Monsul Academy: Mentiras

29 Christabell Holter: 28ºCapitulo


Tudo na vida depende de uma coisa, não ficar-mos agarrados ao passado. Pois por mais forte que nossa mente seja, é nosso coração quem manda.

28º Capitulo

–Deo!

Deo apareceu e olhou para as crianças.

–Meu deus, anjo. O que aconteceu?

Leandro apareceu também e correu para me ajudar pegando no menino.

–Leva-o para o quarto do Jack. E chama Felipha. Precisamos de ajudá-lo.– Disse Deo.

–É para já.

Leandro correu para fora da sala, e Deo olhou para a menina escondida atrás de mim.

–Olá?

Gemma escondeu-se ainda mais atrás de mim. Podia sentir o medo da pequena menina.

–Quem és tu?

Peguei na pequena menina, e Gemma escolheu-se no meu pescoço com o medo e a vergonha… e a dor da perda.

"Não é bom uma menina tão nova sofrer tanto."

–É a Gemma. Gemma é a Deo. Diz olá.

–Olá.– Sussurrou a menina.

Deo sorriu para a menina.

–Tens fome, Gemma?

Gemma assentiu timidamente.

–Então venham. Vamos comer.

Andamos até á cozinha, onde Quin e Edlyne estavam a jantar.

–Olá.– Cumprimentei.

Quin sorriu animada.

–Olá, Christa.

–Olá. Sou a Edlyne.

–É um prazer, Edlyne.

Edlyne sorriu contente.

–Eu também. Todos os meus amigos são teus fãs.

–A sério?

–Hmm, hmm. O meu namo… amigo, Victor, adora-te. Ele também está a estudar para Guardião.

–Ainda bem. – Cheguei-me mais perto do ouvido dela.- Podes ficar descansada que daqui não sai nada. O teu namorado fica secreto quanto tempo quiseres. Mas é melhor começares a engraxares Riley.

Sorriu-me agradecida e continuou a comer.

–Aqui, está.

Deo pôs dois pratos com um pedaço de torta na mesa. Sentei Gemma no meu colo pegando-lhe nas mãozinhas.

–Vou ver do menino. Se precisareis de ajuda, chamai.– Aviou Deo saindo.

Peguei num pedaço de torta e dei-o a Gemma. A menina comeu lambeando-se.

–Quem é?– Perguntou Quin.

–É a Gemma. Gemma, é a Quin e a Edlyne.

Gemma sorriu e encostou-se no meu peito.

–Olá, Gemma.- Disse Quin.

–Tão fofa.- Disse Edlyne sorrindo carinhosamente.

Gemma pegou no meu cabelo e escondeu a cara com ele. Rimos e continuamos a comer a nossa bendita torta.

"Deo é a melhor."

Beijei a testa da menina e sabia que já era tarde. Já tinha ficado ligada Gemma. A menina já fazia parte de um pedaço do meu coração em apenas 1 hora.

"Inacreditável, Christa. Inacreditável."

Já tinha dado banho a Gemma e estavamos agora sentadas na cama do quarto de Jack olhando para seu irmão.

–Como se chama o teu irmão?– Perguntei á menina enquanto lhe fazia duas tranças.

–Brade.

–O teu papá?

A menina deu de ombros.

–Não sei. Mamã dizia que ele tinha morrido.

–Não tens mais ninguém?

Gemma negou com a cabecinha.

Senti pena da mulher e das crianças. Também eu sabia o que era viver sem pai e depois sem mãe.

Bateram na porta e Jack entrou. O alívio me preencheu por completo e sorri.

– Jack. Finalmente.

Ele sentou-se ao meu lado abraçando-me.

–Eu disse que nos encontrávamos aqui.

–Eu sei, mas pensei que… esquece. Estás aqui, é o que importa.

Ele beijou-me na testa e pegou na mão de Gemma.

–Olá.

Gemma sorriu e tapou a boca com as mãos.

–É a Gemma. E ele é o Jack.

–Tens um lindo nome, Gemma.

–Obrigado.- Agradeceu a menina.

–De nada. E o rapaz? Ele está bem?

–Deo, disse que ele perdeu sangue o que provocou o desmaio. Mas ele está bem.

–Ainda bem.

–Vou deitar Gemma e depois podemos falar.

–OK. Eu hoje durmo no sofá.

Assenti e olhei para Gemma.

–Queres dormir com o Brade?

A menina negou e levantou a cabeça para a olhar.

–Quero dormir contigo. Posso?

–Claro que sim. Vamos.

Andamos para o quarto onde eu ficava e sentamo-nos na cama. Deitei a menina na cama e aconcheguei-a.

–Canta para mim.- Pediu.

–Ok. Deixa-me ver. Já sei.

Dorme meu amor, dorme.

