Monstros Sobre Meu Lençol
1 Cômodos Salgados
Eu juro que me recuso a ler toda essa papelada, é muita coisa para minha cabeça e eu preciso me controlar. Ando em direção a sala de meu chefe, bato em sua porta e abro delicademente, dizendo:
— Com licença senhor, eu só queria dizer que estou cansada demais com muitos trabalhos, e por isso não iria ler todo o relátorio hoje. Posso terminar amanhã? — Pergunto com inocência, tentando me desculpar no tom de minha voz.
— Claro, Srª. Rose, mas o faça direito amanhã. — Diz ele, dando uma olhada rápida pra mim e voltando sua visão ao computador.
— Obrigada Sr. Lombatini, licença. — Digo retirando-me depressa, tenho uma pintada de medo dele.
Volto pra minha sala e finalizo meu trabalho, pego meu casaco, arrumo minhas coisas e saio em direção a recepção onde Carrie, a recepcionista, está anotando algo importante. Dou lhe apenas um pequeno e rápido tchau, e ela retruca, quase gritando:
— Tchau, Srª. Rose, até amanhã. — E dá um pequeno aceno pra mim, e eu retruco igualmente.
Ando apressadamente na rua, querendo logo chegar em casa e tomar um belo banho, mas do nada esbarro com um homem que vinha correndo apressadamente, como se estivesse em uma maratona. Caio no chão com tudo e ele tenta me ajudar da maneira mais rápida possível, sempre de cabeça baixa. Quando nos levantamos e minha coisas estão tudo em ordem, ele finalmente olha pra mim e do nada sua expressão muda, ele está sorrindo e surpreso, como se minha presença fosse algo inédito. Logo ele diz, depois de um minuto de silêncio:
— Meu Deus que eu não esteja enganado, mas você é a Amanda Rose, a escritora de"Quarto da dor".Eu o vi em seu blog, era um de seus fãs.
Nossa, quem se lembra, eu o publiquei em 2009.— Ah, sou eu mesma. — Dou um sorriso meio tímido.— E você é...?
— Desculpe-me, eu sou Brian. Não é comúm você está correndo por aí e esbarrar em uma pessoa que escreveu algo tão bonito como "Nem tudo que se vê é o que se pode ter, mas você é diferente, mesmo sem te ver eu te quero e isso é embriagante." Você poderia escrever profissionalmente.
Ok, esse é o momento em que sinto minhas bochechas corarem. Ele sabe um trecho de meu livro, um dos meus favoritos, afinal. Mas a idéia de escrever profissionalmente me assusta, de todas as formas.— Eu acho que ainda tenho muito a aprender, mas se você me der licença, eu estou com um pouco de pressa, — Para nada afinal— então...
— Claro, perdão, mas eu gostaria que você anotasse meu número, adoraria ter uma conversa com você. Me interesso em suas histórias e como não lhe disse, eu tenho um amigo que trabalha em um editora e acho que ele se interessaria por seu livro. — Diz ele, com um olhar brilhante.
— Claro, pode ser, — Digo com medo em minha voz, e ele de repente me entrega um papel com seu número — então até mais. Lhe dou um sorriso e me afasto e ele faz o mesmo.
Eu sou apenas uma menina que acabou de sair de sua fase adolescente, agora sou uma mulher com 22 anos e tenho tanto à viver ao invés de viver presa dentro de um escritório escrevendo livros. Chegando ao meu apartamento, dou uma bela olhada pra cidade, realmente, Santa Catarina é o lugar que amo.
Quando entro no banho continuo a pensar, comecei a escrever aos 15 por pura diversão e tenho que dizer que isso me distraia de tudo e de todos que me magoavam, mas seguir carreira escrevendo? isso é muito, mesmo eu não sabendo o que quero. Saio do banho sem sujeira alguma, mas sobrecarregada de dúvida. Ligo meu IPod no último volúme ao som de"You and I",me visto e decido pegar algo para ler. São tantos livros bons que tenho em minha instante, que me perco em seus títulos, como uma pequena criança se perde em uma loja de brinquedos. Ler me faz lembrar dos bons momentos em que discutiamos a respeito de histórias, ele sempre era mais do tipo"ação"e eu sempre gostava de uma boaaventura. Não, não posso pensar nele agora, sabendo que queria poder estar em seus braços aconchegada e rindo de suas piadas sem graça. Decido ligar a tv pra assistir alguma série que eu não tenha terminado, mas não há nada de interessante. Decido ligar meu notbook e falar com Sandra para saber notícias sobre ela e Bruno, mas ela não está online e só há uma mensagem dela que diz: "Amanda, resolvi dá um tempo à Bruno, estou confusa e isso foi o melhor que pude fazer, me ligue quando puder. Te adoro, beijos." Olho a mensagem me sentindo culpada, ela à enviou faz 3 dias e eu nem vi, eu preciso ligar para ela só que amanhã porque eu tenho certeza que as 22:00 ela pode estar num sono profundo. Com certeza, ela vai ter um breve discussão comigo pois não lhe dou notícias à bastante tempo, mas eu consigo viver com isso. Dou uma olhada em meu facebook e como sempre, só há bobagens. Pera, por pouco não percebo uma mensagem de um homem me elogiando. Eu realmente não o conheço, mas ele diz ter lido meu "livro" e ter amado, queria realmente me conhecer. Aaah claro, Brian, o corredor com quem esbarrei na rua.
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