Monarquia Serpente - Bughead
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Jughead Jones
A puxei para o meu colo quando ambos ficamos sem ar. Sua perna atravessou meu corpo e sua atenção se voltou aos botões da minha camisa, os quais abria um a um com as mãos trêmulas. Enquanto isso eu acariciava seu rosto perfeitamente bem desenhado, parecia um anjo. Quando ela finalmente terminou de desabotoar a peça incômoda, a puxou para baixo lançando-a para qualquer lugar da sala. Subiu uma das mãos ao longo das minhas costas até parar em minha nuca segurando meu cabelo com firmeza me trazendo até seus lábios, os quais foram devorados em um beijo tão intenso quando antes. Levei uma de minhas mãos até sua coxa apertando-a com força. Como eu a queria, ali mesmo, naquele momento.
Apertei seu corpo contra o meu percebendo a fragilidade dele contra meus braços. O ar me faltou nos pulmões e ao nos separamos sentimos a necessidade de um olhar mútuo, para constatar que algo tão perfeito e bom não passava de um sonho...
Alguém bateu na porta do trailer me tirando do limiar do sono. Mesmo sabendo que era tudo fantasia da minha cabeça eu bem gostaria de sonhar um pouco mais. Mataria Toni se ela continuasse me acordando assim.
Caminhei a passos pesados e lentos até lá. Não era ela, pela sua impaciência já teria gritado meu nome e ameaçado derrubar a porta.
— Fangs? – olhei para o relógio, a aula já tinha começado – Por que não foi a aula?
Archie subiu mais um degrau da escada surgindo ao seu lado.
— Archie? O que vocês estão fazendo aqui? – questionei confuso – Entrem. – dei passagem abrindo a porta.
— Na verdade acho melhor você sair. Depois que se vestir. – ele fez uma cara de desprezo.
Eu não me importava em abrir a porta só de cueca. Ninguém vinha até aqui e Toni era praticamente uma irmã.
— Tá bom, mas vocês vão me explicar o que tá acontecendo primeiro. – encostei o antebraço no batente esperando.
— Eu fiquei sabendo que Tall Boy te deixou na mão e na verdade ele nem conhece de luta. – Fangs ergueu as sobrancelhas. – Então a gente veio te ajudar.
— Ah e vocês conhecem? – sorri debochado.
— Com certeza mais do que você. – Archie me deu um soco leve me deixando sem ar instantaneamente – A gente é do clube de luta do colégio.
— Eu ia deixar pra apanhar só mais tarde. – fechei um dos olhos levando uma das mão até a barriga encurvando a coluna.
— Você tem 15 minutos pra se vestir e tomar café. – Fangs deu o ultimato descendo as escadas.
— Me dá só dois, não tô com fome hoje. – dei de ombros, realmente não estava.
Ele parou no segundo degrau surpreso e olhou pra Archie.
— Ele tá doente. – Archie levou a mão até minha testa, o qual dei um tapa tirando-a dali.
— Não me fode, só não tô com fome. – entrei procurando qualquer roupa para vestir.
— Isso vai ser um banho de sangue. – ouvi Fangs cochichar do lado de fora.
— Seu cu! – gritei terminando de vestir uma camisa.
Os meninos passaram a manhã inteira me explicando sobre táticas de luta. Era basicamente um normativo padrão de esquiva e ataque no momento certo, se eu fosse inteligente evitaria golpes só atacando nos momentos de cansaço do adversário. Depois de muita falação finalmente fizemos uma pausa para almoçar. Se antes os meninos estranharam a minha falta de fome, agora quem estranhava era eu. Fiquei observando os dois devorarem sua marmita sem conseguir terminar de comer a minha, não tinha apetite nenhum e isso me irritava. Odeio desperdícios.
— Sabe, isso pode ser medo. – Archie começou – Acho que você tá com tanto medo que até perdeu a fome.
— Eu não tenho medo dele. – disse sem me incomodar – Se eu tivesse não entrava nesse desafio de merda.
— Claro, você entrou porque é um idiota e não porque é um medroso. – Fangs declarou.
