Monsters In The Woods
5 Do You Really Know Someone?
Notas iniciais
Caçadores
– O que é isso, Anna? — O tom de voz rouco e ameaçador a atinge por trás.
– É um bebê, Tiberious. É só um bebê. — Anna se vira, segurando o bebê com força
– Depois a gente conversa, Trevor. — Ele disse, dispensando o garoto de 18 anos que encarou o bebê com uma curiosidade meio psicótica.
Ele tinha cabelo loiro encaracolado e olhos cor de mel, mas Anna podia jurar que brilhavam em um tom dourado agora que a noite tinha caído. Ele era magro e tinha alguns músculos, e a pele branca contrastava com as roupas pretas. Seu rosto estava cheio de sombras. Anna sentia sua consciência se esgoelar para ela sair correndo.
Trevor se afastou, sorrindo de lado, os olhos dourados brilhando. Tiberious a encarou. Anna sentiu um calafrio.
Ele tinha olhos intensos e castanhos esverdeados, frios. O cabelo ruivo era encaracolado, e a barba estava por fazer. Ele era alto, com cerca de 1,90m e a pele clara mostrava várias cicatrizes. Ele era musculoso, de um jeito natural: ele tinha o corpo de um guerreiro. Ele era um garoto que treinou espadas desde cedo, e agora, com 25 anos, era o melhor em espadas da Familia. Usava uma camisa branca desgastada pelo tempo, calças escuras e botas de couro. Na sua cintura, uma espada estava presa no lado direito.
Anna não confiava nele, e tinha boas razões para isso.
– Só um bebê? A cada dia que passa, estamos cada vez com menos materiais de sobrevivência e você resolveu trazer mais uma criaturazinha faminta?!
Ela não respondeu. Lena se escondeu atrás das pernas da irmã. Ao contrário de Anna, ela não era capaz de encarar Tiberious.
– Onde você o achou?
– Uma caçadora de um outro grupo estava grávida, e aparentemente se perdeu. Ela morreu no parto. — Mentiu, mas ela sabia que soava bem convincente.
– Ah! Como se não bastasse, esse bebê ainda é de um grupo inimigo! Você devia ter deixado essa coisa na floresta!
Anna bufou e deu as costas para Tiberious, irritada. Lena saiu correndo. O homem a puxou pelo ombro, mas ela foi rápida, e, segurando Peter com uma mão, levou a outra a cintura, de onde tirou uma das suas facas, e a pressionou no pescoço dele. Tiberious congelou, o ódio evidente em seu olhar.
– Eu vou ficar com essa criança, Tiberious. E se você voltar a falar um piu que seja sobre esse assunto eu corto sua garganta e te faço engasgar com seu próprio sangue até morrer. Lenta e dolorosamente. — Ela o encarou, o ódio recíproco.
Ficou assim por mais alguns segundos, e tirou a faca, voltando a guarda-la. Virou-se e foi embora, mas foi capaz de ouvir Tiberious bufando a medida que se afastava.
– Cara... se o meu pai sabe que você apontou uma faca para o pescoço dele você está muito ferrada!
– Por favor, Nicolas, será que dá para me deixar em paz?
– Já disse que meu amigos me chamam de Nico. — Ele piscou o olho.
– Por favor, Nicolas, será que dá para me deixar em paz?
Nico revirou os olhos, mas não deixou de seguir a garota.
Nicolas D’Black, filho do atual chefe, era um garoto de 19 anos, encantador. Tinha o cabelo loiro meio bagunçado, com um pequeno topete que fazia sucesso entre as garotas. Os olhos verdes e claros prendiam o olhar de quem ousasse o encarar diretamente. Tinha a pele clara, cerca de 1,77m e um corpo atlético de deixar qualquer uma babando. Usava uma camiseta branca com uma estampa estranha. Ele não tinha a mínima ideia do que era esse tal de “Rolling Stones”. Devia ser outra coisa dos antigos que já quase ninguém entendia, se bem que ele tinha a sensação de ter ouvido alguém dizer que foi uma famosíssima banda dos Tempos Antigos. Na cintura, uma adagada prateada e um revolver se destacavam.
Na verdade, ele conseguia fazer qualquer uma se apaixonar por ele. Exceto a irritada, misteriosa e antissocial Annalisy. E isso o irritava, intrigava e o fazia querer falar mais e mais com ela. Mas ela sempre dava um jeito de mandar ele pastar.
– Isso é um bebê?
–Sim, tem algo contra ele também?
