Money Power Glory
1 One shot
Notas iniciais
O cheiro de cigarro empesteava aquele quarto de hotel barato na parte escura da cidade dos anjos. A morena fumava apenas para se acalmar assim ela sempre disse desde que Emma a conhecera em uma festa há alguns anos. Provavelmente morreria de câncer, pois ela sempre precisava se acalmar. Esse era o pensamento da loira. Emma andava pelo quarto usando nada mais que uma calcinha preta de renda, estava preocupada demais até para se lembrar de colocar uma roupa. O roubo ao banco no dia anterior havia sido um sucesso, o dinheiro estava espalhado em maletas por todo o quarto, porém agora elas estavam sendo mais caçadas do que nunca. Era um dever da polícia prende-las para que aquela onde de roubos acabasse de vez, a população estava assustada, algo deveria ser feito para dar um basta naquela situação.
Era possível ver a veia no meio da testa da morena saltar, Regina estava igualmente preocupada, talvez era por isso que ela fumava mais do que fumou em toda sua vida. Estava aflita, queria sair logo daquele quarto de hotel, queria ir para estrada e sair de Los Angeles o mais rápido possível. Regina a impulsiva, Emma a sensata. Completavam-se de certa forma, pois a loira sempre pensava cuidadosamente antes de fazer tudo e só depois executava o plano, e a morena sempre agilizava as coisas, de modo que assim, todo plano de roubo que elas fizessem seriam bem sucedidos, e logo, muito bem executados. Ser vista durante os roubos não fazia parte dos planos, porém essa era a menor das preocupações que rondava a cabeça de Emma Swan, que agora contava as notas de dentro de uma maleta que se encontrava na cama.
-Regina? -A morena piscou algumas vezes e então olhou para a sua amante. -Nós temos que sair daqui, AGORA!
Sirenes de carros de polícia, fora isso que fez Emma despertar. Ia ter uma batida naquele hotel a qualquer minuto, e ambas teriam que estar longe dali quando isso fosse acontecer. Regina se colocou de pé às pressas, procurava suas poucas roupas que havia deixado espalhadas pelo quarto do hotel. Emma vestia sua calça de couro preto com muita rapidez e antes mesmo de abotoar o botão da calça, ela já estava vestindo a regata branca que lhe era de costume. A morena terminou de colocar seu vestido preto que possuía um decote generoso, arrumou o cabelo em um coque, que por mais que fosse feito as pressas, estava elegantíssimo. As sirenes já estavam mais do que próximas, Emma então foi até a janela e cuidadosamente olhou para baixo, Regina estava calçando os saltos quando a loira lhe olhou com um sorriso nos lábios. “Temos que ir”. Era mais do que claro o que Emma estava pensando.
Swan abriu a janela que se encontrava no banheiro daquele quarto minúsculo e saiu com quatro maletas na mão, Regina veio logo atrás com outras três maletas na mão, saiu com certa dificuldade pelo salto 20cm que usava, ela não os deixava de usar nem mesmo em uma fuga, era sua marca registrada. Dama de ferro, era assim que Regina Mills era conhecida em Los Angeles, impiedosa e de uma beleza capaz de arrancar suspiros até do mais bruto homem, era uma dançarina conhecidíssima, já havia performado para várias pessoas importantes. Foi em um de seus shows em uma festa particular que ela conheceu Emma Swan. O oposto dela estava bem ali diante de seus olhos. Emma era do tipo bruta, séria e de meias palavras, era pulso firme e sempre foi quem comandava tudo. A loira não teve pai, nem mãe, cresceu sozinha e sempre soube se virar muito bem. Havia adquirido todo o tipo de experiência que lhe desse vantagem quanto a ser uma criminosa da elite. Assaltos, roubos, sequestros e assassinatos, Emma Swan era discreta quando tinha que ser, talvez isso tornasse seus crimes perfeitos.
