Monotomia

1 Capítulo 1


Inicialmente, cinza.

Em todos os tons, de todas as tonalidades possíveis.

Mas não havia mais que isso. A existência era monótona.

O cinza era tudo que ele podia ver.

O mundo se resumia ao simples estar, sem apreciação, sem motivações, sem um verdadeiro motivo para sequer estar.

Não havia beleza, nenhuma importância para tal.

Então veio ele, e com ele as cores.

Cores.

Ele agora podia apreciar o degrade azul do por do sol e a infinidade de cores que se misturavam durante o nascer deste.

Ele podia apreciar as luzes da cidade à noite, de todas as cores possíveis, mas predominantemente amarelas sob a escuridão em meio a uma selva de concreto longa, disforme, aglomerada.

Mas antes do céu e das luzes, havia o vermelho.

No meio da chuva, em um dia em que tudo realmente se resumia a, realmente, verdadeiramente, e não apenas pela avaliação daquele que não conseguia entender o conceito 'beleza', monotonia, um guarda chuva vermelho se ergueu sobre ele.

Foi a primeira ver que ele viu cores.

Foi quando então que o conceito de beleza ficou esclarecido.

Mas, tão de repente quanto veio, ele se foi. Em vermelho.

Um estampido, um instante, um movimento.

Todo o seu vermelho interno começou a retirar-se dele, esvaindo junto com a vida.

E então o silêncio.

Uma vez quente, agora era frio, metálico. O vermelho foi a primeira e a ultima cor que apreciou. Foi seu inicio e seu fim. Junto com aquele que lhe mostrara as cores. Que lhe dissera que o mundo era bonito.

Agora não fazia mais diferença.

Não fazia mais diferença se ele nunca pera verde, azul ou cinza, ou ver quantas cores as flores poderiam ter ou o céu poderia tomar.

Ele ainda pderia ver as cores, mas não fazia mais diferença.

Porque aquele que lhe representava beleza já não estava mais lá.

E o mundo voltava a ser monótono.

Notas finais
Obrigada por dedicar seu tempo a ler esta pequena estória.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!