Monsul Academy

12 Christabell Holter: 12º Capitulo


Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.

William Shakespeare

12º Capitulo

Nos capítulos anteriores de Monsul Academy...

–Mas tu também não és um guardião. Não por inteiro, não é?

–Sou um mago.

–O que é que dá jeito?

–Dá jeito especialmente quando tentas fugir.

– Estás a ameaçar-me?

– Nada disso. Apenas estou a avisar-te.

Ao fim do dia, vi-me feliz por me livrar das aulas e dos olhares de Liam. Eu ainda não sabia como, mas ia-me vingar dele.

Mas por agora, assim como prometera a Marissa, fui ter com ela.

– Ainda bem que vieste. – Disse sentando-se á minha frente na secretaria. – Tenho muito que falar contigo.

– Sobre o quê?

– Sobre ti. Sobre … principalmente sobre ti. Eu nunca fui muito de aventura, sempre preferi os livros, mas tenho de admitir que a tua história é muito melhor que qualquer livro.

– Obrigada.

– Pedi á Directora Ross que me desse a tua ficha e fracamente, fiquei chocada.

– É assim tão mau? – Perguntei confusa.

Mesmo que apenas a luta me interessasse, sempre fui boa aluna. Connor também o dizia, e muitas vezes. Ele era daqueles tipos que “ou estudas ou se foi a luta.”

– Não. É completamente fascinante! Tem lá quantos Strigois matas-te, as tuas notas, claro, também tem os teus dados… O que me surpreendeu. O Connor criou-te muito bem depois que tua mãe…

– Sim, eu sei.

Marissa sorriu tristemente pegou-me nas mãos.

– Nunca pensei que Connor seria capaz de cuidar dele quanto mais de uma criança. Mas bem, parece que me enganei. – Marissa tinha um ar de como se tivesse se a relembrar de algo.

– Conhece Connor?

– Conheço. Fomos melhores amigos quando estudamos aqui. Depois cada um se formou e seguimos caminhos diferentes. Eu fiquei psicóloga e ele Guardião. Nunca mais o vi depois disso.

– Nunca?

Ela abanou com a cabeça lentamente.

– Nunca.

– Eu podia pedir-lhe para que ele viesse.

Ela olhou para mim alarmada.

Aquela amizade tinha muito mais por descobrir.

– Não é preciso. Ele deve ter muito trabalho.

– Não acredito nisso. Ainda mais, ele deve estar com saudades. Tipo assim… uma reunião de velhos amigos. Eu não me vejo longe dos meus.

– Porque não? Mal não fará.

– Exactamente.

– Mas agora vamos deixar Connor de lado. Eu quero que me contes algumas das tuas aventuras.

Fiquei com Marissa nas horas seguintes antes de ter que ir para a biblioteca. Fiquei contente por a ter encontrado. Ela era muito simpática e parecia interessada nas minhas histórias e não em mim. O que me deixou contente. Pelo menos teria alguém com quem conversar da parte dos adultos que não fosse chato e aborrecido.

Bom, Marissa e o Sr. Broner.

– Crista, posso pedir-te um favor? – Perguntou Sr. Broner enquanto eu arrumava os livros.

– Claro.

– Ajudas-me a procurar “ 7 Pecados de Deus”?

– Nos mesmos livros de ontem?

– Sim. Ainda não encontrei a folha com os capítulos, então tenho de os procurar em todos os livros.

– Acho que está no livro com o número 23.

– Vamos ver.

Seguimos para o segundo andar. Sr. Borne destrancou uma vitrina e tirou o livro 23 para o poder folhear.

– Boa memória.– Disse olhando para mim sorrindo.

– Obrigado. Mas para que precisa de todas essas coisa. “ A Maldição da Lua” e “7 Pecados de deus”. Está a pensar em lançar algum feitiço?

Sr. Borne riu.

– Se quisesse lançar um feitiço era para ficar 20 anos mais novo. Mas não. Eu estava a meio de uma pesquisa sobre os erros causados pelos mais poderosos que passaram pela terra.

– “ A Maldição da Lua” um erro de quem?

– De Macha, a rainha dos fantasmas, mãe da vida e da morte, Deusa da paz e da guerra, da astúcia, da força física pura, da sexualidade, da Fertilidade e do domínio sobre os machos.

– Tinha um grande poder.

– Tinha sim. Mas há piores. Basta olharmos para a nossa volta. O nosso pior inimigo pode estar escondido atrás destas estantes.

– Acredita mesmo nisso?

– Claro. – Fechou a vitrina e começou a descer as escadas para o primeiro andar. – Contudo, acreditar é o maior erro da humanidade.

– Porquê? – Perguntei confusa.

– A única pessoa que podemos ter a certeza de que diz a verdade é nós próprios. Se queremos algo bem feito, temos de o fazer nós.

"Talvez ele tenha razão."

Enquanto descia com Sr. Borne reparei que havia gente nova. Irina sorria pela primeira vez toda feliz. E o que a deixava feliz, a mim dava vómitos.

– Vez o que digo? – Perguntou Sr. Borne seguindo o meu olhar.- Há inimigos onde quer que estejamos, só que estão muito bem disfarçados.

Sorriu uma última vez e saiu.

"Não tem ideia."

Suspirei e fui até ao balcão.

– Problemas? – Perguntei a Irina sem olhar para o casal feliz.

