Monsters Of Hell
2 Inesperado
Notas iniciais
Hayley batia seu pé impacientemente...Era sábado e ela já não aguentava mais os atrasos de Caleb, seu melhor, e único amigo. Eles haviam marcado de ele passar em sua casa às oito horas, já eram nove e nada de ele aparecer. Ela resolveu dar mais uma olhada no espelho, pra ver se acalmava um pouco. Hayley tinha os cabelos ruivos, mais para o laranjado, na verdade. Os olhos verdes, e extremamente branca. Ela havia passado só um lápis e um brilho, nada muito forte, como ela gostava. Vestia uma calça jeans surrada e uma camiseta da Banda The Cure, e calçava um All Stars preto.
Impaciente, começou a andar de um lado para o outro.
- Caleb se atrasou de novo? — Perguntou sua mãe, que estava no sofá assistindo televisão. Sua mãe era bem parecida com ela, tinha os cabelos cor caramelo (cor natural do cabelo de Hayley) e olhos verdes.
- É, ele deveria ter chego há...- Verificou o relógio- Uma hora e cinco minutos — Falou, mal humorada.
- Pelo menos você já sabe o que dar de presente para ele — Falou sua mãe, caindo na gargalhada.
- Haha, engraçadinha — Hayley morava com sua mãe na cidade de Detroit, em Michigan. Seu pai havia morrido quando ela nasceu, e ela não conhecia mais nenhum outro parente, por isso, era muito próxima a sua mãe, elas eram como amigas. Hayley sempre se pegava pensando em seu pai, como seria diferente ter ele por perto, se sua mãe seria diferente...
Uma batida na porta a tirou de seus devaneios. Ela então abriu a porta.
- Oi — Disse Caleb, envergonhado por chegar mais uma vez atrasado. Caleb tinha cabelos castanhos, com franja meio emo, olhos azuis e era uma cabeça mais alto que Hayley. Ele costumava ser do tipo magrela, mas durante o verão havia ficado com pouco mais de músculos, e as garotas já haviam começado a babar. — Desculpe, é que meus pais saíram, e eu tive que ficar cuidando do Ben. — Irmão mais novo do Caleb — E eles só chegaram agora.
- Sem problemas — Disse Hayley rindo, e abraçando seu amigo — Bem, vamos?
- Vamos! — Respondeu ele com um sorriso.
Hayley foi até a sala, onde sua mãe já havia se levantado. Ela foi até sua mãe a abraçou e disse:
- Não vou demorar, tchau, te amo.
- Também te amo, e vê se cuida. Tchau Caleb.
- Tchau Senhora Williams.
- Meg.
- Ok, tchau Meg.
E então os dois saíram, rindo.
- Então, o que vai ser hoje? Lanche ou cinema? — Perguntou Hayley, entusiasmada.
- Na verdade hoje eu queria um lugar mais calmo, pra gente poder conversar, pode ser? — Caleb parecia meio nervoso, e Hayley não entendia o porquê.
- Pode, você está bem? — Hayley já estava começando a ficar preocupada com seu amigo.
- Sim, só um pouco cansado — Disse ele, tentando demostrar confiança no que falava, e Hayley percebeu que havia algo mais, mas decidiu que depois ele iria acabar contando.
Caminharam em silêncio, e pararam em um pequeno parque, que havia um banco em frente ao lago. Sentaram no banco e continuaram no mesmo silêncio, e já estava começando a ficar constrangedor, o que geralmente não acontecia com eles.
- Então...- Começou Hayley, nervosa — Sobre o que você queria conversar?
- Sobre nada em particular, na verdade. Só conversar, sabe?
- Sim — Respondeu Hayley, apoiando sua cabeça no ombro dele.
- Hay, nós somos amigos, certo? Você sabe que pode confiar em mim, e eu em você, não é mesmo?
- Mas é claro, você sabe, somos como irmãos. Eu sempre vou estar ao seu lado,para o que der e vier. Mas porque a pergunta?
- Só pra constar.
Hayley sabia que tinha algo que estava perturbando Caleb, mas achou que na hora certa ele contaria, iria guardar sua curiosidade pra si mesma. De repente Caleb se vira, abruptamente, quase fazendo Hayley bater a cabeça, mas ele a segurou em tempo. Segurando o rosto dela entre as mãos.
