Monster
21 Espreita
O tempo parou de passar. Procurei, investiguei, quis saber sobre a criatura. Em algumas culturas o chamam de Metamorfo. Acredito que o seja. Mas não de uma forma divertida como nos desenhos animados.
O pouco que descobri não me ajudou a conhecê-lo. Então apelei para o reflexo. Aquele que ele estava usurpando. Era fácil perceber o quão diferente somos. A aura sombria vive dentro das risadas, do ar de liberdade. Pude pensar como ele, ser o monstro, após tantas imagens, tanta confusão, enquanto já não sabia nos diferenciar. Depois que a tormenta passou, eu o vi com clareza.
O tempo todo eu só queria que fizessem uma trepanação para expulsá-lo de minha cabeça.
Ele controlava a transformação a maior parte do tempo e isso exigia esforço. Estudava suas cobaias. Planejava ataques silenciosos. Tomava histórias alheias. Não tinha outra função. O monstro só podia ser monstro. Para o bem ou para o mal. Nós os criamos. Inventamos seu nome e perdemos o controle.
A criatura salvou algo dentro de si, por fora não havia mais nada. Então ele se reconstrói a todo o momento.
Não pode haver dois do mesmo indivíduo. Não nessa terra, não nessa existência. Um tem que morrer.
Fale com o autor