Money.

3 Capítulo 3 - Austrália


Notas iniciais
Se você goxta da minha fic, deixe-me saber hahaha

Kylie abriu os olhos lentamente. A luz os invadiu, queimando-os. Colocou a mão na cabeça, tentando lembrar onde estava. Olhou ao redor. Uma janela que pegava ponta a ponta da parede irradiava o sol, uma cortina bege pendia em cima dela. À esquerda, uma escrivaninha de madeira escura a encarava, junto das paredes horrivelmente brancas e sem graça. Tocou o lençol que a cobria, seda. As mãos andaram um pouco mais, até encontrar uma superfície lisa e quente. Cássio. Ele respirava tranquilamente.

As memórias chocaram a mente de Kylie. Sala de reunião, ela chorando, ele abraçando-a, de uma hora pra outra, ela o beijou, ele a agarrou. Kylie balançou a cabeça. Transaram ali mesmo, na mesa de reunião. Na mesa de reunião onde seu pai trabalhava. Cássio sussurrou algo em seu ouvido e ela apenas assentiu, depois foram para casa dele. E cá estava ela.

Kylie se levantou. Olhou-se no espelho. Seus cabelos estavam ridículos, ela vestia uma camisa enorme de Cássio. Riu de sua aparência. Foi até a escrivaninha e apanhou o celular: 13 chamadas perdidas. Ela suspirou. Eram de sua mãe. Discou o número, chamou apenas três vezes:

– Kylie?! – ela gritou – Kylie, onde você está?

– Relaxa mãe, eu estou bem.

– Vem pra casa, já! – ela berrava.

– Calma mãe, eu estou segura, não estou bêbada e nem grávida, ok? Eu só tive que sair.

– O que você está fazendo? – ela se acalmara.

– Estou na casa de uma amiga, dormi aqui, vou pra casa mais tarde – e desliguei.

– Mães, mães – uma voz rouca atrás de Kylie disse.

Cássio acordara. Seus cabelos lisos estavam bagunçados, mas os olhos azuis estavam mais brilhantes. Estava nu. Seu corpo era coberto de pintas e seus músculos estavam pressionados, como se cada movimento que fizesse fosse uma tortura. Ele levantou, andou até Kylie e a abraçou pela cintura, beijando seu pescoço:

– Você tem que ir? – perguntou.

– Não, não agora.

– Bom – ele subiu a camisa que Kylie usava – Isso é muito bom.

– Não – Kylie pegou em suas mãos e o afastou – Aquilo foi um erro.

– Um erro? – Cássio gargalhou – Não era isso que parecia enquanto você estava gemendo na minha cama.

Kylie sentiu a raiva subir pelas orelhas. Sem pensar, sua mão voou em direção ao rosto do rapaz. Cássio foi para trás com o tapa que levara. Passou a mão na bochecha com delicadeza e a encarou:

– Me desculpa, fui estúpido – ele gaguejou – Não devia...

– Tanto faz – Kylie abraçou as mãos – Acho melhor eu ir.

– Não, não Ky – Cássio pegou em sua mão – Perdão, mesmo. Não devia ter dito nada.

Os olhos de Cássio perderam um pouco do brilho, mas ainda estavam elétricos. Kylie percebia o desejo estampado neles.

– Fica, por favor – Kylie hesitou.

– Tá bem! – Cássio a abraçou novamente, sorrindo.

Kylie não entendia muito bem o que sentia por Cássio. Ele era bonito, sexy, sério e responsável, apesar de mais velho que ela, aparentava ser da sua idade. Tinha uma risada boa e era maravilhoso na cama, mas faltava algo. Seu abraço a fazia se sentir segura, a fazia esquecer-se dos problemas. Mas... ainda não era o que ela precisava.

Não passava das quatro da tarde quando Kylie chegou em casa. Kylie morava em um condomínio fechado, onde a fachada era dourada com detalhes em vinho. Não havia mais de cinco casas lá dentro. Um segurança para cada casa, além de outros cinco na portaria. Kylie estacionou seu carro na garagem de casa. Respirou fundo antes de girar a maçaneta e entrar na sala:

– Minha filha! – Jenner a abraçou forte – Eu estava tão preocupada.

