era suspeito.
Enquanto estava encostado na parede pensando sobre como falar com o diretor, seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho do seu celular fremindo igual uma britadeira o fazendo pegar o aparelho rápido para verificar o que era.
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tassy7kell
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Ele ri por ler o comentário em sua foto e suspira aliviado de não ser sua mãe incomodando pela segunda vez no dia. Mesmo que ela tenha incomodado quando o coitado acordou.
Guardou seu celular no bolso e respirou fundo indo até o escritório do diretor Seung para saber da história do aluno novo. Que para ele já não era mais interessante. Mas, como era um assunto importante ele precisava saber.
Bateu na porta duas vezes e rapidamente foi atendido pelo homem, que se encontrava com uma expressão normal. O que raramente acontecia.
— O que você quer? — cruza os braços soltando um olhar emburrado voltando a ser o diretor de sempre.
— Posso entrar? — com a graça de Deus foi respondido com a ação do homem de se afastar para dar espaço para o garoto entrar.
Seokjin fica um pouco próximo a mesa do diretor observando os milhares de papéis dobrados em forma de avião, alguns jogados no chão e outros presos nas bordas dos quadros pelo homem ter arremessado mas falhado a mira.
Quando o diretor fecha a porta e se senta em sua cadeira ele aguarda Seokjin abrir a boca para falar o que queria, mas pelo nervosismo ficaram em silêncio por alguns segundos.
— Bom... — pausa para alisar seu braço. — É verdade que tem um aluno novo na escola?
O homem indaga mas vasculha seus papéis pegando o último registro de matrícula da escola, e sim, havia um novo nome ali na lista. O diretor pode ser burro, mas lembrou de semana passada quando conversou com o loirinho e a sua mãe.
— É, tem sim. — separa os papéis com os dados sobre o registro. — Tudo que precisa tá aí.
Seokjin segura o papel com cuidado e dobra ao meio para ler depois. Claro, com o cu mais travado que celular quando clica com os dois dedos na tela sem querer.
— Obrigado senhor. — o menor se curva e sai do escritório.
Quando fecha a porta devagar ele sai correndo até sua sala para poder ler o papel calmamente e observar tudo que precisava sobre o garoto. E quando chega e se senta na cadeira é obrigado a respirar fundo por ter corrido quase toda a escola igual um desesperado.
Abriu a folha lentamente e deixou esticada sobre a mesa para conseguir ler. Franziu seu cenho quando percebeu que o rapaz seria seu colega e se desanimou por imaginar ele sendo mais um que iria rir da sua cara. O que restava era escrever o nome dele na força do ódio abaixo da sua listinha e cruzar seus dedos para que nada de ruim acontecesse.
Pegou as informações necessárias do rapaz e dobrou novamente a folha guardando dentro da sua gaveta para se caso precisasse depois, o que talvez não seja necessário mas sempre é bom se precaver.
Depois de toda essa frustração continuou organizando os nomes de seus colegas.
O que era muito divertido haha.
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