Monstro
7 Planos
“O nome é explosão de chocolate. Incrível não?”
Killua falou ao mesmo tempo em que comia entusiasmadamente o sorvete. Gon concordava que o sorvete era incrível, porém era melado demais para ele.
“Sim é sim.”
Killua olhou para ele de forma suspeita e dando um sorriso de canto e levantando uma das sobrancelhas disse:
“Não aguenta mais comer né?”
Gon deu um sorriso amarelo tentando disfarçar e Killua sem pensar duas vezes meteu a colher na taça de sorvete do outro.
“Ei!”
“Hihihi, você não está comendo mesmo.”
“Estou sim, devolve!”
Killua pegou uma generosa colherada do sorvete do Gon e lentamente levou a sua boca.
“Não devolvo não, aaaaah”
Gon se levantou, enroscou na cadeira e tentou impedir Killua de comer, Killua por sua vez foi sorrateiro e em um movimento rápido enfiou colher, cabo e tudo na boca do Gon.
Gon se engasgou e em meio a tosse e olhos lacrimejantes ele viu Killua rir.
“Hahahaha... devia ver a sua cara... hahaha”
Gon pegou sua colher fez o mesmo com Killua.
“Arrrgh, GON! Por que você fez isso?”
“Você que começou!”
E quando eles menos perceberam aquilo se tornou uma disputa, eles não sabiam quanto tempo havia passado, mas ao notar uma sombra cobrindo suas formas, ambos pararam para ver o dono da sorveteria olhando para eles com olhos vermelhos e veias saltando – ele estava visivelmente bravo.
Killua tinha Gon preso em um mata leão, Gon por sua vez apesar de estar perdendo a briga física havia ganhado a de comida, o sorvete no cabelo de Killua deixava isso bem evidente.
As cadeiras esparramadas e a mesa virada, dizia muito sobre o que estava acontecendo e o como os dois rapazes perderam a controle da brincadeira.
Muito constrangimento depois e um sorvete que saiu mais caro que um almoço em um restaurante chic, ambos caminhavam sorridentes, grudentos e melados até a escola de Alluka.
“Irmão! Gon!”
Alluka saiu feliz ao ve-los e ao se aproximar notou o estado do dois.
“O que aconteceu?”
“Gon destruiu a sorveteria.”
“Ei, eu não fiz isso!”
“Vocês foram na sorveteria e não me esperaram?” Alluka disse com olhos enormes, pronta para chorar.
“A gente pode ir de novo!” Gon disse animado
“Não! Nós vamos ser expulsos de lá! Vamos no mercado, lá tem sorvete também!”
Gon não gostou da sugestão, ele queria tomar sorvete de novo e ter sua revanche contra Killua, porém sem o apoio de Alluka ficou difícil conseguir o que ele queria, e Alluka ficou feliz em ir mercado.
No mercado eles compraram um pote de 5 litros de sorvete e 1kg de cobertura.
Gon achava aquilo um exagero, mas conhecendo bem Killua, aquilo era pouco até.
Ele estava passeando nos corredores enquanto Killua buscava alguma coisa, nesse tempo ele observou o local, era simples, pequeno mais bem gracioso.
Enquanto ele olhava ele ouviu uma risada familiar, Gon seguiu o som e viu Killua conversando com aquele rapaz do mercado.
Gon cerrou os punhos, aquela era a segunda vez que Killua sumia para falar com aquele rapaz.
Sem notar Gon estava liberando sua aura, chamando assim a atenção de Killua que virou e olhou para ele com olhos assustados.
Então Killua estava mesmo escondendo algo dele— Gon pensou.
Antes que Gon pudesse fazer algo Killua andou rapidamente em sua direção, agarrou seu braço, jogando a carteira para Alluka e pedindo para ela pagar a conta enquanto ele saia rapidamente do local arrastando Gon com ele.
“O que era aquilo?”
“Eu que pergunto Gon. Que merda é essa? Que aura é essa?”
“Quem é ele? Já a terceira vez que eu o vejo...”
