Monsul Academy: Verdades
8 Christabell Holter: 8ºCapitulo
“-Vencer é meu nome do meio. Mas antes disso meu nome é Derrota.”
8º Capitulo
Connor tentava de tudo para me animar, ou pelo menos para não estar tão aborrecida visto que estava obrigada a ficar de cama pelo menos mais um dia.
–Connor, eu fico bem. Podes ir fazer as tuas coisas.
–Não tenho nada para fazer.– Dá de ombros e se deita ao meu lado na cama.- Em que pensas?
–Juliana se tornará Rainha daqui a duas semanas.
–Já te arrependeste? Ainda tens tempo.
Nego com a cabeça e pego meu celular.
–Não, apenas estava pensando que presente lhe dar.
Ele ri e sorri-o ligando para Deo.
–Christabell! Como vais minha menina? Tentei telefonar para Jack mas aquele desgraçado do meu filho não me atende.
Ri-o.
–Ele tem estado ocupado com os treinos. Mas estamos bem. E por aí?
–Vai-se andando. As notícias do desaparecimento das pessoas começam a dar sinal. Tento que as crianças não vejam as notícias então apenas passeamos pela cidade. Eles estão entusiasmados que volteis.
–Também queria voltar a vê-las. Deo, de certeza que está tudo bem? Eu sei que Aires está cada vez mais vingativo em ter todos os humanos strigois.
Oiço-a suspirar e fechei meus olhos.
–Meus vizinhos desapareceram, Christabell. Foram com as crianças deles até ao lago e não voltaram mais. Ninguém sabe de nada, nem a polícia.
–Droga. É perigoso demais ficareis aí, Deo. Enquanto Aires estiver vivo, ninguém está a salvo aí.
–É o meu lar, minha querida. Não temos para onde ir.
Olho Connor que me olhava atentamente.
–E se viéreis para aqui? Não gastámos o dinheiro para o Hotel, podeis ficar nele. Ficaríamos mais tranquilos.
–Não sei, Christabell. É muito longe.
–Por isso mesmo. Estareis a salvo. Por favor, Deo. Não consigo viver contigo e as crianças aí.
–Meu amor…
–Não é um pedido, Deo. É uma ordem. Jack pensará o mesmo, então vamos adiantar isto.
–Ok.– Respondeu por fim e sorri aliviada.- Apenas preciso comprar as passagens e arranjar as coisas por aqui.
–Perfeito! Quando viéreis avisa, tá?
–Podes deixar. Adeus, minha querida.
–Adeus, Deo.
Desligo e olho Connor sorrindo.
–Achas que fiz bem.
–Claro.- assente sorrindo calmamente.
–Tu vais gostar das crianças. Gemma e Brade já sofreram muito mas continuam com a inocência de criança que admiro.
–E tu estás toda babada.– Ri me abraçando e concordo.
–Eles precisam de pais, Connor. Preciso arranjar-lhes isso. Devo-lhes isso. Deo já não pode cuidar de duas crianças. Já tem Jack e o resto dos rapazes a infernizando.
–Tudo se vai resolver.
Por volta das cinco da tarde, a Guarda do Rei chegou por fim. Connor foi obrigado a ir, por mim. Vi pela janela a barafunda que se instalara lá em baixo e sorri quando avistei Max.
–Sabes?– Me virei surpresa para trás.- Para alguém que quase morreu, continuas linda como sempre.
–O que fazes aqui? Devias lá estar em baixo.
Liam dá de ombros deixando-se estar encostado á batente da porta. Seus cabelos loiros caiam-lhe nos olhos verdes que me olhavam como sempre. Daquela maneira irritante e fascinante ao mesmo tempo.
–Aproveitei a confusão para te vir ver. De outra forma, não posso pisar teu quarto sem teu namoradinho me olhar com desgosto ou querer me matar.- Ri sem qualquer vontade e baixo minha cabeça.
Enquanto estava abraçada a Liam no dia anterior, Jack apareceu. Nunca me tinha sentido tão dividida entre duas pessoas. Mas logo a razão me bateu. Liam estava noivo e Jack era meu namorado. Eu devia estar abraçada a Jack. Então me afastei de Liam, o que o magoou, mas era a única coisa a fazer. E ele piorou tudo quando Jack lhe pediu para sair calmamente, mas ele limitou-se a negar. Jack ia a força-lo a sair mas Connor entrou na hora e ordenou a Liam para sair.
