Monossacarídeo
6 A Queda Imperial
Notas iniciais
Mas eu não preciso disso, agora eu estudo em duas escolas u.uV
Pai nosso que estás no céu.
Santificado seja o vosso nome.
Venha vós ao vosso reino.
Seja feita a tua vontade.
Assina a terra como no céu.
O pão nosso de cada dia, PELO AMOR DE DEUS, nos dai hoje que eu to morrendo de fome aqui!
“Matt, o que você tá fazendo aqui no Monte de Sião debaixo desse sol de foder?”
...
“...”
CHOCOLAAATE!
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!”
16 de abril de 2004 – 15h00min
- Calma Matt, o Mello vai ficar bem. – sussurrou Linda.
Acredite, eu era a pessoa que mais desesperadamente me agarrava a essa ideia, mas o buraco tava mais embaixo. Mello foi encaminhado para o John Radcliffe Hospital depois de constatarem que ele não suportaria esperar o tempo do resultado do hemograma convulsionando daquele jeito. Parece que naquela semana tava virando moda global sair convulsionando por aí.
- Eu sei. – respondi – Ele sempre fica.
Dizendo isso, saí da enfermaria. Eu não estava com um pingo de saco para ficar ouvindo as citações decoradas da Linda e muito menos ela tentando me acalmar dizendo o que era mais que óbvio. Porque era simplesmente ÓBVIO que o Mello ficaria bem.
Do lado de fora um grupo de penetras me olhavam ansiosos, isso incluía a patricinha chata que estava fazendo uma encenação. Parecia até que alguém tinha batido as botas. Ela não veio falar comigo, pois em minha cara estava estampado uma resposta bem irônica se ela o fizesse. Fora isso estaria tudo bem se não fosse por um dito infeliz (vulgo seguidor de Jack Sortudo) que apareceu com meu único DS sobrevivente em mãos balançando pra lá e pra cá como se fosse a bolsa de uma piriguete de esquina. Aí o negócio ficou mais que sério.
- Hey, esse DS É MEU?
O idiota do menino parou na minha frente como se acabasse de levar um sermão de Barack Obama e quando eu pensei que ele ia fazer alguma coisa bem anormal mesmo, como sair correndo que nem uma criança esperando eu correr atrás dele e gastar toda a minha beleza, ele simplesmente me deu meu filho em minhas mãos. Assim, facinho, facinho. Só que não foi aquele “dar” tipo: “toma irmão, para se distrair”. Foi aquele “dar” tipo: “SENHOR JESUS, ELE TÁ BRAVO, ELE VAI ME DAR UM TIRO! AAAAAH!”. Geralmente não era eu quem causava esse tipo de reação nas pessoas.
E foi assim que a ficha caiu sobre aqueles olhares ansiosos que se mantinham numa distância segura de mim, como súditos que seguem Stalin. Dando um passo para frente naquele mesmo momento, percebi o grupo se partindo em dois como que se abrindo em minha passagem. Putz... Eu sempre tive que ficar me espremendo, pisando em pés e me roçando em bundas alheias – e quando digo bundas, não digo o tipo bom de bundas – sem ninguém me dar nenhuma licença e agora acontece um negócio daqueles.
Eu estava pra reencarnar.
- Você! – apontei com a voz mais George Bush que eu consegui fazer.
- Eu? – respondeu um ser anônimo.
- Amarra meu cadarço.
O civil olhou para o cadarço, olhou para mim, pro cadarço, pra mim, pro cadarço... Acho que vocês já entenderam. E, para o azar do meu plano de saúde contra problemas cardiovasculares, ele se abaixou e realmente amarrou o cadarço.
E ali eu entendi que quando Mello, o Dom supremo, rei dos reis, faraó dos faraós e deus dos deuses foi pra puta que o pariu tratar de sabe-se lá o que, eu ascendi o seu trono. Significava que, de uma vez por todas, aquele orfanato seria o maior puteiro que Roger já havia visto em todos seus anos inúteis e vagos. Era hora da putaria.
...
Quer dizer... SERIA hora da putaria se eu não tivesse um pingo de consideração, até porque seria estranho abrir o funk na laje logo depois da transferência de Mello para o hospital. Ficaria parecendo que eu mesmo havia o envenenado com, sei lá, laquê. Por isso resolvi fazer cara de bom moço, ligar o meu DS e passar por aquele bando de sem o que fazer com a melhor expressão de maior abandonado. O reinado do chocolate, meu bem, já era!
-
Okay, meu dia já havia começado bem se não fosse o desespero de quase perder o meu melhor amigo assim do nada. No entanto, uma vez que Aristóteles II não estava presente eu teria que resolver aquele pandemônio sozinho com as pistas que consegui. Repararam? Já estava virando hábito Mello deixar uma pista crucial e depois se lascar bonito.
