Monsul Academy: Verdades

7 Christabell Holter: 7ºCapitulo


“Eu posso até nem ser forte, mas certamente, nisso ninguém me ganha.”

7º Capitulo

–Então, rapazes, podeis lutar um pouco?– Connor pergunta.

–Claro.

Ky fica com Kota enquanto que Riley com Jack. Me encosto na parede e Adam se senta ao meu lado.

–Quando quiséreis.

Assim que eles começam me abaixo até Adam.

–Ei, Adam. Como estão teus pais?

Meu primo dá de ombros.

–Bem. Estávamos preocupados contigo. Mamãe rezava todos os dias ao deitar-se e ao levantar-se. Ela vai ficar feliz quando souber que cá estás. E de certeza que papai irá querer ir á pesca contigo.

Ri-o e assinto.

–Aposto que sim. E teus irmãos?

–O Max vai vir amanhã com a Guarda do Rei. E a Lily está a ficar uma chata.

–Isso é coisa que se diga da tua irmã?– Bato-lhe no ombro e ele ri.

–Mas está! Ela apenas quer brincar ás bonecas. Mais felizmente entrei para o Treino a tempo.

Reviro meus olhos e desfeiteio-lhe o cabelo.

–Ela tem 7 anos, Adam.

–Custava-lhe muito gostar de luta?

–Nem todas as garotas gostam, garoto.

Ele bufa e ri-o baloiçando a cabeça. Ele se parecia e muito com Connor. Já Max era mais parecido com o pai, enquanto que Lily com a mãe, para sua sorte.

–Eles são bons.– Connor aparece ao nosso lado e assinto olhando os rapazes orgulhosa.

–Eles são incríveis.

Mesmo Riley e Jack serem fortes juntos, eu me perdia vendo Ky e Kota combinarem seus ataques. Juntos eles eram um só.

–Muito bem! – Connor sorriu para os rapazes que riam entre si.- Perceberam o método de luta deles?

–É diferente do nosso.- Uma rapariga diz.- O nosso objetivo é encurralar o inimigo o deles não.

–Parece que se deixam levar.– Um rapaz conclui e Connor assente.

–Isso é porque nos deixamos levar.– Ky explica.

–Não temos um método certo apenas lutamos.– Kota acaba.

–O que vos ensinam aqui, não é o que se passa lá fora. O vosso método de luta não é eficaz contra muitos deles.– Riley os avisa fazendo Connor esfrega o queixo.

Ele sabia disso. Sempre soube. Os Guardiões podiam ser bons, mas porque aprenderam da pior maneira. Assim como todos os outros iram aprender.

–Não penses em discordar com ele, porque é verdade, Con.- Aviso-o e ele me olha antes de suspirar.

–Eu sei.

–Então porque aprendemos desta maneira?– Josh pergunta incrédulo.

–O Concelho quer assim.

–Isso é um absurdo! É como irmos de cabeça para a morte!- Um rapaz, sentado ao lado de Liam, responde irritado.

–Não é não.– Falo e sinto todos os olhos em mim.- Por mais que custe crer, eles se preocupam convosco. Com todos nós. Eles apenas tentam ajudar com o método de luta.

–Mas se o método não vale de nata em combate, para que o aprendemos?– Emma me pergunta e sorri-o dando de ombros.

–Achais mesmo que vos ides lembrar do que aprendestes aqui quando vireis um Strigoi á vossa frente?– Pregunto os olhando.- Não. Não interessa se eles vos estão a ensinar a lutar, ou a disparar ou até mesmo balé.

Os oiço rir antes de continuar.

–Não vos ides lembrar de nada quando ele vos aparecer á frente. Apenas pensareis numa coisa. “Que porra fui eu fazer.” E por mais que tenteis. Por mais que vos esforceis para vos lembrar, estareis paralisados. Mas é aí que o vos tornareis verdadeiros Guardiões. É aí que se vê, quem nasceu para lutar. É aí que aprendereis a lutar como eles.– Aponto para os rapazes.- Se um Strigoi vos atacar por baixo vos atacareis por cima, não é um método, não é certo, é apenas… instinto. Lutar em campo significa lutareis por vossa vida e de todos o que amais. Não podeis prever o que acontecerá. Ninguém o faz. Pudemos sair de lá vivos ou mortos, ninguém sabe. Não deveis temer a morte? Sim, deveis. Eu temo todos os dias que me levanto. Porque é algo que não posso controlar. Mas posso tentar. Posso lutar para me salvar. As aulas de autodefesa podem ser úteis quando vos vireis frente a frente com a morte. Não vos lembrareis dos golpes certos, mas sabereis o que fazer. Basta acreditareis em vós. Se quereis mesmo ser Guardiões, se quereis mesmo lutar, não pensem. Ajam.

