Monarquia Serpente - Bughead
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Elizabeth Cooper
Eu nem me lembrava de baile nenhum até Verônica chegar cheia de sacolas e me arrastar para um salão improvisado em sua casa. De certa forma eu não queria ficar sozinha, mas também me sentia mal por ser paparicada e mimada enquanto não sabia se minha mãe estava bem. Uma senhora espalhava uma máscara esfoliante em meu rosto enquanto outra distribuía um creme de hidratação ao longo do meu cabelo. Vez ou outra ouvia elas reclamarem sobre como meu cabelo estava despontado ou sobre como minhas unhas estavam malcuidadas. E eu não podia discordar já que nas últimas semanas eu não me dedicava exclusivamente a mim.
Se eu estava tão desleixada, pensava sobre como estaria minha mãe. Amanhã faria um mês de seu desaparecimento e só agora eu tinha certeza de que ela estaria viva. Me lembrava de cada palavra que meu pai disse no dia de sua prisão: “Vou te mandar para o mesmo lugar imundo que joguei sua mãe”. Apesar da crueldade das palavras, essa provavelmente era a melhor notícia dos últimos tempos. Ela não tinha fugido de ninguém como Jughead tinha dito, nem estava morta como eu pensava.
Enquanto a cabelereira e a manicure faziam seu milagre Verônica me olhava de lado e as vezes até me dava uma piscadela com um sorriso confiante, até que no final do dia ela tinha conseguido melhorar meu humor e levantar minha autoestima.
Quando acabaram eu me observei no espelho gigante do seu quarto enquanto todas as profissionais saiam mandando beijos para ela que agradecia.
— Obrigado meninas! Mais uma vez fizeram um trabalho excelente. O Sr. Smithers vai entregar o cheque para vocês na saída. – ela sorria agradavelmente enquanto puxava cabides embrulhados do guarda-roupa.
Eu levava a cabeça de um lado a outro observando o coque com fios soltos que fizeram. Analisei também a maquiagem. Era leve e escondia completamente a palidez de antes. Dei um suspiro.
— Acho que nunca vou poder retribuir tudo o que você faz por mim. – reclamei apertando o laço do roupão que usava.
— Betty, — disse enfática – eu com certeza vou dar um jeito de você me retribuir quando menos pensar.
Ela puxou um corpete prateado de dentro do plástico e só depois o tecido de tule cinza apareceu. Era leve o bastante para flutuar no ar.
Levei a mão a testa desesperada.
— Merda. – ela se virou confusa para mim – Eu não trouxe nenhum vestido.
Ela riu.
— Esse aqui é seu B.
— Sério? – praticamente saltei da cama pegando o vestido em mãos. O tecido da saia era leve e quase transparente, mas tinha tantas camadas que não era possível ver através dele. Já o corpete era pesado e era todo adornado com detalhes prateados. Apesar de ser tomara que caia tinha mangas ciganas que iam até o pulso deixando os ombros a mostra.
— É lindo demais. – constatei maravilhada.
Ao meu lado Verônica parecia satisfeita.
— É emprestado de uma amiga estilista de Nova York, mas acho que dá pro gasto.
Pulei nela para um abraço que ela retribuiu. Nenhum obrigado ia expressar minha gratidão por ter uma amiga tão empenhada quanto Verônica.
Seu vestido era tão ou mais elegante quando o meu. Claro que não poderia ser outra cor se não preto, tinha alças finas e delicadas e era repleto de lantejoulas negras. O toque final era seu colar de pérolas que contrastava até mesmo com sua maquiagem escura. Por um tempo achei ser demais então quis perguntar.
— V, nós estamos lindas, mas isso não é um pouco demais? – passei a mão pelo corpete sentindo o relevo dos detalhes.
Ela me encarou pelo espelho enquanto colocava os brincos.
— Acho que você não ficou sabendo, Cheryl quis fazer um baile temático dessa vez. Vai ser um baile de gala! – ela arregalou os olhos ansiosa.