Pelos corredores do orfanato, sob o sol gostoso da meia tarde, fui andando e jogando Mario Kart, embora não estivesse prestando muita atenção nisso. Não sei nem quem prestaria sabendo que toda aquela confusão havia atrapalhado a vida profissional de alguém, e o pior, sabendo que não era uma consequência da confusão e sim sabotagem dela. Era como partir do princípio que havia um louco, desequilibrado que precisava urgentemente de uma namorada, convivendo bem abaixo daquele teto, entre aquelas paredes. Só de pensar eu já começava a me sentir febril.
- Ai!
Uma vozinha me puxou dos meus devaneios quando notei ter esbarrado em algo. Esse algo era o Near, e até que ele estava bem para quem andou cuspindo sangue por aí. Quanto a eu ter esbarrado nele, não culpe minha falta de atenção, caro leitor (imagino que alguns conheçam o Near e talvez, sendo louco o bastante, gostem dele), até porque ele estava sentado no MEIO do corredor.
- Desculpe.
- ...
- Fico feliz por ter levado alta. Você está bem?
- Melhor que você, imagino. – respondeu, levantando do chão e revelando estar com um boneco sem rosto com um X enorme no peito.
Dei aquele sorriso vagabundo que dão as pessoas que falsamente querem ocultar suas emoções, mas são preguiçosas demais para fazer isso com decência.
- Por que estava sentado aí?
- Estava te esperando.
- Me esperando?
- Desculpe, nunca percebi que você tinha problema de audição. SIM, TE ESPERANDO! – ele tentou gritar, mas um grito vindo do Near parece o de uma velha com problema de artrose.
- Eu não sou surdo, é que... Deixa para lá.
- Se quiser me acompanhar.
Ele se virou e começou a andar para o lado oposto, e eu nada fiz além de segui-lo. Se fosse numa outra ocasião, seria extremamente chato ficar indo atrás dele que nem cachorro atrás de carro sem nenhuma explicação, mas o que ele poderia fazer se eu o seguisse? Me matar?
Isso foi irônico, tá?
Fizemos um caminho gigante até chegarmos onde devíamos, porque a miséria do Near ficava dando umas voltas super longas para poder fugir do sol. No aniversário dele já sei até o que dar – se eu não fosse liso. Daí a gente chegou a frente à sala de Roger. Lembra sobre a ironia do parágrafo anterior sobre o Near me matar? NÃO É MAIS UMA IRONIA.
Madame Chantilly (momento tributo ao Mello... Estou feliz que ele tenha sido absorvido no julgamento) ficou parado em frente a porta, esperando a coragem para abrir. Chegava a estar ansioso, o que não dava para saber direito, porque paisagem imóvel não fica ansiosa. Até achei que havia escutado um suspiro, mas ignorei com medo de ser internado em um sanatório mais tarde. O cu docismo dele foi tão grande, mas tão GRANDE, que eu mesmo tomei a frente e girei a maçaneta da porta sem bater mesmo que agora eu era Dom Matt e não tinha medo de morrer.
Mas bem... Eu quase morri de todo jeito. Quando olhei na sala a primeira coisa que vi foi Roger, porque a careca dele brilha tanto que nem dá para evitar não olhar para ele. Okay, isso não é importante. A segunda coisa que eu vi, que devia ter sido a primeira se não fosse esse problema genético assustador, foi uma figura excessivamente pálida, de grandes olhos de coruja, sentada como uma galinha chocadeira... Enfim, eu pensei que aquela coisa ia me engolir. Chega vi a vida passando diante dos meus olhos.
Até então, acreditem se quiser, eu nunca havia visto aquele que chamavam de L pessoalmente. Sentia-me íntimo só pelas histórias que Mello contava. Ah, Mello era simplesmente obcecado pelo detetive, e quando ele narrou alguns infortúnios sobre A e BB eu logo vi uma remota chance dele acabar igualzinho ao doido roubador de geleia (vulgo Beyond Birthday mesmo). Felizmente isso não aconteceu.
Near também já o conhecia. Depois de um minuto de silêncio, ele tomou um tapa do subconsciente e resolveu se mover até L, enquanto enrolava os cachos a fim de fazer permanente natural ao longo do tempo (isso fez sentido?). E eu fiquei na minha que eu não sou besta né. Do jeito que esse povo era doido, ele haveria de descobrir até a cor da minha cueca se eu não fosse cuidadoso.
- Bem vindo L. – isso foi, PASMEM AGORA, o Near que falou.
-... – isso foi eu no meu momento Near.
-... – isso foi L me analisando como se eu fosse um rato de laboratório.
-... – isso foi Roger arrumando o cabelo imaginário que ele achava que tinha.
“!”
E isso foi o meu consciente gritando de surpresa por ver uma semana ser reduzida em um dia e todo o meu plano de esconder aquela putaria toda de L, como Mello havia me pedido, por água abaixo.
Sim, meu povo, de duas coisas eu sabia:
Que Mario e Luigi eram incestuosos...
E que eu estava FU-DI-DO.
Notas finais
Mandatos de prisão, ameaças de morte ou um processo jurídico? Mande um review :)
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