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38 Silêncio que Abraça


A noite estava mais fria do que de costume, e Luna caminhava ao lado de Noah pelas ruas silenciosas do bairro. Não disseram onde iam — apenas andaram, como se o simples fato de estarem juntos bastasse.


Chegaram ao parque e seguiram até o banco de madeira perto do lago. O reflexo da lua na água parecia pulsar com suavidade. Luna respirou fundo, tentando organizar o que sentia.


— Você sempre vem aqui? — perguntou ela, quase num sussurro.


— Depois que o Alex morreu, sim. Era o único lugar onde eu conseguia pensar sem me sentir engolido por tudo.


Ela assentiu. O silêncio entre eles não era incômodo, pelo contrário. Era reconfortante.


— Às vezes… — disse Luna, encarando a água — me sinto culpada por conseguir sorrir, por conseguir respirar, mesmo depois de tudo. Como se… isso fosse uma traição aos meus pais.


Noah olhou para ela com empatia sincera. Seus olhos não tentavam encontrar uma resposta perfeita, mas oferecer presença.


— Eu já senti isso — ele disse. — Mas sorrir não é esquecer. É lembrar de um jeito mais leve. E quando você sorri… eu juro que é como se o mundo ficasse menos pesado, até pra mim.


Luna virou o rosto para ele, emocionada com a sensibilidade das palavras. Deitou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos por alguns instantes.


O tempo parou.


Noah, devagar, entrelaçou os dedos nos dela. Um gesto tão simples, mas que fez seu coração acelerar.


— Obrigada — murmurou ela.


— Pelo quê?


— Por não tentar consertar nada… só por estar aqui.


Ele se virou levemente, os rostos agora próximos. Olharam-se em silêncio, como se o momento falasse por si. E então, sem pressa, se aproximaram.


O beijo aconteceu naturalmente. Doce, gentil, terno. Um carinho no meio do caos.


Quando se afastaram, Noah sorriu de leve.


— Acho que agora posso dizer que você é meu ponto de paz.


Luna riu, tímida.


— E você o meu recomeço.


Eles continuaram ali, de mãos dadas, enquanto o mundo seguia seu curso — mas, para eles, naquela noite, havia apenas silêncio e abrigo.