–Não posso pensar melhores palavras.

Me viro para trás e vejo o Rei caminhando até nós com dois guardas atrás. Seu olhar se mantinha fixo no meu. Seus olhos fixos atentos em mim.

–Alteza.- Muitos dizem, eu mesma diria mas estava bloqueada.

–Podem continuar com a vossa aula, eu apenas precisava falar com Christabell por um tempo curto. Pode ser?

Me pergunta e assinto. A esperança que fosse sobre o feitiço me fez levantar depressa. Caminhei com ele ao meu lado até ao outro lado do ginásio. Me encostei á parede o olhando.

–É sobre o feitiço?

–Sim. Eu procurei por todos os lados, mandei fazer o mesmo no castelo, mas nada. Não existe livro algum que tenha um feitiço desses.

–É impossível! Tem de haver alguma coisa. O feitiço que o criou deve ter algo que o desfaça.

–Sim, mas acontece que não sabemos qual o feitiço que o criou. O problema é esse, Christabell. Não existe registos de um feitiço que crie alguém num Strigoi.

–Que treta.– Bufo olhando o teto.

Aires tinha de ser derrotado. Conforme foi criado tinha de ser destruído. “Nada existe para sempre. Muito menos aquele ogro mal-amado.”

–Tem de haver uma maneira.

–Não penses fazer nada sozinha, Christabell. Aires é perigoso.

–Eu sei, eu sei. Mas temos de fazer alguma coisa. Ele não pode continuar livre por muito tempo.

–Faremos os possíveis. Mandei alguns dos melhores investigadores de relíquias á procura do feitiço. Apenas temos de esperar.

–Esperar.– Suspiro.

–Christabell…

–Senhor?– Um dos guardas se aproximou de nós o interrompendo.- Temos de ir andando. Tem a conferência com o Ministro.

–Claro, claro.– Se virou de novo para mim.- Falaremos quando vier. Provavelmente apenas manhã, mas por agora descansa, Christabell. Tudo se ade resolver.

Assinto e ele me sorri antes de ir. O fico vendo sair até desaparecer de vista.

Me deixo cair no chão e puxo minhas pernas para mim.

“Eu vou matar-te, Aires. Eu juro que vou.”

Cerro meu pulso e meu maxilar. Meus nervos, minha raiva, tudo estava em alta. Me levanto com força e corro do ginásio até á floresta. Acabo em frente a uma das árvores e a esmurro.

–Seu palerma! Eu vou matar-te.

Meu ventre começou doendo e gritei me ajoelhando. Fechei meus olhos me segurando á árvore.

–Droga.

–Christa!

Senti Jack segurar meus braços e ri o olhando. Seus olhos azuis estavam preocupados mas apenas me apetecia rir.

–Jack, eu vou matá-lo. Eu não sei como, mas eu vou.

–Claro que vais, anjo, mas temos de ir.

–Ninguém sabe do feitiço.- O interrompi.- Ninguém. Aquele filho da mãe vai continuar vivo por mais tempo, mas ele que aproveite. Eu vou fazer que cada vida que ele matou valha a pena. Eu vou vingá-los e ele ainda me pedirá perdão.

–Christa… Cruzes! Temos de ir.

Ele me tentou levantar mas me forcei para baixo.

–Jacky, não precisas ter medo. Eu vou matá-lo.

–Cala-te!– Me gritou assustando-me.- Céus, Chris, estás a sangrar.

–O quê?

Segui seus olhos até meu ventre. Minha camisola estava toda ensanguentada. Levei minha mão até ela para ter a certeza e me assustei quando ela veio com sangue. Olhei Jack engolindo. Sua respiração estava acelerada.

–Jack?

–Vamos!

Me pegou e correu até á enfermaria. Deitei minha cabeça em seu ombro. Estava cansada e nada me doía. Eu até estava bem, se não contássemos com o sangue.

–Meus Deus! Deita-a aqui.

