Monsul Academy
14 Christabell Holter: 14º Capitulo
Só há uma maneira de lutar contra o poder: é sobreviver-lhe.
14º Capitulo
No capitulo anterior de Monsul Academy...
–Temos de saber onde nos vamos meter, saber o que nos rodeia antes de irmos de cabeça para a morte.
– Já te disseram que és óptima em auto-estima?
– Qual deles é melhor?
– Como mataria uma Salmfire, se elas são imunes á magia e apenas tenho como arma, um punhal ou uma estaca?
– Podeis ficar com elas.
–Que queres, Liam?
– Estás louca, Pocahontas.
– Amanhã á mesma hora.
De manhã levantei-me e esperei por Emma e Bia na sala de estar.
– Bom dia. – Disse radiante quando ambas entraram.
Emma tinha olheiras debaixo dos olhos e Bia bocejava de olhos fechados.
– Vamos lá dorminhocas, não é assim tão cedo.
– Para ti talvez não. – Resmungou Emma.
Sorri e comecei a andar até o ar doce da manhã.
– Vamos começar com uma corrida para acordar.
Bia e Emma resmungaram mas começaram a correr atrás de mim. Durante o caminho Bia tropeçou algumas vezes mas levantou-se sempre. Depois de 3 corridas dadas á Academia decidi parar.
– Muito bem. Acordadas?
Bia inspirou e esfregou os joelhos dos jeans sujos de terra.
– Com alguma nódoas negras mas tirando isso acho que acordei.
– Emma?
Emma deu de ombros.
– Sim, acho que resultou. Mas ainda não me importava de estar deitada na minha caminha.
Revirei os olhos e tirei a mochila que trazia das costas.
– Então o que vamos dar hoje? – Perguntou Emma.
Dei uma garrafa de água a cada uma e olhei para elas.
– Melhorar os vossos sentidos.
– Os meus sentidos estão muito bons. Acho que sei o básico. – Disse Bia.
– Sabes?
Ela deu de ombros e assentiu.
Sem avisar tirei uma adaga da mochila e agarrei Bia por trás pressionando a adaga na sua garganta.
– Qual era o sentido que devia estar á alerta?– Perguntei voltando para a frente delas.
–Visão. – Disse.
– Não. Era a audição. Nós podemos sentir quando alguém nos vai atacar sem ser preciso ver. No local escuro a visão não será muito útil a não ser que tenhamos visão nocturna.
Elas assentiram.
– Muito bem. Eu trouxe alguns brinquedos.
Peguei nas adagas e nas estacas e mostrei-lhas. As minhas meninas.
– Onde arranjas-te isso? – Perguntou Emma animada.
– São minhas. Connor dá-me uma por cada batalha que fiz.
– São imensas. – Emma tocou nelas, apaixonada.
– E vamos brincar com elas, mas primeiro preciso que fortaleceis os vossos sentidos.
Pus as armas na mochila e virei-me de novo para elas.
– Fechai os olhos.
Elas fizeram.
– Relaxem. Inspirai e expirai, inspirai e expirai…
– Ok. Christa parece como se tivemos a entrar em parto. – Disse Emma.
Eu e Bia rimos e cruzei os braços atrás das costas.
– Isto é para vocês, percebereis o que está ao vosso redor. Vá. Outra vez.
Deixei-as fazer o exercício durante uns 10 minutos.
– Já está? – Perguntou Bia.
– Sentistes alguma coisa?
– Nada, apenas silencio. – Disse Emma.
– Apenas silencio? Nada mais?
– Não. Nada. – Concodou Bia.
– Abrande os olhos. – Elas olharam-me e esperaram. – Tendes de vos concentrar. Nós não estamos sozinhas. Onde estamos dá para se ouvir uma cachoeira a uns 20 metros daqui, 5 pássaros na árvore atrás de vocês e um par de coelhos que anda para ali a fazer besteiras. – Apontei para o arbusto do lado direito de Bia. Segundos depois dois coelhos castanhos correram para longe.
– Uau! – Disse Emma.
– Também podeis fazer isso. Se não conseguem descobrir coisas simples como isto, encontrar o vosso inimigo vai ser 10 vezes pior.
– É que… não é assim tão simples. – Disse Bia
– Eu sei. E para isso é que eu vos estou a treinar. Nem tudo é fácil mas podemos diminuir o grau de dificuldade se trabalharmos para ele.
Elas assentiram.
– Outra vez. – Disse Emma.
Sorri e elas fecharam os olhos. Peguei num punhado de pedras e atirei-as entre Emma e Bia.
– Podeis abrir. – Disse depois de dois minutos. – O que ouvistes?
– Pedras a caírem. – Disse Bia.