– Que gravidez rápida hein! Você e Arthur saíram a menos de três horas e já nasceu um bebê? — Nico fez uma carinha pervertida.
Anna revirou os olhos, mas sorriu. Nico poda ser um estúpido e babaca, mas era um estúpido e babaca que sabia animar as pessoas falando coisas estúpidas e babacas.
– Arthur não foi comigo, eu fui para o sul e ele para o leste. Por falar nisso, ele já voltou?
– Acho que não. Mas devia... já são 22h. Hoje meu pai vai dizer quem é o próximo chefe. — Ele sorriu, uma ponta de tristeza.
– O aniversário dele é daqui a três dias, não é? — Nico assentiu. Anna não sabia o que dizer.
Nicolas era filho do Chefe da Família. A mãe morreu de doença quando ele tinha 15 anos, e ele é um dos poucos que já tem mais de 18 cujo pai ainda está vivo. O fato é que, vivendo no mundo em que viviam, camisinha nem ao menos existiam, então Stuart D’Black engravidou Rebecca D’Black quando ambos tinham 16, quase 17 anos. Agora Stuart ia fazer 36 anos, e Nico seria órfão.
Ele resolveu trocar de assunto.
– Então... posso ver o bebê? Qual o nome dele?
– Peter... Peter Wolf. — Ela disse, e parou de andar, olhando para o bebê. Ele estava dormindo profundamente. — Ele nasceu hoje, preciso de roupas e um bom banho para ele.
– Ahn... Anna... Ele nasceu hoje então... tipo... Onde você vai achar leite para ele?
Anna congelou.
–Oh... shit.
Nico mordeu o lábio, olhando preocupado para o bebê.
– Vamos falar com meu pai. Ele vai saber o que fazer. — Ele olhou em volta. — Hey... Mike... Sabe onde está meu pai?
– Acho que está perto do arsenal... — Disse o homem que estava passando. Nico assentiu e ele e Anna foram correndo.
Mike franziu as sobrancelhas. Aquilo era um... bebê?!
Michael Scofield era um dos mais velhos ali, em seus 27 anos. Tinha o cabelo raspado, olhos verdes e pele branca. Tinha mais ou menos 1,77m de altura, e era musculoso na medida certa, o que podia ser facilmente notado por conta da regata branca e suja de terra. Além disso, usava calças camufladas e coturnos pretos.
Ele estranhou. Devia estar imaginando coisas. Continuou andando.
– Mike! Você viu o Suart? — Disse Lena.
– A última vez que eu vi ele estava perto do arsenal.
– Obrigada!
Ele continuou andando, até quase trombar em uma garota.
– Desculpe, Mike! — Ela parecia meio desesperada. — Você viu o Stuart?!
– Por que diabos todo mundo anda me perguntando isso ultimamente?!
– É sério, Mike!
– Arsenal... — Disse, e ela saiu a passos rápidos, parecia nervosa. Ele foi atrás dela. “Posso deixar minha fome para depois” ele pensou. — Está tudo bem, Claire?
Claire Adams era uma bela mulher de 26 anos com 1,70m. Tinha o cabelo castanho, encaracolado e farto, batendo um pouco abaixo do peito, e, normalmente, arrumado e preso de uma maneira que lembrava as mulheres da época medieval. A pele era branca, os olhos azuis e ela usava sapatilhas pretas e um vestido rodado que lhe batia nas canelas, em um tom de vermelho sangue, com mangas que iam até os cotovelos e um corpete apertado, que, querendo ou não, chamava muito a atenção dos homens para uma certa parte do corpo. Por mais incrível que parecesse, ela não ficava esquisita com aquela roupa, até combinava com ela.
– Na verdade não... — Ela respondeu, sem parar de andar.
– O que aconteceu? — Ele perguntou, preocupado e curioso.
– Eu estava voltando para a fogueira, já que já estava bem tarde, e ouvi um grito. Peguei minha faca e fui ver o que era. Tinha uma mulher sendo atacada por um animal. Não pude ver qual era, porque quando cheguei mais perto ele já estava desaparecendo nas sombras, mas eu posso jurar que era um leopardo, ou uma onça. A questão é que ela era uma Caçadora, tenho certeza, porque tinha uma pistola. Ela desmaiou, e eu a arrastei para um lugar seguro e a amarrei. Preciso falar com Stuart... Não sei o que fazer com ela.
– Entendi...
– Deixei Arthur tomando conta dela. Vamos!