– Acompanhe a Senhorita Hamilton e o Sr. Drake á estante dos livros sobre religião. – Pediu ainda sorrindo, mas quando se virou para mim o olhar era gélido.

"Mulher assustadoramente falsa."

– Claro. Onde é que estão?

O sorriso falso dela murchou e eu tive de me segurar para não começar ás gargalhadas.

– Quarta fileira da esquerda. – Respondeu de dentes serrados.

– Como queira.

Segui para a fila ouvindo os passos deles atrás de mim.

– Fica-te bem esta faceta de ajudante. Se bem que nem para isto serves. – Disse Juliana, mas limitei-me a seguir em frente.

Não lhe daria esse privilégio.

Eu não tinha medo de Liam, mas se ele contasse que pretendia fugir, lá se iam os meus planos. E ninguém estraga meus planos!

– Aqui está. – Disse mostrando os livros. – Estejam á vontade e não os estraguem.

Afastei-me deles antes que Juliana pudesse dizer o que quer que seja ou que Liam olhasse para mim divertido.

Enquanto arrumava os livros vi Liam e Juliana numa mesa ali perto, dei meia-volta e mantive-me longe deles. Olhá-los era mau demais. Eu podia perfeitamente atacá-los sem me poder controlar. Isso sim seria um escândalo.

Divertido, mas um escândalo.

O meu telemóvel vibrou.

Cristóvão: Podes falar?

Christabell: Posso.

Cristóvão: Acho que te devo umas explicações.

Christabell: Achas?!

Cristóvão: Tive a visão um dia depois de chegarmos. E nessa visão todos estávamos de novo á procura de Mike. E todos estávamos mortos.

"Oh, espera ai!"

– Mortos?! – Disse praticamente gritando.

– Não todos, apenas nós.

– Resume nós.

– Eu, Mel, Josh e Sarah. – A voz dele estava abatida.

– Contaste-lhes essa parte?

– Não. Achei melhor falar contigo primeiro.

– Fizeste bem.

– O que vamos fazer?

– Nós não vamos fazer nada… Eu vou.

– Estás louca se pensares que te vou deixar ir sozinha.

Ri um pouco encostando-me á estante.

– EU sou louca Cristo.

– Sim mas… eu não… Pára Christa! Estou a falar a sério.

– Eu também. E quando digo que vocês não vão, é porque vocês não vão. Acabou a discussão.

– E como esperas dizer-lhes isso?

– Vou dar um jeito

– Christa…– A voz dele estava a começar a desesperar mas eu não podia arriscar. Era a vida deles.

– Tens mais alguma ideia? Porque estou disposta a opções.

Cristóvão não falou.

– Vês? Eu tenho de ir. Sozinha.

– Vais matar-te.

– Se vocês forem ireis morrer. E eu não posso viver com essa culpa também. Já perdi Mike, não vos vou perder também.

– Podemos dar um jeito…

– NÃO! Acabou aqui Cris. – Suspirei cansada. – Eu preciso encontrá-lo.

– Nem penses….

– Eu preciso. Não lhes digas nada, se não nunca mais te falo. Apenas… diz que os planos terminaram. – Disse interrompendo-o.

– Chri…

– Adeus, Cristo.

Cristo não consegui-o acabar de falar porque eu desliguei o telemóvel. Eu esfreguei a minha pobre cabeça. Uma enorme dor de cabeça tinha começado a formar-se.

– Os problemas continuam pelo que vejo.

Fechei os olhos e recusei-me a olhá-lo.

"Idiota, idiota, idiota."

– Vai te embora.

– A biblioteca é pública.

– Como queiras.

Afastei-me da estante e empurrei o carrinho, mas Liam pôs-se á minha frente.

– Afasta-te.

– O que aconteceu agora? Briga de namorados?

Olhei-o duramente.

– Não te cansas de ouvir a conversa das outras pessoas?

– Não quando a conversa me interessa.- Cruzou os braços sobre o peito e sorriu.

"Grandessíssimo idiota."

– Não estou com paciência para isto. – Andei com o carro e rodeei-o, mas ele segurou-me pelo braço.

– Larga-me!

– Apenas se me responderes a uma coisa.

– O quê? – Olhei-o nos olhos.

A expressão dele era de gozo, mas havia algo diferente nos seus olhos. Algo sério e… interessado.

– Quem é que queres encontrar?

Ri sarcasticamente. Só podia estar a gozar comigo.

– Porquê?

– Porque sim. Quem é que queres encontrar?

– Ninguém que…

– O que se passa aqui?! – Exigiu Juliana.

– Porque não perguntas ao teu namoradinho? – Soltei-me e andei até ao balcão mas não sem antes ouvir Juliana.

– Porque a estavas a segurar?– Ela praticamente gritava.

Enquanto seguia, sorria.

Liam, estava em piores lençóis que eu.

"Quem vai á luta dá e leva. Ás vezes, uns mais que os outros."

No próximo capitulo de Monsul Academy...

– Quem me sabe dizer quem foi o primeiro mineral a ser descoberto?

– Não estás a pensar em fugir de novo, pois não?

– Estás a fazer tudo direito?

– Reflexos, lembrem-se. Eles são muito importantes aqui.

– Tenho outro remédio?

– A directora Ross falou contigo?

– Devia?

– Como saberei que é a altura?

– Tu saberás.

Notas finais
Até á próximo Beijos !!!!!!!!!!