Monsul Academy: Verdades
9 Christabell Holter: 9ºCapitulo
A tempestade pode aparecer com a força que quiser, mas ninguém, mesmo ninguém, estragará meu dia se estiver com pessoas que amo. Tempestade é apenas chuva. Amar é tudo e muito mais.
9º Capitulo
Eu e os rapazes estávamos livres das aulas, ao contrário dos restantes. Então tive bastante tempo para pensar em mim, Jack… e Liam. Mesmo não havendo mais Liam. Essa história tinha acabado. Era o melhor para todos, principalmente meus amigos.
“-Adolescentes conseguem ser tão maus.”
Ouvi Aires em minha cabeça rindo e cerrei meu maxilar apertando minha cabeça.
–Tu outra vez.
“-Não te afastares de mim tão rapidamente, meu amor.”
–Eu dizia-te a onde poderias ir mas seria desperdiçar tempo.
Ando até as escadas da Academia mas minha cabeça começa doendo como o inferno. Meus joelhos fraquejam e fechei meus olhos com a dor. Senti a pedra fria tocar em minhas mãos.
–Mas que…
“-Tu estás em meu poder, amorzinho. Todos os teus movimentos, pensamentos, toda tu estás nas minhas mãos.”
–Como?
“-Como? Ora, não te lembras, docinho. Uma simples troca de sangue é o suficiente.”
“Troca de sangue?”
–Do que é que estás a …
–Christa?
Levanto minha cabeça e me sento quando Max corre até mim. Seu rosto preocupado me fez sorrir com as saudades que tive dele.
–Estás bem?
–Max!– Grito e o abraço.- Como está a Guarda? Já não te vejo á anos.
–Sim, está tudo bem. Mas e tu? Estás bem? Porque estás aqui no chão?
Ele se afasta e me olha confuso. Olho para mim e de volta para ele. Minha cabeça já tinha passado, tirando a raiva por Aires que apenas aumentava.
–Eu… pensei que tinha visto uma coisa. Nada de mais.- Dou de ombros.- Mas e tu? Como é a Guarda?
–Boa.– Dá de ombros sorrindo de lado.- Até a quilómetros de distância oiço noticias tuas, hem Elixa?
–O que posso dizer? Sou muito concorrida.
Ele ri e despenteia-me o cabelo.
–Mas e aí? Estás realmente bem? Ainda não acredito no que o Mike fez.
–Nem eu.– Ri-o olhando minhas mãos.
–Anda cá.
Ele me puxa para seus braços e deito minha cabeça em seu peito. Como quando era pequena e ele me abraçava sempre que Connor tinha de ir embora.
–Não te faz lembrar os velhos tempos?– Me pergunta e ri-o assentindo.
–Bastante.
Avisto meus amigos ao longe e Emma me acena saltitando. Ri-o e aceno de volta. A turma deles toda estava presente guiados por Professor Malcon. Na hora que encontrei os cabelos loiros de Liam meus olhar se encontrou com o de Juliana e desviei meus olhos para o chão. Sabia que ela me sorria vitoriosa sem nem mesmo a olhar.
–Teus amigos?
–Alguns deles.– Paro e me lembro de algo. Me componho e o olho.- Não devias estar, sei lá, a guardar o rei?
–Eu estou na minha pausa hoje. Amanhã é meu turno.
–Porreiro. Hoje vão fazer uma fogueira na clareira, topas?
–Claro. Uns colegas meus já tinham falado nisso.
Assinto e o beijo no rosto.
–Vou ver se encontro algo para fazer. Estou aborrecida.
Ele ri e me despeitei-a de novo o cabelo antes de me levantar. O olho carrancuda.
–Adoras fazer isso, não?
–Bué.
Lhe deito a língua de fora e subo as escadas com ele rindo. Reviro os olhos mas sorri-o, quando oiço meu nome.
–Christa!
Uma vozinha doce grita e me viro vendo Gemma e Brade correrem até mim. Meu sorriso poderia rasgar minha cara que nem daria conta. Corro pelas escadas novamente e pego em Gemma que abraça meu pescoço com força.
