Monsul Academy: Mentiras
17 Christabell Holter: 16º Capitulo
As almas quando se amam nem a morte as intimida, regressam aberço novo,e encontram-se noutra vida.
16º Capitulo
Uma semana se passou depois de ter revelado a minha verdadeira identidade a Deo, e uma semana depois eu ainda me surpreendia com a reacção dela.
–Eu sabia que tinhas algo de especial. Toda a gente vê que tu tens algo de diferente. E para além demais, os teus olhos denunciam-te. Mas parece que apenas eu vejo. O teu segredo está seguro comigo, princesa.
Tinha sido tão fácil confiar nela.
"Impressionante."
Mas por outro lado, Liam e Juliana iam se casar.
"Eles estão felizes, Christa. Esquece. Segue tu também em frente."
–Christa?
Eu esfregava os pulsos e olhava-os perdida em pensamentos.
–Christa?
Jack sentou-se na cama e levanto-me a cabeça assustando-a.
–Jack? O que se passa?
Ele sorriu um pouco.
–Eu não sei. Estavas com a cabeça na lua. Ainda bati á porta mas tu não me ligaste. O que se passa?
Dei de ombros e esfreguei a marca do pulso direito.
–Apenas a pensar.
Jack pegou-me no pulso e acariciou-o.
–São lindas.
Frangi a testa.
–Achas? Eu acho-as horrorosas.
Ele riu e levou a mão á marca do pescoço. Tremi um pouco com o contacto.
– Um pouco, mas elas mostram força e coragem. Nessa espectativa, elas são lindas e verdadeiras.
–Por essa espectativa… tens razão. Mas não deixam de ser horríveis.
Ambos rimos.
–Estás melhor?
–Sim. Foi apenas o impacto da realidade.
–Ele não era apenas um amigo, pois não?– Perguntou Jack delicadamente.
–Não. Ele nem chega a ser um amigo. Era mais como um conhecido. Mas vamos falar de outra coisa.
–Tudo bem. Eu preciso que sejas sincera comigo.
–Tudo bem.
–O que achas das nossas habilidades de luta?
Levantei as sobrancelhas e dei um sorriso torto.
–Foi o Ky que te pediu para perguntar, certo?
Ele assentiu e deu uma pequena risada.
–Certo.
–Eu acho que tendes talento.
–Fala sério.– Pediu rindo.
–Estou a falar a sério! Sois melhores que muitos Guardiões.
–Eles têm mais possibilidades.
–Mas vocês tendes uma vantagem. Sabeis como lutar contra o inimigo. Sabeis o quê é lutar em campo. Eles apenas saberão quando se tornarem guardiões completos. Acredita quando digo, que sois melhores que muitos deles.
–Achas que os venceríamos?
–Plenamente. Porque nunca vos tornastes Guardiões?
Ele deu de ombros.
–Eu era para me tornar, mas ai meu pai morreu e não queria deixar minha mãe sozinha. Riley nunca gostou da ideia de conviver com riquinhos com mania que são melhores que os outros. Então ficamos por aqui. Aprendemos tudo sozinhos. Errámos muitas vezes, mas logo aprendemos. Dois anos depois apareceram os gémeos. Eles viviam na rua, depois de os pais deles os abandonarem e eles eram incríveis lutadores juntos. Então ficamos os quatro.
Sorri.
–Isso é incrível. A vossa história é incrível.
Ele voltou a dar de ombros e sorriu.
–Os gémeos ficaram a viver connosco e os pais de Riley deixaram que ele ficasse connosco. Ele visita-os de três meses em três meses.
– Deve ser difícil ter o filho longe.
–Sim. Eles mimam-no sempre que lá vai. Ele tem duas irmãs mais novas, e mesmo que ele não admita, é difícil para ele estar longe delas.
–Imagino.
"Nunca fiquei tanto tempo longe de Connor. Como ele estará?"
–Também tens saudades.– Afirmou Jack vendo o desânimo em minha cara.
–Imensas. Connor criou-me. Nunca estive longe dele mais do que uma semana.
–Ele deve estar louco á tua procura. Não era melhor se lhe dissesses pelo menos que estás bem?
–Talvez. Mas ele é esperto. Se fizesse isso ele logo descobriria onde estou. É melhor assim.
Jack sorriu tristemente e acariciou-me a mão.
–Tenho uma proposta para te fazer.- Disse depois de um tempo.
–Á sim? E qual é.
–Quero te levar a um sítio.
–Estamos em guerra e tu queres levar-me a passear?– Perguntei sorrindo.
–Temos tempo para uma pausa e queria mesmo mostrar-te aquele lugar. É para onde vou, sempre que penso no meu pai.
Lambi os lábios e assenti.
–Ok. Quando?
–Amanhã.
–Tudo bem. Vamos passear.
•Na manhã seguinte podia sentir Jack animado e um pouco misterioso. Apenas ri e me deixei levar por aquela sensação.
–Chegámos.– Avisou Jack parando o carro.
Inclinei-me no banco e espreitei pelo vidro.
–Neve. Muita dela.
Jack riu e passo-me um casaco.
–Sim. Mas o que eu te quero mostrar está mais á frente, temos de ir a pé.
Saímos depois de vestirmos os casacos e andamos pela neve.
–Não sei como consegues andar aqui.- Disse equilibrando-me.
–Estou habituado. Vamos, eu ajudo-te.
Jack segurou-me perto dele e continuamos a andar.
Pouco depois, tínhamos chegado.
–O meu deus, Jack! É lindo.
