Monsul Academy

10 Christabell Holter: 10º Capitulo


Ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem.

Lao-Tsé

10º Capitulo

No capitulo anterior de Monsul Academy...

– Cristóvão? O que se passa? O que me estás a esconder?

– Podemos falar depois?

– E o que estavas a fazer a uma hora destas?

– Deixei-me dormir

– Em cima de uma árvore?

– Agora é a minha vez. Esse tal de Cristóvão é o teu namorado?

– Eu nunca disse que iria responder.

No dia seguinte, tentei esconder-me o máximo possível das pessoas. Onde quer que fosse havia alguém a falar sobre mim.

"Gente intrometida."

O ponto alto do meu dia, foi não ter-me encontrado com Juliana e Liam. Ao princípio estranhei a ausência deles nas aulas mas no final até achei um alívio.

Quando o final do dia chegou dirigi-me para a Biblioteca.

"Agora é que vai começar o verdadeiro castigo!"

A biblioteca assim como todos os outros prédios era enorme.

Mas em comparação, o espaço era muito melhor utilizado. Estantes estendiam-se nas paredes até ao fundo da sala, havia um balcão á esquerda, várias mesas dispersas no meio da sala e uma escadaria que dava para os outros dois pisos.

Sim!

Era uma biblioteca mesmo enorme. Possuía mais livros do que alguma vez pensei que existisse.

" Estou numa escola para aprender a matar monstros horrendos. Claro que há-de haver livros para isso também!"

– Sou Christabell Holter. Vim cumprir um castigo. – Informei á mulher no balcão.

Era uma mulher com os cabelos tingidos de preto. Não tinha brilho nenhum. Usava uns grandes óculos redondos, que faziam com que os seus olhos negros parecessem enormes e sombrios. Vestia um vestido preto simples e usava um cachecol de pêlo.

Estranhei. Os dias tinham estado um pouco frios, mas hoje até estava um tempo agradável.

" Ela não vai sufocar com aquilo?"

Mas o que mais a impressionou foi o facto que no seu cabelo haver apenas uma carreira de fios brancos. Direita. Como se fosse feita de propósito.

Era horripilante.

– Ah sim. A miúda prodígio. – Disse sem interesse nenhum. Parecia até ....aborrecida.

Nunca me chamaram de prodígio. Talvez fossem espertos de mais e tivessem medo de me chamar assim.

Eu não pensaria duas vezes e os obrigaria a tirar o que disseram. Já me bastava ter o maldito dom herdado do maldito rei que eu definitivamente odiava e queria me manter longe.

Contudo, prodígio. Era a primeira vez. E eu, se fosse preciso, usaria a força para nunca mais o ouvir.

Mas agora era diferente. Ela era uma mulher de idade e trabalhava para a Academia, se eu lhe batesse o máximo que conseguiria era levar mais trabalho, visto que eu não acreditava que me fosse expulsar, pelo menos não tão cedo, e a minha reputação ia descer incrivelmente por ter agredido uma mulher de idade sem recursos nenhuns para se defender.

Por isso esforcei-me a engolir esta.

"Só desta vez."

– Siga-me!

Segui a mulher pelos corredores de livros até ao segundo andar.

Assim como o primeiro, estava coberto de estantes de livros, mas no final, haviam mesas com computadores, viradas umas para as outras.

Parámos em frente a uma mesa repleta de livros. Um homem estava atentamente lendo, não 1, não 2, mas 4 livros ao mesmo tempo.

– Visitas para ti. – Disse a mulher ao homem.

Ele ao ouvi-la deu um pequeno salto para trás da cadeira e eu tentei conter o riso.

Eu juro que tentei!

Agora que ele tinha a sua atenção para longe dos livros, pude ver que se tratava de um homem de 40 anos. Possuía os cabelos castanhos-escuros, os seus olhos eram castanhos-claros chamativos.

"Não lhe deviam faltar pretendentes."

– Irina. Quantas vezes, tenho de te pedir para não me assustares dessa maneira? Ainda me dás um ataque cardíaco. – Disse recuperando o fôlego e pousando a mão perto do coração.

Eu continuava a rir, enquanto, que a mulher, Irina, continuou com a sua expressão séria.

– A tua nova ajudante. Christine Holter.

– Christabell. – Corrigi.

A mulher revirou os olhos como se dissesse “ É a mesma coisa”

–Prazer em conhece-la. Sou o Damiam Broner. – Disse estendendo-me a mão que aceitei de seguida.

Chegou-me mais para perto sussurrando-me ao ouvido.

– Cá para nós. Eu prefiro Christabell.

Sorri para ele e Irina saiu resmungando.

– Então o que fizeste para ficares de castigo?

– Eu… meio que…. Fugi.

– Uh! Não me digas. E como foi? Divertiste-te? – Para minha surpresa apercebi-me que ele estava a falar a sério.

– Sim. Foi interessante.

Sr. Broner sorriu antes de falar

– E, eu, tenho a certeza que não será pela primeira vez. Pelo que ouvi falar de ti, aventura é uma coisa que nunca te escapa. E o brilho nos teus olhos indica que está para breve.

Não consegui responder. Apenas fiquei ali a olha-lho de boca aberta.

"Era assim tão óbvio?"

– Não te preocupes. Não contarei a ninguém. A minha boca é um túmulo. – Assentou-se de volta na cadeira e olhou-me. – Mas se queres um conselho. Para a próxima tenta arranjar dinheiro e compra um BI falso, depois de estares salva e bem longe, podes fazer tudo o que pretendias fazer.

