Notas iniciais
Demorei? Ç.Ç

Sabe Mello... Eu estava pensando... Até que fomos felizes no orfanato. Lá nós tínhamos uma família.

...

Sim, olha: L era o nosso pai, Roger era nosso avô, BB era o nosso tio, Near era o nosso primo, Alex e Guga eram nossos irmãos e Sophia e Linda eram nossas irmãzinhas.

Puxa Matt... Como você é gay!

Só eu? Você não percebeu que nossa família toda tem tendências homossexuais?

...?

...

...!

...

Puxa! É VERDADE!

Será que não tinha ninguém que gostava de mulher?

Claro que tinha. As nossas irmãs.

17 de abril de 2004 – 09h00min


Já fazia meia hora que eu encarava aquele chocolate. O último chocolate que Mello havia comido. Era até irônico pensar que podia ser aquele inocente e ingênuo chocolatinho quem havia dado cabo da saúde de Mello, mas, bem, eu tinha que pensar em todas e qualquer hipótese para resolver toda aquela bagunça antes que alguém resolvesse meter o bedelho. E de todas as pessoas nesse mundo, a maior pessoa que gostava de meter (o bedelho, viu gente?) era o L.

— Coragem, Matt. – incentivou Sophia, que estava apreensiva do meu lado.

— Sem pressão!

Com toda a cautela possível (lê-se: com mais medo impossível) levei o chocolate a boca e mordi um pedaço. Mastiguei, mastiguei, mastiguei... Senti um leve torpor percorrer minha espinha e quando me vi crente de que ia cair com cadeira e tudo no chão, o que aconteceu? Porra nenhuma! Voltamos a estaca zero.

— Eu não entendo Sophia. Se não foi o chocolate, o que foi?

— Matt, eu sei que você vai me dar um tiro se eu disser, mas eu REALMENTE acho que você devia procurar o L.

Suspirei totalmente irritado. Era tão difícil enfiar na cabeça de alguém que L não era a última coca-cola do deserto? Ele não era a coca-cola, era o Nilo inteiro, e isso era uma porra mesmo. Eu devia parar de ouvir essas coisas mal pensadas que Mello fala, mas... Sei lá... Parecia traição se eu resolvesse entregar o BO.

E sabe do que mais? Aquele armário de vassoura estava muito quente para eu perder meu tempo por ali. Se o chocolate derretesse era capaz de Mello voltar do hospital só para me fazer fabricar outro em tempo recorde.

No entanto, sobretudo e doravante, nada nesse mundo é realmente um bolo de aniversário. Não tinha como simplesmente eu saber que galinha chocadeira estava parada na frente da minha porta... Quer dizer... Da porta do armário de vassouras (não, eu não sou Harry Potter). Foi só eu sair e me deparar com o cosplay de Edward mãos de tesoura que um grito um pouco mais afeminado do que deveria ser escapou dos meus lábios. Putz... FU-DEU MANOLO.

— Mania de limpeza, Matt? – ele deu um sorrisinho muito filho da puta.

— Hehe’ – esse foi o meu sorrisinho sem graça nível Bella Swan.

— Tem alguma coisa que gostaria de me dizer?

Suspirei quinhentas mil vezes num suspiro só tentando não olhar para aquela cara ‘Oferecimento Dona Benta’.

— É. Eu acho que tenho sim.

Uma vez já me disseram que quanto melhor a mentira, pior a verdade.

11h00min


— Então é isso L. Eu não sei o que fazer.

Estávamos sentados na sala de jogos favorita do Near, mas, sabe-se lá por qual motivo, não contávamos com a sua presença. L, por outro lado, já contava como todas as almas de um cemitério, ainda mais porque eu duvido que você entenda o quanto aterrorizante ele é quando está te analisando. Céus! Ele era como um grande e monstruoso polígrafo. Sabia que até calado eu estava mentindo.

— Interessante.

Comah?

— Ahn... – é pra foder com a gente viu velho! – Você pode tipo... Não contar para o Roger que eu estava no armário de vassoura com a Sophia?

— Posso não contar que tem um caso com Mello.

Okay... Vocês estão WTF’s, mas eu precisava inventar algo grave o bastante para esconder um problema à base de “Guerra Civil”. E... Sei lá... Acho que ser gay e ainda ter um caso com Mello era uma história cabeluda o bastante para desviar a atenção do detetive por algum tempo. Afinal, se L não me matasse, assim que Mello voltasse e descobrisse o que eu falei, ele iria me matar de qualquer jeito.

— Quer dizer que vai contar que eu estava no armário de vassouras? – perguntei fazendo cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança.

— Você esteve no armário de vassouras?

Cara... Tudo bem que L é abelhudo e às vezes é tão inteligente que chega ser chato, mas convenhamos... O CARA É MUITO FODA VELHOO!

Caham... Okay, continuando.

— Então... Está tudo bem? – perguntei. Não era para ele estar, sei lá, com cara de alguma coisa e não fazendo paisagismo a la Near?

— Por que não estaria?

— Bem... Dois de seus sucessores são homossexuais. Você realmente está satisfeito com isso?

— Que pena não é? Se estamos de acordo poderiam ser os três. – comentou, tratando de devorar um bolo tirado de não sei onde – Sua opção sexual não vai mudar o resultado de uma investigação, a menos que ele seja o assassino.

Sério mermo?

Tipo... Vocês LERAM ISSO?

Vamos repassar com mais cuidado.

“Você realmente está satisfeito com isso?”

“Que pena não é? Se estamos de acordo poderiam ser os três.”

Não. Eu acho que vocês não entenderam.

“Que pena não é? Se estamos de acordo poderiam ser os três.”

Agora com calma, para vocês processarem.

“Se estamos de acordo poderiam ser os três.”

