Monolítio

1 Capítulo 1 - Desejo


-É verdade que um menino doente entrará na sala?

-Não fale assim dele! Ele apenas não é... normal... – conversavam dois amigos em uma roda improvisada no meio do corredor. A alegria de não visitar a escola passara junto com o verão, e o primeiro dia de aula não diferenciava de um colégio normal: ansiedade, companheirismo e diálogos pintavam Alabama Highway, uma escola fundada há um século tendo como objetivo ensinar e preparar socialmente pessoas com problemas de raciocínio, mentais ou apenas aquelas que abraçam uma maior dificuldade nas matérias consideradas simples. Ainda nesse cenário, alunos são divididos em salas classificadas de A até E, considerando suas notas como critério de avaliação. Aqueles mais sãos podem com sorte cair no B; já os com casos mais graves imploram constantemente para saírem do Segundo D. Está longe de ser considerado um sistema justo, mas naquele instituto quem dita as regras não liga para queixas ou denúncias alheias.

Em meio a góticos, depressivos e tímidos, grupos se formam e tentam a todo custo sobreviver naquele local por suaves dezesseis horas diárias. O tempo que não se dedicam aos “estudos” gastam dormindo ou desperdiçam em coisas fúteis. Embora voltem para casa e vejam sua família, até também devido à questão de medicamentos e cuidados específicos, alguns alunos optam por dormir na casa de amigos. Realizam trabalhos, jogam conversa fora e, como se o tempo realmente voasse, já estão novamente em Alabama Highway. Não era uma vida realmente invejada ou atrativa, mas não era também completamente ruim. Pelo menos naquele local, eram tratados como pessoas normais entre si, sem considerarem as falhas e defeitos de cada estudante.

“Aj aos eiss ad ãnham...”

Teru, rapaz que afirma ter a capacidade de ouvir sombras, abriu lentamente os olhos com os raios da janela iluminando parcialmente seu quarto. Colocou sua pantufa, uma bermuda e desceu a longa escadaria de sua casa, cumprimentando sua mãe com um beijo no rosto.

-Está ansioso, filho? Seu primeiro dia na escola!

-Sim, sim... Espero que dessa vez dê tudo certo – comentou tristemente, com a sua voz rouca ecoando pela cozinha. Sua melancolia foi rapidamente percebida por Sr. Mirute, que rapidamente o acolheu, dando um abraço seguido de um tapinha nas costas.

-Força, garoto... Você sabe o quanto é especial para nós, e não importa quantas vezes tenhamos de trocar de casa ou colégio, – o adolescente já foca nos olhos do pai – continuaremos tentando até acharmos um lugar perfeito.

O rapaz desfere uma mordida no seu pão enquanto arruma seu material: um caderno, um lápis, uma caneta e seu amuleto da sorte. Foi lambido por Sugar, sua carinhosa cadela de estimação adotada ainda pequena em um canil. Desde então, tornou sua única e melhor amiga durante longos e exaustivos nove anos. Para ele, é considerada como parte da família, disposto a arriscar até sua vida por ele. Em meados do ano retrasado, a inocente pet fugiu de casa quando avistou a porta da sala aberta; enfiou-se em um denso matagal próximo da moradia e lá permaneceu por algumas horas. No momento que Teru sentira a falta da companheira, puxou o facão e cortou exatamente toda a mata que ameaçava sua maltês fêmea. Talvez seja a causa pela qual Sugar constantemente dorme nos pés de seu dono; sente-se protegida ou acolhida pelo seu salvador.

Entrou no carro de sua mãe, acoplou seu fone de ouvido e partiu em direção ao desconhecido: uma escola totalmente nova, com pessoas que nunca vira antes. Não tinha a mínima noção se seria aceito ou não, faria amizades ou não, teria de esconder seu passado ou não. Por isso, simplesmente esquecia o mundo enquanto ouvia sua banda favorita. “Porque se preocupar? Quando chegar o momento terei a resposta de todas as perguntas”, pensava. Conhecia cada refrão de cor, cada batida nos tambores da bateria estava gravada em sua memória. Balançava seu negro cabelo acompanhado dos mais bem trabalhados solos. Seus olhos castanhos observavam tudo pela janela obscura do veículo. Não era alto o suficiente para jogar no time de basquete nem tão baixo quanto a maioria das meninas do último colégio; tinha a estatura certa. Seu pai, porém, era apelidado de “poste’, “girafa” ou “teleférico” quando estudante, justificativa justa para seu um metro e noventa e cinco. Até hoje o adolescente questiona a razão de não ter as mesmas medidas que ele – puxou mais o lado materno, com um vigor físico enorme, mas altura e peso não muito privilegiados. Sua mãe fora campeã estadual de natação ainda jovem, e treina sua resistência com corridas diárias até hoje.