Houve o silencio da noite,

Houve o quanto te amo.

Sem palavras que magoem.

Apenas sentimentos que se sentem.

Dorme meu amor, dorme.

Houve o silencio da noite,

Houve o quanto te amo.

Sente o que te digo,

E eu digo que te amo.

Sem dor, sem pecado,

Meu amor tu vais sonhar.

Com o dia de amanhã,

Com o que tu mais desejas.

Dorme meu amor, dorme.

Houve o silencio da noite,

Houve o quanto te amo.

Houve por palavras do silencio,

Que é a ti, quem eu quero.

Gemma tinha fechado os olhos e respirava profundamente e regularmente. Estava em paz.

Sorri e acariciei-lhe na bochecha. Dei-lhe um pequeno beijo na testa e sussurrei-lhe.

–Boa noite, Gemma.

–Vamos.- Sussurrou Jack e ambos saímos deixando Gemma nos seus sonhos.

Saímos da casa e andámos para o frio da noite.

Sentamo-nos no alpendre e assim como a letra da canção ouvimos o silêncio da noite.

–Onde aprendes-te a canção?

–Minha mãe cantava-ma todas as noites. Era a única coisa que me fazia dormir.

–E depois? De tua mãe… tu sabes. Como dormias?

–Connor cantava-me, mas não era a mesma coisa. Gosto de Connor mas ele não era minha mãe e muito menos tinha a mesma voz que ela. Quando cantava ela era doce e deslumbrante. Era a minha mãe.

Jack beijou-me na testa e puxou-me para ele.

–Ela deve ter muito orgulho em ti. Assim como Connor.

Sorri e olhei para a lua que sorria sem se importar com o frio do inverno.

–Também tenho a certeza que o teu pai tem orgulho em ti.

Ele deu um pequeno sorriso.

–É capaz.

–Não sejas modesto. Qualquer pai queria ter um filho como tu. És simpático, divertido, lutas pelo que queres e és óptimo em luta. Proteges os que amas com força e garra. Ele teria muito orgulho, assim como tua mãe tem.

–Obrigado, anjo. Mas e o teu pai? Nunca falas dele.

–Eu não tenho pai.

–Toda a gente tem pai, Chris.

–Eu sei, o meu apenas… é inexistente na minha vida.

Ele rodeou-me com os braços e poisou o queixo no topo da minha cabeça.

–Já entendi. Já não estás chateada comigo?

–Chateada? Sim. Muito. Mas… se não tivesses ido, não teria encontrado Gemma e Brade. Poderiam até estar mortos. Então, não. Ficar chateada gasta muita energia.

Jack riu e beijou-me na cabeça.

–Ainda bem que já não estás chateada. Apenas me queria vingar, anjo.

–Eu sei, Jack. Mas tu ou os rapazes podíeis-vos magoar. E tudo apenas por uma vingança estupida e por minha causa.

–A culpa seria absolutamente nossa. A ideia foi nossa.

–Tua, queres dizer.

Ele voltou a rir e assentiu.

–Sim. Minha. Mas os rapazes concordaram.

Revirei os olhos.

"Claro que eles concordaram."

–Jack, sobre aquilo de não confiar em ti…

– Christa, está tudo bem. Se não quiseres contar então… não contes.

–Jack, eu confio em ti. Muito.

–Eu sei. Eu estava apenas um pouco lixado por não me teres contado quando contas-te a minha mãe. Mas depois do que fizeste hoje, eu sei que confias em mim.

–Sim, sim eu confio. Mas sobre aquela parte de cuidar de mim, Jack tenho 16. Já não preciso que cuidem de mim.

–Não é cuidar de ti, é cuidar de ti.

"Oi?"

–Qual é a diferença?– Perguntei confusa.

–Tens o cuidar de família. Uma pessoa preocupasse contigo como uma mãe cuida das suas crias e tens o outro cuidar onde amigos cuidam de amigos, apenas para terem a certeza de que nada lhe acontecesse.

–Ainda não sei qual é a diferença, mas bom. Mudemos de assunto.

–Como o que?

–Temos de parar Aires.

"Nem que custe a minha vida."

–Como? Tu mesma disseste que ele era imortal. Apenas magia o pode matar.

– Nós também gostaríamos de saber.

Os dois olhamos para trás e vimos os rapazes a espreitarem pela janela da cozinha.

–Não sabeis fazer mais nada se não coscuvilhar?– Perguntou Jack.

–Não estávamos a coscuvilhar estamos a ver as estrelas. Já vistes? Hoje o céu está lindo-. Disse Kota olhando para cima.

Ri e olhei as estrelas.

Realmente, estava lindo. Muitas, muitas e muitas estrelas.

"Liam."