–Gemma! Brade!
Brade abraça minhas pernas e o olho ajoelhando-me até seus olhos.
–Meus Deus.
–Tive saudades.– Gemma me diz sorrindo e acaricio seu rosto.
–Sim? Eu também. Dos dois!
Despeitei-o o cabelo de Brade que ri.
–Portastes-vos bem?
Ambos assentiram e olhei desconfiada para eles mas então ri e os abracei. Suspirei abraçando-os de alma. Meus pequeninos.
–EI!– Ouvi Jack e levantei a cabeça para o ver abraçar Deo com um sorriso enorme.
–Puto!– Riley pegou em Brade e o levantou no ar o fazendo rir.
–Gemma de ovo!- Ky falou para Gemma que riu e se escondeu atrás de mim.
Ky fez um beicinho se fazendo de amuado.
–Já percebi. Só gostas do anjo, né? De mim nada.- Ele funga e ri-o com Kota.
Gemma o olha sorrindo e vai até ele envergonhada mas mesmo assim ainda lhe abraça a perna o olhando. Um ser tão minúsculo para o ser tão grande.
Ky sorri e lhe pega a olhando.
–Cacei-te.
Ela ri ainda envergonhada com a mãozinha na boca.
–Eu disse-te para me ligares, Deo. Íamos buscar-vos.- Reclamo com a mulher que me olha rindo estendendo os braços.
–Primeiro de tudo, também tive saudades. Segundo, na hora que íamos a entrar no avião estas pessoas apareceram.
Olho para os Guardiões e franzo a testa a abraçando.
–São Guardiões.– Lhe sussurro.
–Eu sei.– Sussurra de volta.- Pensei que fosses tu que os tinha enviado.
Nego com a cabeça e avisto Connor aproximar-se com o Rei e mais um homem que sempre vinha com meu pai.
–Já sei quem foi.- Digo deitando a cabeça de lado e olhando Connor com as sobrancelhas levantas.
Ele me sorri, apenas isso.
–Connor me avisou e achei apropriado traze-los o mais rápido possível.- O Rei me explica.- Todo o tempo conta nestes assuntos.
–Obrigado, Senhor.
Ele assente com um sorriso murcho. Mãozinhas se agarram em minhas pernas e olho para Gemma que me olha sorrindo largamente.
–Viemos voando, Christa.- Me diz e lhe pego.
–Sério?
Ela assente feliz e abro a minha boca espantada.
–Uau.
–Voámos tão alto quanto as nuvens!- Brade levanta os braços e rimos enquanto Riley lhe despenteia os cabelos.
Riley se tinha afeiçoado ao Brade. Jack dizia que era porque ele sempre quisera um irmãozinho mais novo, mas apenas tivera Quin e Edlyne.
–O que Max tanto olha?– Connor me sussurra e olho meu primo que olhava a turma.
Segui seu olhar até Bia que ria enquanto Emma falava e falava. Franzi minha testa e sorri maliciosa.
–Vejam só. Eu já venho.
Vou até Max com Gemma e me sento ao seu lado o assustando.
–Ei, priminho.
–Ei, priminha. Outra vez.
–Que tanto olhas?
Ele se faz de confuso e dá de ombros.
–Nada.
–Sei. Já agora, esta é a Gemma. Gemma é o Max.
Gemma sorri e Max faz o mesmo tocando-lhe no queixo.
–Olá, princesinha.
–E a rapariga que olha é a Bia.
Ele parecia que tinha se enforcado com as próprias mãos e ri baixo o olhando. Seu estado dramático passou depois de algum tempo e me olhou negando com a cabeça.
–Eu…
–Tu?
–Eu não estava a olhar para ela.
Reviro os olhos dramaticamente e Gemma ri.
–Claro que não. Estavas apenas pensando, né? Então olha, quando quiseres parar de pensar basta vires ter comigo. Eu conheço Bia, é uma das minhas amigas.- Lhe pisco o olho e me levanto caminhando até onde estava.
