Monomania

1 Capítulo 1 — 16 de novembro: eu esqueci você.


Notas iniciais
Boa leitura.

Sabe, foi um dia ‘daqueles’. Eu cheguei em casa exausta e olhei por todos os cômodos. Como o esperado, como de costume, você não estava em canto algum. Qual foi a última vez mesmo, querido?

Tomei a primeira decisão mais importante de todo o nosso período de depois da história: hoje eu não carreguei o seu nome por aí. Uma certa letra pendurada no pescoço, sabe? Chamando a atenção pro quanto eu pertencia a você, pro canto eu queria ser só sua e só você estava em mim. Primeiro, me senti vazia. Nas primeiras horas, tateava sempre em busca da corrente pra me levar até a letra. Era desesperador não sentir algo nosso ali. Depois, a sensação foi tomando conta. Deixei crescer, sabe? Crescer e tomar conta.

Eu notei o quanto as pessoas estranharam. Pô, logo eu que estava sempre segurando aquilo pra lá e pra cá, tirando da gola da camiseta onde a ponta insistia em enroscar... Pô, logo eu que te amava tanto. Logo eu que prezava tanto que você também carregasse o pedacinho de mim que tem por aí. Sim, logo eu.

Eu dei mais alguns passos pra frente, depois de meses. Após mais de um ano, na verdade. Hoje, definitivamente, eu excluí as suas fotos do meu celular. Troquei todos os papéis de parede. Eu tirei as suas pantufas do meu bloqueio e a Lucy do meu WhatsApp. Fiz um limpa, mas me preveni. Salvei tudo em outro lugar.

Eu sei. Eu me conheço. Não quero me arrepender mais tarde. Não quero sentir vontade de olhar pro seu rosto, de olhar pra nossa história e não ter mais nada pra provar que tudo ocorreu. Hoje, amor, lembranças de você e de nós são tudo que eu tenho, mas eu me fiz de forte e tirei do aparelho. Eu não quero te carregar por aí. Não, eu não quero.

Honey, é exatamente esse o problema. Eu não posso e não preciso ter medo de me arrepender. Afinal, quando foi que você teve medo? Eu admiro tanto a sua força, querido... Não me culpe por seguir os mesmos passos que você. Passos que você está dando em um caminho que eu mesma apontei. Sabe, nenhum de nós dois tem realmente culpa de algo, embora eu assuma por inteiro. Nós somos duas anomalias que se cruzaram, sabe? E o pior: eu jogaria o seu ‘a’ no meu, só pra que você pudesse ser ‘normal’ de novo.