– Foste tu que as mandas-te. Eu… senti. – Disse Emma.
Sorri orgulhosa e virei-me para Bia.
– Também havia um cuco naquela árvore. – Disse Bia.
Assenti.
O cuco não fez barulho algum o que complicou, mas ele estava lá.
"Estão aprendendo."
– Ele está quieto a olhar-nos. – Disse.
Bia e Emma olharam para o cuco e depois para mim.
– E está. – Concordou Bia.
Emma riu e esfregou a cara.
– Isto é um máximo.
– Vamos continuar. Sabeis quais são os cinco sentidos, não é?
– Claro. Tacto, paladar, olfacto, visão e audição. – Disse Bia.
– E qual deles podemos usar para sobrevivermos?
– Audição, visão e olfacto.– Disse Emma.
Olhei para Bia que concordou.
– Errado.
– O quê?! – Perguntou Emma incrédula.
– Precisamos de todos eles. É por isso que temos cinco sentidos e não três, porque precisamos deles.
– Mas… espera ai. A audição, a visão e o olfacto eu até percebo porque precisamos deles, mas o Tacto e o paladar não. – Disse Bia.
– Simples. Fecha os olhos Emma.
Emma fechou os olhos e esperou.
Tirei uma adaga e uma estaca da mochila e cheguei-me perto dela. Entreguei-lhe a estaca.
– O que é?
Emma apalpou-a durante um tempo.
– Uma estaca?
– Certo.
Então peguei num ramo grosso e dei-lho.
– E isso?
– Um pau.
– Abre os olhos. – Quando ela os abriu prossegui. – Se não tivesses o tacto saberias o que era?
– Não, mas isso implicava não ter mãos.
Assenti.
– Algumas pessoas já não têm essa sorte. Nós temos e precisamos do tacto como dos outros. Se não nunca saberíamos se estávamos a pegar em um ferro ou numa vara de plástico no escuro.
– E o paladar? – Perguntou Bia.
– Não nos vais por a comer terra pois não? – Brincou Emma.
Ri. Era uma sugestão tentadora mas muito, muito nojenta. Se fossem outras pessoas eu ainda pensaria nisso, mas Emma e Bia são minhas amigas e pessoas incríveis.
– Ainda não.
Emma olhou-me assustada.
– Tem calma. Não é nada tão drástico. É simples aliás. Por exemplo: com o paladar podemos saber se fomos envenenados ou não. Temos essa capacidade para saber o que é doce ou salgado podendo assim diferenciar alguma comida que nos possa levar á morte.
– Faz sentido. – Disse Bia dando de ombros.
– Se pões as coisas dessa maneira…– Murmurou Emma.
– Então? Olfacto. Cheirem e digam o que sentem.
Elas cheiraram.
– Terra…
– Molhada. – Acabou Emma.
– Apenas isso?
– Orvalho. – Disse Bia.
Assenti e pediu que continuassem.
– Hmm… floresta. Sei lá. – Disse Emma.
– Cheira também a chuva. O que quer dizer que choveu ou vai chover.
– Podemos ver se vai chover ou não apenas por cheirarmos? – Perguntou Bia.
– Claro. O ar começa a ficar mais carregado e até os sons dos animais são diferentes.
Elas assentiram e eu continuei.
– Mas o que vos estava a faltar está precisamente ao vosso lado.
Emma e Bia olharam ao redor confusas.
– Não há cá nada. – Disse Emma franzindo a testa.
– Fezes.
– Fezes? – Perguntou Bia com repulsa.
– Exacto. O que apenas significa que andam cá animais o que não é de estranhar. É nojento? Sim. Mas também vos pode ajudar. Se tivéreis perdidas na floresta sem comida ou água podeis cheirar. Se cheirar a chuva, á agua por perto e se cheirar a fezes á animais.
Emma tremeu de nojo.
– Vamos continuar, vamos continuar. – Disse depressa.
– Visão. Olhem ao redor.
– Feito. – Disseram depois de um tempo.
– Fechem os olhos. Emma o que está atrás de mim?
– Hmm… árvores.
Suspirei dramaticamente.
– Adivinhas-te isso como espertinha?– Brincou.
Elas riram e voltei a pedir.
–Um pássaro.
– Aonde?
–Na árvore atrás de ti, no segundo ramo da tua direita.
– Que tipo de pássaro?
– Sei lá. Não percebo nada disso.
– Que cores ele tem?
– Hmm, verde e amarela.
– Bia?
– Sim.
– O que está atrás de Emma?
Bia ficou calada durante um tempo.
– Um arbusto com frutos silvestres.
– Mais?
– Há uma pequena poça ao lado com lama.