Nunca na vida fiquei tão aliviada por o ver.
Mas claro que Jack não se esquecera daquele momento, ainda mais porque Liam antes de sair me beijou a testa dizendo:
–Eu vou sempre estar aqui para ti.
Jack não descontou em mim, ou me culpou de algo. O que esperava. Ele culpava Liam e apenas a ele. Não me admirava que Jack impedisse Liam de entrar em meu quarto.
–Vai-te embora, Liam.
Voltei-me de novo para a janela. Juliana sorria para todos com tamanha falsidade que me admirava. Mas em comparação estava linda. Seu vestido branco reluzia com o sol.
–Juliana deve andar á tua procura.
–E depois?
Senti sua presença mais perto de mim e fechei meus olhos.
–Devias estar com ela.
–Porquê?
Senti sua respiração em meu pescoço e tremi.
“Droga, Liam.”
–Porque é tua obrigação.
–Porquê?
–Porque és noivo dela.
–Porquê?
“Mas que palhaça é esta?!”
–Credo, Liam, porque gostas dela!
–Quem te disse isso?
–Tu…
Respondi mas parei abrindo os olhos. Ele nunca me tinha dito realmente que gostava dela, mas era óbvio.
–Eu nunca te disse que gostava dela… ou disse?
–Não.– Sussurrei.
Suas mãos seguraram minha cintura e mesmo através do tecido pude sentir seu calor.
–Não, pois não?– Ele suspirou e encostou sua testa em meu ombro.- Bell… eu estava tão furioso contigo por o teres escolhido a ele e não a mim. Tão furioso. Mas me apercebi de uma coisa quando te vi deitada naquela cama. Tão pálida… Tão fraca.
–O quê?
–Eu não vou desistir de ti.
Fechei meus olhos odiando e amando aquelas palavras. Mas seria mais fácil para todos se ele não as dissesse.
–Liam…
–Não!– Me virou para ele e me vi presa naquela tempestade verde.- Não fales. Não adianta. – Acariciou meu rosto. Apenas simples movimentos.- Eu não te posso perder.
–Estás a complicar as coisas para os dois, Liam. Por favor.
–Talvez eu goste do complicado.– Sorri encostando sua testa na minha.
–Liam…
–Eu adoro quando dizes meu nome.
–Para com isto.
–Porquê? Não estou a fazer mal a ninguém.
–Estás sim!– Me afasto dele.- Estás a fazer a Juliana, a Jack, a mim e até a ti.
–Eu não estou sofrer em nada com isto.– Ri e reviro meus olhos.
Ele me puxa de novo para seus braços mas tento recuar. Acabo por bater contra a parede ao lado da janela enquanto enfrentava seus olhos.
–Liam!
–Apenas te deixa levar, Bell. Aprecia o momento. Não farei nada que não queiras.
Me abraçou e me mantive tensa. Mas quando aninhou sua cabeça na curva do meu pescoço suspirei e o abracei de volta.
Seu cheiro estava por todo o lado. Seu calor.
O barulho lá fora deixara de haver. Apenas ouvia seu coração tocando.
Ele segurou minha cabeça contra seu peito conforme se compunha. Senti-o respirar fundo e me virei em seu peito para o olhar. Desceu sua mão da minha cabeça até meu queixo e sorriu.
Meu peito se aqueceu com aquele sorriso. Tão doce. Tão sereno. Tão Liam.
Senti-o se aproximar de meu rosto mas me mantive quieta.
–Liam…
–Bell.
Meu nome foi a última coisa que ouvi de sua boca antes de a ter sobe a minha. Ele parou testando minha reação mas quando nada fiz me beijou por completo. Diferente do nosso primeiro beijo, naquela vez nenhum de nós estava morrendo. Estávamos apenas sentindo.
Amando.
–Porque estás a chorar, Bell?
–O quê?– Sussurrei abrindo meus olhos.
Ele sorri um pouco e limpou meu rosto mostrando-me as lágrimas.
–Desculpa.
Me afastei um pouco e limpei meu rosto. Suas mãos acariciavam meus cabelos enquanto eu me debatia por dentro.
