Monsul Academy
12 Christabell Holter: 12º Capitulo
Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.
12º Capitulo
Nos capítulos anteriores de Monsul Academy...
–Mas tu também não és um guardião. Não por inteiro, não é?
–Sou um mago.
–O que é que dá jeito?
–Dá jeito especialmente quando tentas fugir.
– Estás a ameaçar-me?
– Nada disso. Apenas estou a avisar-te.
Ao fim do dia, vi-me feliz por me livrar das aulas e dos olhares de Liam. Eu ainda não sabia como, mas ia-me vingar dele.
Mas por agora, assim como prometera a Marissa, fui ter com ela.
– Ainda bem que vieste. – Disse sentando-se á minha frente na secretaria. – Tenho muito que falar contigo.
– Sobre o quê?
– Sobre ti. Sobre … principalmente sobre ti. Eu nunca fui muito de aventura, sempre preferi os livros, mas tenho de admitir que a tua história é muito melhor que qualquer livro.
– Obrigada.
– Pedi á Directora Ross que me desse a tua ficha e fracamente, fiquei chocada.
– É assim tão mau? – Perguntei confusa.
Mesmo que apenas a luta me interessasse, sempre fui boa aluna. Connor também o dizia, e muitas vezes. Ele era daqueles tipos que “ou estudas ou se foi a luta.”
– Não. É completamente fascinante! Tem lá quantos Strigois matas-te, as tuas notas, claro, também tem os teus dados… O que me surpreendeu. O Connor criou-te muito bem depois que tua mãe…
– Sim, eu sei.
Marissa sorriu tristemente pegou-me nas mãos.
– Nunca pensei que Connor seria capaz de cuidar dele quanto mais de uma criança. Mas bem, parece que me enganei. – Marissa tinha um ar de como se tivesse se a relembrar de algo.
– Conhece Connor?
– Conheço. Fomos melhores amigos quando estudamos aqui. Depois cada um se formou e seguimos caminhos diferentes. Eu fiquei psicóloga e ele Guardião. Nunca mais o vi depois disso.
– Nunca?
Ela abanou com a cabeça lentamente.
– Nunca.
– Eu podia pedir-lhe para que ele viesse.
Ela olhou para mim alarmada.
Aquela amizade tinha muito mais por descobrir.
– Não é preciso. Ele deve ter muito trabalho.
– Não acredito nisso. Ainda mais, ele deve estar com saudades. Tipo assim… uma reunião de velhos amigos. Eu não me vejo longe dos meus.
– Porque não? Mal não fará.
– Exactamente.
– Mas agora vamos deixar Connor de lado. Eu quero que me contes algumas das tuas aventuras.
Fiquei com Marissa nas horas seguintes antes de ter que ir para a biblioteca. Fiquei contente por a ter encontrado. Ela era muito simpática e parecia interessada nas minhas histórias e não em mim. O que me deixou contente. Pelo menos teria alguém com quem conversar da parte dos adultos que não fosse chato e aborrecido.
Bom, Marissa e o Sr. Broner.
– Crista, posso pedir-te um favor? – Perguntou Sr. Broner enquanto eu arrumava os livros.
– Claro.
– Ajudas-me a procurar “ 7 Pecados de Deus”?
– Nos mesmos livros de ontem?
– Sim. Ainda não encontrei a folha com os capítulos, então tenho de os procurar em todos os livros.
– Acho que está no livro com o número 23.
– Vamos ver.
Seguimos para o segundo andar. Sr. Borne destrancou uma vitrina e tirou o livro 23 para o poder folhear.
– Boa memória.– Disse olhando para mim sorrindo.
– Obrigado. Mas para que precisa de todas essas coisa. “ A Maldição da Lua” e “7 Pecados de deus”. Está a pensar em lançar algum feitiço?
Sr. Borne riu.
– Se quisesse lançar um feitiço era para ficar 20 anos mais novo. Mas não. Eu estava a meio de uma pesquisa sobre os erros causados pelos mais poderosos que passaram pela terra.
– “ A Maldição da Lua” um erro de quem?
– De Macha, a rainha dos fantasmas, mãe da vida e da morte, Deusa da paz e da guerra, da astúcia, da força física pura, da sexualidade, da Fertilidade e do domínio sobre os machos.
– Tinha um grande poder.
– Tinha sim. Mas há piores. Basta olharmos para a nossa volta. O nosso pior inimigo pode estar escondido atrás destas estantes.
– Acredita mesmo nisso?
– Claro. – Fechou a vitrina e começou a descer as escadas para o primeiro andar. – Contudo, acreditar é o maior erro da humanidade.
– Porquê? – Perguntei confusa.
– A única pessoa que podemos ter a certeza de que diz a verdade é nós próprios. Se queremos algo bem feito, temos de o fazer nós.
"Talvez ele tenha razão."
Enquanto descia com Sr. Borne reparei que havia gente nova. Irina sorria pela primeira vez toda feliz. E o que a deixava feliz, a mim dava vómitos.
– Vez o que digo? – Perguntou Sr. Borne seguindo o meu olhar.- Há inimigos onde quer que estejamos, só que estão muito bem disfarçados.
Sorriu uma última vez e saiu.
"Não tem ideia."
Suspirei e fui até ao balcão.
– Problemas? – Perguntei a Irina sem olhar para o casal feliz.
