Monsul Academy: Verdades

3 Christabell Holter: 3º Capitulo


Minha família sempre estará lá, ...mesmo que por vezes se tornem um pouco embaraçosos.

3º Capitulo

–A cor é horrível, mas o sabor até que é bom.– Disse Ky levando uma garfada á boca.

–Comece. Deo faria mil vezes melhor.– Disse Riley.

–Santa bendita, Deo e a sua torta de morango.– Disse olhando para a mesa.

Era a única que não comia, tirando Liam que apenas ficou a mexer no bolo sem deixar de, olhar-me. A forma intensa com que me olhava não tinha mudado, mas eu não consegui olhá-lo de volta. Ainda era muito cedo.

–Ámen.– Disseram os gémeos.

Todos rimos, tirando Liam.

–Podes começar, Chris.- Disse Cristo.

–Por onde começo?

–Depois de eu te ter deixado na estrada, o que aconteceu?

–Bem, Mike começou com uma lengalenga de que ficaríamos juntos para sempre e que iríamos para casa e então apaguei. Quando acordei estava atada a uma cama e foi lá que fiquei durante uma semana. Mike vinha e ia, sempre tentando-me convencer a me juntar a eles. Então, fartei-me e tive de arranjar um plano ou morreria ali.

Fechei os olhos quando as três fileiras de dentes perfuraram a minha pele. Uma dor forte queimou-me e fez-me morder o lábio com força para não gritar fazendo-me sangrar.

Agora, ou nunca.

Enquanto Mike estava entretido com o meu sangue aproveitei e empurrei-o de cima de mim com os pés.

Ele ficou surpreso e olhou em volta.

– Voltas a tocar-me e eu mato-te.

– Sai dali o mais depressa que pode, encontrei alguns amiguinhos e matei-os. E então foi onde encontrei os faíscas.

Os rapazes sorriram com a lembrança.

– Não és um Strigoi- Disse o rapaz que segurava.

– Não. E vocês são?

– Humanos.

Soltei-o e ele andou até aos outros três.

– De onde apareceste tu?- Perguntou esfregando o pescoço magoado.

O cabelo dele era negro e os olhos azuis-claros como o oceano.

– Aqui quem faz as perguntas sou eu.- Apontei o pau para cada um deles.- Quem sois vocês?

–Foi ai que encontrámos a tua alcunha, sabias?- Avisou Kota.

–Sim?

–Sim. Tinhas um vestido branco e estavas coberta de sangue. Naquele momento parecias um anjo da morte. Lindo, indefeso e vingativo. — Explicou Jack sorrindo.

–Então, anjo ficou.- Disse Ky abrindo os braços e sorrindo.

–Já entendi. Continuando. Deixei-os lá e fui-me embora. No meio do caminho ouvi Kota a gritar então voltei atrás. Não fazia ideia de onde estava então… o que perderia?

Eu já estava longe do prédio quando ouvi um grito. Parei e olhei para trás. Era um grito humano, o que significava que os rapazes estavam em perigo.

Olhei para o redor.

Não fazia nenhuma ideia de onde estava. Vales verdes e florestas era tudo o que via.

Suspirei e corri em direcção ao grito.

Espero que não te arrependas disto depois, Christa.

–Ai, descobri quem era o “ele” que Mike passava a vida a falar e que ele era pior que todos os Strigois juntos.

–Porquê?– Perguntou Mel.

–Foi feito com magia e apenas ela o mata.

Isto pareceu atrair a atenção de Liam.

–Magia?

Olhei-o cuidadosamente.

–Sim. Não me pergunteis como, eu não sei. Apenas sei o que vos digo agora. Voltei a deixá-los e corri. Corri não sei bem para onde. Dois dias depois encontrei-os de novo. Acabei por lhes salvar a vida…

–De novo.– Interveio Kota.

Revirei os olhos.

–De novo e… desmaiei. Acordei em casa de Jack e foi lá que fiquei. Os Strigois tinham ficado com as minhas armas então fomos busca-las. Foi lá que descobrimos que eles andavam a transformar mais.

–Meu deus!- Murmurou Bia.