Uma relação de amor e ódio fora construída pelas duas. Nos anos seguinte, ambas não viviam uma sem a outra, como já fora dito antes, elas se completava, o que faltava em uma, poderia ser facilmente encontrado na outra. “O casal perfeito ataca novamente”. Era isso que a manchete do jornal que se encontrava de baixo do braço de Regina dizia. Da janela do banheiro elas conseguiram encontrar uma escada que as levou até um beco, na parte de trás do hotel. Era possível ouvir a polícia arrombando a porta dos quartos para procura-las. Mills mantinha um sorriso nos lábios, ela sabia que poderiam escapar sem sombra de dúvidas, porém algo lhe dizia que aquilo não iria acabar em boa coisa. Elas sempre preferiram crimes de médio porte, porém assaltar o maior banco de Los Angeles não entrava nessa categoria. Vinte pessoas mortas e um tiro de raspão na perna de Emma, esse foi o saúdo daquele assalto bem sucedido. Estavam orgulhosas de si mesma por terem executado aquilo de uma forma quase perfeita.
Viraram o beco e encontraram o Impala preto de bancos de couro vermelho. Regina foi quem havia escolhido aquele carro, gostava de si mimar às vezes, e o carro veio em boa hora. Entraram no mesmo às pressas, jogando as maletas no banco de trás. Emma ligou o carro e deu partido, cantando pneu para sair rápido daquele lugar. Estava tudo tranquilo, porém a loira apertava o pé no acelerador cada vez mais, queria tirar Regina dali, onde o perigo a cercava queria protegê-la e iria até o fim do mundo para fazer isso. A morena estava despreocupada, sabia que sua loira conseguiria sair dali em um piscar de olhos. De dentro de uma caixa de plástico que era pintada com um misto de branco e rosa, Regina tirou despreocupadamente dois cigarros, os colocou na boca e os acendeu, dando um para Emma logo em seguida.
A loira sorriu, amava quando ela fazia aquilo, pois cada vez que ela volta o cigarro aos lábios para dar uma tragada, o gosto de batom de cereja que Regina usava se fazia presente em seus lábios. Era como beija-la sem de fato o fazer, era bom sentir o gosto da morena misturado ao prazer que o cigarro pode causa. Sobranie era a marca preferida daquela morena exigente. Ela sempre os comprava, uma vez que outra marca não lhe servia tão pouco a satisfazia. Emma era quem comprava os cigarros dela, não importa em qual parte do mundo elas estivessem, aquele cigarro era algo sagrado para Regina. O carro seguia acima da velocidade permitida, se encaminhando para a estrada para Pasadena. Ah, Pasadena, Emma sempre quis conhecer a fundo aquele lugar que povoava sua mente desde criança, fora ali que sua mãe nasceu e talvez encontrasse algo sobre ela lá. Parecia que a sorte das duas estava para mudar.
Com todo aquele dinheiro dentro das maletas, elas poderiam começar uma vida nova, uma vida tranquila e normal. Isso era tudo o que Emma queria para Regina, deixar que a morena vivesse como ela sempre quis. Pasadena parecia um ótimo lugar para isso. A loira sorriu ao olhar Mills que abria a janela para jogar a fumaça do cigarro para fora. Ela era tão linda, tão doce, tão... Regina Mills. Sua deusa, musa, aquela por quem Emma acordava todos os dias, apenas para lhe dizer “Hey pretty lady”. Regina amava quando Emma lhe dizia isso logo ao acordar, ela esboçava um enorme sorriso e então a beijava apaixonadamente. Adentraram a estrada, agora mais leves, a polícia não as acharia, certo? Errado! Sirenes poderiam ser ouvidas. Emma surtou, olhou pelo retrovisor e viu centenas de carros de polícia atrás de si. Sorriu afundando o pé no acelerador, o carro deu um arranco. Regina se segurou, sabia que aquilo iria terminar mal, porém não quis comentar nada.
-Pasadena, meu amor, é para lá que nós vamos. -Emma tirou os olhos da estrada para dar um beijo na morena ao seu lado.
-Isso me soa muito bem, Pasadena... Vamos para Pasadena então, Miss Swan.
Um tiro no pneu traseiro, droga! O carro perdia o controle aos poucos, Emma tentava ao Maximo controlar aquela situação, porém estava mais difícil do que ela imaginava. A morena se desesperou, gritava o nome da loira enquanto olhava para trás, havia carros de polícia demais, sair dali vivas era quase impossível. Regina tirou a Magnum de dentro da bolsa e abriu a janela por inteiro.