– Hmm, obrigada.

– De nada. Agora assenta-te. Preciso que me ajudes a encontrar uma coisa. “A Maldição da Lua”

Sentei-me na cadeira á sua frente e comecei a procurar num livro. O índice era composto por 10 alíneas.

“Tesouros de Afrodite”

“7 Pecados de Deus”

“Coração de pedra”

“A Maldição de Luna”

“7 Noites e 2 dias”

“Os 7 benefícios de se ser um Satanás”.

Ok, esta é esquisita

“Décimo segundo dia de Salé”

“Monstros do Infer-Mundo”

“Vida negada”

“9 Vidas de Alá”

"Muito, muito esquisito"

Fechei o livro e passei para outro com o número 8 gravado, achei estranho, então voltei a pegar no livro anterior. Este possuía um 23.

– Sr. Broner? Porque todos eles têm um número gravado?

Broner olhou –me sobre o livro.

– Porque, todos eles fazem parte de uma grande colecção e para não andarem a inventar nomes para todos, ficaram com os números.

– E quantos há?

– 55

– Uauh!

Broner riu.

– Sim, são imensos. Nós temos 11 livros, por sermos a Academia principal. As restantes 4 possuem 8 e os últimos 12 estão distribuídos pelos Campus. Um para cada um.

– Sim. Nós tínhamos um. Mas nunca nos deixaram ver, muito menos tocar.

– É natural. Eles possuem apenas um. Não existem exemplares eles são únicos, então protegem-no da melhor maneira possível.

– Compreensível. Mas se existem assim tantos livros, como pode ter a certeza de que o que procura está aqui?

– Eu tinha uma lista com os temas que tínhamos, mas acontece que desapareceu. Mesmo assim, consigo me lembrar que havia um livro aqui que falava da “Maldição da Lua”. Agora qual?

Ficamos á volta dos livros durante meia hora, quando finalmente encontraram o que queríamos, o Sr. Broner pediu-me que arrumasse uns livros nas prateleiras no piso principal.

"Não devem ser assim tantos livros."

–É suposto eu arrumar uns livros. – Informei a Irina.

Irina mandou-me segui-la com a mão e parou em frente a um carro com duas prateleiras, repleto de livros.

"Eles querem que eu arrume aqueles livros todos? Estão loucos?"

Irina riu ao ver a minha expressão.

– Tens de os arrumar nos locais correctos. Cada um tem uma informação na lombada que indica o número do livro. Apenas têm de acha-lo. Consegue? – Perguntou olhando-me de esguelha.

– Hmm, claro.

– Fechamos daqui a duas horas. – Informou e voltou para o balcão.

Empurrei o livro suspirando.

Percorri prateleiras e prateleiras até encontrar os sítios certos. Aquilo parecia um labirinto de livros. Um labirinto sem fim.

Olhei para o seu relógio.

– Vinte minutos. Apenas mais vinte minutos. – Falei para o ar. Eu conseguiria aguentar mais vinte minutos.

Peguei nos últimos dois livros. Numero 328 e 253.

– Onde é que está? Onde é que está?

– Disse alguma coisa?

Assustei-me ao ouvir uma voz atrás de mim.

Uma mulher de cabelos cor de areia estava atrás dela com um livro na mão. Era uma mulher nova e muito bonita.

– Hmm, apenas a pensar alto.– Respondi mostrando os dois livros.

–Já sei! Christabell Holter? – Perguntou com um sorriso maroto.

– Sim.

Poisou o livro na estante e chegou mais perto de mim.

– Ouvi falar muito de ti. Uma miúda de sangue guerreiro. É incrível, as capacidades que possuis. És um exemplo de que as mulheres podem ser melhores que os homens a lutar. Sou uma fã.– Disse estreitando os olhos.

– Obrigada. Apenas faço o que gosto.

– Por isso mesmo. Quando se faz aquilo de que se gosta, as coisas correm muito melhor sem dúvida alguma. E já agora. Sou a Marissa Cunha. Sou a “psicóloga” da Academia. – Disse fazendo aspas com os dedos.

– Prazer.

– Hora essa. O prazer é meu. Porque não apareces no meu escritório amanhã? Gostava de falar contigo.

– Claro.

Marissa pegou nos livros que tinha nas mãos e examinou-os.

– 253 Fica na última prateleira desta fila e 328 fica na fila do outro lado, 2 prateleira da esquerda. – Informou.

– Obrigada.

"Obrigada, obrigada, obrigada."

– De nada. Foi um prazer ajudar. Agora tenho de ir, muito trabalho para acabar. Vê-mo-nos amanhã.– Despediu-se.

– Até amanhã.

Acabei de arrumar os livros e despediu-me também. O que eu queria agora era um bom banho e desabar na minha quente caminha.

"Que Deus me ajude."

No próximo capitulo de Monsul Academy...

– Vamos continuar com a última aula.

–Tenta adivinhar o que vou fazer.

–Primeiro vou ter é que aprender a não cair de rabo.

–Adam ficas com o Hector. Juliana ficas com Emma. Liam e Christa.

– Prefiro lutar com um cão.

– Queres um conselho? Não faças isso de novo.

–Eu sou muito melhor que tu.

– Tens muitos amigos, não?

– E inimigos ainda mais.

– Estás a ameaçar-me?

– Nada disso. Apenas estou a avisar-te.

Notas finais
Beijos!!!!!!!!!!!!!