Com a janela da caminhonete aberta, um pingo acerta a palma do garoto. O rapaz não entende, mas ao observar mais atentamente percebe a garoa cair no asfalto. Teru estranha a presença de chuva naquela estação do ano e, em questão de segundos, nota-se preso em uma viagem envolvendo tempestades, decepções e expectativas. Conforme o carro movimentava-se, a água escorria e esvaecia juntamente com o vento.

“Afinal...”

Pensamentos invadiam a confusa mente do adolescente.

“... por que vivemos...? Há alguma razão além de trabalhar, envelhecer e morrer?...”

Eram duas da manhã quando o telefone tocou. A família reunida na lareira assustou-se com o alarme do aparelho disparado; o pai atendeu e, em segundos, soltou o dispositivo móvel. Recebeu a notícia de que seu filho mais velho, em um acesso de depressão e melancolia, amarrou uma corda em seu pescoço e atirou-se da ponte estatal. Teru era novo demais para entender a gravidade da situação, assim como desvendar o motivo de tanta tristeza dentro de sua própria casa. Matt fora um excelente estudante e quão esforçado filho, logicamente com seus defeitos e manias pessoais. Nunca foi capaz de causar preocupação ou dor a quem amava; era incapaz até mesmo de ferir os mais desnecessários seres vivos da Terra. Trabalhava com administração e por incontáveis vezes era eleito como um dos mais importantes funcionários da empresa; tinha uma vida feliz ao lado de sua namorada, Gracey. Exatamente por esses aspectos, a família Mirute nunca compreendera a real razão doato. Talvez o homem escondesse algum fardo grande demais para ser compartilhado, ou achou erroneamente que logo esse compartilhamento causaria tormenta em sua vida. Mesmo uma década após a ocorrência, pesadelos e dúvidas ainda faziam questão de atormentar os sonhos maternos. Desde então, a citação do nome gera lágrimas, reabre cicatrizes que o tempo não curou e alimenta expectativas de reencontro, nem que o mesmo ocorra em outro plano. É desnecessário mencionar a devastação sentimental dos pais, considerando ainda que o falecido possuía apenas dezesseis anos. Já para o filho mais novo, a perda do familiar gerou enorme medo e simultâneo pânico de envolver-se em relacionamentos; evitou contato com qualquer outro ser humano se não aqueles com laços sanguíneos. Só sobrara, então, a carcaça vazia da criança: inseriu piercings erroneamente no lábio inferior exatamente para afugentar qualquer outro que tentasse contato. Tinha planos de crescerem juntos, fortalecer seus laços e, quem sabe, até assistir a construção da família de seu grande irmão. Mas tudo isso tornou-se trauma correndo nas veias e decepção desumana. Ouviu uma voz chamá-lo.

-FILHO!! – A mãe se estressa – Já estamos parados nesse estacionamento a mais de dez minutos! Dá pra guardar esse fone de ouvido e pegar seu material no porta-malas?

Teru acordou. Realmente, a caminhonete estacionada já era alvo de buzinas e escandalosos xingamentos. Guardou o aparelho auditivo no bolso, apressou o passo e puxou desanimadamente sua mochila negra e azul.

-E não esqueça – O rapaz, de fato, já quase se esquecia de despedir-se da mãe – Tudo vai dar certo!