Contorci o rosto.
— Nem todo mundo tem vestidos assim...
— É o que ela pensa. – disse erguendo as sobrancelhas – A rainha do baile vai ser escolhida pelo melhor vestido... – colocou o outro brinco e completou – Por isso consegui o máximo de vestidos possíveis. – sorriu.
Era do feitio dela. Seu sorriso tomou um ar malvado.
— Veronica Lodge sua diabinha. – ri.
— Por quê você acha que eu tenho meu próprio inferninho? – respondeu me arrastando para fora do quarto.
Assim que descemos para o hall do prédio nos deparamos com Hiram Lodge entrando no saguão. O Sr. Smithers vinha logo atrás com duas malas de mão.
— Papai, o que faz aqui? – Verônica questionou confusa.
Ele desabotoava o paletó com uma expressão impassível. Tive um tremor estranho quando ele correu os olhos por mim.
— Problemas nos negócios mi hija, tive que voltar mais cedo. – deixou um beijo na testa de Verônica antes de se voltar para mim – Sinto muito pelo seu pai Elizabeth.
Concordei com a cabeça e ele pareceu me ameaçar com o olhar. Só então me lembrei do que Verônica tinha dito sobre o mapa, uma das gráficas de Hiram estava circulada em vermelho. Será que ela se lembrava disso ou queria que eu me esquecesse com essa desculpa de baile? De qualquer forma, onde Hiram estaria indo e quais negócios estariam ameaçados quando o esquema de drogas foi descoberto?
— Divirtam-se. – ele disse por fim se retirando para o elevador.
Reli o bilhete de Jughead mentalmente, talvez fosse o único com quem eu pudesse contar no meio de tudo isso. Nós dois tínhamos coisas importantes a falar um com o outro.
Antes que pensasse demais um outro motorista da família Lodge apareceu na porta de entrada do Pembroke. Ele era muito mais novo que o Sr. Smithers e assim como Hiram seu olhar me causou medo, era como se estivesse me vigiando ou me ameaçando indiretamente.
Mais do que depressa o acompanhamos até a escadaria de fora. Ao final dela os meninos nos esperavam com as mãos nos bolsos das calças. Archie estava vestido com um smoking azul marinho que contrastava com seu cabelo ruivo cuidadosamente penteado para trás. Pensei que talvez tivesse um dedo de Verônica já que ele nunca tinha se vestido assim com tanta elegância.
Me impressionei muito mais ao ver Jughead ao seu lado. Ele vestia um smoking preto completamente ajustado ao seu corpo, como se tivesse sido feito exatamente para ele. Parecia ter cortado o cabelo que também estava penteado para trás.
Nenhum dos dois tinha nos notado e Jughead mexia na gravata incomodado. Em seguida pareceu reclamar algo com Archie que ria e pedia calma.
Assim que nos aproximamos Archie olhou em nossa direção limpando a garganta. Jughead fez o mesmo abrindo um sorriso ao me ver. Ele pegou minha mão e beijou as costas dos meus dedos.
— Você está maravilhosa Liz. – sorriu ao me olhar mais uma vez.
Concordei com um aceno sem saber o que dizer. Talvez um obrigado? Deveria dizer que ele também estava, mas corei ao perceber que Archie e Verônica nos analisavam ali do lado.
— Bom, então vamos? – Verônica declarou.
Entramos na limusine partindo em direção ao primeiro baile que eu realmente queria ir.
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O fato de Cheryl querer se sobressair em tudo o que fazia poderia tanto ser uma maldição quanto ser um dom fantástico. A escola parecia o próprio met gala e claro que Verônica tinha contribuído com seus vestidos maravilhosos. Assim que chegamos várias garotas a recepcionaram com abraços, lembrancinhas e agradecimentos. Cheryl poderia até ter organizado o baile, mas a estrela da noite era a minha melhor amiga.
