Monsul Academy

5 Christabell Holter: 5º Capitulo


A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.

Charles Chaplin

5º Capitulo

No capitulo anterior de Monsul Academy....

–Quem teria a insolência de se meter comigo?

– Eu!

– Tu? E quem és tu?

–É a Christa Holter.

–Tu és uma lenda para todos nós.

– Posso ensinar às duas.

–Ele morreu, e ela não fez nada para o salvar. Ela. Deixou-o. Morrer.

– Cristo teve uma visão de Strigois no Sul. Achamos que Mike pode estar entre eles.

Mais tarde, Bia e Emma foram ter comigo. Por sorte, tinha conseguido limpar-me a tempo de elas não verem que estive a chorar. Mostrar-me frágil nunca era a minha cena.

Convidaram—me para ir almoçar, mas recusei. Não só porque não me apetecia ver Juliana nem Liam, mas também porque depois do telefonema de Mel, só conseguiria pensar em como iria sair dali.

Faltavam muitos pormenores para tratar.

Uma semana se passou desde o telefonema de Mel. Nós as duas tínhamos passado os dias a combinar como nos encontraríamos.

E não passaria deste fim-de-semana.

Só faltava a autorização.

Christabell: Podias ligar á Sra. Ross e dar-lhe permissão para eu poder sair amanhã? Combinei encontrar-me com Mel, a Sarah e os rapazes em Portland.

Connor: Claro, miúda. O que ides fazer?

Christabell: Apenas por a conversa em dia e matar saudades.

Connor: Vou ligar para ela agora mesmo. Precisas de dinheiro?

Christabell: Não é necessário. OBRIGADO!!!!

_____________________________________________________________

Christabell: Isco lançado. Só espero que ele morda.

Melissa: Nós já temos a autorização para sair. E também já temos o dinheiro, apenas estávamos á tua espera. Como Connor reagiu?

Christabell: Ele acreditou. Só tou á espera da resposta da directora.

Melissa: Tomara que não demore

Minutos depois bateram á porta do quarto.

– Entre!

– Christa, a Sra. Ross mandou avisar-te que tens permissão para sair amanhã. Apenas tens que dar este papel no portão e podes ir.– Explicou Ella dando-me o pedaço de papel.

– Obrigado.

Ella saiu com uma pequeno sorriso e deitei-me na cama de novo com o telemóvel sorrindo.

Christabell: O peixe mordeu o isco. :)

Melissa: :) Ainda não acredito. Hó meu deus!

Christabell: Então passa a acreditar. Amanhã por esta hora estaremos bem longe de qualquer Guardião.

Melissa: :) :) :)

Na manhã seguinte a minha adrenalina estava em alta. Não acreditava que iria embora assim. Connor, quando soubesse iria matar-me mas valeria a pena. Mas com sorte Mike estaria comigo, ou pelo menos quem o matou estaria morto.

Eu sempre ficava a ganhar.

Não sabia quanto tempo iríamos ficar desaparecidos, mas sabia que depois de termos fugido, mesmo que não encontrem nenhum de nós, nunca mais poderíamos voltar. Tínhamos de ir e não voltar.

Peguei uma mochila com que tinha enchido com roupas e sai do quarto. O quarto que nunca mais voltaria a ver.

Emma e Bia estavam na pequena cozinha a conversar.

– Ei! Onde vais? – Perguntou Bia.

– Vou passar o dia com uns amigos.

– Tens autorização? – Perguntou Emma assoprando o café.

– Tenho. – Mostrei o pedaço de papel.

– Porreiro. Não te esqueças que domingo, vamos começar com os treinos.

– Não me esqueço.

"Idiota, Christa."

Droga, sentia-me tão mal. Tínhamos virado amigas. Mas tinha outros amigos que precisavam de mim agora. Amigos que me conheciam á muito. Talvez um dia voltassem a vê-las. Se elas me perdoassem.

Ao chegar ao portão vi Liam e Juliana na maior marmelada, encostados a um Ford prateado.

"Pelo menos podiam arranjar um quarto. Nojento."

– Autorização? – Perguntou o Porteiro.

– Aqui está.

Enquanto ele via o papel, eu rezava para que ele não conseguisse ouvir o meu coração que batia mil á hora. Mas afinal, eu derrotei Strigois com o dobro do tamanho dele, porque estava tão nervosa por um porteiro?

– Vai passear, a belezura?

Não precisava-me virar para saber quem estava atras de mim. Só com cheiro a pastelaria que pairava no ar, eu sabia que era Liam.

Não me perguntem como eu sei como ele cheira.

Não me atrevi a responder. Aquele idiota. Tinha-o evitado toda a semana, a ele e á Juliana. Apenas os vi na aula, e nem sequer um olhar lhes transmiti. Eu nunca desceria tão baixo.

Mas descobri uma coisa. Eles estavam bem um para o outro.

– Tudo certo. Podes ir. – Disse finalmente o Guarda.

– Obrigada. – Disse sobre o ombro andando logo. Queria ver-me fora dali o mais rápido possivel.