-Segure a minha cintura, mon chérie. -Ah aquele sotaque francês, ela era simplesmente perfeita.
Emma fez o lhe fora pedido. A morena então abriu a porta do carro, se posicionou de forma que ficasse equilibrada e mirou. Esperou um pouco, os policiais gastavam balas demais com tiros dados aleatoriamente, não miravam, tão pouco tinham paciência para dar o tiro perfeito. A morena nada mais tinha a perder, então ela posicionou a arma na melhor posição e após um tempo o tiro saiu, o gatilho estava sendo apertado aos poucos, lentamente na verdade, eram assim que tiros perfeitos eram executados. Paciência, Regina, paciência. Ela poderia se lembrar das palavras de seu pai em suas aulas de tiro. Polícia condecorado, ele não gostava nem um pouco do rumo que a vida da filha havia tomado, porém, ela tinha um amor, o que para ele bastava se assim ela fosse feliz. O tiro saiu enfim, na cabeça do policial que dirigia o carro que chefiava tudo aquilo a bala foi enterrada. Um sorriso vitorioso brotou nos lábios da morena, logo, mais pessoas morreram, dando certo tempo às duas. Emma a puxou de volta para dentro do carro e Regina então fechou a porta.
-Emma. -Regina disse temerosa. -Será que vamos conseguir? Precisaríamos de mais armas para matar todos eles, eu estou com medo, mon amour. -Ela se encolheu no banco.
-Regina, olhe para mim. -A loira continuava a dirigir, conciliando o olhar entre a estrada e os olhos de Regina. -I feel you, pretty baby.
Com em um passe de mágica a morena se acalmou. Ah, aquela frase. A frase de toda uma vida, a frase que era à base daquele relacionamento. Nas noites de terror noturno que a morena tinha, Emma sempre lhe aliviava com essa frase. As palavras lhe traziam conforto e segurança. Regina sabia que morreriam tentando chegar a Pasedena, porém morreria ao lado da pessoa que ela mais amou.
-Feel me. -A morena então colocou a mão no coração de Emma, tendo a mesma cobrida pela mão da loira.
Beijaram-se apaixonadamente depois de tudo aquilo, a melhor fuga da vida de Emma estava acontecendo agora. Só não contavam com um pequeno detalhe. O policial que dirigia o segundo carro havia apenas tomado um tiro no braço, doía? Claro, é um tiro, porém nada que o impedisse de tentar alguns tiros. O segundo tiro no segundo pneu traseiro. O carro perdeu completamente o controle. Um borrão foi o que aquilo tudo pareceu. Todos os carros de polícia pararam e presenciaram o Impala preto capotar repetidas vezes. Haviam sobrevivido? Alguns acreditavam que sim, outros, porém apenas sorriram com a vitória sob aquelas ladras. O carro parou de capotar e uma ambulância se presente. Deveriam tirar os corpos dali antes que houvesse alguma explosão.
Tiraram primeiro a loira, o vidro estraçalhado da parte da frente havia se soltado, uma parte perfurou o peito da mesma, uma morte um tanto rápida. Ela havia morrido com um sorriso nos lábios. Houve certa dificuldade de tirar o corpo dela de dentro do carro, pois ela estava de mãos dadas com sua amante. Regina respirava com dificuldade, estava por um fio. Foi colocada em uma maca e acompanhada por um policial.
-Em... Emma. -Ela disse em um suspiro enquanto os paramédicos desatavam o nó do vestido para que ela respirasse melhor.
-Emma morreu querida. -A médica disse em um suspiro.
A morena arregalou os olhos, a pressão subiu de uma forma inacreditável. Tiveram que seda-la.
O fim trágico do amor das duas, como aquilo tudo chegara naquele ponto? Regina e Emma não sabiam, porém agora para a morena seria difícil viver, estava sem sua loira, sem seu ponto de equilíbrio e a vida na cadeia não seria fácil. Passaria anos ali e depois iria sair, sair para onde? Para onde iria sem sua loira? Ela não sabia da única coisa que ela tinha certeza era que seu coração estava partido, quebrado em milhões de pedacinho que provavelmente não poderiam ser colados novamente.
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