— Quer entrar na frente? – Jughead perguntou ao meu lado – O minuto de fama dela vai demorar um pouquinho. – ele sorriu me oferecendo o braço o qual aceitei.
Fomos caminhando até a entrada, onde um fotógrafo esperava em frente à um painel de folhas que simulava um muro inglês.
— Ela fez isso com você também? – perguntei observando seu smoking perfeitamente ajustado.
Jughead puxou a gravata um pouco para baixo incomodado.
— Talvez... E com você?
— Talvez. – dei de ombros – Ela fez uma obra de arte não é? – sorri sacudindo a saia do vestido que voava pela brisa.
— Na verdade acho que a obra prima era realmente muito boa.
Só então ele percebeu que estávamos prestes a tirar uma foto. Ele fez uma careta.
— Não costumo ficar bem em fotos.
— Nessa eu tenho certeza que vai ficar. – tentei reconforta-lo – Eu não disse antes, mas você também está maravilhoso.
Ele esboçou um sorriso desconfortável. E o fotógrafo nos chamou para a frente do painel.
— Além do mais, o que de ruim pode acontecer? Quem enfrenta uma gangue de traficantes pode muito bem lidar com uma câmera. – sussurrei.
Um sorriso escapou de ambos no exato momento em que o flash eclodiu capturando o momento mais natural possível.

O interior do ginásio estava ainda mais lindo do que o lado de fora. Faixas vermelhas pendiam da estrutura do telhado e eram iluminadas por grandes refletores. Mesas enormes serviam salgados finos e ponches variados. Ao fundo havia um palco onde um grupo independente de alunas se apresentavam. Ao lado do palco Cheryl conversava com o Sr. Weatherbee, parecia se vangloriar enquanto apontava diversas coisas.
— Cheryl fez um ótimo trabalho. – comentei apertando o braço de Jughead enquanto caminhávamos até uma das mesas.
— Era você quem organizava os outros bailes, não é?
— Sim, agora parece que temos uma nova organizadora. – não pude evitar o lamento na minha voz. Organizar o baile era um dos meus passatempos preferidos.
— Aposto que seus bailes eram tão incríveis quanto esse.
Ficamos em silêncio por um minuto. Ele olhava a decoração do baile e eu olhava para ele. Queria ter uma forma de explicar o quanto sua presença me fazia bem, me deixava leve e longe de tudo o que me assombrava.
— Bom, a companhia nunca tinha sido tão incrível quanto hoje. – comentei esperando sua reação que foi imediata.
Jughead ficou satisfeito e por um tempo tentou buscar as palavras. Quando ele finalmente abriu a boca alguém interrompeu.
— Elizabeth Cooper! – Kevin apareceu do meu lado me dando um susto.
— Kevin! – soltei o braço de Jughead para lhe abraçar.
Ao seu lado estava Joaquim que coçava a bochecha e me cumprimentou com um simples aceno de cabeça. Quase me senti mal pela sua indiferença até que Kevin me agraciou com sua voz reconfortante.
— Eu sei que sou suspeito pra dizer, mas você é a vadia mais gata da noite. – ele disse me girando.
A saia do vestido acompanhou o movimento voando em todas as direções.
Eu ri enquanto ele terminava o movimento.
— Você também tá ótimo.
Em poucos segundos Veronica chegava e os dois soltavam gritinhos de animação comentando sobre os vestidos vindos de Nova York e como esse momento era fantástico. Não demorou muito para que Kevin nos arrastasse para a pista de dança. Joaquim pareceu entediado com a ideia e preferiu ficar com os meninos na mesa. Dei um leve aceno para Jughead que piscou sorrindo. Seus olhos brilhavam e eu podia ter certeza que os meus também. Ele estava lindo e arriscaria dizer que chegava a ser sexy.