–Comecei a treiná-los e então voltámos para casa de Aires. Encontra-mo-lo e ele explicou que queria acabar com a raça humana. Toda.

–O quê? Mas para quê?– Perguntou Josh.

– Para ele ser o rei.

–O que ganhas em matar os humanos?

–Eles são criaturas nojentas e imundas.

Parei de lutar e ri.

–Sim. Eles são as criaturas nojentas e imundas. Fala a coisa que bebe sangue. Isso é muito mais higiénico, sem dúvida- Disse sarcasticamente.

–Os humanos são fracos, comparados a nós.

Começamos a lutar de novo.

Tock-tock-tock.

– Então vais transformar todos em Strigois e depois?

Ele olhou-me, confuso.

–Depois o quê?

Tock.

–Depois. Terás todos os humanos Strigois, o que pensas fazer em seguida?

Tock-tock.

–Eu serei o rei.

A espada dele atingiu-me fazendo um pequeno corte no ombro. Cerrei o maxilar e ataquei-o com força e agilidade que sempre tive.

Aires prendeu-me contra a parede de novo.

–E tu minha rainha.

"Rainha dele. Como se isso fosse alguma vez acontecer."

–Voltámos para casa e… tudo estava tão confuso. A única coisa que sabíamos era que se Aires continuasse vivo, continuariam a fazer mais e mais. Então um dia depois, estava com Jack na floresta e… eles apareceram. E eu fui o alvo…. Basicamente.

–Christa? Christa o que foi?- Perguntou alarmado.

–Droga, droga, droguinha.

Contorci-me e tirei a flecha das costas. Jack olhou para trás de mim e viu um Strigoi com um arco.

–Cabrão.- Resmungou virando-se para mim.- Fica aqui.

–Nem penses eu vou.- Disse começando a levantar-me.

Jack puxou-me para baixo com força mas delicadeza.

–Chris, estás magoada. Vais ficar, nem que tenha de te atar á árvore. Fica!

–Não me lembro de muito depois disso.

–Mas nós sim.– Disse Jack.

–Havia muita sangue.– Disse Kota olhando para as mãos.

–Pensamos que… era o fim.– Continuou Ky.

–Jack levou-te para casa, mas não sabíamos se estavas bem ou mal.- Disse Riley.- Apenas que tínhamos de lutar.

– Os pais de Riley vieram e tu parecias piorar de dia para dia. Deliravas e mexias-te muito. Estávamos com medo de que acabasses por te magoar ainda mais.- Disse Jack.- Mas ai a febre passou.

–E acordas-te.- Disse Ky sorrindo.

–Mas voltaste a piorar– Disse Jack lembrando-se do sangue.

A dor foi maior que eu e tive de parar gemendo com a dor.

–Anjo?

Comecei a tossir fortemente segurando o peito ainda mais de força.

Droga, droga, droguinha. Estupida, dor.

–O que se passa, Christa?

–Dói.- Disse entre a tosse.

Jack segurou-me de lado, dando-me espaço para respirar.

–Jack…- Choraminguei.

–Eu estou aqui, anjo. Estou aqui.

Comecei a tremer fortemente. Senti-o ficar tenso e odiei-me por o fazer passar por isto de novo.

–Christa, por amor de deus. Não me assustes assim.

Apenas tossi mais sentindo algo escorrer do meu nariz.

Olhei para o chão respirando com dificuldade. Quando o líquido chegou a boca senti o sabor de magia.

Sangue.

–Jack!

Jack olhou-me e ficou ainda mais rígido.

–MÃE! Vai ficar tudo em, meu amor. Eu prometo.

Contorci-me nos braços dele gemendo de dor.

–MÃE! DEPRESSA!

–E vocês aproveitastes e fostes atrás de Aires. Que atitude tão bonita.– Disse sarcasticamente.

Jack sorriu um pouco e beijou-me a mão.

–Já nos atormentaste a cabeça que chegue, não achas?

Dei de ombros.

"Não, não acho."

–Adiante. Aires estava a avançar depressa então tivemos que agir. Mas matar alguém que apenas magia mata, é impossível. Então aqui estamos. Viemos buscar o feitiço para o matar… de uma vez por todas.

–Espera um pouco.- Disse Mel.- O teu acidente aconteceu á quantos dias?