–Não tem problema, meu amor.
–Não me chames isso, Liam.- Implorei sentindo as lágrimas de novo.
–Porque não? Jack pode, mas eu não?
O olhei ignorando seu tom ferido. Ele sabia que não era a mesma coisa.
–É diferente, Liam.
Ele suspirou se afastando um pouco mas assentiu voltando a olhar-me. Seu olhar conseguia ser intimidador. Me preguntei o que estaria ele pensando.
–Acaba com ele.
–O quê?
–Acaba com Jack.
–O quê?
Meu coração pulou.
Quem estava mal ali, era eu e Liam. Jack não tinha nada a ver com isto. Ele era a coisa mais pura naquela história.
–Bell… eu não consigo te ver com ele.
–Eu não vou fazer isso.
Nego me afastando para o outro lado do quarto.
–Porque não?
–Sério? Deus, para de fazer essa pergunta!– Me irrito sentando-me na cama.- Eu não vou acabar com ele e ponto!
–Ótimo. Perfeito.- O olho confusa.- Por mim podes trai-lo comigo á vontade. Estou-me nas tintas para ele.
Olhei com desgosto para o sorriso cínico dele.
–Achas-me assim tão baixa?
Ele fecha os olhos e os abre mais calmo, arrependido.
–Não, Bel. Claro que não. Tu sabes disso.
–Eu não sei de nada. A única coisa que sei é que não vou acabar com Jack e muito menos trai-lo.
–Acabaste de o fazer.– Abre os braços e eu juro que se tivesse uma faca naquele momento o matava!
–Foda-se, Liam!– Grito me levantando.- Tu fizeste o mesmo com Juliana!
–Não toques no nome dela.– Me avisa tenso.
–Porque não, hem? Sentes-te culpado agora, seu palerma?
–Bell, não é nada disso. Cara, eu não vim aqui para gritar contigo!– Grita de volta e reviro meus olhos.
–Claro que não. Vieste aqui apenas para me dizeres o quão puta eu…
Ele me interrompe me beijando. Quando se afasta o olho respirando com dificuldade.
–Qual é a ideia?
–Calar-te. Impedir-te de dizer tamanho absurdo. Bell, achas mesmo que eu penso isso de ti? Vá lá! Eu queria explicar-te o porquê de precisar estar com Juliana, acredita, eu queria mesmo, mas não posso. Pelo bem dela, mas principalmente pelo teu, eu não posso. A única coisa que te peço é que esperes. Por favor, Bell. Eu vou resolver tudo, prometo. Nós vamos ficar juntos.
Baixo meu rosto, minha alma, meu coração. Eu não o entendia. Eu tentava, mas não conseguia.
–Jack…
–Gostas assim tanto dele?
–Ele me ajudou muito, Liam. Muito. Eu gosto dele. Estar com ele não tem nada de errado.
–E comigo tem.
Suspiro o olhando.
–Tu estás noivo de Juliana. Jack não.
–Se eu te prometer que resolverei tudo, tu esperas por mim?
–Eu não sei.
Me sento na cama tapando meu rosto. Sinto-o se ajoelhar á minha frente e segurar minhas mãos. O olho.
–Por favor.
–Liam…
–Eu amo-te.
–Não digas isso.– Imploro mas podia jurar que meus olhos me traiam.
Meu coração me estava a trair de certeza.
–Amo-te.
–Não.
–Amo-te.
–Cala-te!
–Amo-te.
–Liam!
Ele ri e se inclina para mim me fazendo deitar na cama.
–Amo-te.
–Para!
–Eu. Amo-te.
–Continuas a dizer isso e eu vou bater-te.- Aviso-o.
Ele sorri se colocando ainda mais em cima de mim. Fiquei confusa com seu sorriso até que comecei rindo por todo o lado.
–Liam, para!
–Diz que me amas.
–Liam!
–Diz.
–Não.– Ri-o.
–Bell… Eu sei que me amas. Diz-mo.
–Nem penses!
Ele para com as cocegas e o olho ainda recuperando do riso.
–Não sejas má.– Diz com um beicinho.
–Eu estou a ser má?
Ele ri e me dá um selinho.
–Amas-me?
–Eu…
–Sim?– Incentivou com esperança.
–Eu…
–Abre esta porta, garota!
