Monsters In The Woods
1 Prólogo
Notas iniciais
Ninguém sabe o que realmente aconteceu.
Em um dia, o mundo estava normal. A tecnologia mais avançada que nunca, a qualidade de vida melhorada, a expectativa de vida mundial quase alcançando os 120 anos.
E então o silêncio. Aquele som de morte. Depois... a gritaria.
Em poucas horas, todas as pessoas com mais de 70 anos morreram quase instantaneamente. Ao mesmo tempo.
Uma semana depois, todos os com mais de 60.
Três meses depois, os de 50.
Quase um ano depois, quarenta.
A expectativa de vida foi caindo até chegar em 35. Todos morriam instantaneamente depois do aniversário de 36 anos.
Os cientistas estavam loucos. Procuravam uma causa, um por quê. E uma cura, principalmente. Mas nada foi encontrado, a não ser a radiação nas grandes cidades, que parecia aumentar a cada dia.
O desespero caiu sobre todos, os anos foram passando, e todos se dividiram.
De um lado, os Caçadores.
Humanos que se recusavam a abandonar sua língua, seus costumes, sua história e sua cultura.
Viviam em grupos nômades, chamados de Famílias, lideradas pelo Chefe, normalmente o membro mais velho da Família.
Famílias brigavam entre si, tentando conseguir mais materiais necessários a sobrevivência e armas.
Cada membro possuía armas brancas e algumas tecnologias para sobreviver, e alguns tinham armas de fogo, algo cada vez mais raro, já que as fábricas foram abandonadas.
Eles eram céticos.
Do outro lado da história, os Monstros.
Eles não eram monstros, obviamente. Eram humanos tanto quanto os Caçadores. Mas eles fugiram das Cidades antes dos outros. Foram para a floresta.
Criaram uma nova sociedade, uma nova cultura, uma nova língua.
Não tinham sobrenomes, apenas o nome próprio. A língua era universal entre eles, mas nenhum Caçador jamais a compreenderia.
Assim como os caçadores, viviam em grupos, mas não se importavam em se encontrar com outros.
Sua cultura era o que os diferenciava. Eles tinham Patronos.
Quando uma criança completava oito anos, era largada em uma parte não habitada da floresta. Ela tinha que matar um animal e voltar para casa. Esse animal seria seu Patrono. E essa criança seria esse animal, vestindo-se como ele.
Diziam que cada criança nascia destinada a um Patrono, porque depois dos oito anos, quando suas personalidades começavam a se formar, eram como as de seu animal, e pareciam ganhar habilidades de seus animais.
Eles eram ligados a sua própria religião.
Os Monstros não tinham espadas nem pistolas como os Caçadores. Mas eles conheciam as florestas, e sabiam que os maiores assassinos não usam armas.
Assim como ninguém sabe o que causou aquelas mortes, ninguém sabe como aquele ódio começou, mas os Caçadores e Monstros se odiavam.
Durante anos foram lutando entre si, se matando, apenas porque sabiam que era isso que acontecia antes, e continuaria sendo isso depois.
E não importava se já haviam se passado quase dois séculos desde que o mundo acabou. Aquela briga não teria fim tão cedo.
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