Fechei meus olhos suspirando quando senti a almofada em minha cabeça.

–Clarisse, rápido!

–Christa? Anjo?

–É melhor esperares lá fora.

–Mas…

–Vai, ela fica bem. Precisas ir avisar o tutor dela. Descansa.

–Ok. Eu já volto, meu amor.

Senti seus lábios em minha testa e então o barulho de uma porta.

–Rápido, Anna!

Deixei de ouvir aquelas vozes aflitas e deixei-me apenas levar pela paz.

–“Minha princesa, porque fazes isto? Posso dar-te tudo, Christabell. Tudo. Basta me amares”

–Aires.

Abro meus olhos e o vejo parado á minha frente me olhando sorrindo. Seu rosto permanecia o mesmo, seus olhos negros. Sua aura negra.

Olhei em volta da enfermaria e não vi ninguém. Apenas eu e ele estávamos ali. Por impulso levei minha mão ao meu ventre mas já não havia sangue, nem nas minhas roupas.

–Sentes-te bem, minha princesa?

–O que tu fizeste?– Rosno me levantando.

Ele ri e caminha até uma das cadeiras. A puxa para o lado da cama e se senta. Sempre me olhando.

–Porque achas que fiz alguma coisa?

–Porque estás aqui.

–Querida, eu posso estar onde tu quiseres. O que achas da Rússia? Ou da China? Ou talvez Monstepaul?

A enfermaria tinha desaparecido. Diferentes paisagens aconteceram até pararmos em casa de Connor. Avancei até á casa mas parei cerrando meus punhos.

–Como sabes tanto sobre mim?

–Eu sei tudo sobre ti, Christabell. Lembraste quando bebi teu sangue? Quando sofreste graças a mim?

–Estás a falar de quando quase me mataste?– Rosno me virando para ele.

Seu rosto permanecia calmo. Ele apenas sorriu e assentiu dando de ombros.

–Sim. Isso mesmo. Mas adiante. Teu sangue me proporcionou coisas incríveis. Desde que nasceste, ao momento em que te tinha nos meus braços. Eu sei tudo sobre ti, minha princesa.

Ele caminhou até mim e acariciou meu rosto. Sua gélida mão me fez tremer.

–O trono é teu por direito, meu anjo, e pretendo conquistar-to de volta.

–Eu não o quero. Nunca suis, nunca irei querer.

–Se irás te tornar minha Rainha irás herdar quer tu querias quer não.– Ele sorri mostrando seus dentes pontiagudos.- Reinaremos como nunca ninguém reinou antes. Teu querido pai não poderá negar. O trono é teu. É tu herança.

Me puxou pela cintura e tive de me segurar em seu peito. Temi o que vi em seus negros olhos. Os olhos da escuridão.

–Eu nunca me casarei contigo.

–De certeza? Veremos.

–O que tu queres?

Por mais forte que me tentava fazer, meu coração doía de medo. Um medo que nunca experimentara antes.

–Pensei que já tínhamos esclarecido isso, meu amor. Eu quero o Reino… e a ti.– Se aproximou de meu rosto- Por bem ou por mal.

Senti seus lábios nos meus antes de acordar. A enfermaria voltara assim como as pessoas. Minha respiração estava acelerada tanto que quase cai da maca ao tentar respirar.

–Bell!

Me segurei a ele com força e escondi meu rosto em seu peito. Seus braços me apertavam com força, como se tivesse medo que eu fugisse, e agradeci-lhe mentalmente por isso.

–Eu estou aqui, Bell. Eu estou aqui.

–Liam…

–Shh. Descansa. Eu não vou a lado nenhum sem ti. Ok?

Assenti e o abracei ainda com mais força. Mas dormir não consegui, com medo de voltar a ter Aires em meus sonhos. Apenas me deixei ficar, sentindo seus batimentos cardíacos, tão acelerados como os meus.

No próximo capitulo de Monsul Academy: Verdade...

–Juliana se tornará Rainha daqui a duas semanas.

–Já te arrependeste?

–Tudo se vai resolver.

–Para alguém que quase morreu, continuas linda como sempre.

–O que fazes aqui?

–Devias estar com ela.

–Eu não vou desistir de ti.

–Acaba com Jack.

–O quê?

–Eu não vou fazer isso.

Notas finais
Cá está ele, espero que tenham gostado BEIJOS