O caminho até Portland ainda era grande. O único jeito que havia de sair dali era ou de carro ou de comboio. Carro ainda não tinha, comboio tinha de ser.

Quando o comboio finalmente parou, mandei uma mensagem a Mel.

Christabell: Cheguei. Onde nos encontramos?

Melissa: Eu a Sarah e o Josh fomos comprar mantimentos. Cristo está á tua espera no café ao lado do shopping, nós depois vamos lá ter. Bjs.

O Shopping ficava a apenas uns minutos da paragem, por isso, fui a pé. Sempre amei caminhar. Fazia-o muitas vezes com minha mãe e Connor e esse hábito nunca desapareceu.

Quando cheguei ao café logo vi Cristóvão pela vitrina. Continuava o mesmo.

Mal entrei no café o cheiro a pastelaria encheu o ar.

"Isto não está a acontecer."

Liam e uns colegas estavam sentados numa mesa perto da porta. Assim que me viu sorriu.

"Sacana."

Ou o meu coração não estava a bater ou eu deixara de respirar.

Ou talvez as duas coisas.

Liam, ia a levantar-se para ter comigo até que Cristóvão me chamou me acordando e salvando.

– Chris!

Tentei disfarçar e segui até á mesa onde Cristo estava. A calma aqui era importante. Não chamar as atenções. Como no campo de batalha.

"Concentração Christa. Tu trabalhaste para isto."

– Ei! – Disse sorrindo.

– Eu disse que nos íamos voltar a ver miúda.

Levantou-se e abraçou-me apertado. Não demorei para retribuir.

– Temos um pequeno problema. – Sussurrei-lhe ao ouvido.

Assentei-me de frente para ele pegando-lhe nas mãos.

– O que se passa?

– Estas a ver os rapazes que estão sentados naquela mesa?

– Sim. O que têm?

– São alunos da Academia.

– Achas que eles podem ser um problema para nós?

– Talvez. Mas eles não sabem o que estamos a fazer. Apenas que estou a conversar com amigos.

– Bem. Vemos isso melhor quando eles chegarem. Agora vamos falar de ti. Como tens estado?

– Complicado.

– Assim com tantas saudades de mim? – Disse encostando-se no banco com os braços cruzados atras da cabeça.

"Deus como tive saudades."

– Não sejas tão convencido.

– Não tiveste saudades minhas? – Perguntou fazendo cara de choro e riu.

– Ai! – Sai do banco e sentei-me ao lado dele. – É claro que tive saudades tuas. – Disse segurando-lhe a cara entre as suas mãos. – Mas não é isso. – Disse voltando-me para a mesa.

– Então o que é que deixou a minha melhor amiga com o astral em baixo. Diz-me que eu parto-lhe a cara.

Sorri comovida por saber que podia contar com ele e olhei-o.

– Há certos pormenores na minha vida que agora, estão uma confusão. Apenas isso. – Disse encolhendo os ombros.

– Em breve tudo vai voltar ao que era. – Pôs o braço meu ombro. – Estaremos todos de novo juntos. Vais ver. Se tivéreis razão. Em breve vamos voltar a estar todos os 6.

Assenti com um pequeno sorriso.

"Todos os 6. De novo. Isso soa bem."

Minutos depois Sarah, Mel e Joshua entraram no café.

– Chris, Chris, Chris. Hó meu deus que saudades – Sai debaixo do braço de Cristo e abracei Sarah.

– Agora é a minha vez. – Disse Mel aos saltinhos.

Sarah afastou-se e pude abraçar Mel.

– Tive tantas saudades miúdas.

– Nós também. – Disseram Sarah e Mel em uni som.

– Então e eu!? Só tiveste saudades delas? Eu sou preto? – Josh estava a fazer de burro de carga. Estava repletos de sacos.

"Obras de Mel."

– É claro que não, seu idiota. Também tive saudades tuas.

Abracei-o e ri quando ele me levantou do chão. Josh era muito grande para a sua idade.

– Bom. Agora que as saudades estão matadas vamos ao que interessa. – Começou Mel.

– Espera um pouco. É melhor falarmos noutro sítio. – Sugeriu Cristo.

– Porquê? – Perguntou Sarah.

– Estais a ver os rapazes ali atrás? – Perguntei.

– Sim. Uhh, até são giros. – Disse Sarah olhando pra trás.

– Então e o loiro? Nunca vi um rapaz assim. Parece tão selvagem. – Disse Mel com um olhar faminto.

– Há! Mulheres! – Reclamou Josh.

– Bom. Eles são Guardiões. Andam comigo na Academia.

– Isso é um problema. – Disse Mel de repente longo mudando de expressão.

– Por isso mesmo. Temos de ir para outro lugar. – Despachou-se Cristo levantando-se.

Um a um começamos a levantar-nos e a saímos do café. Antes de eu passar pela porta dei uma última olhada encontrando os olhos do Liam e o seu famoso sorriso. Ao vê-lo lembrei-me no dia em que Juliana me acusou de ter deixado Mike morrer. Uma lembrança que eu queria manter longe.

E em breve estaria longe de todas aquelas lembranças. De todos eles.

– Quanto tempo falta?– Voltou a perguntar Josh.

