Monochromatic Sekai

12 Lembranças de uma época melancólica


Notas iniciais
Então pessoal...eu gostaria de pedir desculpa, por ter demorado tanto tempo a repostar um capítulo. Confesso que depois de pronto, até pensei em apagá-lo todo achando que havia ficado ruim, mas decidi não fazer...Então bem o novo capítulo está ai, e espero que vocês gostem dele, e prometo que tentar não demorar mais desse jeito a postar um novo capítulo. Ah, e antes que eu me esqueça, para não deixar que fique confuso, é a Lua que narra o capítulo ^^.

-Tch, ele é mais pesado do que aparenta...bom, pra que lado que era mesmo o fliperama? –Lua se perguntava enquanto começava a andar na direção para o fliperama, carregando Yushiro nas costas.

— Como será que ele sobreviveu àquele impacto...? Acho que bati com força suficiente para espatifar o seu corpo...bem, não importa, se ele está bem, ainda serve para responder a algumas perguntas – Lua disse enquanto continuava a caminhar.

— Será que é realmente ele? O rosto dele me faz lembrar um pouco...do meu irmão.... –Lua sussurrava enquanto uma lágrima escorria de seu rosto.

Quando eu era criança, minha família tinha uma condição social elevada, e isso trouxe diversos problemas. Algumas pessoas tinham medo de andar comigo, achando que eu era alguma esnobe ou coisa parecida. Mas minha melhor amiga sabia que era tudo inventado. Porém o destino quando decide pregar suas peças, não perdoa a ninguém.

Um dia voltando do colégio com a minha amiga, fomos cercadas por 4 homens. Um deles começou a murmurar:

- Qual das duas é a tal riquinha?

— Não importa, ambas devem ser riquinhas, apenas pegue uma e vamos embora daqui. –Disse outro homem.

Eles me desacordaram. Minha amiga foi levada no meu lugar e quando descobriram que ela não era rica, a mataram. Eu fiquei em choque depois do ocorrido e só ficava no quarto chorando. Voltei a frequentar o colégio 3 semanas depois do ocorrido e notícias sobre os acontecimentos haviam chegado lá. Ninguém mais tentava se aproximar de mim com medo do que poderia acontecer, até mesmo os professores e o diretor tinham um certo medo.

Isso me fez perceber que a vida não era tão boa quanto aparentava. Mas algo ainda pior ocorreu no mês seguinte. Estava voltando pra casa quando ao chegar perto do portão, a única visão que eu podia ter era das chamas engolindo a casa. Alguém havia posto fogo nela, e pior, assim que os bombeiros terminaram de extinguir o fogo que havia na casa, meus pais não haviam conseguido escapar e morreram, provavelmente ou queimados, ou asfixiados, e meu irmãozinho não foi encontrado em lugar nenhum. Uma semana depois os culpados foram achados, e eram os pais da minha falecida amiga.

Como não tinha mais nenhum lugar para ir, acabei ficando na casa de uma tia minha que por algum motivo odiava minha família. Eu tive que parar de frequentar o colégio, pois minha tia se negava a pagar, e como eu não tinha meios para conseguir dinheiro decidi desistir também. Porém, minha situação naquela casa começou a piorar. Eu tinha que aguentar piadas e xingamentos calada e isso me deixava com um ódio que crescia cada vez mais por aquela mulher.

Certo dia, minha paciência já estava no limite e ela decidiu falar mal de meus pais:

— Aposto que eram apenas 2 corruptos. Aquelezinho lá deveria ser a pessoa mais corrupta daquela cidade. –Disse a minha tia com um tom de deboche.

Nisso eu subi ao meu quarto e dentro de uma mochila verde que não era significativamente grande eu coloquei o máximo de roupas que consegui. Logo após, desci e fui a cozinha e botei dentro da mochila algumas frutas, bolachas, biscoitos, enfim, tudo que fosse alimento eu estava tentando por dentro, até que não houvesse mais espaço sobrando. Voltei a sala e ela continuava a xingar meus pais:

— Aquela mulher, tenho certeza que conseguia dinheiro tendo outros homens, e claro, não duvido que a próprio mando do marido. –Minha tia disse no mesmo tom de deboche.

Dirigi-me a porta da frente da casa, a abri e olhei na direção de minha tia que estava sentada no sofá, e abri a boca:

- A única vagabunda que eu estou vendo aqui é você! –Gritei bem alto e fechei a porta com a maior força que pude.