–Convencida.- Max me grita e ri-o me virando para ele.
–Tu me amas!
Ele leva a mão ao peito dramaticamente me fazendo rir ainda mais. Quando paro ao lado dos outros os olho.
–Então? Ouvi falar que Deo trouxe torta.
Quando eu quero tarte eu tenho tarte! Pensei que já tínhamos resolvido esse problema. E claro que Deo pensa sempre em mim. Eu aproveitei para comer com os rapazes e as crianças enquanto Deo ia com uma mulher ver de um Hotel.
–Sempre vamos á fogueira hoje?- Kota pergunta e assinto limpando a boca de Gemma.
–Estás bem?- Jack me pergunta chegando-se até mim e assinto sem o olhar.- Christa, olha para mim.
O olho mas logo desvio meus olhos para Gemma que estava alheia á conversa.
–O que foi? O que eu fiz?
Suspiro e fecho meus olhos por breves momentos. Eu não podia simplesmente chegar e dizer-lhe que a culpa era dele, porque não era. Ele não tinha culpa de nada. A única culpada era eu e minha estúpida fraqueza. E agora não conseguia viver com isso.
–Nada, Jack. Não fizeste nada.
–Então porque estás tão afastada de mim? Mal falámos. Já nem treinamos juntos.
–Desculpa.- O olho.- A sério. É só que…
–Aires? É isso? Anjo, não precisas te preocupar. Vamos dar maneira de resolver tudo.– Acaricia meu rosto e assinto.
–Desculpa.
Ele sorri.
–Não há problema.
E me beija.
Calmo, pacífico, sereno. Sem pressa, sem erro, só…amor.
“Tão diferente de Liam.”
–Eu prometo-te que treinamos amanhã, sim?
Ele assente e me abraça. Deito minha cabeça em seu ombro e acaricio os cabelos mel de Gemma. Ela me olha com a boca lambuzada de novo e sorri-o limpando-a.
–Badalhoca.
Ela ri e se encosta ao meu peito.
–Também quero!
Joshua grita antes de aparecer vindo de sei lá onde e pega na torta quase inexistente. Na verdade, apenas restava um pedaço que era de Gemma.
–Cheguei a tempo.- Suspira olhando a torta com os olhos brilhando e ri-o com os rapazes.
–A fatia é de Gemma, mas podes ficar com ela. Ela já está a ter dificuldade em acabar esta.– O aviso e ele olha a menina no meu colo.
–Tu és a Gemma?
Gemma assente e Joshua lhe sorri e se aproximou beijando-lhe a testa.
–Obrigado.
E voltou para a torta. Gemma me olhou confusa e dou de ombros.
–Não ligues, borboleta. Ele é doido.
Ela ri e volta para a sua fatia de torta. Aquilo estava mesmo difícil.
–Comporta-te, Josh.- Mel revirou os olhos entrando na sala de convívio e se sentou ao meu lado.
–Cão faminto.– Cristo ri.
Cada um se sentou ao pé de nós e cumprimentou os meninos. Expliquei-lhe como os tinha achado enquanto Joshua comia. O que não durou muito.
A sala de convívio era a sala mais habitada da Academia e a maior se tirarmos o salão principal. Todos iam para ali nas horas vagas, até mesmo os Guardiões. Então não estranhei quando Liam apareceu com Juliana agarrada em seu braço. A primeira coisa que ela fez foi me olhar sorrindo e revirei os olhos.
–Casal nojento na mira.– Mel falou bufando.
–Eu ia adorar que Liam acertasse com o dardo na cara dela.- Emma falou sombria e todos a olhámos com os olhos arregalados.
–Emma, ruiva, calma.- Lhe digo e ela ri dando de ombros.
–Ides me dizer que não estáveis pensando o mesmo?
Todos negamos com a cabeça rapidamente e ela volta a dar de ombros.
–Bom, eu estava.
–Emma sanguinária falando, cuidado.– Aviso e sou acertada com uma almofada. Olho de olhos cerrados para Emma que me sorri.- Isso não teve graça.