O fotografo que antes estava na entrada da escola já tinha encerrado seu trabalho agora que todos já haviam entrado. Ele começou a tirar fotos de grupos de amigos, casais, tirou foto do grupo da banda e apontou a câmera na nossa direção concentrado.
Verônica e Kevin me sacudiam no ritmo da batida. Eu tentava não rir fingindo pirraçar para não dançar. Assim que o flash estalou nós nos abraçamos fazendo bicos para outra foto. Nas músicas seguintes me rendi a empolgação deles balançando o corpo no ritmo animado. Mal pude sentir o corpo esquentar quando alguém tocou meu ombro.
— Oi loira! Até que enfim te achei! – Toni gritou perto do meu ouvido.
Quando percebi quem era eu lhe dei um abraço forte. A última vez que a tinha visto estávamos correndo do risco iminente de um incêndio.
— Toni! Você também! – toquei o seu vestido no nível da cintura — E esse vestido é sensacional!
— Presente do meu amor. – ela deu uma rápida olhada para Cheryl que acenou de longe.
— Quem diria ein? Vocês duas... – balancei a cabeça em negativo sorrindo – Quer dizer, duas semanas atrás vocês se odiavam.
— Descobri da melhor maneira que amor e ódio andam lado a lado. – riu com os lábios fechados.
Depois ela indicou a mesa de ponches com a cabeça me arrastando pela mão. Meus dois parceiros da pista pareceram não se importar e continuaram dançando.
— Tá ansiosa pra mais tarde? – Toni perguntou naturalmente servindo um ponche vermelho e me entregando em seguida.
Curvei as sobrancelhas sem entender.
— O que tem mais tarde?
— Pensei que Jughead tivesse te contado. — ela baixou o cenho e serviu um outro ponche para ela mesma – Os serpentes te querem na liderança, a comemoração é hoje depois do baile. – ela ergueu sua taça de plástico antes de beber o conteúdo dali como se estivesse fazendo um brinde.
Fiquei perplexa, eu não tinha aceitado nada disso e na verdade nem fazia ideia que seria algo tão sério assim.
— Pelo menos lá nós temos álcool de verdade. – ela fez um bico decepcionado encarando o liquido quase transparente.
— Toni...Seria um prazer, com certeza. – tentei parecer gentil – Mas eu não tenho intenção nenhuma de liderar uma gangue agora.
Seu semblante ficou inexpressivo por cerca de dois segundos antes que ela arqueasse as sobrancelhas.
— Ah... – a decepção era tão evidente que ela nem olhou na minha cara mais – Isso é tão injusto. – bufou de uma forma debochada.
— O que é injusto? – tentei entender o que estava acontecendo.
— Tipo, é a maior honra da vida de um serpente. – ela continuou — Outras pessoas dariam tudo pra estar no seu lugar.
Parei para pensar sobre como minhas convicções tinham mudado e como isso poderia confundir muita gente. Muito possivelmente só Toni e Jughead sabiam da minha real motivação para entrar para os serpentes. Eu só queria investiga-los, coletar provas e encontrar alguma pista sobre minha mãe ou entender de fato quem era ela.
Desvendar o envolvimento do meu pai com o tráfico que prejudicava a gangue era um objetivo que tinha surgido no meio do caminho. Agora eu percebia que nem tinha começado a caminhada ainda.
A única coisa que podia considerar sobre isso tudo era que agora a gangue confiava em mim e eu poderia investigar tudo à vontade.
— Seria uma honra pra mim Toni, com certeza. Só que eu tenho outras coisas em mente agora.
— Claro. — ela riu consigo mesma.
— Qual a graça?
Segui seu olhar até Jughead que gargalhava com Archie e Joaquim em uma das mesas.
— Jughead e eu somos descendentes dos fundadores dos Serpentes do Sul assim como alguns outros. Ele foi o único que tentou provar ao máximo o quanto era merecedor da liderança e acabou perdendo o cargo por causa dos Ghoulies, do seu pai, Malachai, Nick e todo o resto. — seu tom era de irritação e ela ainda não me olhava – Eu não sei como não percebeu ainda Betty. Nós somos muito mais que uma gangue. Nós somos uma família.