Obviamente, ela veio atrás gritando:

— Ei, você está louca é? Para onde pensa que está indo? –Minha tia gritou da janela da frente da casa.

— Não é da sua conta! –Gritei de volta e comecei a caminhar.

— Então vá, e tomara que morra também! –Ela gritou fechando a janela com bastante força.

Depois de ouvir aquilo, eu segui adiante e não dei ouvidos ao que aquela mulher tinha dito. Aquele tipo de palavras e atitudes não eram coisas que uma menina de 8 anos deveria estar dizendo ou fazendo, mas acho que com a convivência eu acabei aprendendo aquele tipo de palavra com os xingamentos que ela direcionava a meus pais, e como tinha que fazer tudo por conta própria acabei me tornando independente muito cedo. Porém na raiva no qual eu estava eu não parei para pensar nas consequências que meus atos poderiam trazer, nem dinheiro eu pensei em pegar. Mas mesmo assim eu fui e fiquei uma semana vagando pelas ruas, sem ter pra onde ir e apenas com os poucos suprimentos que consegui estocar na mochila.

Na segunda semana eu estava entrando em desespero porque a comida estava começando a se esgotar e eu ficava com cada vez mais medo de dormir na rua. Decidi então tentar voltar e conviver com aquela mulher mais uma vez. Estava chovendo naquele dia, e assim que bati na porta dela, ela percebeu que era eu que estava ali e abriu a janela da frente da casa começando a gritar:

— Ora ora, se não é a menininha levada. Não foi você que decidiu ir embora daqui? Pois bem, agora apodreça nas ruas, sua imunda! –Minha tia cuspiu da janela e a fechou sem nem olhar para trás.

Eu fiquei ali, desesperada, batendo na porta e chorando enquanto a chuva continuava a cair. Devo ter ficado duas horas, senão mais tempo implorando para entrar, e nesse ritmo a chuva tinha engrossado mais.

Como eu havia percebido que continuar ali era inútil, voltei a vagar pelas ruas, que estavam vazias devido à chuva. Eu provavelmente pegaria um resfriado dos grandes, ou uma febre alta, ou em um pior caso uma pneumonia. Enquanto continuava vagando, uma senhora idosa tirou o seu casaco ao me ver, e o entregou a mim, alegando que nas minhas condições, eu necessitava mais que ela. Eu não poderia mostrar o quanto fiquei grata com aquele gesto, então simplesmente dei um largo sorriso, mas logo comecei a chorar, pois havia ficado comovida com aquele ato. Com o casaco em cima da minha cabeça, continuei a vagar até que achei um lugar que estava um pouco coberto e passei o resto da noite ali. O que eu tinha de alimento estava ficando pouco.

Um mês se passou e eu tive que começar a implorar pelas ruas, para que alguém me desse um pouco de comida. Algumas vezes, me xingavam, cuspiam em mim, mas de vez em quando alguém bom o bastante aparecia e me dava nem que fosse um pouco, mas me dava comida.

Um pouco mais de tempo se passou, e já estava no meu limite. Estava com fome, e com medo. Foi então que minha visão começou a ficar turva e acabei desmaiando no meio da calçada de uma rua que não parecia tão movimentada.

Quando acordei, não acreditei no que tinha acontecido. Estava em um quarto, deitada em uma cama. De repente, uma mulher entrou no quarto, e disse que quando me viu caída no chão, ela havia ficado preocupada e me trouxe para dentro. Eu disse a ela que não tinha nenhum lugar pra ficar, e foi então que ela disse:

— Meu nome é Vivi, e bem-vinda, este é meu orfanato. –Disse Vivi com um tom sereno.

Aquelas palavras ecoaram na minha cabeça, até que finalmente eu havia me dado conta que acabava de ganhar um novo lar. Eu poderia ficar nesse lugar, e não seria abandonada. Comecei a chorar, mas não um choro de tristeza, mas sim porque estava feliz, e Vivi vendo aquilo veio perto de mim e me abraçou, dizendo:

— Boa garota...você deve estar faminta, vamos, irei te levar até a cozinha. –Vivi disse enquanto me soltava e gentilmente me segurava pela mão, para me guiar até a cozinha.