– Chegamos a Detroit daqui a 1h: 30h. – Respondeu Sarah.

– Isto é um inferno. – Bufou Josh levantando-se do banco do comboio e começado a andar de um lado para o outro.

– Apenas entramos no comboio á duas horas. – Disse Mel, sem tirar o olhar da revista.

– Odeio ficar muito tempo sem fazer nada. Cristo, vai uma luta?

Cristóvão estava deitado no banco, com a cabeça em cima das minhas pernas quase no mundo dos sonhos.

– Estás num comboio. – Mostrou Cristo com os braços.

– E depois? Já lutamos em sítios mais apertados. E não está cá ninguém.

– Faz uma soneca, porque eu vou fazer o mesmo. Acorda-me quando chegarmos. – Pediu-me tirando-me o capuz da frente dos olhos.

Assenti e voltei a pôr o capuz, tapando-me o olhar de novo.

– Vá-la, alguém! Sarah?

– Sou uma viajante, não um Guardião.

– Mel?

– A Taylor Smith cortou o cabelo! – Respondeu irritada.

– AAAAAH! – Gritou Josh.

– Christa! – Pediu Cristo.

– Já sei. – Levantei-me e fui ter com Josh.

Enquanto ele estava de costas para mim, aproveitei para o fazer cair para a frente batendo com a cara no chão.

– AU! PARA QUE FOI ISSO? – Choramingou.

– Não querias lutar?

– Sim mas…– Josh olhou para mim antes de continuar. – Perdi a vontade. Acho que vou fazer uma sesta. – Desculpou-se deitando-se em dois bancos.

Os restantes riram e eu voltei para o meu lugar.

"Meu amado e cobarde amigo."

– EU estou é a morrer de fome. – Reclamou Sarah.

– Yeah. Eu também. – Concordou Cristo.

– Quando chegarmos é melhor encontramos um local para dormir, depois comemos. – Sugeri.

Duas horas depois estávamos a andar nos enormes caminhos de Detroit. Era incrível de descobrir se não estivéssemos em trabalho.

– Alguém tem um mapa? – Perguntou Mel.

– Eu tenho no telemóvel. – Sarah tirou-o do bolso e olhou para a tela. – Ok. Viramos agora á direita e depois á esquerda.

Assim o fizemos. Encontramos uma pequena pensão rústica com um pequeno jardim á frente.

– Boa tarde. – A recepcionista era uma mulher nova com um cabelo castanho atado num rabo-de-cavalo.

– Boa tarde. Queríamos saber quanto levam por um quarto? – Perguntou Mel

– Depende. De casal ou individual?

– Casal.

– De casal são 50 € por dia. Refeições não incluídas.

– Queríamos 2 quartos, por favor.

– Quarto 37 e 38. Aqui está. – A recepcionista entregou-lhe duas chaves e um papel que Mel assinou. – Bem-vindos.

– Obrigado.

Os quartos ficavam no 3º andar. Apenas havia uma cama e um banheiro em cada quarto.

– Bem meninas. Vamos ter que partilhar a cama. A não ser que alguma queira dormir no chão? – Brincou Mel desabando na cama.

– Não obrigada. – Dispensei desabando ao seu lado.

– Sim, não me importo de partilhar. – Disse Sarah desabando do outro lado de Mel.

– Como estarão os rapazes? – Perguntou Mel.

– Eles são apenas dois. Têm mais espaço que nós. – Disse.

Minutos depois os rapazes bateram á porta.

– Então. Vamos comer? – Perguntou Josh.

– Vamos nessa. – Sarah saiu aos saltinhos do quarto e eu e Mel segui-mo-la.

Encontramos uma lanchonete a pouco minutos da pensão e entramos.

– Para mim pode ser… um cheesecake e um suco de morango. – pediu Mel.

– Eu quero uma sandwich e uma 7up. – Pedi.

– EU quero duas e uma coca. – Pediu Cristo.

– Eu quero uma e um Orange Julius. – Pediu Sarah

– Agora eu. Para mim vai um cheeseburger com bacon e fritas, um sandwich de bacon e queijo e uma coca. – Pediu Josh fechando a ementa.

A garçonete sorriu e saiu para o balcão.

Minutos depois voltou com os pedidos.

– Obrigado.

Josh e Cristo atacaram a comida como se não comessem á um ano.

– Credo. – Espantou-se Mel.

– Rapazes. – Bufou Sarah

Eu apenas sorri. Vivera toda a vida com um rapaz e percebi que o estômago deles é diferente. Ou isso ou têm um buraco em vês do estômago. Das duas, uma.

– A que horas actuamos? – Perguntou Cristo tomando um gole de coca.

– É melhor á noite. Á menos gente na rua e provavelmente é quando eles saem.

No próximo capitulo de Monsul Academy...

– Tens a certeza que é aqui?

– Hó deus.

– Achas que eles estão lá?

– Só á uma maneira de descobrir.

–CRUZES! O que morreu aqui?

– Baixa!

– Sabes onde ele está?

– Deixa-me coisa feia.

Notas finais
Mais uma capitulo para vocês BEIJOS MEUS