Monólogo da Morte
1 Monólogo da Morte
A vida é dura, árdua, repleta de desventuras. A morte, no entanto é calma, acolhedora, leve como uma pluma. Á essa altura você deve estar se perguntando: quem se atreve a enaltecer tanto esta tão temível partida do homem? E eu posso lhe assegurar que sou o ser mais sensato da terra para elucidar a cerca disso.
Vejamos, alguns me enxergam negra mas por dentro sou branca. Alguns me vêem como vilã, mas na verdade sou a salvadora. Sou mais clara que a luz e mais escura que as trevas. Mais pura que um anjo e mais profana que um demônio. Mais invasiva que um estrondo e mais reservada que o silêncio. Mais cálida que o calor e mais frígida que o frio. Devo ser a criatura mais antiga que existe na terra, entretanto sou tão jovem quanto uma donzela.
Tenho a oportunidade de conhecer todas as pessoas que existem, porém quando as encontro, elas nunca estão felizes, saudavéis, valentes ou graciosas. Algumas delas tentam ser fortes para me expulsar, outras simplesmente me aceitam. Algumas me temem, outras me desejam. E em todas as ocasiões tento ser como uma amiga para elas. Pobres Almas!
Não posso lhe garantir nada, exceto uma coisa: Você vai morrer! E quando acontecer não fique nervoso, tente se acalmar. Não vou lhe machucar, pelo contrário, vou lhe salvar. Você dará seu último suspiro e eu surgirei como uma sombra, me aproximarei, lhe acolherei em meus braços e lhe levarei comigo. Então, você estará livre.
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