Eu estava tão feliz que, mesmo se a comida estivesse congelada, eu não daria à mínima. Logo após terminar de comer, Vivi me levou ao banheiro e disse que eu tomasse um banho e ela pegaria algumas roupas para mim. E foi o que eu fiz.

No dia seguinte, contei a ela minha idade e como havia ido parar na rua. Ela ouvindo minha história ficou emocionada, e disse que cuidaria muito bem de mim. Porém Vivi me pediu para tentar fazer amizade com as outras crianças, mas eu ainda tinha medo, e decidi ficar sozinha em um canto. Foi ai que senti um puxão na camisa que estava usando, e quando me virei uma menininha de cabelos roxos começou a dizer:

— *Nee-chan, vamos brincar! –Ela disse e me puxou para onde um menino de cabelos azuis estava sentado no chão.

— Ei, nee-chan, qual o seu nome? –O menino disse com uma voz um pouco envergonhada.

— Meu nome é Lua...é um prazer conhecer vocês...err, seus nomes?

— Eu sou a Raira, e esse do meu lado é o Levi! –Ela disse sorrindo e apontando para Levi que estava do lado.

— Ei sua besta, eu é que deveria me apresentar. –Levi disse se aborrecendo com a atitude de Raira.

— Você é lerdo, seu bobo! –Ela falou e depois mostrou a língua para Levi.

— A única boba aqui é você! –Levi disse mostrando a língua para Raira.

— Bobão! –Raira disse a ele.

— Bobona! –Levi disse a ela.

Vendo aqueles dois brigando, não me contive, e comecei a rir. Fazia um bom tempo que eu não esboçava um sorriso no rosto.

— Lua-chan, do que você ta rindo? –Raira confusa perguntou.

— Nada, nada...então, Raira e Levi, prazer em conhecer vocês! –Disse pondo a mão na cabeça de cada um.

— Hehe, Lua-chan, você vai ser minha melhor amiga, né? –Raira disse e depois abriu um grande sorriso.

— Você pode apostar que sim. –Disse retribuindo o sorriso pra ela.

— E...porque diabos eu estou lembrando disso tudo agora? –Disse enquanto continuava a caminhar.

Eu senti que algo havia se mexido, e Yushiro havia aberto os olhos.

— Então finalmente recuperou a consciência...você é bem durão hein.. –Disse com a cabeça virada o olhando.

— Han? Porque...você está me carregando? E pra onde você está me levando? –Yushiro disse, confuso, olhando para os lados.

— Acalme-se, estou apenas indo para onde já deveria estar há um bom tempo, e não poderia simplismente te deixar jogado no chão. –Disse a ele, que logo depois corou um pouco e virou o rosto, na tentativa de me fazer não perceber sua vergonha.

Ele então, apoiou o pé no chão, e desceu das minhas costas, perdendo equilíbrio por alguns segundos mas logo se mantendo de pé.

— Ei, você consegue andar? Não tem problemas se você quiser que eu te carrege. –Disse a ele.

— Tu-tudo bem, eu consigo ir sozinho. –Ele disse e começou a caminhar com um pouco de dificuldade.

— Ei Yushiro...você é realmente meu... –Me virei para olhar para ele e antes de conseguir terminar de falar, um vento forte fez com que eu fechasse meus olhos por alguns segundos.

Quando os abri de novo, vi que algo, ainda meio borrado por causa da minha visão, estava vindo na nossa direção. Estendi a mão para Yushiro na tentativa de tirá-lo do caminho do que estava vindo, ele estendeu a mão, mas antes que pudesse segurar a minha mão, o que estava vindo na sua direção o perfurou no peito.

Era uma lança, porém não tive tempo de reparar nos detalhes dela, pois como estávamos próximos a lança acabou me perfurando um pouco abaixo do peito.

— Nee-chan... –Yushiro que estava com a mão perto da minha disse antes de perder a consciência.

Havia sangue espalhado no chão, e o sangue que estava descendo pela lança, começou a pingar no chão, não demorando a formar uma pequena poça sobre meu pé. Eu que estava perto de segurar sua mão, a levei até o cabo da lança e o segurei, mas não tive forças para tirá-la. Logo minha visão começou a ficar turva.

— Yu...shi....ro... –Foi o que consegui dizer antes de perder a consciência.

Notas finais
*Nee-chan = Irmãzona
Espero que tenham gosta do capítulo ^^