–Mais ou menos 1 semana e 3 dias.

–Só? – Perguntou Mel, chocada.

–Ainda devias estar na cama.– Disse Bia.

Os gémeos, Jack e Riley riram enquanto eu apenas revirei os olhos.

–Tentem-na por na cama. Nós tentamos mas foi em vão.- Disse Riley.

–Vocês exageram. Eu estou bem. Era apenas um pouco de sangue.

–Ó, sério? Apenas um pouco?- Perguntou Jack sarcasticamente inclinando-se na minha direcção.

"O que se passa com este hoje?"

–Tu hoje levas.

–Estou á tua espera, anjo.

Enquanto fuzilava Jack com o olhar Marissa levantou-se e foi para trás de mim.

–Deixa ver.

–O quê?!

–Vamos, Christa. Quero ver se eles exageram ou não.

Revirei os olhos, tirei o casaco e levantei a camisola para mostrar a ligadura á volta de toda a minha barriga.

–Impossível, veres. Muita ligadura como vês.

Ela tocou levemente na ligadura fazendo-me saltar.

–Magoei-te?

–Não apenas… impressão.

Voltei a baixar a camisola enquanto a sensação ainda permanecia.

–Christabell Elixa de Abnara Holter, onde tu te vais meter.– Suspirou Connor.

Sorri e olhei para todos os rostos ali presentes.

–Então? Já acabaram as perguntas?

–Nem por isso. Tenho mais uma.

–Força, Cris.

–Quando tempo ficarás?

O meu sorriso sumiu mais rápido que um TGV.

Todos na sala se viraram para mim.

–Não vais ficar, pois não?

–Não.– Disse engolindo com dificuldade.

–O quê? Porquê?- Perguntou Emma aflita.

–Christa…– Disse Mel.

–Desculpem, mas não dá. Eu não teria vindo se não fosse importante.

–E nós, Christa? Não somos importantes?

–Claro que sois, Mel. Mas eu sempre quis acabar com todos os Strigois e isso está perto de acontecer. É a vida de toda a gente que está em jogo malta.

–Então tu vais. Quando?– Perguntou Josh pensativo.

Olhei para meu pai. Tudo dependia dele, por enquanto.

–Quando o rei encontrar o feitiço que procuro.

–Mas … Christa… Isso não é justo!– Sarah começou a chorar e tive de a abraçar.

– Lamento, Sar. Mas não posso. É muita gente em jogo.

–Eu sei mas…

Ela abanou a cabeça e continuou a chorar. Olhei para Jack que me sorriu tranquilamente. Se ele estivesse do meu lado, tudo ficaria bem.

Pelo menos eu acreditava que sim.

–E depois, Chris? Voltas, não é?– Perguntou Emma.

–Eu… Não sei, Emma.

–Tens de voltar, mesmo que tenhamos de atrasar a tua ida.- Disse Josh.

Dei um pequeno sorriso e olhei para a mesa.

Nem eu sabia ainda como iria matar Aires. Ainda faltava uma parte essencial.

Magia.

"Como iria eu matar Aires, sem magia?"

Senti olhos hipnotizantes a olharem-me do outro lado da mesa e mesmo sabendo que era ele, olhei.

Dois pares de olhos me olhavam com várias emoções á flor da pele. Dois olhos que pertenciam á pessoa que eu tinha que esquecer.

A única pessoa que beijei e me senti viva.

A única pessoa que tenho de esquecer.

No próximo capitulo de Monsul Academy: Verdades...

–De certo reparas-te em Liam.

–Se precisares de algo, grita.

–Não entendo o que aconteceu.

–Foste tu, Christa.

– Não percebes?

–Tu tens magia, Christabell.

–Está a gozar, certo?

–Posso derrotar, Aires.

–Nunca tive dúvidas que o possas derrotar.

–Jack….

–Como podes usar magia sem seres uma maga?

–Jack, alguma vez ouviste falar que o rei tem um filho bastardo perdido?

–Bell, precisamos falar!

–Não há nenhum “nós” para falar, Liam.

–És melhor que isso Bell. Muito melhor.

–O que acabou de acontecer aqui?