Meus queridos amigos riem e eu reviro os olhos.
–Eu estava á espera que quem dissesse isso fosse Mel.– Joshua diz olhando Mel que o olha com os olhos cerrados e cruza os braços.- O quê?
–Eu também estava á espera.– Cristo diz olhando Mel atento.
–Sério? Eu não sou assim tão violenta.
–Não? Tu quase me ias atirando do comboio na vida para cá.- Joshua reclama e rimos tirando eles os dois.
–Tu estavas a cantar uma música irritante desde que saímos. Não tenho paciência para te ouvir!- Mel deita o cabelo para trás.
–Mas és violenta.
–De um jeito doce.– Acabo antes de Joshua fosse assassinado á nossa frente.- A diferença entre ti e Emma, é que Emma gosta de lutar e tu…
–Esquece.– Mel me interrompe acabando ela.- Luta, esquece!
–Interessante para uma Guardiã.- Joshua provoca.
–Eu não tenho culpa de meu querido paizinho ser um Guardião.
–Mas agora é que vais ver o que custa.- Joshua ri.
–Como assim?– Kota pergunta confuso.
–Mel sempre dava jeito de escapar das aulas de combate porque tinha Mike para ficar como Guardião da família mas agora que ele morreu…– Cristo começou mas foi impossível de terminar.
–Eu tenho de assumir o cargo.- Mel acaba indiferente olhando as unhas.
Era a história de muitas famílias. O primogénito era obrigado a fazer o treino ou então o rapaz. Como Mel não tem mais irmãos, ela é a principal. Claro que todos podem fazer o treino para Guardião e até tornarem-se um, o que interessa é que pelo menos um seja. Mel nunca na vida teve intenção de o ser, mas as coisas mudaram, infelizmente.
A irmã de Connor, a mãe de Max, Adam e Lily, nunca fez o treino. Connor assumiu o cargo quando Adele nasceu. Ele era um irmão muito protetor e nunca quis sua irmãzinha nesta vida. Max é igual com Lily, já Adam é ainda muito criança para isso.
Sarah bate seu ombro contra o de Mel que a olha.
–Nós sabemos que te magoa. O facto de Mike ter morrido.
Mel dá de ombros.
–Não mais.
–Não digas isso, Mel.- Cristo pede.- Era teu irmão.
–Não ligo.
–Melissa!– Reclamo e ela suspira se levantando.
–Vou dar uma volta.
Ela sai antes que digamos alguma coisa. Olho para Sarah que me dá um sorriso triste que retribuo. Mel sofria sozinha. E isso fazia-lhe mal.
Riley se levanta como um foguete e sai da sala. Olho para os restantes, confusa.
–O que eu perdi?
–Acho que perdemos todos.– Jack diz também confuso.
–A sério que não reparas-te, Romeu?– Ky ri e o olhamos.
–O quê?- Jack pergunta.
–Riley gosta dela. Meu, fui o único que reparou como ele a olha?
O silêncio se instala no nosso grupo enquanto nos entreolhávamos. Eu sou a primeira a acordar rindo. Logo, um a um me segue.
–Fazem um lindo par.– Digo e todos concordam.
A conversa se varia até a hora da fogueira. Por volta das nove da noite Max aparece com seus amigos e beija minha testa.
–Prontos para a fogueira?
A única coisa que reparei foi o olhar de Max sobre Bia e o olhar corado dela enquanto olhava para o chão. Ri interiormente.
“Esta fogueira vai dar que falar.”
No próximo capitulo de Monsul Academy: Verdades...
–Senhor Drake? Há algum problema?
–Já não bastava o outro.
–Não me ameaces, Juliana.
–Christa!
– Desculpa, amor, não foi por querer.
–Mas ainda sou mais forte que tu.
–Já te arrependeste do noivado?
–Pensei que já tínhamos aprendido que sou uma besta.
–Eu dei meu juramento e agora estou preso nisto.
–O juramento não incluía casar.
–Como quereis.
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