“Eu já disse que ele é filho do dono do mercado e que ele me ajuda de tempos e tempos. Agora me responda que palhaçada é essa?”
“Ele é seu amigo?”
“Gon! Já chega de disso!”
Gon puxou seu braço o soltando e em seguida estufou o peito e olhou para Killua de forma intimidadora, dando dois passos em direção a ele.
Killua não recuou, mas não deixou de notar que Gon havia crescido mais do que ele com o passar dos anos.
“Ele está muito amigável para ser só um amigo. Não minta pra mim Killua, quem é ele?”
“Que merda Gon! Eu já disse! E ele é só um amigo.”
Aquelas palavras tiveram um efeito muito negativo – Gon já nem ligava mais se eles estavam no meio da rua, e que pessoas podiam ver algo – Ele começou a falar cada vez mais alto avançado em direção a Killua que começou a dar uns passos para trás.
“Você mentiu pra mim!”
“Hãn?”
“Você disse que só eu sou seu amigo!”
“G-Gon?”
“MENTIROSO!”
Gon agarrou o braço de Killua e só não o quebrou porque Killua era tão treinado quando ele e rapidamente envolveu seu corpo com Nen.
“VOCÊ VAI ME DIZER A VERDADE!”
“Gon espera!”
“AGORA!”
“Gon? Irmão?”
Do nada era como se o tempo tivesse parado, Gon parou e se aproveitando do choque de Gon, Killua se soltou e saiu correndo para longe.
Só então Gon olhou em volta e viu as pessoas olhando, os olhos enormes do rapaz do mercado e o olhar acusador de Alluka.
“Você fez meu irmão chorar!”
Alluka disse brava, Gon não conseguia encara-la, ele olhava para chão e com uma voz que lembrava mais o Gon que eles tanto conheciam.
“Você pode nos ajudar e levar as compras e a Alluka para casa? Creio que você sabe onde Killua mora.”
Gon não precisou dizer nomes, o rapaz sabia que o pedido era para ele e depois de presenciar aquela aura pela segunda vez ele somente concordou.
“Eu vou achar o seu irmão, Alluka. E eu vou me desculpar.”
Gon disse e saiu correndo na mesma direção que Killua foi.
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Ele se lembrava muito bem quando o rapaz albino apareceu na cidade, seus olhos fundos, cansados e muitos mais velhos do que o rapaz em si.
Não demorou muito para que todos na cidade adotassem os irmãos – sim eles sabiam que Alluka era um menino, porém se ele quisesse ser identificado com menina eles assim fariam.
Era evidente que aqueles dois estavam fugindo de alguém – houve muita fofoca na cidade sobre o que poderia ser, casa, família, as opções eram muitas.
Demorou um tempo e um dia do nada o rapaz albino veio falar com ele.
“Você conhece Nen?”
E foi assim que tudo começou. Aparentemente ele possuía a capacidade de usar Nen, em pouco tempo as visitas do albino que havia lhe dito se chamar Killua, passou a visita-lo com frequência.
Em troca de experimentar todas as suas experiências na cozinha, Killua lhe ensinou o básico do Nen.
Eles viviam em paz, afinal aquela cidade era bem pequena e não tinha muita agitação ou coisas para fazer.
Mas então aquele rapaz moreno apareceu e na hora ele soube que havia algo errado. Aquele olhar que o fez sentir um frio na espinha e fez seu coração quase parar, não era algo normal.
Naquele dia ele foi embora mesmo preocupado em deixar Killua sozinho com aquele rapaz.
Mas aquela não fora a ultima vez que ele viu o rapaz moreno.
Um dia normal como todos os outros o rapaz apareceu lá.
“Fique longe do Killua!”
“O-o que?”
“Você me ouviu bem, se afaste dele.”
Ele não entendeu nada, o que ele havia feito de errado?
Seja lá o que foi, aquilo havia incomodado o rapaz.
“Eu sei o que você quer, mas o Killua é meu! Você me ouviu? MEU!”
