Monossacarídeo
9 O Lado Obscuro da Lua
Notas iniciais
Minha criatividade resolveu roldar bolsinha na rua 13 u_u
– Ahá, safadinho! Sabia que você estava aqui.
– Sério? Como você descobriu? Usou uma bola de cristal?
– Ah Mello, para de ser broxante! Admite logo que você está aí todo se derretendo enquanto vê o Near brincando, vai!
– Bem que eu queria Matt. Mas daqui do céu, todas as coisas são fáticas.
Fáticas...? Fáticas? FÁTICAS?
Okay, preciso de um dicionário.
17 de Abril — 14:20
– Mello, calma. Isso não vai resol…
Um murro.
– Ninguém precisa se machucar cara...
Outro murro.
– É isso mesmo que ele quer que você fa...
Googles voando.
AGORA A PORRA FICOU SÉRIA.
– Olha aqui seu cretino, a gente tem que sair por essa porra de orfanato listando tudo o que você comeu e a menos que Near esteja nessa lista, você NÃO VAI ENTRAR nessa sala.
Benza a Deus, Mello resolveu ajustar a antena parabólica e entender que bater em Near até ele ficar preto não ia resolver em nada o nosso problema. Muito pelo contrário. Só iria dar as cartas em ordem de Curinga, Ás e Reis para L entender o que se passava.
– Okay, vamos fazer o seguinte...
– Eu procuro no andar de cima e você procura no andar de baixo.
– Mas nem fudendo!
– Opa, Matt. Não é por que agora nós somos “gays” que temos que ficar fudendo um ou outro por aí e...
– Nem adianta encher o saco, senhor “gay”. Você não vai ir atrás do Near nem a pau.
– E como você pretende me impedir sabichão?
–
– Pode relaxar na bica Matt que esse aqui não vai sair do meu quarto tão cedo.
– Hei, Matt, Matt! Na boa. Você não está pensando em me deixar aqui, tá?
– Calma Mello, a Sophia vai cuidar muito bem de você, não vai querida?
– Não Matt, espera aí. Matt! MATT! NÃO ME DEIXA AQUI NÃO PORRA!
E foi assim que eu saí do quarto de Sophia Gumps rezando mentalmente para que ela não precisasse usar aquele bastão de beisebol que estava em seu colo. Porque, sério... A Sophia leva essas coisas a sério demais.
Enquanto Mello estava trancado no quarto da nossa mafiosa favorita, eu fui atrás de quem? Adivinha, adivinha, adivinha?
Do Near... ÓBVIO.
Porque, tipo assim, não que eu precisasse da ajuda dele para listar tudo o que o Mello havia comido. Estava mais para o lado místico e astrológico, entende? Aquela famosa vontade de ir falar com alguém por nenhum motivo. Pois é. Era mais ou menos essa mandinga aí que eu estava sentindo.
Sem falar que, a essa altura do campeonato, o Near já devia estar ciente da demissão da tiazinha Giddens, e provavelmente já tinha dado um tranco na cachola e deduzido o porquê dela ser demitida – mesmo eu achando que isso é meio impossível para alguém que ficou trancado num cubículo durante o arrastão de Salvador inteiro, mas Near é Near, amor é amor e traição é traição, right? Sendo assim, ele poderia ter alguma outra informação, o que ajudava muito.
Passei pela sala de jogos. Ele não estava lá.
Ótimo... Vamos começar a putaria no quarto dele mesmo.
Foi com um sorriso animador que eu cheguei ao quarto de Near e fui entrando sem bater na porta, pois eu fui muito bem educado pelo Roger, obrigado.
Quero pedir um pouco de atenção de meus queridos leitores para o seguinte fato: por que diabos toda vez que eu estou sorridente e saltitante, prestes a descobrir algo, acontece alguma coisa mirabolante de arrepiar os cabelos assim... Tirado do guarda-roupa de Nárnia?
Pois é. Eu tinha esperanças de ver algo estranho, tipo o Near usando touca de plástico para não molhar o cabelo, ou Near conversando com um fantoche, ou Near batendo uma e provando que é humano, ou Near se vestindo de mulher ou... Sério, muitas coisas, mas de todas essas coisas eu jamais ia imaginar ver o que eu vi.
Imaginem vocês um L com uma visível expressão de puro tédio, um cabelo desgraçado que nem o tridente do capeta desembaraça, sentado que nem uma galinha chocadeira sobre a cama branquíssima e intacta do Near. Aí os seres viventes com uma mente mais aguçada para fatos sobrenaturais me perguntam: Ah, era só isso? Quem me dera que fosse só o L sendo o detetive L e não um cara estranho de tapa-olho lixando as unhas com uma peixeira.