Eles correram por alguns minutos. Quando chegaram ao arsenal, Stuart estava falando a sós com o filho e com Anna, em um lugar um pouco mais afastado. Eles conversaram baixo por mais ou menos uns vinte minutos. Depois, Lena se adiantou, e conversou com ele por quase meia hora, até sair saltitante e alegre. Eles se aproximaram do homem.
– Ah, olá Michael... Claire... Aconteceu algo? — Ele perguntou, vendo os rostos preocupados dos dois. Claire explicou o que aconteceu.
Stuart D’Black era um homem alto e forte, completamente saudável, mas que carregava o peso da responsabilidade desde os 26 anos. Tinha cabelos loiros e curtos, olhos castanhos, pele branca e usava uma camiseta azul clara e calças jeans.
– Traga-a para cá... Eu vou pensar a respeito... Ah, e digam para os outros que eu preciso deles todos juntos na Fogueira daqui a pouco.
Eles assentiram e saíram, indo até ao local onde Arthur e a moça estavam.
– Nossa... já?! Que rápido! — Ele cruzou os braços, falando em um tom sarcástico. — Nem parece que estou aqui a duas horas!
Ele foi ignorado, obviamente, tanto por Claire quanto por Mike, mas por motivos diferentes. Claire estava ocupada verificando o pulso da mulher, para ver se ainda estava viva, já que estava desmaiada e muito pálida. Michael não estava ocupado, mas estava pensando sobre o que diabos aquela mulher estava fazendo ali. Quando Claire terminou, assentindo e dizendo que estava viva, Mike a pegou no colo e eles foram em direção ao acampamento de novo.
Os cabelos eram longos, bateriam na cintura se ela estivesse de pé. Eram loiros, lisos e finos. Ela era magra, a pele clara mais pálida por causa do desmaio e os traços delicados. Tinha um ar meio infantil, e não tinha muitas curvas, apesar de não ser reta. Ela usava um vestido lilás com saia plissada até os joelhos e umas sandálias gladiadoras até um pouco abaixo do joelho. Um rasgo no vestido ia até mais da metade da coxa da garota, mostrando uma adaga fielmente guardada.
Mike sorriu discretamente. Ela era bonita, até...
Eles andaram em silêncio de volta ao acampamento. Por segurança, Claire tirou a pistola e a adaga da garota. Arthur parecia chateado e nervoso.
Ele tinha 1,83m de altura, e os cabelos ruivos. Os olhos castanhos encaravam o chão a seus pés. Apesar da grande exposição ao sol, ele tinha pouquíssimas sardas no nariz. Usava uma camisa laranja sobre calças jeans e tênis desgastados, além dos braços cruzados.
Ele não entendia o que diabos tinha acontecido naquele dia, mas esperou por horas, e nada. Isso o deixou preocupado, mas já não podia mais esperar, então, quando estava voltando, viu Claire arrastando uma garota. Ela o chamou e ele resolveu ajudar. Mas a preocupação deu lugar a irritação, principalmente coma demora de Claire. Parecia que todos estavam adorando deixa-lo esperar!
Chegaram ao local e Mike amarrou a garota a um tronco, em pé. Os cipós eram fortes como cordas, e não machucavam.
Quando já era uma meia noite, todos se juntaram ao redor da fogueira. Stuart se levantou, pedindo a atenção de todos.
– Então, hoje vieram falar comigo. Vou responder a todas as questões, e no fim direi quem é o próximo chefe.
Todos ficaram quietos e calados, esperando.
–Selena veio falar comigo. Ela disse que achou um lago de água limpa, dentro da floresta. Eu já briguei com ela, Annalisy, não se preocupe. Ela já não vai mais se arriscar desnecessariamente na floresta. — Disse, sorrindo. — Não sabemos se é um território dos Monstros, portanto vocês estão proibidos de ir sozinhos para lá.
Todos comemoraram. Tinha água perto do acampamento, mas era em um buraco no chão. Só dava para tirar água com um balde e um cipó. Não era muito prático para tomar um banho de verdade.
– Outra coisa... Anna e Nico. O bebê já é da nossa Familia. — Ele olhou para cada um. — O nome dele é Peter Wolf, e ele a partir de agora é responsabilidade de todos nós. E quanto ao leite, não se preocupe. Ainda temos um estoque na caixa.
Era verdade. Anna e Nico é que não tinham se lembrado ainda. Uma mulher chamada Kristen estava grávida, mas o bebê morreu com apenas duas semanas. Ela também veio a falecer, suicidando-se depois que entrou em depressão, mas antes, por causa da morte do bebê, ela acabou tendo que estocar leite. Isso aconteceu a pouquíssimo tempo, apesar de ninguém estar realmente triste. Ninguém a conhecia, e a morte era uma presença constante na atualidade, então ninguém realmente ligava.