Fechou os punhos, como um sinal de afirmativo, e seguiu para o portão principal do instituto. Caminhava hesitando, sem saber o que lhe esperava do outro lado daquele enorme muro. Já enfrentou essa situação diversas vezes: ao passar pela entrada, depara-se com um enorme zoológico presente de verdadeiros animas gritando, correndo de um lado para o outro tentando cantar as fêmeas. Para Teru, tornou-se algo cotidiano disfarçar sua vergonha e timidez mexendo no celular enquanto outros ‘jovens’, se é que assim podemos chamar tais vândalos, tentam estabelecer um contato. Por mais divertidos e simpáticos que aparentassem, sempre mostravam seu lado negro ao terem noção dos problemas do rapaz; por vezes zoavam-no ou chegavam até a agredi-lo. Logo, achou mais simples não falar ou olhar para ninguém – quanto mais anonimato, melhor.

-Devolva minha mochila, Ron!

-Não! Não é permitido urinar nas paredes do pátio!

-Hum, podemos fazer isso no banheiro durante o intervalo...

Começou. A várzea criada parecia fora do controle quando oadolescente pisou no corredor principal. Vários dialogavam sobre assuntos aleatórios ou até chulos, só para terem a graça de interagir depois do recesso. De cara, valentões já mostravam as garras com encaradas hostis. Um deles destacou-se, com um abdômen extremamente desenvolvido, altura brutal e roupas semelhantes a de um desabrigado. Ele conversava com duas garotas de no máximo quinze anos, mas que somente pela leitura labial demonstravam conhecimento sobre assuntos picantes. Outro estudante batia constantemente a cabeça no vidro, e sangue escorria ligeiramente. Auxiliares tentavam ajudar o menino, mas sua força física era superior à da coordenação. Por mais novos que fossem, os armários já possuíam pichações ofensivas ou escritas de maneira grotesca, provavelmente escritas naquele mesmo dia. Á esquerda, um cartaz: “Bem vindo ao Instituto Educacional Alabama Highway: porque você também é normal”. Teru não sabia exatamente como sentir-se, então simplesmente ignorou e tornou seu caminho para a direita. Outro aviso: “Relações sala-estudante na sala dois”. Logo viu cinco listas, cada uma possuindo uns trinta nomes em ordem alfabética, organizadas de forma Nome Completo – Problema Psicológico – Sala. Os olhos do adolescente devoraram curiosamente a lista, até encontrar sua classificação.

“Teru Mirute – Esquizofrenia – Sala E, número 33”.

Não bastasse a decepção de cair na pior classe, ainda era obrigado a aturar outros jovens zoando colegas que não atingiram, no mínimo, a classificação B. Os praticantes do ato portavam óculos enormes, trajes sociais e riam literalmente como porcos engasgando. Suficientemente irritado, sacou sua mochila e caminhou para o recinto indicado. Já na porta, foi surpreendido por quatro portadores de fobias desenhando no quadro verde: um que portava ablepsifobia – o medo de ficar cego; um herpetofóbico – não suporta a presença de répteis; um mictofóbico – pavor de escuridão ou ausência de claridade e finalmente, uma linda menina cujo trauma não constara nos papéis fincados pelo corredor. Tinha longos e lisos cabelos verdes, olhos no formato de castanhas, unhas com pintura negra e um modo de falar capaz de apaixonar qualquer garoto daquela escola. Por esse motivo, estava sempre cercada de rapazes por todo lugar que ia. Enquanto outros moleques pintavam caveiras, a garota improvisava desenhos abstratos por toda a lousa. Teru caminhou até o fundo da sala, arremessou sua mochila na penúltima cadeira da última fileira e sacou sua lapiseira cinza, item que o acompanhara desde a infância; por mais enferrujada que estivesse, não era esquecida nem abandonada devido a seu carregado valor emocional.

Conforme mais pessoas entravam na sala, mais desacomodado sentia-se. Embora fosse o primeiro local que visitasse cujo especialização era pessoas semelhantes a ele, tinha pavor dos acontecimentos que viriam a ocorrer naquele domicílio. Pelo que lembrava, nenhum outro estudante tinha o mesmo problema que portava; com certeza não exatamente igual. Até gravou nomes na cabeça de outros esquizofrênicos, porém receava que seu grau fosse mais elevado que os dos demais. A primeira vez que estabelecera contato com outro ocorreu há anos, tempos cuja memória fez questão de apagar amarguradamente. Na tentativa inicial engasgou e começou a dizer baboseiras sem sentido, dando a impressão que sua doença era a idiotice natural. Em seguida, deu detalhes mais profundos de seus problemas, que afugentaram o parceiro em menos de dez segundos de conversa. Não podia se sentir mais nervoso como em uma troca de colégio. Observou as mesas do espaço, e viu apenas rabiscos infames sem a menor presença de sentido. Resolveu ignorar.