Sério, roubou essa mania de lixar as unhas com facas de quem? Zé do Caixão?
– Olá Matt... – e ainda abriu aquele sorriso sinistro – Novamente.
– Ah... Oi L. – oi nervosismo, tudo bem? Poderia fazer o favor de sair daqui?
– Estranho, não acha? Eu esperava que Mello viesse, mas cá está você.
Então o fora já tinha se espalhado como toda fofoca desse lugar?
Se houvesse algum especial contando a vida dos sucessores de L no orfanato, seu título não seria um nome foda como Another Note. No máximo “Mellomar” ou “Near do bairro”.
– Lamento acabar com suas expectativas. – sorri amarelo – Mello cresceu um pouquinho desde a última vez em que esteve aqui e acredita que matar o Near por causa de uma menina não é uma opção.
Seu sorriso desapareceu e ele ficou calado. A faca cerrando as unhas reproduzia um ruído insuportável.
– Creio que crescer e ser trancado em algum lugar tenham sentidos muito diferentes. – ah é... Eu tinha esquecido que L era o pai de todos os gênios, né? Desculpa aí.
– É. – outro sorriso incrivelmente amarelo – Por aí.
Outro silêncio perturbador.
Ah, como nessas horas eu queria estar dentro de um videogame, ser azul e me chamar Noturno.
– Receio que você tenha que procurar em outro lugar. Near saiu...
L foi interrompido por um barulho estridente de coisas caindo. Não era bem um barulhinho, sabe. Era mais como o irmão mais novo de alguém tocando bateria com duas colheres de pau. E vinha de uma das portas do quarto, o que era algo bastante estranho, a menos que L tivesse convidado mais alguém para o quarto de seu querido sucessor.
Okay... Eu maliciei.
– Para o banheiro. – completou entediado.
Saiu para o banheiro?
Ah, claro! Fez muito sentido.
– Sendo assim eu volto mais tarde.
Para dúvidas gerais: não, eu não ia voltar mais tarde. Não com o risco de ver um L psicopata me olhando como se fosse me devorar – e quando eu digo devorar, digo no sentido de devorar com garfo e faca.
Ele sorriu novamente. Aquele sorriso, combinando com o tapa-olho e a faca cerrando as unhas... Mother of God! Foi digno de um serial killer.
Sempre soube. SEMPRE SOUBE que L tinha um lado maquiavélico de ser.
Tsc... Quem nunca soube disso?
Enfim. Após descobrir esse “lado obscuro da lua”, eu resolvi manter distância dele e fazer o que eu realmente devia fazer: listar tudo o que Mello tinha comido em um dia – é, ninguém disse que ia ser fácil.
Pois estava eu andando, com um desânimo digno de L, quando eu passo na frente do quarto de Jack Sortudo. É gente, Jack Sortudo. Não faz um tempo que não ouvimos falar nele?
Foi movido por essa indagação que eu resolvi fuçar o que havia acontecido com essa pessoa digna de pena. Digo que as forças cosmológicas estavam com um péssimo humor aquele dia e queriam descontar em mim, pobre terráqueo. Ou era isso, ou eu tinha uma péssima sorte, pois logo após sofrer hiperventilação olhando no fundo dos olhos de L (olhos vírgula: poço fundo onde a qualquer minuto pode sair uma Samara Morgan pronta para te matar), eu vim a ouvir sussurros vindos do quarto de Jack.
Eu sei, eu deveria ter corrido. Cara, eu deveria ter corrido como se tivesse visto o diabo fugir do inferno. Mas por diabos! Eu não corri. Eu simplesmente escorei o ouvido naquela porta e tentei ouvir sabe-se lá quem falar sabe-se lá o que.
“Você não vai falar para...” – a qualidade do som era péssima. Pior que ouvir rap em radinho de pilha.
Preguei mais ainda meu ouvido contra a porta fazendo um esforço considerável para não fazer barulho.
– Matt...?
Ah, que ótimo! Energias cosmológicas... VÃO SE FUDER SUAS CORNAS EM TPM!
– Ahn... Mello... Não é o que você está pensando... Não é, e... – a ficha caiu – Espere um pouco. Você devia estar trancado no quarto da Sophia. O que é que você está fazendo aqui? – tudo num sussurro, para os “descobertos” não descobrirem a gente.
Ele deu um sorrisinho sacana, mas convenhamos novamente, Mello nunca ri de verdade.
– Ela disse que me deixaria ir se eu desse um selinho nela.