– Acompanhe a Senhorita Hamilton e o Sr. Drake á estante dos livros sobre religião. – Pediu ainda sorrindo, mas quando se virou para mim o olhar era gélido.
"Mulher assustadoramente falsa."
– Claro. Onde é que estão?
O sorriso falso dela murchou e eu tive de me segurar para não começar ás gargalhadas.
– Quarta fileira da esquerda. – Respondeu de dentes serrados.
– Como queira.
Segui para a fila ouvindo os passos deles atrás de mim.
– Fica-te bem esta faceta de ajudante. Se bem que nem para isto serves. – Disse Juliana, mas limitei-me a seguir em frente.
Não lhe daria esse privilégio.
Eu não tinha medo de Liam, mas se ele contasse que pretendia fugir, lá se iam os meus planos. E ninguém estraga meus planos!
– Aqui está. – Disse mostrando os livros. – Estejam á vontade e não os estraguem.
Afastei-me deles antes que Juliana pudesse dizer o que quer que seja ou que Liam olhasse para mim divertido.
Enquanto arrumava os livros vi Liam e Juliana numa mesa ali perto, dei meia-volta e mantive-me longe deles. Olhá-los era mau demais. Eu podia perfeitamente atacá-los sem me poder controlar. Isso sim seria um escândalo.
Divertido, mas um escândalo.
O meu telemóvel vibrou.
Cristóvão: Podes falar?
Christabell: Posso.
Cristóvão: Acho que te devo umas explicações.
Christabell: Achas?!
Cristóvão: Tive a visão um dia depois de chegarmos. E nessa visão todos estávamos de novo á procura de Mike. E todos estávamos mortos.
"Oh, espera ai!"
– Mortos?! – Disse praticamente gritando.
– Não todos, apenas nós.
– Resume nós.
– Eu, Mel, Josh e Sarah. – A voz dele estava abatida.
– Contaste-lhes essa parte?
– Não. Achei melhor falar contigo primeiro.
– Fizeste bem.
– O que vamos fazer?
– Nós não vamos fazer nada… Eu vou.
– Estás louca se pensares que te vou deixar ir sozinha.
Ri um pouco encostando-me á estante.
– EU sou louca Cristo.
– Sim mas… eu não… Pára Christa! Estou a falar a sério.
– Eu também. E quando digo que vocês não vão, é porque vocês não vão. Acabou a discussão.
– E como esperas dizer-lhes isso?
– Vou dar um jeito
– Christa…– A voz dele estava a começar a desesperar mas eu não podia arriscar. Era a vida deles.
– Tens mais alguma ideia? Porque estou disposta a opções.
Cristóvão não falou.
– Vês? Eu tenho de ir. Sozinha.
– Vais matar-te.
– Se vocês forem ireis morrer. E eu não posso viver com essa culpa também. Já perdi Mike, não vos vou perder também.
– Podemos dar um jeito…
– NÃO! Acabou aqui Cris. – Suspirei cansada. – Eu preciso encontrá-lo.
– Nem penses….
– Eu preciso. Não lhes digas nada, se não nunca mais te falo. Apenas… diz que os planos terminaram. – Disse interrompendo-o.
– Chri…
– Adeus, Cristo.
Cristo não consegui-o acabar de falar porque eu desliguei o telemóvel. Eu esfreguei a minha pobre cabeça. Uma enorme dor de cabeça tinha começado a formar-se.
– Os problemas continuam pelo que vejo.
Fechei os olhos e recusei-me a olhá-lo.
"Idiota, idiota, idiota."
– Vai te embora.
– A biblioteca é pública.
– Como queiras.
Afastei-me da estante e empurrei o carrinho, mas Liam pôs-se á minha frente.
– Afasta-te.
– O que aconteceu agora? Briga de namorados?
Olhei-o duramente.
– Não te cansas de ouvir a conversa das outras pessoas?
– Não quando a conversa me interessa.- Cruzou os braços sobre o peito e sorriu.
"Grandessíssimo idiota."
– Não estou com paciência para isto. – Andei com o carro e rodeei-o, mas ele segurou-me pelo braço.
– Larga-me!
– Apenas se me responderes a uma coisa.
– O quê? – Olhei-o nos olhos.
A expressão dele era de gozo, mas havia algo diferente nos seus olhos. Algo sério e… interessado.
– Quem é que queres encontrar?
Ri sarcasticamente. Só podia estar a gozar comigo.
– Porquê?
– Porque sim. Quem é que queres encontrar?
– Ninguém que…
– O que se passa aqui?! – Exigiu Juliana.
– Porque não perguntas ao teu namoradinho? – Soltei-me e andei até ao balcão mas não sem antes ouvir Juliana.
– Porque a estavas a segurar?– Ela praticamente gritava.
Enquanto seguia, sorria.
Liam, estava em piores lençóis que eu.
"Quem vai á luta dá e leva. Ás vezes, uns mais que os outros."
No próximo capitulo de Monsul Academy...
– Quem me sabe dizer quem foi o primeiro mineral a ser descoberto?
– Não estás a pensar em fugir de novo, pois não?
– Estás a fazer tudo direito?
– Reflexos, lembrem-se. Eles são muito importantes aqui.
– Tenho outro remédio?
– A directora Ross falou contigo?
– Devia?
– Como saberei que é a altura?
– Tu saberás.
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