Jack sorriu-me.
–Eu sabia que ias gostar.
–Gostar? Eu amei. Cresci no calor, apenas tinha visto neve uma vez. Não fiquei tempo suficiente na Academia para ver nevar.
Andei mais até á falésia e sorri para a paisagem branca. A cidade estava coberta de neve. Tudo brilhava por causa do sol como se fosse magia.
–Nunca vi nada mais belo.- Disse com emoção.
–Eu já.- Disse Jack atrás de mim.
O corpo dele estava quente atrás de mim, fazendo-me tremer.
–Á sim?
–Sim.- Sussurrou no seu ouvido voltando a dar-me arrepios.- Christa?
Pegou-me na mão e virou-me para ele.
–Sim?
–"Nunca diga te amo se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo."
Sorri.
–Mário Quintana.
Jack sorriu e assentiu.
–Sabes porque gosto deste poema?
–Porquê?
–Porque descreve o medo que ele tinha de sofrer por amor. Ele fala sobre o verdadeiro amor dizendo para nunca mentires sobre o que sentes. Se amas, diz, mas se isso nunca acontecer, não digas que o queres. O que dói mais quando sabemos que alguém que amamos, não sente o mesmo por nós?
–Eu sei o que é isso.
Jack levantou-me no olhos com a mão delicadamente no meu queixo.
–Sofrer nunca faz bem a ninguém. Mas se sofremos é para aprendermos a não cometer outro erro como aquele. Talvez ele não seja o tal. Porque amar, é preocupar-se com o outro, é estar lá para ele sempre, é não mentir, demonstrar e principalmente não fazer tristeza.
–Tu tens razão, sabes? De que vale sofrer se não era para ser?
Jack sorriu e beijou-me na testa.
–Anda, vamos nos assentar.
Sentámo-nos na manta que Jack tinha trazido e olhamos para o horizonte.
–Quem te ensinou poesia?– Perguntei-lhe.
–Meu pai. Ele dizia-me que a melhor forma de conquistar o coração de uma mulher, era pela poesia.
Ri.
–E ele tinha razão. Foi assim que ele conquistou a tua mãe?
Jack sorriu e assentiu.
–Sim. Foi mais pelo poema de Chico Buarque “ Eu te amo”.
– Já li esse poema em Literatura. É lindo o poema. Um bocado explicito de mais, mas lindo.
Jack riu e olhou-me nos olhos.
–Eu decorei mais outro para ti.
–Quero ouvir.– Disse animada.
Jack riu de novo e concentrou-se nos meus olhos cinzentos enquanto eu o observava com emoção.
–"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"
Abracei-o e fechei os olhos.
–Obrigado, Jack.
–Não faz mal anjo. Não me importo. Mas também tens de dizer uma.
–Não quero.- Disse fazendo uma beicinho.
–Só um. Pequenino.
Suspirei derrotada.
–"Eu amo tudo o que foi. Tudo o que já não é. A dor que já não me dói. A antiga e errónea fé. O ontem que a dor deixou. O que deixou alegria. Só porque foi, e voou. E hoje é já outro dia."
–Fernando Pessoa?
–Certo.
–Eu sabia.- Disse piscando o olho.
–Posso te perguntar uma coisa?
–Sempre.
–Quantos anos tinhas, quando o teu pai morreu?
–10. Ele era Guardião e visitava-nos de tempos em tempos. Ouve uma luta e ele acabou por morrer. Minha mãe ficou devastada e eu sabia que queria vingança. Queria destruir as coisas que o mataram. Então não fui para o Campus mesmo depois de ter entrado, e fiquei por aqui. Estava com presa.
–Temos mais em comum do que imaginei.- Murmurei.
–Sim? Como em quê?
–Bom, na forma como lutas. Entregas-te a uma luta, faz-me lembrar de mim. E quiseste vingança quando os Strigois mataram alguém que amas, eu fiz o mesmo. Bem ainda estou a fazer. E claro, adoras lutar.
Ele ficou pensativo e um sorriso começou a aparecer.
–Sim, temos muita coisa em comum.
–Hmm, hmm.
–Christa?
Olhei-o calmamente.
–Sim?
–Seria muito mau seu eu…
Ele inclinou-se devagar atento á minha reacção..
"Eu quero isto?"
Jack era doce, bonito, leal, inteligente, verdadeiro, confiante, corajoso e divertido.
Tão diferente de Liam.
"Que mal é que tem?"
E então, aconteceu.
Lábios com lábios.
Devagar e docemente, sentia-me segura.
Desejada.
Querida.
Jack segurou-me a cara delicadamente como eu me pudesse se partir.
Não era o mesmo que beijar Liam, estava longe disso, mas era igualmente seguro.
–Jack…
–Eu sei. É muito cedo. Ainda não é a hora.– Ele sorriu e encostou a testa com a dela- Mas eu ficarei á espera. Podes ter a certeza disso. Por ti, sempre.
Dei-lhe um pequeno sorriso e beijei-o na cara.
–Obrigado, Jack. Por tudo.
No próximo capitulo de Monsul Academy: Mentiras...
–Tens de ir mais devagar.
–Que fazes ai?
–A pensar.
–Tenho todo o direito de saber se algum filho da mãe a magoa. Principalmente para me poder vingar.
–Eu gosto dela, Cristo!
–E pelo outro lado vais casar com Juliana.
–Achas que tenho medo de ti?
–Devias ter.
–Ninguém, jamais, magoa Christa e saí ileso!
–Não tens ideia de quem eu sou.
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