Monster
17 Solidão
A minha história é só minha. Não merecia ser recontada por um ser que rouba personalidades e aparências.
Queria dar o troco. Queria vingança.
Mas eu era um homem fraco e tolo.
— Você está bem? O que aconteceu com você?
É o que sempre me perguntavam. Todos os rostos medonhos com ar de preocupação forçada, com risos constrangidos e falsa compreensão.
Quem eram os anjos? Quem eram os monstros? Eu não saberia dizer.
Quebrei todas as recordações e memórias, varri as conexões, tudo que me ligava a alguma coisa. Eu me libertei para a mais profunda solidão. Encontrei o caminho sem volta do vazio.
A voz que me puxava de volta não era a minha.
Eu era dois, graças a ele. O que via no espelho já não era eu. Não conhecia aquele reflexo, não conhecia aquela fisionomia, aquelas manias, as histórias daquele indivíduo. A mente parecia pregar peças. Ele trapaceou.
O monstro se multiplicou na terra e nas vidas humanas. Ele é quase humano, ele se esforça pra tal.
Terror psicológico ou teoria da conspiração? Lendas urbanas ou realidades ingratas?
A dúvida sempre pairava.
Eu queria sarpar a âncora do meu navio e ir embora pra nunca mais voltar.
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