-Quem é você?

Teru sentiu um frio na espinha enquanto a mão de alguém apoiava-se no seu ombro. Respirou fundo, engoliu seco e virou:

-S-sou Teru, p-prazer te conhecer... – gaguejou o menino, sem nem ter a mínima noção de quem dialogava.

-Ahn, o prazer é todo meu... Pode me chamar de Ron – rapidamente apertou a mão do tímido sem qualquer chance de rejeição. Era um garoto acima do peso, careca, com um rádio barato acoplado nas costas. Tocava um rap altíssimo, com batida agressiva e letra com erros de dicção. Pelo menos parecia amigável, ignorando seus músculos desenvolvidos pelo excesso de banha.

Começaram a conversar. Mesmo sem a prática diária, o rapaz ainda lembrava de algumas expressões na fala dos adolescentes, como o uso de “mano” ou “tipo” a cada sentença. Não durou muito; um sinal dentro da sala disparou-se quando o ponteiro marcou oito horas. Todos de pé improvisaram um lugar, e a corriqueira conversação foi interrompida com os severos passos do professor.

-Bom dia – todos respondem – Meu nome é Juliano, mas se preferirem assim, tem o direito de me chamar como Senhor Juliano. Essa sala foi inicialmente designada a vocês devido apenas a comodidade – inutilmente, vários suspiros foram soltos – O que realmente determinará sua sala são esses cinquenta e oito testes, incluindo todas as matérias cobradas tanto em escolas públicas como privadas. Cada questão contém alternativas de A até G, e cada erro desconsidera uma assinalada correta. Iniciarei a distribuição dos avaliativos em dois minutos.

O terror iniciou-se.

-Não é justo!

-Como assim? Pensei que a distribuição das salas era feita através da prova de bolsa!

-Ele está falando sério mesmo?

Enquanto o medo instala-se, Teru cochicha:

-Qual é a desse cara? É a primeira vez que o vemos e já nos dá uma prova desse porte...

-Ele é o diretor daqui, e é assim mesmo! Todo ano faz a mesma coisa... – responde o gordinho, comendo uma bolacha de chocolate.

-Mas como você sabe?

-É a terceira vez que repito de ano nesse colégio! – comenta Ron, gargalhando nojentamente.

Começou a entrega. Cada expressão facial dos alunos determinava o quanto estava preparado – ou não — para o teste. A menina que trocou olhares estava confiante como ninguém, já assinalava a décima segunda questão em menos de quatro minutos; os estudantes aleatórios espalhados pela sala faziam preces e trocavam respostas nas distrações do professor. Embora não estudioso, Teru possuía apenas notas azuis no boletim, independente da escola que frequentasse; logo não estava tão ansioso para a prova. No início, nada o atrapalhou. Era habilidoso em exatas embora preferisse humanas mil vezes, então começou por questões de matemática e química.

“Omoc eovc se entes? Airrepmavorp do noa...”

Ignorou. Continuou a escrever sua redação quando é incomodado novamente.

“Poequr noa em arepsaten ao euss agomis?”

-Não são meus amigos! – falou discretamente o rapaz.

“Noa mitan arp mim...”

-CALE A BOCA!

Silêncio absoluto. Todos largaram a caneta para encarar diretamente o adolescente. Nunca se sentira tão envergonhado em sua vida, tinha a impressão de que até os passarinhos interromperam o canto para condená-lo. Juliano caminhou rancorosamente até a mesa do estudante, puxou a caneta vermelha e rabiscou um enorme zero no espaço reservado para a nota.

-Mas... eu...

-Sem ‘mas’. É proibido qualquer tipo de barulho ou ruído acarretador de discórdia. Está dispensado, Senhor Mirute – o homem nem encarou o aluno enquanto armazenava o teste em sua gaveta.