Rolei os olhos, não podia discordar dele já que estava certo.
— Ou talvez sua falta de apetite tenha nome, endereço e uma moto lendária. – ele ergueu o pescoço para olhar a moto que estava parada ao lado da minha.
Eu não pensei sobre isso, mas talvez ele estivesse certo de novo. Se eu já estava sonhando com Elizabeth, de que mil outras formas ela estaria mexendo com a minha cabeça? Ou com meu estômago? Já estava mais afundado nisso do que pensava e agora não sabia explicar como consegui resistir a ela por tanto tempo.
Archie se ergueu para entender do que Fangs falava e para minha surpresa ele reconheceu a moto ficando áspero de repente.
— Betty tá ai com você? – ele se levantou olhando para o trailer – O que vocês...?
— Ei, calma. Não. – me levantei também – Eu não dormi com ela tá bom? Ela só me emprestou a moto.
— Ainda continua sem sentido. – sua expressão se fechou.
— Qual o problema Archie? Você não tá com Verônica? – questionei.
— Eu que te pergunto qual é o seu problema Jughead. – ele bateu o dedo indicador no meu peito e pude sentir meu sangue ferver – Você disse que queria deixar ela fora disso.
Fangs se levantou nos afastando com a palma das mãos.
— Ei pessoal, foi só uma piada, não era pra dar nisso. – tentou nos acalmar em vão.
— Eu sei Archie. Eu não queria isso pra ela, mas aconteceu. O que eu posso fazer?
— Pode começar tirando essa ideia da moto da cabeça dela! – gritou.
— É escolha dela o que quer da vida. – disse mesmo tom de voz – Ela sabe o que tá fazendo.
— Ah, qual é Jughead, se ela soubesse não teria se enfiado no meio de vocês.
— Ei! – Fangs reclamou ainda com as mãos entre nós.
— Você sabe que eu nunca deixaria algo acontecer com ela. – essa era minha maior verdade, de mais ninguém.
— Como eu poderia saber? Ela é minha melhor amiga e nada pra você!
— Nada? Eu tô apaixonado por ela porra! É isso que queria ouvir? – disse mais alto do que queria – Eu tentei Archie, tentei muito! Eu a recusei, a afastei e esnobei ela de todas as formas! Eu fiz tudo o que podia! Tô cansado de tentar impedir ela de fazer a coisa certa e, principalmente, eu tô cansado de mentir sobre o quanto ela é maravilhosa e corajosa. – bufei de raiva.
Archie me encarou boquiaberto enquanto Fangs já não nos impedia de brigar. Um segundo de silêncio permitiu que eu me acalmasse.
— Não vou deixar nada de ruim acontecer com ela... – repeti mais baixo – Eu nunca me perdoaria...- engoli em seco – Espero que você entenda isso agora.
— Então o amor tira o apetite... – Fangs arregalava os olhos para o chão com as sobrancelhas levantas – Deus me livre.
Continuei sério e Archie também. Nos sentamos novamente nas cadeiras de madeira do estacionamento ambos em silêncio. Ele parecia pensar em algo para dizer e por mais que eu pensasse em algo, já tinha dito tudo o que precisava, até mais na verdade.
— Jughead, eu confio em você. – disse por fim e ergui meu olhar até ele — É meu amigo e a Betty também... Eu só não confio nessas ideias loucas que vocês tem na gangue, de motos e de brigar por ego. – ele fitou o chão – Se você tá disposto a cuidar e proteger ela, eu te apoio.
— Obrigado Archie... – juntei as sobrancelhas.
— Acaba com esse tal de Nick hoje e me prova que pode cuidar dela.
— É um teste?
Deu de ombros.
— Pode ser. Mas vamos te deixar pronto pra isso. – me deu um tapa no ombro – Agora vem a aula prática.
Treinamos a tarde toda, com pausas rápidas somente para água e fôlego. Eu não tinha tantos músculos quanto Nick ou Archie e do contrário que pensei isso poderia ser usado ao meu favor. Por ser mais leve eu era também mais rápido, e por isso, o objetivo principal do treino era aprender a desviar e não atacar.