COMO ASSIM EDWARD MÃOS DE TESOURA?

Perceberam? Esse lugar não é um orfanato, é um puteiro!

E para provar isso com muita direção e magnitude eu venho aqui a relatar que, enquanto L devorava um bolo que tinha mais chantilly do que massa, algo me chamou a atenção. Na sala de jogos havia um espelho. Ele ficava entre o sofá e as janelas, em diagonal, de modo que somente alguém que estivesse de costas para a porta poderia vê-lo. L, por exemplo, não poderia – e estava tão ocupado que, mesmo se pudesse, não ia ver porcaria nenhuma. Dependendo da posição de quem a via, o espelho poderia refletir ou a porta ou uma das arestas da sala. Se estivesse na aresta dava para ver a porta, se estivesse na porta dava para ver a aresta. E como eu estava lindamente sentado numa das arestas fingindo ter vergonha na cara, vi o reflexo de duas pessoas.

Uma dessas pessoas era Emma, que radiante e oferecida jamais ei de ver. A outra era Near, com a mesma carranca sóbria, enquanto a namorada de Mello (ou seja lá que miséria ela seja) fazia cachos em seus cabelos platinados com os dedos. E ela tinha um sorriso enorme, a la coringa, falando coisas com um excesso de gestos que chega dava náusea. Bem, talvez fosse só impressão minha, mas aquele dia havia sido especialmente longo.

Depois de uma lenga-lenga inaudível, Near entrou na sala olhando diretamente para L, como se a minha pessoa muito presença nem estivesse ali. Ele só olhou para mim quando estava em paralelo com o espelho, e acabou percebendo que eu olhava para o reflexo da porta. Tá... Eu sou meio tapado sim. Foi descuido meu deixar estampado na testa que eu estava vendo os dois anormais conversando na porta. Ele estreitou os olhos por um minuto e depois se virou, indo conversar por telepatia com Edward mãos... Digo... L.

E aquele olhar... Cara, que premonição!

— Bem, acho que não tenho mais nada para fazer aqui. – sussurrei, mas deu para todo mundo ouvir.

Levantei-me, sentindo uma vertigem estranha quando me pus de pé. Cortesias do olhar calibre 43 dos dois homens da neve ali presentes. Digo... Dois homens e meio.

Sabe, nessa hora, uma coisa realmente engraçada aconteceu. Pode não ser engraçados para vocês, que estão aí lendo essa narração quilométrica enquanto pensam que deviam estar fazendo outra coisa, mas é mais fácil e prazeroso bisbilhotar a vida dos outros.

Quando L ergueu o rosto (se é que eu posso chamar aquilo de rosto) para me ver saindo, não sei direito o que aconteceu, mas ele levou a mão ao olho direito com tanta rapidez que pareceu mais um puta tapa. Olhei assustado para a cara dele. De imediato eu achei que, sei lá, ele havia feito um movimento muito jegueal a ponto de que o chantilly do bolo fosse parar nos olhos dele, mas eu não acho que se isso tivesse acontecido ele estaria procurando os olhos no chão. Sério mesmo gente, ele estava fitando os próprios pés com cara de aleijado. E Near também, sabe. Aí os dois ficaram olhando para o chão com aquelas expressões de indigentes enquanto L respirava fundo para tentar acalmar alguma coisa que ardia em seu olho.

Depois disso eu até dei de ombros e resolvi sair.

Eu hein! Povo doido!

13h00min

Eu ainda estava pensando em tudo o que havia acontecido. Mas obviamente eu não ia pensar de barriga vazia.

Cheguei ao refeitório quando não tinha mais ninguém e bati num prato de operário que fazia medo. Todos os recentes acontecimentos estavam me deixando desvairado de fome. Até porque não adiava o quanto eu pensasse e repensasse; não havia uma ligação, um motivo ou razão. Tudo parecia ter acontecido com aleatoriedade, corriqueiramente. No entanto não era simplesmente possível que esses “fatos corriqueiros” tivessem atingido justamente ao núcleo foda do orfanato: primeiro Near, depois a médica Giddens, Mello e em breve, provavelmente eu. Eu só esperava que Madame Chantilly não contasse tudo para L e desbancasse a minha história gay totalmente improvisada.

Putz! Eu estava verdadeiramente fudido. Estava mais que na cara que eu precisava de L. E se não fosse L, teria de ser Near. Alguém.

Pode até me chamar de criança dependente, que não sai da barra da saia da mãe, mas eu nunca prestei para fazer essas coisas sozinho. Ainda mais quando havia alguém naquele lugar que poderia atingir ATÉ O NEAR. Aí que a porra tinha ficado séria mesmo.

E foi assim, nessa minha viajação na maionese, que fui surpreendido por um ruído bastante conhecido de pré-morte. Mal deu tempo de engolir a carne e me virar que fui atingido por um soco a lá Bowser. O impacto foi tão forte que fui arremessado por duas mesas até bater com as costelas na quina da terceira mesa e cair totalmente zonzo. Putz... Quem foi o Hulk?

Tentei encontrar meu agressor, olhando para todos os lados embaçados. Vi alguns órfãos se amontoando de um lado. Vi um monitor boquiaberto de susto. Vi até mesmo L, expressão marmórea e com um tapa-olho num dos olhos de coruja. Então vi a cozinheira, correndo feito uma doida, com seus pesados seios saltando de um lado para o outro.

Céus! Estou no inferno.

Notas finais
Esse capítulo é dedicado a MaryMee e seu fetiche por tapa-olhos (?), obrigada pela recomendação gata :*
Desculpem pela demora bestial, é que a internet aqui está que nem Caetano Veloso sem lenço e sem documento, então o negócio fica mais embaixo.
Enfim... Reviews?
Alguém? Alguém? Mais alguém?