Mas o leite estava no baú de isopor, junto com outras coisas que se estragariam se estivessem desprotegidos.
– Quando acabar, acho que teremos que achar outro tipo de comida, mas depois podem pensar nisso. A última coisa que tenho a dizer, é sobre essa garota que Claire, Michael e Arthur trouxeram. Vamos esperar ela acordar e então fazer perguntas. Depois, todos irão votar se ela fica ou morre. A escolha é vossa, entenderam.
Vários murmúrios foram ouvidos. Várias pessoas ficaram quietas, enquanto outras encararam a garota com interesse. Suart parou de sorrir e continuou.
– Como todos sabem... em menos de três dias é meu trigésimo sexto aniversário. Como atual Chefe desta Família, tenho que escolher o meu substituto. Há muito tempo atrás, eram os membros mais velhos que comandavam, mas agora poucas Famílias fazem isso. A escolha do chefe já não depende da idade, e sim da responsabilidade. Da capacidade de liderança, firmeza e de vários outros fatores que fazem de alguém um bom chefe. Eu já escolhi o próximo.
Tiberious estufou o peito, sentando-se reto. Um sorriso de lado ameaçou aparecer e seus olhos brilharam por um breve momento. Claire viu, e sorriu meigamente para ele. Ela era o mais próximo de amigo que ele tinha. E sabia o quanto o rapaz queria ser o novo Chefe.
– Pensei muito sobre isso, e refleti bastante também. Não quero que pensei que foi algum tipo de preferência da minha parte, porque não foi. Hoje eu declaro que o futuro Chefe é Nicolas D’Black, meu filho.
Tiberious ficou sério, enquanto quase todos aplaudiam e davam tapinhas amigáveis nas costas de Nico. Ele não podia acreditar.
Ele nunca teve tanta raiva de alguém desde os 18 anos.
Enquanto todos iam falar com Nico, Tiberious permaneceu quieto, tentando conter o sentimento ruim que tomava conta de si. As sombras escureceram seu rosto, os olhos pararam de brilhar e se tornaram frios, e os punhos se fecharam. Ele se levantou e saiu a passos firmes em direção à floresta.
Claire viu e se levantou, indo atrás dele.
– Tiberious...? — Ela disse, preocupada. Ele continuou andando. — Espera...
Ele entrou na floresta, sem diminuir o passo, os punhos ainda fechados.
Claire continuou, segurando o vestido para evitar que ele ficasse preso em algum lugar.
– Tiberious!
– Me deixe em paz, Claire. — Ele disse, entre os dentes e sem olhar para trás. A voz tremendo mostrava a raiva mal contida.
– Espera ai!
– Eu disse para me deixar em paz!
A Floresta ficava cada vez mais densa. A lua quase não iluminava nada, e ela tinha que ter cuidado onde pisava.
Com dificuldade conseguiu chegar perto dele.
– Hey! Calma! — Ela colocou uma mão no ombro dele.
Ele não aguentou e se virou, afastando-se do toque dela. Ela se encolheu. A luz da lua apenas criava mais sombras, e lhe davam um ar mais sombrio
– Calma...? — Ele disse baixo e começou a rir. — Calma?! — Ele disse mais alto, dessa vez sem rir. — CALMA?! — ele gritou. A raiva explicita na voz.
Claire não se mexeu. Ela não sabia o que fazer.
– Eu aturei aquele velho idiota sendo o chefe por SETE ANOS. E durante SETE ANOS, eu o obedeci, aconselhei e defendi! Eu fui justo, fui sensato, fui firme, fui responsável, e fui toda a merda de fatores necessários para ser um bom líder! E então, depois de sete anos servindo a esse imprestável, ele diz que vai escolher um novo chefe, e escolhe o babaca do FILHO DELE! UM GAROTO QUE MAL LARGOU AS FRALDAS, IRRESPONSÁVEL E QUE DÁ EM CIMA DE QUALQUER PORCARIA DE RABO DE SAIA QUE APARECE! ELE O ESCOLHEU, E NÃO A MIM! E VOCÊ QUER QUE EU FIQUE CALMO?!
Para finalizar, ele deu um soco no tronco de uma árvore. Não fez um buraco, porque a árvore não era oca, mas uma depressão surgiu na madeira.
– Tiberious, eu entendo, mas...
