Monsul Academy: Mentiras

22 Christabell Holter: 21º Capitulo


Ninguém pode vencer por você, acredite, só você pode derrubar os obstáculos que surgem no seu caminho

Fellippe Street

21º Capitulo

O silêncio era perturbador.

Nem uma mosca se ouvia na pequena sala.

Jack, apenas pensava que não podia ser tarde de mais. Christa ia ficar bem. Ela era forte.

Muito forte.

–JACK!– Gritou sua mãe de dentro do quarto.

Os rapazes entreolharam-se e Jack correu para dentro do quarto seguido pelos rapazes.

–Desculpem meninos, mas apenas Jack.- Desculpou-se Felipha não os deixando entrar.

–Mas mãe, nós queremos ajudá-la.

–Riley, filho, sereis mais uteis, ai fora.

–Vamos rapazes. Fiquem aqui.– Disse Leandro levando-os de volta para os sofás.

–O que está a acontecer, pai?- Perguntou Quin.

Leandro sentou a menina de 9 anos no seu colo e beijou-lhe a cabeça.

–A menina está doente. Mas vai ficar bem.

–Posso ir rezar por ela?

Riley sorriu para a sua irmãzinha e assentiu.

–Claro que podes, Quiny.

–Anda Quiny. Vou rezar contigo.– Disse Edlyne pegando na mão de sua irmã. As meninas foram para o pequeno altar de Deo e ajoelharam-se perante ele.

– Esperemos que uma reza chegue.– Disse Kota olhando as meninas.

Leandro olhou para os três rapazes.

Seu filho, olhava para as meninas com dor e protecção. Kota, pôs os cotovelos em cima dos joelhos e tapou a cara com as mãos. Ky, não falava o que era incomum. Apenas olhava para a frente com um olhar vazio.

–Gosteis muito da rapariga.

–Ela salvou-nos.– Disse Kota.

–Três vezes.- Adicionou Riley.

–Então porque estais assim? Se a menina vos salvou é porque é uma lutadora.

–A melhor.- Disse Riley sorrindo.

–É Christabell Holter de quem estamos a falar, afinal.– Disse Kota também sorrindo.

Até Ky deu um pequeno sorriso.

–Nada faz frente, á pequena guerreira.– Disse Riley.

–Muito menos umas pequenas mordidas.– Continuou Kota.

–É isso mesmo, rapazes. Esperança, é a última que morre. Christabell Holter, não é uma rapariga qualquer. Pois não?

Ky olhou-o e sorriu ainda mais.

–Ela é o nosso anjo salvador.

Jack sentou-se na cama e olhou para a menina deitada nela.

Christa contorcia-se de dor, suor escorria-lhe pelo rosto, a sua respiração era pesada e rápida, não conseguia ficar quieta.

–Jack, tens de a segurar para nós podermos cuidar da mordida.

Ele assentiu e segurou-lhe os braços. Christa abriu os olhos de repente e gritou. O medo que ele viu nos doces olhos cinza o fez contorcer-se.

–Christa, sou eu. Calma. Vai ficar tudo bem.

Ela apenas se contorceu debaixo dele e gritou.

Deo e Felipha foram para perto do pescoço dela e enquanto Felipha segurava a cabeça de Christa, Deo limpava-lhe a mordida.

–Pára, pára, pára.– Repetia Christa abanando a cabeça com força.

–Calma, anjo. Calma. – Disse Jack beijando as mãos dela.

–Estamos a tentar ajudar-te Christabell. Apenas vai resultar se ficares quieta, anjo.– Disse Deo levemente.

–Depressa, Deo ou a menina não vai resistir.

Minutos depois Deo acabou, mas Christa continuava a gritar e a contorcer-se. A dor era visível no rosto delicado de Christabell Holter como uma pelicula.

–O que se passa mãe?

–O veneno está no organismo dela. Vai demorar dias a sair por completo.

–E se não sair?

–Ele vai sair, Jack. Não te preocupes. Ela vai continuar assim durante mais ou menos dois dias, a febre vai passar e então depois de umas boas noites de sono, ela ficará como nova.

Jack assentiu e tocou o rosto molhado de Christa.

Ela estava quente. Mais quente do que o normal.

–Vais ficar bem, Christa. Eu prometo-te.- Sussurrou-lhe.

Ela inspirava com rapidamente e olhava-o com dor.

