Monsul Academy: Verdades
5 Christabell Holter: 5ºCapitulo
Notas iniciais
“-Que te diz teu coração?
–Nada. Ele nunca me diz nada. Eu tenho algum problema?
–Sim. Tens de aprender a ouvi-lo.”
5º Capitulo
–Seria pedir muito para ires mais devagar?
–Vamos lá seu molengão!- Grito para Jack rindo enquanto ele se debatia para respirar.
O suor pegava seus cabelos negros ao rosto. Seu rosto todo estava vermelho. Sua respiração era pesada, mas ele continuava.
–Já vais ver quem é o molengão.- Ouvi-o resmungar antes de se esforçar um pouco e correr atrás de mim mas fui mais rápida e me desviei dele que acabou por cair no chão.
Ri e caminhei até ele.
–Ok, ganhas-te.- Murmura se virando de costas para a terra.
–E quando é que eu não ganho?- Pergunto me sentando ao seu lado.– Mas estiveste bem. Já melhoras-te bastante. A única pessoa que me consegue acompanhar assim é o Connor.
Ele sorri orgulhoso e se deita em minhas pernas.
–Estás feliz? Se não tivéssemos vindo continuarias pensando que o Connor te traíra.
–Sim. Ainda bem que tudo isto não passou de um engano.- Sorri-o olhando em frente.- Connor nunca me trairia! Nem sei como pude pensar uma coisa destas.
–És humana, e como tal cometes erros como todos.
–Sim.- Concordo acariciando seus cabelos.
–Quanto tempo achas que ficaremos por cá?
–Hmm, não sei bem. Espero que pouco. Aires não vai parar apenas porque nós não lá estamos. Cada tempo perdido aqui é um avanço dele lá.
–Nós vamos pará-lo, Anjo. Vais ver.
O olho. Seu rosto demonstrava tanta certeza que me fez sorrir assentindo. Ele tinha esperança que tudo correria bem, porque eu não poderia pensar o mesmo?
–Jack?
–Sim?
–Porque és sempre tão esperançoso?
–Porque acredito que o mundo não é assim tão mau. Acredito que tudo ficará bem e nós os dois tenhamos uma vida. Juntos.
–Também tiveste esperança enquanto esperavas teu pai regressar a tua casa?– Perguntei sem o olhar.
Não o queria magoar, mas precisava perguntar.
–Sim.
Sua voz tinha soado distante e então aí o olhei. O mesmo sorriso ainda ali permanecia em seus olhos.
Não havia ninguém tão forte quanto Jack.
–Mas ele não regressou.
Ele se senta e se vira para mim.
–Isso não vai acontecer com a gente, Christa. Desta vez tudo correrá bem, vais ver. Quando tu estavas doente, tive tanta esperança que ficarias bem e ressoltou! Tu melhoras-te.
–É…
Ele sorri e acaricia meu queixo.
–Esquece isso, meu amor. Vai correr tudo bem. Apenas não te podes esquecer de quem és.
–Christa Holter.– Sorri-o e ele ri negando com a cabeça.
–Não. A Pequena Guerreira.
Reviro os olhos e ele me puxa para ele me abraçando.
–Nem Aires, nem ninguém, pode apagar quem tu és.
–Eu tenho raiva dele, Jack. Tanta raiva. Eu não sou uma pessoa de ter raiva, mas dele… não há hipóteses. Aquilo que ele fez com Mike e o que está a fazer com inocentes… não tem perdão.
–Só é dele que tens raiva?
Franzo minha cabeça e me afasto para o olhar. Seu olhar era atento, curioso. Suspiro e nego.
–Não. Se estás referindo-te a meu pai, sim, eu tenho raiva dele. Tenho raiva dele por todas as noites em que minha mãe chorou antes de morrer. Todas as noites que ela o chamou e ele não veio. Eu sei que, teoricamente falando, ele não teve culpa. Mas mesmo assim eu …– Suspiro sem conseguir acabar.