– Sim…
– Não me lembro de mais nada.
– Abrão os olhos. – Elas fizeram – Emma, o pássaro era branco e verde mas é quase isso. Bia parabéns.
Bia bateu palmas entusiasmada.
–Isto até é giro.
– Aqui é fácil porque há poucas coisas que podemos descrever, mas em cidades a coisa complica. Temos de saber onde nos vamos meter, saber o que nos rodeia antes de irmos de cabeça para a morte.
Bia revirou os olhos.
– Já te disseram que és óptima em auto-estima?
Sorri de orelha a orelha e lancei uma estaca a Emma e um punhal a Bia.
– Qual deles é melhor?
– O punhal. – Disseram juntas.
– Porquê? – Perguntei cruzando os braços.
– Então porque tem uma lâmina e será mais fácil matar com ele. – Explicou Emma.
– E se o teu atacante for um Strigoi?
– O punhal. – Respondeu sem pensar.
– Se fosse uma Salmfire?
– O punhal.
– Resultaria?
– Eu… acho que sim.
– Como se mata uma Salmfire?
– Arrancando a cabeça. – Respondeu Bia com desdém.
– Ou arrancando o coração.- Sugeri.
– A cabeça é melhor.- Advertiu Emma. – É mais higiénico.
"É verdade."
– Sem dúvida. Mas achas que conseguirias arrancar-lhe a cabeça com um punhal?
– Talvez não.
– Não ias mesmo.
– Então levamos um espada. – Disse Bia dando de ombros.
– Uma espada é grande e nem sempre terás uma á mão. Um punhal e uma estaca podem andar sempre contigo, mas uma espada faria suspeitas.
– Então como? – Perguntou Emma.
– Dizei-me vocês. Como mataria uma Salmfire, se elas são imunes á magia e apenas tenho como arma, um punhal ou uma estaca?
Elas ficaram sérias e perdidas nos seus pensamentos por momentos. Não era uma pergunta simples mas a resposta esta mesmo á mão.
– Quero a resposta amanhã se não vão dar 5 voltas á academia para cada uma.
Bia arregalou os olhos.
– Não, não, não. Nós vamos descobrir. – Prometeu.
– Sim, só não sei como. – Murmurou Emma.
– Podeis ficar com elas. – Disse apontando para a estaca e para o punhal.
– Obrigado! – Agradeceu saltando Emma animada.
"Miúda sanguinária, mas uma boa miúda."
– Vamos lá.
Durante todo o dia, Emma e Bia ficaram a pensar na minha pergunta. Quando chegou a altura de ir arrumar o vagão, Emma e Bia estavam perdidas entre os livros na biblioteca.
Despedi-me delas, mas duvido que elas me tivessem ouvido.
No vagão tudo era silencioso e muito poeirento. Peguei em três livros quando ouvi alguém atrás de mim.
– Já não chega ouvir as minhas conversas e ficares a ver as minhas aulas ainda tens que me vir chatear?
– Como sabias que era eu?
– Da mesma forma que sabia que estavas em cima da árvore hoje de manhã. – Disse sem me virar.
– Tenho que admitir, foi impressionante.
Arrumei os livros sem me importar com aquele idiota.
– Francamente nunca pensei que pudesses saber tanto.
– Que queres Liam? – Perguntei virando-me para o enfrentar.
Ele estava encostado á mesa vestindo jeans e uma t-shirt preta apertada ao peitoral. Os olhos brilhavam de formas esquisitas e ele sorria como se guardasse um mistério.
"Idiota. Um bonito idiota, mas um idiota."
– Sabes as aulas que estas a dar á Emma e á Biana? Eu também quero.
"Estou nos apanhados?"
– Estás a brincar certo? Porque diabos, achas que eu te ia ensinar alguma coisa? Ainda mais depois de me teres ameaçado.
Ele desencostou-se da mesa.
– Porque se não me ensinares eu vou contar tudo o que sei.
– Não te atrevias. – Disse secamente.
Ele levantou uma sobrancelha divertido.
– Ai não? Vamos ver então.
Ele começou a andar para a porta.
"Estúpido, canalha, idiota!"
– Pára! – Ele parou e virou-se para me olhar.
– Então?
Ele já sabia que tinha ganho.
– Eu odeio-te. – Fechei os olhos e respirei. – Ok. Eu ensino-te.
Ele sorriu glorioso.
"Palerma."
– Brilhante. E então Pocahontas? Quando começamos?
– Queres que eu te ensine, não é? Muito bem. Mas vamos fazê-lo á minha maneira.
Peguei num jarro e dei-lho.
– Para que quero isto?
– Põe na cabeça.
– Na cabeça? – Perguntou como se não tivesse ouvido direito.