Os dois olhamos para a porta do meu quarto conforme ouvíamos a voz de Juliana. Olhei Liam assustada e ele me olhou de volta. O tirei de cima de mim e nos levantámos conforme a porta se abria com força.
“Droga, só me faltava isso.”
–O que fazes aqui?– Liam pergunta.
–O que eu faço aqui?– Juliana ri rancorosa nos olhando.- O que tu fazes aqui? No quarto dela?
–Eu vim ver como ela estava.- Liam deu de ombros cruzando os braços.
Eu apenas olhava de um para o outro sem saber o que dizer.
–Eu bem vi o que vieste fazer.- Ela o olhou com tamanha raiva que pensei que fosse explodir.
“Espera. Ela viu como?”
–Como assim?– Liam pergunta tão confuso como eu.
– Da próxima vez, tentai ficar longe das janelas.
Olho Liam pelo canto do olho e o vejo me olhar também. Suspiro e me volto para minha prima.
–Juliana eu…
–Cala-te! Eu não quero ouvir nada que tenhas a dizer. Eu sei que a culpa é toda tua. Liam nunca me trocaria por um zé ninguém como tu.
Engoli seco enquanto ela me olhava com nojo.
–Eu acho que posso falar por mim, não?– Liam pergunta com o maxilar cerrado.
–Ora, Liam. Eu sei que me amas a mim. Apenas estás carente.
Liam ri pelo nariz no gozo e continua a olhar divertido.
–Sério? Então foi por isso que a beijei, certo?
–Claro. Que outra coisa seria? Eu sou muito melhor que ela. Eu tenho um Reino. Ela não.– Ela sorri sombriamente como se algo lhe tivesse passado pela cabeça.- Já agora, eu serei Rainha daqui a 2 semanas. Sabes o que isso significa?
–Que terás ainda mais criados a servirem-te?– Sorri-o enquanto Liam ri.
–Também. Mas isso quer dizer que posso enviar a ti e aos teus queridos amigos para as montanhas. O que achas da Antártica?
–Não podes fazer isso.- Digo tensa.
–Claro que posso. Assim como posso proibir-te de matar e se o fizeres quem será caçada serás tu.
–O quê?! Ela é a melhor lutadora que temos. Achas mesmo que aceitaram isso?– Liam pergunta cerrando os punhos ao lado do corpo.
–Mas é claro. A Rainha serei eu.
Ri-o me virando para a parede.
–Não farás isso, Juliana.
–Farei sim. Mas, eu até posso ser boazinha e não o fazer.- Me viro para ela de novo.
–Com que condição?
Ela sorria tão maldosa para mim e então para Liam. Senti Liam retrair-se quando ela apontou para ele.
–Tu nunca mais lhe falarás, olharás sequer, ou pronunciarás o nome dela. Se eu souber que te encontras com ela faço tudo o que prometi. Se vos portareis bem, eu deixo-a ficar.
–Como podes ser tão…
–Queres acabar isso, querido? De certeza? Posso fazer ainda pior.
Olhei Liam que a olhava com raiva. Ela até estava a ser bastante benevolente com tudo isto.
–Ok.– Digo atraindo as atenções dos dois para mim.- Nunca mais teremos contacto um com o outro.
–Bell…
–Porque haveria de acreditar em ti?
Dou de ombros.
–Isso agora é contigo.
Ela me olha atentamente.
–Não tenho porque mentir.
Ela assente e se vira para Liam.
–Liam?
O olho e o vejo me olhar de volta. Ele abaixa a cabeça e assente.
–Perfeito!– Juliana sorri.- Lembrai-vos. Se eu souber que não fizéreis o que mandei, sereis punidos. Vamos Liam!
Juliana sai mas Liam fica. Ele limita-se a levantar a cabeça e me olhar de volta.
–Liam!
Abaixo minha cabeça até ouvir a porta fechar. Me sento na cama e olho para o nada. Ri-o sem vontade alguma antes de me deitar na cama e chorar.
No próximo capitulo de Monsul Academy: Verdade...
–Tu outra vez.
–Uma simples troca de sangue é o suficiente.
–Max!
–Não te faz lembrar os velhos tempos?-
–Bastante.
–Meus Deus.
–Cacei-te.
–São Guardiões.
–Prontos para a fogueira?
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