Suas sobrancelhas baixaram em uma expressão fechada. Também fiquei irritada com seu tom de voz.
— Eu não vou assumir a liderança Toni. Não adianta.
— Então você só quer nos usar pra achar sua mãe? – ela bebeu mais um gole do ponche, o meu estava intocado.
— Minha mãe era uma de vocês e ninguém se importou em encontrá-la.
— Era? – finalmente me olhou – Então porque ela escondeu isso? Ser um serpente não é vergonha.
Estalei a língua no céu da boca. Ela suspirou e continuou depois.
— Se você só quer nos usar tudo bem, só toma cuidado. Os serpentes dão a vida uns pelos outros. Muitas pessoas vão ficar decepcionadas quando você encontrar sua mãe e seguir sua vida sem olhar pra trás assim como ela fez... Principalmente Jughead. Então talvez devesse parar de pensar no próprio umbigo e começar a fazer algo por ele. – ela o apontou com a cabeça – Isso deve amenizar futuras decepções.
Olhei em sua direção e entrei em pânico. Jughead não só tinha percebido que eu e ela conversávamos como estava vindo na nossa direção.
— O que eu poderia fazer? – voltei meu olhar para ela.
— Vá até o Whyte Wyrm hoje, sei que tem muita coisa a dizer.
— Tenho?
Ela olhou para ele antes de ir embora.
— Depois de tudo o que eu te disse espero que tenha. – disse áspera.
Bufei cruzando os braços.
— Tudo bem? – Jughead perguntou preocupado passando o braço pela minha cintura vendo Toni ir embora.
— Você não me disse nada sobre o Whyte Wyrm hoje à noite. – protestei.
— Me desculpa. – seus olhos vagavam o chão.
— O que foi? Você não quer que eu vá?
— Não é isso... – ele limpou a garganta — Só queria que você tivesse um pouco de paz e fosse uma adolescente normal que participa de bailes e toma ponches. – ele fitou a taça intocada na minha mão – Sem toda essa história de gangue, sabe?
Senti meu coração doer com a verdade em suas palavras. Depois do discurso de Toni a minha noite com certeza estava cheia de história de gangue. Só que Jughead não tinha culpa de nada. Eu realmente precisava ser justa e não desmerecer o que era importante para alguém. Para ele...
— Era disso que você tava falando no bilhete? – relaxei os braços.
Ele sorriu.
— Na verdade não. – passou a mão pela nuca.
Um chiado alto chamou a atenção para o palco. A banda parou de tocar e Cheryl pegou o microfone explicando que a Rainha do Baile seria anunciada logo após as valsas de casais. Jughead juntou as sobrancelhas estreitando os olhos. Não estava pensando no que dizer, parecia mais estar aprontando alguma.
— Você quer dançar?
Um sorriso malicioso brotou em seu rosto deixando toda a cena com uma pitada sexy.
— Sabe dançar? – duvidei.
— Sou um homem de qualidades senhorita Cooper. – ele mordeu o lábio inferior.
Concordei com a cabeça estranhando tudo aquilo. Me preparei para envolver seu braço quando ele segurou minha mão me guiando para o centro do ginásio onde algumas pessoas já dançavam ao som de uma música lenta.
Em seguida ele envolveu minha cintura com ambos os braços puxando meu corpo para si. Enlacei seu pescoço com os braços assim como os outros casais faziam. Jughead torceu a cabeça para o lado parecendo incomodado com alguma coisa. Sem dizer nada levei as mãos até sua gravata desatando o nó e deixando que ela pendesse sob o paletó.
— Não se importa? – ele sorriu aliviado.
— Você pode ser um homem de qualidades, mas não gosta de usar essas coisas e não consegue esconder isso. — voltei meus braços para o lugar de antes.