Teru forçou um sorriso e balbuciou ‘Obrigado’. Agarrou sua mochila e saiu rancorosamente do recinto, com o fone de ouvido no volume máximo e obviamente, a atenção de todos os outros estudantes. Pegou sua carteira e enfiou-se no ônibus mais próximo. Não sabia aonde ir, porém quanto mais longe daqueles que lhe causam dor, melhor.

-O que pensaram de mim...? – Aflige-se o rapaz – Certeza que dei uma de idiota na frente de todos... Porque será que ainda tento agradar a todos, se não consigo nem mesmo agradar a mim mesmo...? Eu... Só queria ser como eles...

A catraca do veículo travou exatamente no momento que o menino passara. O cobrador, então, empurrou-o para trás, alegando que era necessário esperar um tempo mínimo antes da passagem. Além do mais, o garoto não pagara o valor do transporte ainda.

-Ahn, claro...

Procurou na carteira, mas não achou nada além de documentos e anotações ilegíveis. Afundou a mão na mochila, e o resultado foi o mesmo. Achando que era uma brincadeira, o motorista freou bruscamente o ônibus, derrubando passageiros de pé e consequentemente Teru. Não bastasse, foi expulso a mercê de ofensas e pontapés.

-Quem é esse retardado?

-Afe, deixe de ser trouxa...

Caiu de queixo em plena poça d’água, estourando os pulsos e ralando metade de sua face. Saiu correndo assustado do local, motivando risadas de desconhecidos. Correu três quarteirões, quando deu conta da ausência da mochila. Caminhou cautelosamente até a avenida em que foi despejado, e chegou bem a tempo de presenciar seus materiais sendo atropelados por sequências de automóveis.

Cambaleou desviando dos carros, pegou o item encharcado e escalou um relativamente baixo prédio. O objeto agora estava tão plano quanto uma folha de papel recém fabricada. Abriu a mesma e viu um bilhete, que pela letra, deveria ser de autoria de sua mãe. Marcas de batom e corações enchiam o espaço em branco da página arrancada.

“Por um primeiro dia de aula simplesmente maravilhoso!!

Confio em você, filho... Confio que desta vez tudo correrá da melhor forma possível, amizades serão construídas, professores vão te admirar, quem sabe não me arranja uma norinha?

Te amo, Kátia”

Uma. Duas. Três. Lágrimas molhavam o recado enquanto a sanidade do rapaz esvaia-se, junto com sua quase nula autoconfiança.

-Mãe... Eu sou um fracasso pra senhora, não?... Talvez seja melhor eu apenas... – comenta enquanto caminha lentamente rumo á borda do edifício.

“Aceitar seu destino comigo?”

Teru irrita-se.

-Vá se ferrar! Tudo isso hoje foi por culpa sua! Se não tivesse se intrometido, nada disso teria ocorrido, assim como TODAS AS OUTRAS VEZES!

“Você prefere me culpar á culpar a sociedade em que vivemos?”

-Lá vai você com esse assunto de sociedade novamente...

“Deixe de ser teimoso e olhe pra frente!” — O estudante mostra o dedo do meio mas acaba obedecendo. “Não é minha culpa se esse mundo que vivemos está cheio de merda. Veja os noticiários, ou melhor, as pessoas ao seu redor e diga que estou errado... Falsidade, hipocrisia, ódio mútuo, mentiras, violência... Medo controla nossa vida. Ainda mais você, que é diferente, pode citar muito mais exemplos dolorosos do que a existência humana resume-se...”

Apoiou um pé na quina do prédio, e refletiu um pouco no que foi dito.

“Quanto mais vivemos, mais próximo das trevas ficamos. Não existe nada como luz ou esperança em meio como esse. Então, por que simplesmente aceitar tamanha discórdia, em vez de lutar contra essa maré...”

-E essa mudança começa bem na minha primeira prova anual? – Ele riu.

“Aquilo foi só uma distração... Você não quer perder tempo com gente chula, certo?”

Pensou em todos os tipos de pessoas que lidou durante sua vida, e assentiu. Tirou sua perna de tamanha zona perigosa e posicionou os restos da mochila nas costas, andando rumo á escada.

-Sim, você está certo... Não devemos nos comparar a tamanha generalização, somos diferentes. Mas...

Um raio ilumina o nublado céu, agora introduzindo o rapaz a uma forte tempestade.

-... O mundo está mesmo uma merda...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.