– E você deu?
– Não, só cheguei perto o suficiente para tomar o bastão de beisebol. – eu não sei, mas... Sendo extremamente gostosa e extremamente mulher como Sophia Gumps, ele não devia ter beijado? – Isso não é importante. Quero saber o que você quer no quarto desse suíno.
– Eu... Ahn... Eu não estava querendo ouvir nada sabe... Nada mesmo...
– Tsc... Que seja. – bufou Mello – Se quiser fazer isso pelo menos faça direito.
Ele tirou um copo descartável do bolso traseiro e desamassou. Provavelmente deveria ter sido usado para colocar calda de chocolate – típico. Logo depois ele agiu da característica forma que sempre me surpreendia: colocou o copo entre a porta e o ouvido e tentou escutar o que estavam falando lá dentro.
Incrível como ele podia ser tão filho da puta.
Vi suas sobrancelhas louras se franzirem numa expressão para lá de indignada. Nem pensei nos riscos de morte quando tomei o copinho dele e tentei ouvir alguma coisa também.
“Aqueles dois imprestáveis não sabem nem enviar um recado. Francamente!” – era a voz de Emma, de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes.
– Dá esse cacete aqui! – sussurrou/gritou Mello tomando o copo das minhas mãos.
– Devolve porra! – sussurrei/gritei.
Conhecendo os atributos físicos e a habilidade corporal de Mello para fazer expressões homicidas, ele acabou ficando com o copinho.
– O quê que eles estão falando?
– Psiu! – respondeu, fazendo um gesto com a mão para que eu me calasse.
Revirei os olhos e voltei a pregar os ouvidos na porta, mas só pude ouvir pedaços da conversa. Algo como:
“Eu sei que foi você.” ou “Não percebe que estou do seu lado, imbecil?”, ou até mesmo “Conforme-se, você não é mais o mesmo que era antes.”.
Sendo o que fosse, nada fez o mínimo de sentido.
A única coisa que fez com que toda aquela baboseira parecesse um assunto confidencial interplanetário foi a cara de assombro do Mello perante o que ele estava nitidamente ouvindo – e olhe que “assombro” e “Mello” são palavras que só estão relacionados quando Mello não é a vítima.
E eu? Com um ponto de interrogação gigantesco levitando em cima da minha cabeça.
Cena mais estranha, né?
Estranha é muito pouco para o que aconteceu a seguir:
Mello se afastou da porta segundos antes e conseguiu praticamente se teletransportar para detrás de um armário enquanto eu fiquei com a maior cara de ontem sem entender porra nenhuma. Logo sobrou para eu ter um sorriso cara de pau o suficiente para dar ao alguém que abriu a porta e me viu bisbilhotando sua conversa particular.
E esse alguém – pasmem – era nada mais nada menos que Near, com todo o seu chantilly, distribuindo ares de terror e medo por onde passava.
Juro que nunca vi um Near tão aterradoramente assustador. O impressionante é como ele consegue ser aterrador e neutro usando a mesma expressão. Merece ou não merece o Oscar?
Ele me olhou de um jeito que lembrava vagamente um aspirador de pó – eu, no caso, fazendo o papel de pó.
– Near!
E antes de sair andando pelos corredores como um espírito vingativo esbanjando morbidez e depressão, Near não pôde deixar de nos presentear com pesadelos horripilantes ao dizer num tom pesado e fúnebre:
– Compactuar com você está fora de questão... – acrescente mais peso e gravidade na palavra a seguir: – Emma.
Silêncio.
Quebrado apenas pelos passos veludíneos de Near pelo corredor.
Olhares perplexos de todos os lados – tanto de Emma e Jack Sortudo– e um sorriso brutalmente estranho por parte de Mello.
E eu?
Da minha parte somente olhos esbugalhados de terror, com créditos a “Um Lula indo e um Lula vindo”.
Near estava ali, correto?
Então quem estava no banheiro?
Notas finais
Gente... Quero falar sério agora (eu tenho essa capacidade, okay? u_u). Os meus reviews resolveram se suicidar e todos caíram num tombo de cascata, e eu começando a achar que meus leitores resolveram rodar a baiana e se desertar dessa amostra de exército brasileiro levo um belo tapa de luva quando vejo que existem outros leitores que simplesmente não mandaram review. Sério, eu quase entrei em depressão profunda por causa disso. Então suas lindas, mandem reviews rapá! Quer matar a tia do coração?
Próximo capítulo sai num pulo, right? Então turbinem esse motor mandando reviews para minha criatividade parar de se prostituir. Combinado? :D
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