— Sabe o que eu também já não consigo mais esconder? – ele sussurrou perto do meu ouvido.
Um calafrio subiu pelas minhas costas. Afastei meu rosto para entender sobre o que se tratava essa conversa. Sem que eu pudesse perguntar ele continuou com toda a seriedade de antes.
— Eu não consigo esconder a saudade que eu sinto cinco minutos depois de estar com você... Ou que eu tenho sonhado com você quase todas as noites e parece que nem ciúmes de você eu consigo esconder também.
Seus olhos brilhavam. Minha respiração já tinha parado a um bom tempo.
— Pensei que me odiasse. – disse me lembrando das várias vezes em que ele tentou me afastar.
— Eu tentei colocar na minha cabeça que pelas nossas diferenças nós dois nunca daríamos certo. – limpou a garganta – Eu sei que não sou o melhor pra você agora, mas perto de você eu sou a melhor versão de mim, sempre.
Jughead me girou no ritmo da música devagar e depois me puxou de volta. Seu rosto parou à lateral do meu e agora ele sussurrava.
— Eu entendo tudo que passou e não quero ser egoísta. Só não consigo mais esconder isso. E nem quero. – seu rosto se afastou e ele me olhou nos olhos – Sou apaixonado por você Elizabeth Cooper.
Eu sorri sem poder controlar nenhuma parte do corpo. Ele me guiava na dança e em um ginásio lotado de adolescentes eu sentia que só havíamos nós dois. Ele mordeu o lábio inferior e passou um fio de cabelo solto do coque para trás da minha orelha.
— Você tem razão Jug, nós nunca daríamos certo.
Ele ficou inexpressivo por um tempo. Seus lábios se separaram e antes que ele dissesse algo eu completei.
— Se tivermos a oportunidade de tentar seriamos o errado mais épico de todos os tempos. Talvez o melhor deles.
Ele pendeu a cabeça de lado.
— O que isso quer dizer?
— Jughead Jones, — arqueei as sobrancelhas – eu também sou completamente apaixonada por você.
Todo o meu corpo estava em silêncio, apenas as mãos trêmulas insistiam em denunciar a guerra que acontecia dentro de mim. Toquei seu rosto da forma mais delicada possível. Ele fechou os olhos suspirando. Sua cabeça tombou sob minha mão. Antes que a música terminasse eu levei a mão até sua nuca puxando seu rosto para o meu.
Ele também me apertava contra si. Quando pressionou seus lábios contra os meus eu senti que tínhamos a mesma temperatura. As diferenças que tínhamos agora eram tão poucas. Tão insignificantes. Até mesmo minhas dúvidas anteriores tinham acabado. Jughead Jones era o conjunto de certezas que eu precisava. Eu tinha tanto para falar dele. E iria.
No fundo a eternidade não durava mais do que um segundo e antes que o beijo se intensificasse eu me afastei um pouco e olhei ao redor lembrando-o que não estávamos a sós. Ele pareceu entender.
— Bom, eu já tive minha dose de adolescente normal por hoje. – conclui – Acho que já podemos ir.
— Quer sair daqui? – ele pareceu confuso.
— Meu rei, devo te lembrar dos seus compromissos reais?
Ele riu e depois deu de ombros.
— Nós não precisamos ir.
— Uma pena, porque lá eu acho que teríamos um pouco mais de privacidade. – mordi o lábio inferior.
Seu rosto ficou sério.
— Seu pedido é uma ordem, minha rainha.
Jughead selou seus lábios nos meus mais uma vez antes de me levar dali. O convenci de não usar a limusine de Veronica porque o motorista me dava medo e que teria que passar em casa para tirar o vestido.
Para uma noite como essa, dois trajes foram necessários:
O vestido de adolescente normal que participa de bailes e toma ponches.
E a jaqueta de Rainha Serpente que se destitui do trono pelo verdadeiro rei.
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