–Jack, vamos ter de cuidar do resto das feridas.- Avisou Felipha.

–Ok. Por qual começamos?

– Por trás. Ajuda-nos a virá-la.- Pediu Deo trazendo um alguidar com água limpa.

Jack pegou em Christa virando a cara dela para a barriga dele. Christa tentou virar-se, mas Jack segurou-a.

–Fica aqui comigo, Christa. Por favor, fica aqui.

–JACK, NÃO!– Gritou ela agarrando-se a ele.

Deo e Felipha começaram a puxar a camisola dela para cima e a limpar a ferida.

–Porquê?... mas tu… NÃO PODES!

Jack acariciou o cabelo de Christa suavemente.

–Quem é que não pode Christa? O que se passa, anjo?

Ela começou a chorar e Jack apertou-a mais perto dele.

–Continuava a falar com ela, Jack. – Pediu Felipha.

–Não faças isso.– Chorou Christa.

–Não faço o quê anjo?

–Por favor.

–Anjo?

–NÃO!- Gritou começando a chutar.

–Anjo, vais magoar-te. Por favor pára.– Ele tentava pará-la, mas ele não a queria magoar também ou que ela se magoasse.

–Podes virá-la ao contrário.- Disse Deo molhando o pano com sangue.

Jack segurou-lhe nos braços contra o colchão enquanto Felipha segurava nas pernas.

–Não podes fazer-me isto.– Chorou Christa batendo com a cabeça na almofada.

–Fazer o quê, anjo?

–Não me podes deixar!

–Não vou a lado nenhum, anjo.

Ela continuou a chorar e a tentar sair. Cada grito que dava perfurava o pequeno quarto abanando-o.

–Tu também não.- Murmurou.

–Ela está a delirar, Jack. Não ligues ao que ela diz.– Disse sua mãe.

Jack assentiu mas continuou atento a tudo o que Christa dizia.

Algo estava mal.

Muito mal.

–EU NÃO QUERO! Eu não quero! Eu não quero! NÃO QUERO!

Christa estava a desabar e Jack sabia. Havia algo que a atormentava e não era só pelo veneno.

–Jack, Jack, eu não quero.

–Não queres o quê?

Ela abriu os olhos e chorou ainda mais.

–Eu não quero ir. Jack. Não deixes. Jack. Por favor. Por favor. Por favor.

–Não vais a lado nenhum, Christa. Eu não deixarei.

–Eles vão vir. Eles vão tirar-me daqui. EU não quero. EU não quero ser ela. Quero ser eu. EU!

Jack olhou para sua mãe. Do que ela falava?

Deo tinha acabado de por a ligadura e olhava para Christa com pena. Sua mãe sabia de algo que ele não.

–O que se passa mãe?

Deo olhou para ele com amor.

– Essa menina precisa de saber que está segura, Jack. Mesmo que ela diga que não, ele precisa de muita segurança… e amor.

–Eu vou dar-lhe, mas preciso saber o que se passa.

Deo deu um pequeno sorriso e beijou o topo da cabeça da menina.

–Ela irá dizer-te. É o futuro dela. Não pode fugir, mesmo que o queira.

–Fugir de quê, mãe?!- Perguntou irritado.

Felipha levantou-se e compôs os cobertores da menina. Deo limitou-se a dirigir-se para a porta.

–Fica aqui com ela, Jack. Nós já vimos.

Elas saíram e Jack deitou a cabeça no ventre de Christa.

–O que se passa contigo, anjo?

Christa olhava para o tecto tentando mexer-se. Estava longe nos pensamentos dela, não o ouviria.

Jack deitou-se ao lado dela e segurou-a perto dele.

–Seja o que for, eu estarei aqui, anjo. Não te vou deixar sozinha. Nunca!

Ele já estava feliz por estar viva. Não iria abusar da sua sorte.

No próximo capitulo de Monsul Academy: Mentiras...

–Quanto tempo vai continuar inconsciente?

–Talvez até hoje ou amanhã.

–Isso é bom.

–Chega para lá, idiota.

–Já chega, meninos.-

–Precisas de comer, Jack. Ela não vai a lado nenhum.

–Quando tiver fome eu vou comer, mãe. Não te preocupes.

–MÃE! AJUDA!

Notas finais
capitulo tenso mas espero que tenham gostado mesmo assim BJ