- Eu preciso te contar uma coisa.- Disse ele, nervosamente.
- Fala — Agora ela estava um pouco mais preocupada, nunca tinha visto seu amigo daquele jeito.
- Mas acho que mostrar é melhor — E de repente ele colou seus lábios aos dela. Foi tudo tão rápido, que Hayley ficou sem reação. Ele a estava beijando, enquanto ela ficava parada. Mas logo ela já estava retribuindo. Eles estavam se beijando suavemente, mas logo ele aprofundou o beijo, os conectando cada vez mais. Enfim, pararam para recuperar o folego, e ela se levantou.
Arfando, Hayley caminhou até a borda do lago. Ela queria se virar, e falar sobre isso com Caleb, mas ela não conseguia, estava sem graça demais para olha-lo nos olhos. Então foi ele que teve que falar algo.
- Hay, você está brava comigo?
- Nã-ão- Ela conseguiu gaguejar, mas ainda não conseguia olhar pra ele.
- Eu fiz isso porque eu te amo, não só como um amigo.
Ela queria poder se virar dizer que tudo iria ficar bem, eles iriam ficar juntos e ser felizes. Mas não era bem assim. Hayley via Caleb, apenas como um amigo, como um irmão, ela nunca havia pensado nele dessa forma. Mas ela não queria magoar ele, ela só queira que os dois continuassem amigos, como sempre fora, mas não iria ser do mesmo jeito. Ela sabia que se ela falasse que não queria nada com ele, ele iria ficar chateado, e ela não queria ver o amigo chateado. Mas se ela fingisse iria ser ruim da mesma forma. Ela não queria perder ele, será então que o melhor jeito seria finjir?
Ela estava começando a ficar tonta com toda aquela confusão dentro dela, então tomou uma decisão temporária.
- Eu preciso pensar.
- Pensar? — Perguntou Caleb, temeroso.
- Sim, aconteceu tudo muito rápido, eu preciso pensar sobre isso.
- Ok — Disse Caleb, sempre querendo parecer confiante.
- Nós podemos voltar pra casa? — Perguntou Hayley, finalmente se virando, mas logo se arrependeu. O rosto de Caleb estava murcho, ela nunca tinha visto ele pior.
- Claro — Disse ele, tentando forçar um sorriso.
A volta pra casa foi silenciosa, como na ida. Caleb deixou Hayley em casa, e ela só deu um rápido aceno de boa noite e entrou. Dentro de casa ela encontrou sua mãe ainda no sofá, só que dormindo. Não querendo perturbar o sono de sua mãe, ela desligou o televisor, e foi silenciosamente até seu quarto. Com sua mãe dormindo, não restava mais ninguém que ela pudesse conversar sobre aquilo. Sua mãe iria sair de casa no outro dia antes mesmo de Hayley acordar, pra viajar, a só voltava na quinta, se não mais tarde. E seu único amigo era o motivo de tal aflição. O jeito seria ela se virar sozinha.
Vestiu seu pijama, tirou a maquiagem, e foi dormir pensando em como resolver aquilo.
Acordou no meio da noite, assustada, com um estrondo vindo da janela. Quando olhou em direção ao barulho, ficou surpresa, a janela estava aberta. Mas como? Ela tinha certeza de ter trancado antes de dormir...Resolveu então investigar o que havia ali.
Estava bastante escuro, mal dava de ver o lado de fora. Seus olhos foram se acostumando a escuridão, até que ela identificou uma silhueta perto da caixa de correio da sua casa. A sombra parecia ser de um homem, pois havia músculos e era deliberadamente alto. E estava olhando pra ela. Mas ela não conseguia ver seu rosto, as lampadas dos postes da rua estavam apagadas.
Hayley queria falar com ele, perguntar quem ele era, o que ele queria, mas ela não conseguia. Estava em transe. O cara ficou a encarando por mais algum momento, até que se virou, e saiu rapidamente, praticamente correndo. Hayley ficou um tempo ali, parada, só olhando a direção em que o rapaz se fora. Logo depois voltou a dormir, mas com sonhos perturbadores.
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