O plano era me desviar até cansa-lo. Ele não teria energia para se movimentar tanto quanto eu, e então, finalmente, eu poderia atacar. O problema é que um soco de Nick poderia ser mortal se acertado com precisão na cabeça. Seja nas têmporas ou na mandíbula, o nocaute era certo já que ele tinha força o suficiente para isso.
Conforme Archie, me ensinava sobre, mais confiante eu ficava, porém mais cansado também. Fangs avaliava de fora para comentar e fazer observações de erros que foram se corrigindo. Ao final da tarde já estávamos completamente molhados de suor, mesmo que sem camisa o calor era cruel.
Ele jogou minha camisa no ar para que eu a apanhasse.
— Terminamos? – perguntei confuso.
— Você tem que descansar agora. Aproveita pra tomar um banho, — fingiu cara de nojo – não vai querer ser um campeão fedido.
— Vai a merda... – sorri.
— Boa sorte Jughead. – ele jogou sua camisa por cima do ombro me dando as costas.
— Ei! – chamei e ele se virou – Eu quero que esteja aqui Archie. — disse convicto – Quero que esteja aqui quando eu provar o quanto sou capaz de protege-la.
Seus lábios se comprimiram em um aceno de cabeça. Sua expressão séria era confusa, mas ele não tirava os olhos de mim, poderia dizer que estava orgulhoso.
— Eu volto mais tarde então. — concordou
Fiz o que ele disse. Tomei um longo banho retirando todo o sangue e o suor tirado de mim hoje. A bochecha ainda latejava um pouco graças ao soco de Archie quando não consegui desviar no começo do treinamento. Peguei uma maçã me jogando no sofá e encarei o visor do celular. Ainda faltava uma hora para o show de horrores.
Elizabeth não saia da minha cabeça desde ontem, pensei em mandar uma mensagem e perguntar se tinha descansado ou o que estava fazendo, mas o receio de que ela se lembrasse do convite de Nick me amedrontou. De qualquer forma ela não estaria aqui já que a moto dela estava comigo.
Assim esperava...
Depois da luta eu iria até lá vê-la pessoalmente e ser sincero sobre o que sentia. Isso com certeza tiraria o peso enorme que estava sentindo.
Deixei meu corpo relaxar no sofá. Estava cansado e um cochilo me ajudaria mais do que qualquer outra coisa. Eu queria sonhar com ela de novo, e tentei, mas cai na profunda inconsciência sendo acordado pelo toque do celular. No visor Fangs piscava irritantemente para me alertar que a nossa brincadeira seria em frente o Whyte Whyrm, ao contrário do combinado. Além dele, tinham inúmeras mensagens de Toni, provavelmente me repreendendo ou me pedindo para não fazer isso. Deixaria para ler depois.
Já tinha dormido mais do que o planejado e não me importava em chegar atrasado, então pilotei até lá com mais calma do que o normal. O pátio em frente ao bar estava repleto de pessoas, tinham Serpentes, alunos do time de futebol, pessoas mal-encaradas e para a minha surpresa até Cheryl Blossom estava em um canto ao lado de Toni que me encarava apreensiva.
Nick queria que essa luta fosse da mesma forma que foi o meu soco naquele primeiro dia: na frente de todos.
Assim que parei a moto as pessoas começaram a se cutucar e se virar para mim. Logo um corredor de pessoas gritando e comemorando havia se formado. Respirei fundo, eu não estava com medo, mas não esperava tanta gente.
Ao passar pelo aglomerado de idiotas cheguei a um círculo formado ao centro, onde Nick conversava com alguém.
— Ei Jughead, — senti uma mão pesada sob meu ombro, me virei até ele – que palhaçada é essa?
Tall Boy me encarava com os olhos quase saltando das órbitas. Quis responder sua pergunta, mas só consegui refletir sobre como alguém podia ser tão feio como ele.
— Se FP fica sabendo disso e com certeza ficará, vocês dois são expulsos. E digo isso sabendo que você é filho dele. Não vai passar batido. – ele apertava meu ombro enquanto me olhava fixamente tentando me convencer.