–Ainda estás magoada.- Jack termina por mim e assinto.- Não fazes questão de lhe perdoar agora que ele voltou?
–Não. Posso falar com ele, mas meu pai é o Connor. É, foi e sempre será o Connor.
–Apenas não quero que sofras, anjo.- Jack acaricia meu rosto e sorri-o beijando-o no rosto.
–Tranquilo, Jacky. É preciso mais para em fazer sofrer.
Ele ri e me levanto estendendo-lhe a mão.
–Vamos lá, molengão! Não penses que me esqueci do treino, não.
–Sim, sim, sim. A gente já vai. Deixa-me só fazer uma coisa primeiro.
–O quê?
–Isto.
Pego em minha mão e me puxou de volta para ele. Cai em cima dele rindo, mas ele logo tomou minha boca na dele me parando.
Meu corpo ficou tenso e ele percebeu.
–O que foi? Fiz algo de mal?
–Não, nada. É melhor irmos.
Me levanto e ele faz o mesmo. Ele me olha me esperando mas quando não vou fica confuso.
–Anjo?
–Vai indo eu preciso de um momento sozinha apenas.
–Está tudo bem?– Seu rosto ficou preocupada e sorri-o pegando em sua mão e beijo sua boca.
–Está tudo bem.
Ele sorri, aliviado, e então vai.
Assim que ele está longe suspiro frustrada e me viro para trás.
–Não te cansas?
Liam salta da árvore e me olha com raiva. Por mais que tentasse ignorá-lo, meu ventre se contorceu. Não gostava que ele me olhasse assim.
–Eu já cá estava. Tu e o teu... ele, é que viestes para cá. Porque não continuáveis no teu quarto em vez de fazeres um filme pornô á mercê de todos?
–Percebeste tudo mal ontem.
–Foi? Não me pareceu nada.– Rosna e reviro os olhos.
–Estou falando numa boa, Liam. Ontem não aconteceu nada que tu estás a pensar.
–Não dormiste com ele então?- Me pergunta com um toque de esperança e suspiro olhando o chão.- Já percebi tudo.
–Não! – Exclamo o olhando.- Eu não dormi com ele.
–Não que ele não quisesse.- Resmunga e bufo.
–És um palerma.
Me virei para voltar mas sua voz continuou.
–Eu sou um palerma? Porquê? Por acreditar que tínhamos algo? Por acreditar que tu gostavas de mim?
–Eu nunca te disse nada!- Me viro de volta para ele com raiva.
–Sim, mas sentiste! Assim como eu, Christa!– Gritou.- Ou esqueceste-te que nos beijámos, hem? Esqueceste-te disso? Ele feste esquecer isso, foi?
–Não.– Murmuro.
–Vais negar que não sentiste nada, Christa? Vais?!
–Para de gritar comigo!- Grito de volta.
–Eu grito quando eu bem entender!
–Vai á merda então!
Me viro de força mas mal dou três passos minhas costas batem contra a árvore. Liam me olhava com tanta coisa, tanto poder, e tanta raiva. Ele fechou os olhos e respirou antes de os voltar a abrir.
–Porque me estás a fazer isto?– Pergunto baixinho, vulnerável.
–Isto o quê?– Sussurro.
Sua proximidade era… um problema. Á semanas que não o tinha tão próximo de mim. Tão…ali.
–Ele. Porque estás como ele depois de tudo o que aconteceu entre nós?
–Porque estás com Juliana depois de tudo o que aconteceu entre nós?– Retroco a pergunta e o vejo morder os lábios nervoso e baixar de novo a cabeça.
–Eu…Bell, isso não interessa agora.- Diz se afastando um pouco e me recomponho.
–Sim, interessa sim. Tu gostas dela, Liam, ou não estarias noivo dela.
–Bell…
–Admite-o! Liam,… esquece. Tu tens Juliana e eu tenho Jack. O que aconteceu entre vós foi apenas um beijo. Só isso.