– Eu disse que estava bem – Kylie tirou o casaco e o colocou no sofá.

Olhou o rosto de sua mãe. Inchado, fragilizado. Ela ainda chorava. Seus cabelos estavam soltos, num ninho. Ela vestia um roupão:

– Já comeu? – ela perguntou.

– Sim... – os olhos de sua mãe estavam querendo lhe dizer algo. Algo que Kylie já sabia – Eu sei, mãe.

– O que?

– Mataram meu pai, não foi? – foi como se Jenner levasse um tiro, seu corpo fraquejou e os joelhos encontraram o chão, como se fosse desmaiar – Mãe!

Jenner agora chorava:

– Eu não queria acreditar! Não é possível! – ela berrava. Kylie a abraçou pelos ombros, como se tentasse dar alguma sustentação ou força para a mãe.

– Calma, mãe! – Jenner tremia, não ia aguentar muito tempo – A gente vai descobrir quem foi. Eu juro.

Kylie conseguiu acalmá-la. Levou-a para o quarto de cima, onde Jenner adormeceu.

Kylie sentou-se no sofá, e tentava assimilar. Quem matou seu pai? Podia ter sido qualquer um que estava naquela sala de reunião do dia seguinte. Oliver, um dos gerentes, qualquer um que queria a direção da empresa. Kylie sentiu o coração apertado.

Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho vindo da escada. Era sua mãe, em um das mãos segurava uma mala de viagem preta, na outra uma pasta:

– O que é isso, mãe?

– Você está partindo – ela disse, olhando para o chão – Coloquei suas roupas todas aqui, nessa pasta você tem dinheiro, passaporte e passagem. Cuida bem dela.

Kylie estava travada:

– Partindo? O que? – ela piscou várias vezes tentando entender – Por que?

– Não vê o quão perigoso é pra você aqui? Você. Tem. Que. Ir.

– Mãe...

– Por favor – a mãe estava chorando novamente – Por favor. Faça pelo seu pai.

– Mas e você? E a empresa?

– Que se dane isso tudo, simplesmente vá. Um táxi já espera lá fora.

Kylie olhou para a mala no chão. Era então o seu destino: ir?

Jenner deu um longo abraço em Kylie:

– Cuide-se, ok?

– Você também, mãe.

Kylie pegou a mala, o casaco e a pasta. Abriu a maçaneta e olhou para sua mãe, como um adeus. Ela lhe deu apenas um sorriso tristonho.

Ao sair, a neve começou a cair. Kylie sentiu o coração congelar.

– Ky? – a voz de Cássio no telefone a acordou.

– Eu estou partindo – ela disse rapidamente. As lágrimas começaram a cair, o taxista a olhava preocupado – Eu estou indo embora – a linha ficou muda por alguns segundos.

– Vou com você, te encontro onde?

– Não, não vem comigo. Eu vou sozinha, mas quero me despedir de você. Pode me encontrar no aeroporto?

– Só se eu puder pegar o avião com você – Ky conseguiu rir.

– Não – ela apenas disse e desligou o telefone.

Olhou pela janela. Sentiria falta da Austrália.

O portão de embarque já estava cheio. Kylie fez o check-in e despachou as malas. Estava feito:

– Achou que ia sem mim? – Cássio estava atrás dela, com a expressão derrotada.

– Não acho, tenho certeza – ela disse. Cássio se aproximou e a abraçou com força.

– Fica, por favor – ele repetiu, como se ela ainda estivesse no quarto dele, com sua camisa, com seu cheiro. Kylie tocou os cabelos do homem e depois o pescoço.

Com as mãos trouxe o rosto de Cássio para mais perto:

– Cuida do império do meu pai – Cássio pegou nos cabelos da menina, puxando-os levemente.

– Eu quero cuidar da filha dele – Kylie sorriu levemente. Beijou-o, acariciando seus cabelos, sentindo as lágrimas.

Separou-se dos lábios dele, arrumou o casaco, virou-se e adentrou ao portão.

Deixando Cássio.

Deixando Austrália.

Pegou sua passagem e leu seu destino:

Canadá.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.