Ele até responderia, mas ele estava em choque vendo aquela aura negra em volta do rapaz – ele nunca havia visto algo assim— ele somente sacudiu a cabeça concordando e só percebeu que ele estava segurando a respiração quando o rapaz saiu.
Infelizmente aquela é uma cidade pequena e em pouco tempo Killua soube do ocorrido e veio se desculpar ele.
Ele já não tinha mais dúvida – se Killua não estava fugindo daquele rapaz era bom ele começar naquele momento.
“Alluka...”
A menina olhou para ele.
“Vocês estão bem? Sei irmão está bem?”
Alluka sorriu um sorriso meio triste.
“Nós estamos, meu irmão está. Assim que eles se entenderem ele ficará melhor.”
“Tem certeza? Aquele rapaz é perigoso.”
“Sim, ele é. Mas ele ama meu irmão e meu irmão ama ele.”
Ele só olhou espantado pela inocência da menina.
“Alluka...amor as vezes não basta para mudar as pessoas.”
“Pode até ser verdade, mas o amor do meu irmão é capaz disso sim. O amor dele me mudou para melhor! Foi capaz de enxergar quem eu realmente sou.”
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Morel estava no aeroporto esperando por Leorio perplexo consigo mesmo por perder um homem daquela altura no meio do povo, até que ele ouviu gritos e logo encontrou Leorio gritando com alguém no telefone enquanto pessoa passando olhando e fazendo caretas para ele.
“Leorio!”
“MOREL! COMO VOCÊ VAI!”
Leorio gritou na sua cara, desligando o telefone na cara de seja lá quem for que ele estava conversando.
“Não precisa gritar, Leorio.”
“Foi mal. Kurupika me deixa louco com a tranquilidade dele. Então sobre o que você queria falar?”
“Vamos tomar um café e eu te atualizo.”
Eles caminharam até o café mais próximo e procuraram um canto tranquilo e de pouco movimento para conversarem.
“Killua vai vir também!?” Leorio perguntou surpreso.
“Sim, mas esse não é o problema. Gon pelo visto forçou Killua a vir. Ele ligou para mim, Leorio e eu só pude pensar no que você disse.”
“Gon está forçando Killua, isso não é bom.”
Eles ficaram em silencio por um tempo.
“Eu vi o que Gon fez e foi capaz de fazer durante o confronto com as formigas, se aquele lado dele ainda está vivo dentro dele, Gon é um perigo não só para Killua como para todos nós.”
“Ele não machucaria Killua, ao menos não fisicamente.” Leorio se recusava a sequer imaginar tal cenário, mas Morel não parecia compartilhar da mesma fé em Gon que ele possuia.
“Eu temo discordar, talvez não propositalmente, mas se você visse o que eu vi você não duvidaria. Sem contar que não acho uma boa ideia permitir ele ir para o Continente Negro, ele é muito novo, pouco experiente e emocionalmente infantil e instável.”
“Eu concordo, mas ainda não acho possível ele machucar Killua, meu maior problema é ele arrastar Killua em situações perigosas e suicidas. Eu já vi isso ocorrer e Killua vai acabar cedendo e seguindo ele, eu já vi isso ocorrer mais de uma vez.”
Mais um silencio perturbador e após um enorme gole de café que desceu queimando, Leorio soltou uma fumaça pela boca e disse.
“Eles são jovens, nós devíamos ter notado isso antes...”
“Nós notamos, mas escolhemos ignorar porque era conveniente para nós. Nós devíamos ter ajudado eles, mostrado o quão tóxico aquele relacionamento deles estava ficando.”
“O que você sugere?” Leorio perguntou
“Temos que separa-los.”
“Você vai comprar briga com o Gon? Pois ele vai interpretar isso como um motivo para brigar.”
“Eu sei dos riscos, mas creio que temos que conversar com os dois separadamente.”
Leorio pensou por um momento “Entendo, assim Gon não pode pressionar Killua a ficar do lado dele.”
Morel concordou e Leorio com um rosto sério e preocupado avisou.
“Vamos precisar de mais pessoas. Algo me diz que Gon não vai gostar dessa conversa.”
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