– Sim.
– Estás louca, Pocahontas. – Disse pondo o jarro na mesa calmamente.
– É pena. Ou pões isso e começamos agora ou vais ter que esperar até eu ter tempo. Escolhe.
Ele olhou para mim e depois para o Jarro. Suspirando derrotado pôs o jarro na cabeça.
– Certo e agora?
– Equilibra-te. – Peguei nuns livros do chão e deu-lhos. – E tenta por estes livros na estante sem deixar cair o jarro ou os livros.
Para minha grande surpresa ele fez o que pedi.
Sentei-me na mesa e vi-o por o primeiro livro na estante sem muitas dificuldades. Quando ele ia para o terceiro desci da mesa e comecei o meu próprio trabalho.
Depois de alguns minutos em silêncio um som de vidro partido ecoou pela sala.
"Ó não, ó não. Por favor não."
– Ops! – Disse Liam dando de ombros.
Massajei as têmporas e olhei para o jarro feito em pedaços no chão. "Porque fui eu acreditar numa coisa tão frágil num bruto como ele?
– Ops? Estavas a ir bem porque raio no final é que vais estragar tudo?– Perguntei elevando a voz a cada palavra.
Ele deu de ombros descontraído.
– Acontece. Mas afinal para que serve isto mesmo?
– Equilíbrio Liam. Precisas de equilíbrio. Na aula perdes muitas vezes o equilíbrio, então precisas de o praticar.
Ele deu um sorriso malandro que fez uma sensação esquisita em mim.
– E desde quando reparas em mim, Pocahontas?
– Desde que és o meu parceiro e a minha nota depende de ti. E pára de me chamar assim!
Ajoelhei-me para apanhar os cacos.
– Pára, vais te magoar. E tens razão. Pocahontas é muito desenho animado. Como queres que te chame?
"Ele é louco?"
Olhei para ele, incrédula.
– Pelo meu nome, talvez.
– Christabell. – Disse fazendo o meu nome soar como se fosse outra língua.
– É o meu nome. – Voltei a apanhar os cacos.
– Christabell. É como se fosse a junção de cristal com bela.
Revirei os olhos e deitei os cacos numa caixa velha.
– Christabell Elixa de Abnara Holter.
Supresa, deixei cair um pedaço de vidro para o chão cortando-me no percurso.
–Bolas! Como que diabos, sabes o meu nome?!
Liam ajoelhou-se á minha frente e segurou-me no queixo.
– É um nome fofo, sabias? – Acariciou-me a bochecha com o polegar levemente.
– Como? – Exigi.
Liam, sorriu.
– Tenho as minhas fontes.
Suspirei e olhei para os meus dedos. Sangue pingava no chão. Levei-os á boca e levantei-me.
– Fontes?– Ri e encostei-me á mesa. – Deve ser deve.
– Qual é a graça? – Ele levantou-se e pegou-me na mão e examinou-a. – Não acreditas que tenho fontes? Eu disse-te para ficares quieta.
Puxei a minha mão de volta. Não gosto quando ele me toca. Mesmo nada.
– Acredito, acredito. Acredito que se a directora Ross descobrir sobre as tuas pequenas idas ao seu gabinete, não ficará muito feliz.
Ele sorriu convencido.
– Mas esqueceste que é a tua palavra contra a minha. – Ele cruzou os braços sobre o peito. – E eu tenho Juliana para me apoiar. Quem acreditará em quem?
Revirei os olhos.
– Como se me interessa-se o que eles pensam. O que eu queria dizer era, se quisesses saber apenas tinhas de perguntar. Não te garanto que vá responder, mas podias ter perguntado.
Ele pareceu pensar sobre o assunto.
– Então se eu te perguntasse de quem andas á procura, responderias?
Desencostei-me da mesa.
"Porque tanto lhe interessa isso?"
– Não. E duvido muito que vás encontrar isso nos registos.
Comecei a andar até á porta. Quanto mais depressa ficar longe daqui, melhor.
– Aonde vais?
– Embora.
Abri a posta e saiu para a noite.
– Bell?
Sem vontade virei-me para trás.
– O que foi?
– Para quando ficam as aulas?
Suspirei.
"A culpa era minha. Porque fui eu aceitar isto?"
– Amanhã á mesma hora.
Ele assentiu e eu pude finalmente, voltar para o dormitório.
No próximo capitulo de Monsul Academy...
– Também vou lutar com adagas?
–Enquanto não arranjares equilíbrio, não mexes em nada.
– Estás a ver a mesa?
– Estou.
– Vais saltar dai para lá e assim repetidamente.
– Isto é inútil.
–Tu acabas-te de me elogiar?
–Parece que sim.
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