– Não, Claire, você não entende! Pela segunda vez eu fui deixado de lado! Pela segunda vez, escolheram outro! Pela segunda vez, Claire! A segunda... maldita ... vez!
Ele voltou a se virar e a embrenhar-se cada vez mais na floresta. Claire foi atrás dele.
– Eu entendo sim, Tiberious, eu te conheço há seis anos!
Com um movimento rápido ele segurou um braço de Claire e a empurrou, prensando seu corpo contra uma árvore. Levou a outra mão ao pescoço dela. Lentamente, ele se aproximou de seu ouvido e falou em um tom de voz rouco e perigoso.
– Você não me conhece, Claire Adams.
Ele apertou um pouco a mão.
– Eu já matei muitas pessoas. Mais do que você imagina. E quer saber? Eu gosto de matar. — Ele apertou um pouco mais. — Eu gosto de ver o sangue escorrendo, gosto de ver a vida se esvaindo e pensar “fui eu quem fiz isso”. Eu gosto de ver a morte vindo pegar uma alma. — Ele apertou mais e olhou nos olhos dela. — Eu poderia te matar agora, lentamente. Apertando cada vez mais. Você ficaria sem ar. Não iria gritar, e mesmo se gritasse ninguém te ouviria. Estamos longe do acampamento.
Ela parecia assustada. Ele se aproximou do ouvido dela de novo.
– Eu poderia te matar, Claire. Mas eu também poderia me divertir um pouco antes. — Ele apertou a mão, e roçou o nariz no pescoço dela. — Você não sabe a reação que causa quando usa um corpete apertado. — Sussurrou, e mordeu o lóbulo da orelha dela, sua barba rala arranhando seu pescoço levemente. Ela estremeceu. Ele voltou a falar em seu ouvido. — Eu também já fiz isso antes. Muitas vezes.
Ele apertou a mão, dessa vez com mais força. Ela conseguiu levar uma mão ao braço dele, e bateu de leve, já que estava sem forças para mais do que isso.
Ele olhou em seus olhos novamente.
–Você... não... me conhece... Claire Adams.
Ele a soltou, e ela caiu no chão, levando as mãos ao pescoço em busca de ar. Ele se virou mais uma vez, esperando que ela se tocasse de que deveria ir embora. Andou por alguns segundos, até ouvi-la de novo.
Ele bufou e virou-se, e só sentiu um forte tapa, antes de vê-la se afastar. Tiberious urrou de raiva e começou a socar uma árvore.
Enquanto isso, Mike encarava a garota desacordada, enquanto Anna e Lena cuidavam do bebê, um pouco afastadas.
– Não vão mata-la... não é? — Disse Callum, aproximando-se.
Mike olhou para o garoto.
Callum Earnshaw tinha a altura de um garoto normal de onze anos, a pele muito clara e era mais magro que a maioria das crianças. Os olhos azuis pareciam quase brancos de tão claros, e causavam um contraste gritante com os cabelos pretos e lisos, que quase chegavam aos olhos dele. Usava uma camiseta de listras cinzas, calças jeans, tênis e um casaco preto maior que ele.
– Não sei.
Callum olhou para a mulher. Ele não via porque mata-la. Eles tinham aceito o Peter, e tinham o aceito também. E vários outros membros. Mas por algum motivo a maior parte das pessoas ali estavam encarando-a pelo canto do olho.
Sua mente viajou para Simon. Ele estava morto, mas mesmo os dois tendo tantas diferenças, ele o tinha aceitado. Tinha cuidado de Callum assim como este tinha cuidado de Simon quando o mais velho estava desacordado e morrendo.
Se eles, que tinham tantas diferenças, tinham se dado bem, porque essas pessoas estavam encarando a moça como se ela fosse um bicho?
“Seres humanos e suas brigas idiotas” pensou, voltando a conversar com Mike sobre a moça.
Nas árvores, Adrian encarava tudo, silencioso e invisível. Ele tinha tomado nota de várias coisas. Então ele o viu. Seu rosto, normalmente indiferente, ficou boquiabeto. Primeiro surpreso, de olhos arregalados. Então descrente. Depois confuso. Desconfiado, com raiva, e então irritado.
O que ele estava fazendo ali, no acampamento dos Caçadores?!
Traidor. pensou Gold.
Então ele o viu, e as mesmas expressões passaram pelo rosto dele. Adrian correu, precisava contar para Nathan. Infelizmente, ele era mais rápido, e o garoto sentiu uma mão se fechar em seu braço.
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