— E você quer que eu faça o que? – questionei furioso – Se eu desistir agora na frente de toda essa gente serei taxado como um covarde. – balancei a cabeça em negativa – E eu não vou fazer isso.
De repente toda a estratégia dele ficou clara em minha cabeça. Nick era um babaca, mas um babaca inteligente. Quem o havia chamado para uma “luta” tinha sido eu depois de suas provocações. Na minha cabeça seriamos só nós dois e ele deu a entender que era, mas nada comprovaria isso.
Minha atenção pairou na circulação de dinheiro entre as pessoas dali, era uma briga de aposta. Merda.
— Escuta bem. – Tall Boy se abaixou um pouco para ficar à minha altura – Eu tô indo embora agora, nunca fiquei sabendo disso, entendeu? – disse ríspido antes de me dar as costas.
Se ele não queria se envolver... Então o pai de Nick...?
— Tall Boy! – gritei — Bruce sabe disso?
Ele me olhou com desdém.
— Quem é que você acha que está distraindo seu pai? – contorceu o rosto – Tá sozinho nessa garoto... — disse dando seus últimos passos para trás antes de sair do círculo.
Os urros se intensificaram quando Nick começou a caminhar até mim com um sorriso sarcástico no rosto. Eu vou quebrar esses malditos dentes.
— O principezinho chegou, finalmente! – gritou abrindo os braços antes de se aproximar – Está pronto Jones? – estalou os ombros os girando para dentro.
Comprimi os olhos.
— Você sabe que seremos expulsos se fizermos isso. – disse ríspido.
— Quer desistir? – seu sorriso se alargou ainda mais – Foi você quem fez o convite...
— Você quer que sejamos expulsos... – conclui perplexo.
Ele tentou conter um sorriso se aproximando à lateral do meu rosto.
— Essa monarquia acaba hoje. – sussurrou se afastando – Se vai lutar acho melhor tirar a jaqueta, não vai precisar dela tão cedo. – piscou me dando as costas.
Ah, eu com certeza vou quebrar esses malditos dentes.
Quando retirei a jaqueta disposto a jogá-la ao chão uma mão a segurou, levei meu olhar até seu dono. Sweet Pea estava ali com Fangs e Archie do lado. Ele fez um aceno mínimo com a cabeça. Seu olhar tinha ainda mais fúria do que o meu.
Respirei fundo.
Os planos de Nick não eram boa coisa e eu me arrependia de não ter sido mais inteligente do que ele.
Os urros cessaram e um conjunto de cochichos se iniciou. Levei as mãos fechadas ao rosto em proteção como Archie me ensinara mais cedo. Nick fez o mesmo e logo estávamos em uma dança mortal dentro do círculo estreito. Ele estava relaxado e confiante demais quando se movimentou para o primeiro soco incrivelmente previsível. Me desviei com facilidade entendendo que não seria tão difícil lutar contra ele, mas não deveria subestimá-lo mesmo assim.
Em seguida ele se aproximou para uma sequência de golpes que consegui antecipar. Era exatamente como Archie fazia, ele usava pura força que cortava o ar. Assim que tentou acertar meu rosto com um soco de esquerda eu me esquivei levando minha mão direita alcançando sua boca, não forte o suficiente para nocautear, mas o impacto o levou para trás fazendo-o se surpreender.
Os cochichos agora eram urros misturados com vaias. Nick levou as costas da sua mão até os lábios limpando o sangue que escorria de lá, seu sorriso sarcástico finalmente desaparecera. Pareceu desconfortável ao olhar as pessoas que comemoravam. Os desgraçados achavam que seria meu massacre? Nick achou.
Na próxima quebro seus dentes, filho da mãe.
Ele veio até mim furioso com a mesma sequência de golpes, porém de forma invertida. Previsível demais. Juntei todas as forças que pude lhe acertando dessa vez perto do olho. Ele deu dois passos para trás até cair de bunda no chão.
Agora o silêncio se concentrava em uma atenção coletiva que o assistia se levantar com um salto. Olhei rapidamente para Archie que fechou uma das mãos batendo-a contra sua própria mandíbula três vezes.