–“Só isso”?– Ele pergunta incrédulo.- Como assim “Só isso”? Nós beijámo-nos Christa! Será que não importou nada para ti?
–Foi apenas um beijo, Liam.
Tentei andar de volta mas seu braço se atravessou no meio. Estava entre o corpo de Liam e uma árvore. Claro que poderia sempre ir por trás mas… acho que queria continuar a ouvi-lo.
–Não foi apenas um beijo, Bell. Tu sabes!– Falou em meu ouvido, baixo, rouco, me arrepiando.- Foi muito mais que isso. Foi muito mais que qualquer coisa. Cada pequeno segundo, Bell, foi mágico. Vá lá, tu percebeste isso também. Eu vi! Eu senti.
Senti sua boca em meu pescoço e fechei meus olhos. Queria mandá-lo parar. Queria mandá-lo para longe. Queria… queria… queria, queria tanta coisa e nada fiz.
–Eu sinto.– Ele continuou beijando meu pescoço e meu ventre continuou se contorcendo.
Cada centímetro a mais, mais um bocado me contorcia. Era doloroso e bom ao mesmo tempo.
–Já acabou, Liam.- Me forcei a dizer.
–Será? Será que já acabou?
As palavras que eu queria dizer estavam perfeitamente explícitas em minha cabeça mas na minha boca tudo se misturava.
–Liam… não faças isso.- Implorei.
–Porquê?
–Porque, porque…Jack!– Gritei me afastando dele o máximo que podia.- Eu estou com o Jack.
Meu peito subia e descia incontrolavelmente assim como o dele. Seus olhos não escondiam o que ele sentia naquele momento e esperava que os meus não fossem tão explícitos.
–Que se foda ele!
Tentou se aproximar de novo mas coloquei minhas mãos na frente segurando seu peito.
–Não! Por favor… não. Liam…
–Bell…- Ele coloca sua mão no meu rosto esfregando delicadamente com o polegar. Um gesto pequeno que me fez fechar os olhos por breves segundos.- Não queres voltar a sentir, Bell? Meus lábios nos teus? Minha boca na tua?
–Liam…
Arfei quando sentia sua boca em meu rosto. Ele ia beijando meu rosto com pequenos beijos que se iam aproximando se minha boa.
“Jack.”
Então a imagem de Jack me veio á cabeça. O seu sorriso, a sua doçura e até mesmo a sua infinita preocupação.
–Não posso fazer isto ao Jack.
“Ele não estava com Juliana?”
–Bell…
–Chega!
Me afasto dele e ando até o outro lado. Esfrego meu rosto e olho o céu tentando me acalmar.
“Desculpa, Jack.”
–Gostas dele?– Oiço Liam perguntar atrás de mim e suspiro.
–Sim.
–Mais do que a mim?
–Droga!- Me viro para ele cerrando meus punhos.- Qual é a tua ideia, Liam? Tu estás noivo de Juliana! Tudo isto serve para quê? Para gozares com minha cara?
–O quê? Não. Claro que não!
–Então para! Apenas para, Liam. Que não quero fazer isto ao Jack. Eu não vou fazer-lhe isto!
–Porque te importas tanto como ele!?– Grita irritado.
–Porque eu gosto dele! Eu me preocupo como ele! Antes de ser meu namorado era meu amigo. Jack em ajudou em muita coisa. Se estou viva é graças a ele!
–Estás a culpar-me por não ter estado lá?– Pergunta com uma pitada de dor e suspiro.
–Não. Claro que não, Liam, tu quase morreste por minha causa. Nunca te culparia de nada.
–Eu faria tudo de novo, Christa. Eu morreria por ti, se fosse necessário! Apenas não consigo ver-te com ele. Pede-me qualquer coisa menos isso. Todas as noites me culpei por tu não estares aqui. Não consegui dormir sem pensar se estarias bem ou não. Bell, … eu desejei a todas as estrelas que estavam no céu esta noite para tudo voltar ao início. E desta vez… desta vez não te iria deixar fugir. Não iria deixar que te levassem de mim. – Ele caminha até mim e toca na marca em meu pescoço me arrepiando.- Não irias ter nada disto em teu corpo. Acredita que o que mais queria era tirar-te cada marca, cada dor. Mas não posso. Porque ele está no meu lugar.