Apenas uma pessoa apareceu no ar. Ele adorava as estrelas por causa do pai.

"- Não quero falar dele. Mas e o teu pai? Ele ensinou-te a ver as estrelas, certo?

– Sim. Ele sempre gostou dessas coisas. Deitávamo-nos no telhado a olhar e punha-mos nomes nas constelações.

– Como o quê?

–Hmm, Monte de merda.

Ergui uma sobrancelha e ri,

– Estás a falar a sério?

– Claro.- Disse sorrindo.

– Foste tu que lhe poses-te o nome?

– Para tua informação, não. Foi ele.

Ri ainda mais.

– Já sei a quem sais.

– Tu estás a gozar comigo?- Disse puxando-me pela cintura.

–No más!

Ele frangiu a testa.

– O quê?

– Jamais. Minha mãe sempre dizia “No más, Christa! No más!” Era algo apenas nosso.

– Eu sei o que é isso. Ver as estrelas era uma coisa minha e do meu pai. Mesmo ele, tendo mais três filhos, aquilo era nosso. E depois que ele morreu sentia-me bem olhando para elas, era como se ele tivesse lá comigo.

– Eu lamento.

Ele assentiu e sorriu.

– Obrigado."

"Esquece-o Christa. Por amor de deus. Esquece-o."

–Mas, dizei lá. Como pensais matar Aires?– Perguntou Ky.

Todos olharam para mim.

–Apenas áh uma maneira de o matar. Aires disse que apenas um feitiço o mata e onde está o livro com todos os feitiços existentes no mundo?

Ky frangiu a sobrancelha pensando.

–Com o rei.- Sussurrou Jack sorrindo.

Assenti e Riley olhou-me.

–Mas, o rei está na Academia. Então isso quer dizer que temos de ir á Academia para recuperar o livro.

"Yap!"

–Exacto.

–Então, tu vais?- Perguntou Kota delicadamente.

Suspirei e olhei-os. Tinha de o fazer. Não era apenas a minha vida em jogo, mas era a de toda a humanidade. Se fosse para salvar gente inocente, então sim. Não me importaria de ter de enfrentar a realeza toda, mas faria todos os possíveis.

–Aires vai transformar todos os que sobreviverem. Crianças, inclusive. Não podemos deixar que isso aconteça. Apenas parará se ele morrer. E se o único modo é voltar a Academia então… força.

Jack sorriu orgulhoso de mim.

–Fixe! Vamos á Academia. Vou fazer as malas.- Ky entrou para dentro animado.

Kota e Riley seguiram-no rindo.

–Tens a certeza disto, anjo?

–Tenho, Jack. Tenho a certeza absoluta. Está na hora de seguir em frente.

Ele virou-me de frente para ele.

–Estou orgulhoso de ti, sabes?

–Eu também, mas… eu tenho umas pequenas exigências.

–Tudo bem. Faremos o que quiseres. Ires até lá já é um grande passo. E eu não podia estar mais feliz por ti.

Olhei-o atentamente. Ele não tinha ideia de como me fazia feliz.

–Não te importas mesmo com o que eu sou, não é?

–Não me importo nada. Podias ser a princesa que eu gostaria de ti da mesma maneira.

Com um nó na garganta olhei para as minhas mãos.

"Oh, Jack. Como queria dizer-te quem realmente sou."

–Anjo, o que foi? Disse alguma coisa que não devia?

Neguei com a cabeça.

–Não, não. Sou me apercebi de uma coisa.

–O quê?

–Seguir em frente, sem nunca olhar para trás. – Olhei-o.- Cada vez mais gosto desta frase.

Jack frangiu a testa confuso.

–Sim, é uma bela frase, mas o que tem a ver contigo?

Sorri e inclinei-me rapidamente colando os lábios dos dois.

"Seguir em frente."

Jack ficou surpreendido mas logo se recuperou e beijou-me de volta. Segurou-me no rosto delicadamente e beijou-me com mais força e doçura.

Antes de nos separarmos chupou-me o lábio inferior e sorriu olhando-me com os olhos brilhantes.

"Ele era a melhor opção, sem dúvida."

–Será que entendeste agora?

–Absolutamente.

Ri e beijei-o rapidamente antes de me levantar.

–Seguir em frente, mas voltar a onde tudo começou. Talvez apenas assim poderei deixar o passado para trás e seguir por fim.

Jack sorriu e levantou-se.

–Seguir-te-ei para todo o lado, anjo. Sempre.

–Eu sei, Jack. Eu sei. Isso é o que me mantem com forças para continuar. Saber que estás aqui. Comigo.

Notas finais
Cá está ele, o último capitulo!!!!!!!!!!!!!! Amanhã postarei o epílogo e o site para Monsul Academy: Verdades BEIJOS PLEAPEL