— Na mandíbula. – sibilou e pude ler seus lábios.
Encarei Nick novamente, ele estava furioso. Sangue escorria de sua sobrancelha inchada e arroxeada. Ele cuspiu um bolo de sangue antes de assumir uma postura defensiva novamente. Dessa vez se aproximou mais cauteloso e paciente, seu olhar foi além de mim, como se ele procurasse por algo.
— Aquela loira vadia não quis vir? – sua expressão era divertida.
Eu queria mata-lo agora.
Quando se aproximou mais, fingiu tentar me atingir sem levar completamente a mão até mim. Impaciente levei a mão fechada à sua mandíbula alcançando apenas o ar. Acreditei que Nick tivesse se desviado, mas ele fez um círculo completo atingindo meu nariz com o cotovelo. Meu rosto voou para trás com o impacto e pude ver gotas de sangue borrifarem no chão.
Sem esperar um segundo golpe veio em minha direção com a mão fechada atingindo a lateral da minha cabeça. Fui ao chão imediatamente.
Uma mão me levantou dando apoio até que eu ficasse de pé novamente.
— Que merda você tá fazendo Jughead, não inicia o ataque. Deixa ele cansar. – a voz de Archie sussurrou à minha esquerda.
Cambaleei um pouco até ficar de pé, minha vista estava embaçada e confusa.
— Ei, quem é você? Não pode interferir na luta! – Nick gritou para Archie que ergueu os braços como em rendição antes de ser puxado por várias mãos para trás.
Só assim pude perceber como o círculo havia se estreitado bruscamente. As pessoas pareciam animais ferozes que se se empurravam para ver melhor. Quando se tratava de dinheiro as pessoas do Lado Sul agiam como animais.
Pisquei algumas vezes até conseguir enxergar melhor. Levei os punhos mais uma vez ao rosto me protegendo, deixaria ele atacar agora. Ambos estávamos cobertos de suor e sangue. O barulho ao redor do pátio aberto era ensurdecedor. Nick tentou acertar um gancho de esquerda em meu maxilar e logo em seguida uma sequência de socos que atingiram o ar. No momento em que imaginei que ele havia finalmente se cansado ele voltou a lançar golpes, mas parecia que não conseguia mais manter o ritmo se curvando com o punho cerrado. Então parti para o ataque final repetindo uma sequência de socos aprendidos com Archie.
Depois que acertei quatro socos Nick cambaleou para trás e uma mão aliada o segurou. Eu avancei para finalizar a luta, só faltava um soco exato na mandíbula e tinha a brecha perfeita para isso. Um garoto se pôs entre mim e ele dizendo alguma coisa que não consegui ouvir. Sweet Pea entrou no círculo no mesmo instante empurrando-o contra a multidão.
— Ele mesmo disse para não interferir! – gritou e outros dois surgiram entre nós.
O desentendimento resultou em um soco que não fazia parte da luta. Logo Fangs e outros serpentes iniciaram uma luta colérica entre si. A multidão se tornou tão frenética quanto antes e a confusão tomou conta de tudo que antes estava ao nosso redor. Um dos garotos socava o rosto de Sweet Pea repetidas vezes, o qual pulei em cima dele tirando-o de lá.
Agora era eu quem socava o garoto, até que alguém me acertou com um chute cruel na barriga me deixando no chão sem ar. Algo gelado percorreu meu tórax e senti a camisa umedecer.
Entre guinchados, lamúrias e sons de rostos sendo esmagados, uma sirene ecoou na noite escura sem chamar a atenção de ninguém.
Minha mão foi até a região agora molhada. Sangue. Se espalhava tão rápido quanto a confusão acontecia ao meu redor.
E então um som agudo se repetiu quatro vezes consecutivas. Quatro balas cortaram o ar em direção ao céu até que o silêncio dominasse aquela noite.
A minha visão privilegiada permitiu que eu constatasse o óbvio: o Xerife não estava nada satisfeito com a bagunça de sua própria prole.
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