Baixo minha cabeça deixando minhas lágrimas cair. O que ele queria? Eu não podia dar-lhe nada mais do que minha amizade.
–O lugar de Jack nunca foi teu.
Mal acabei sua mão foi para longe de mim como se ele sentisse repulsa. Eu preferia assim.
–Talvez não. Mas teu coração é meu.
Fecho meus olhos com força.
“Porque ele teima?”
–Não.
–Duvidas? Duvidas que tudo seria diferente se eu não tivesse… “morrido”?
–Sim. De alguma forma eu teria encontrado Jack. Ele era para aparecer em minha vida.– O olho.- Achas que a existência de Aires permaneceria oculta por mais tempo? Não. Eu encontraria Jack e os rapazes de novo. Nisso eu tenho certeza.
–Escolhe-o a ele? Sério?!
–Eu não escolhi ninguém, Liam. Sempre existiu apenas o Jack.
–E eu? Hem? O que eu sou para ti, hem Christa?
Olho em seus olhos verdes. A palavra que ele queria eu sentia-a, mas nunca lhe a diria. Pois ela agora estava guardada para o Jack. Apenas para ele.
–Tu és o namorado da Juliana.
“ Da minha prima.”
–Bell…
–O futuro rei de Árgon.
–Bell…
–Nada mais.
–Christabell!- Ele quase grita respirando com força.- Não faças isto. A Juliana ela… Deus, por favor, eu não te posso explicar, apenas confia em mim.
–Não há nada mais a dizer entre nós, Liam. A partir de agora apenas me interessa uma coisa. Derrotar Aires.
Caminho para trás o olhando e então me viro continuando meu caminho para o ginásio.
–Chris?
Levanto meu rosto e olhou para Cris que me olha curioso.
–O que aconteceu?
Limpo meu rosto e dou de ombros.
–Nada de mais. Vamos. Temos muito que treinar e os outros já devem estar fartos de tanto esperar.
Entro pela porta e meus amigos se viram todos para mim.
–Já não era sem tempo!- Joshua reclama se levantando e reviro os olhos.
–Não precisais de mim para aquecer. Vamos lá seus molengões.
Eles se colocam a pares e olho para Cristo que me olha de volta ainda mais curioso. Lhe sorri-o e ele me sorri de volta antes de dois braços me cercarem e meu coração falhar.
–Ficas comigo, treinadora?
–Sabes, tu combinas melhor com o Riley. Eu fico com o Cristo porque ele precisa de mais treino, tá?
–Oh.
–Não te importas?- Me viro para Jack e ele em sorri negando.
–Na, tudo bem. Me bates na próxima.
Assinto e vou até Cristo suspirando. Olhar para Jack era difícil por agora.
–Não me enganes, Chris. Que aconteceu?
Cristo é muito direto. E isso ás vezes não ajuda mesmo nada.
–Alguma vez já te sentiste entre a espada e a parede?
–Já.
–Agora imagina que és apaixonado pelas duas.
Ele franze a testa pegando numa das varas.
–Isso não faz sentindo nenhum.
–É exatamente como me sinto.–Suspiro.- Sem sentido algum. Vamos começar.
No próximo capitulo de Monsul Academy: Verdade...
–“Minha princesa”
–O quê?
–Promete-me que nunca desaparecerás da minha vida.
–Nem penses nisso. Estás a ouvir-me?
–Promete-me!
–Desculpa.
–Connor, tu nunca me contaste como conheceste minha mãe.
–Eu a amei muito, Chris
–Já te esqueceste de mim? Não sei se ficou desolado ou furioso. Eles te estão virando contra mim.
–Eles?
–Eles. Todos eles, minha Princesa.
–Nunca te metas com um Holt.
–Quem és tu?
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