Notas iniciais
Música do Capítulo: Sucker - Jonas Brothers (Boyce Avenue ft. Connie Talbot acoustic cover)

Jughead Jones

(música)

Observo pela última vez o retrovisor na busca pela moto que havia visto saindo da floresta em alta velocidade. Suspiro aliviado, ninguém havia nos seguido e provavelmente nem havia conseguido nos ver pegando a estrada. Eu percebo que estamos vagando pela estrada sem rumo à lugar algum, mas assim que avisto o Pop’s de longe esse me acalenta como um lugar seguro para fugitivos. Fugitivos?

Desacelero a moto aos poucos percebendo a tensão de Elizabeth nos nós brancos de suas mãos retesadas ao redor do meu quadril. Preciso conversar com ela, saber ao certo o que aconteceu, mas antes que eu pudesse parar a moto por completo a mesma solicita:

— Precisamos voltar. – ela afrouxa seus braços se desprendendo de mim, ainda sentada na moto.

— Não antes de me contar o que foi que aconteceu. — me curvo lateralmente tentando ver seu rosto na busca do desespero que havia encontrado alguns minutos atrás no campo.

— Eu tenho que buscar uma coisa na floresta, antes de escurecer.

— Nós não vamos voltar lá Elizabeth! Não antes de me contar o que está acontecendo! – minha voz se tornou dura e ela suspirou fechando os olhos.

— Eu não sei ao certo o que estava acontecendo. – sua voz sai rouca.

Ela tira o capacete com dificuldade, me fazendo perceber o quanto suas mãos estavam trêmulas.

Ao redor do pátio do estacionamento havia apenas um carro, não era um horário de pico da choco-loja que neste momento deveria estar vazia. Volto minha atenção novamente a ela, que encara no horizonte o sol da tarde. A luz alaranjada que colidia contra sua pele exibia um rosto pálido e a boca seca. O que quer que tenha acontecido na floresta à deixou apavorada e o pânico de seu rosto ao me encontrar me fazia refletir sobre a gravidade da situação e principalmente o que ela estaria fazendo lá.

Me movimento com delicadeza para descer da moto e assim que toco sua mão para ajudá-la a fazer o mesmo ela se assusta em um movimento brusco. Continuo segurando-a firme indicando que ela iria descer.

— Você está gelada. – ela atravessa a perna por cima da garupa e leva a outra mão ao rosto ficando de pé – Vem, você precisa de uma água.

Percebi que ainda segurava sua mão assim que entramos no estabelecimento. Eu tinha receio de soltá-la por algum motivo. Talvez ela estivesse tão nervosa que fosse desabar ao chão sem o meu suporte. Talvez eu quisesse trazer calor à sua mão gelada, ou o contrário.

— Jughead. – Pop’s me cumprimentou com um aceno de cabeça, seus olhos passearam entre mim e Elizabeth o fazendo esboçar um micro sorriso. – Elizabeth. – ela tenta esboçar um sorriso de canto.

— Uma água por favor Pop. – permaneço sério e ele logo entende a situação correndo os olhos por Elizabeth novamente.

Ela se sentou no banco mais próximo e me permiti soltar sua mão imediatamente. Pop deixou um copo grande com água na mesa e eu o agradeci com um aceno de cabeça. Elizabeth passou seus fios dourados para trás da orelha, segurando o copo com ambas as mãos. O tempo em que ela se demora com a água me deixa ansioso.

Ergo as sobrancelhas enquanto a encaro.

— E então?

— Eu não sei o que estava acontecendo exatamente. – ela corria seus olhos pela mesa como se voltasse aos momentos anteriores – Quatro motos passaram em alta velocidade pela floresta. Quando dei por mim estava seguindo sua trilha e acabei chegando em uma cabana velha. Dois deles descarregaram caixas e levaram para dentro, um outro estava ao telefone dando ordens. – ela fixou seus olhos em mim – O último estava no lado de fora e me percebeu, chamando atenção dos outros para que me pegassem. – suas sobrancelhas se ergueram -Eu corri por instinto, o que quer que estivessem fazendo lá, não queriam testemunhas.

Me debrucei sobre a mesa pensando sobre o que ela contava ao mesmo passo que tentava encaixar as peças. Apertei o lábio inferior com a ponta do polegar e do indicador, como sempre costumava fazer ao pensar sobre algo.

— Como eles eram? – ela me encarava apreensiva com o cenho baixo.

— Um deles tinha os cabelos encaracolados, outro era careca, tinha um que era muito alto e magro. – fez uma pausa – O que conversava ao telefone tinha uma tatuagem, não sei se representa algo, mas parecia importante, era enorme e bem desenhada.

— O que era?

— Estava escrito Gh...- ela faz uma pausa tensa — Ghoulies. – bati na mesa com a mão fechada.

— Meu Deus Elizabeth! O que diabos você estava fazendo naquela floresta?! – a tensão tomou conta de mim.

Os Ghoulies desejavam mais do que nunca se vingar dos Serpentes e eu não queria imaginar do que eles seriam capazes de fazer com um dos nossos. Um frio percorreu minha espinha ao fitar suas feições delicadas que agora estavam assustadas novamente. Tudo o que eu temia para ela estava prestes a acontecer diante de mim, mesmo que contra minha vontade.

— Eu precisava atravessar a floresta para chegar ao campo. – quando permaneci calado demonstrando precisar de mais informações ela revirou os olhos e continuou – Iria me encontrar com Sweet Pea.

Me permiti bufar. Sweet Pea era um projeto de homem, para além de egoísta.

— Só que ele não estava lá... – conclui.

— Sim... – ela tirou o celular do bolso da jaqueta analisando algo – Ele mandou uma mensagem desmarcando a poucos minutos atrás.

Suas expressões ficaram ainda mais sérias quando encarou o pôr do sol através da janela novamente. Já não estava mais pálida. Os raios que atravessavam a janela iluminavam seus olhos verdes em um arco-íris, esvaindo minha mente de qualquer ponderação sobre o que ela havia acabado de me contar. Um sentimento quente me invadiu enquanto a fitava, tinha vontade de tocar seu rosto e lhe afagar afirmando que resolveria tudo por ela, ou que nada de ruim iria acontece-la. Mas isso não estava ao meu alcance, não mais.

Ela baixou o cenho resignada e voltou seu rosto para mim.

— Você pode me levar de volta?

Resisti. Minha intenção era leva-la o mais longe possível dali.

— Mas que merda você precisa buscar lá? — recuei confuso.

— Eu deixei minha moto na floresta. – ela esboçou um meio sorriso infeliz.

Quando não respondi nada ela ergueu as sobrancelhas esperando que concordasse.

— Você é uma caixinha de surpresas. – balancei a cabeça em negativa enquanto sorria de olhos fechados.

I'm a sucker for you... ♪

You say the word and I'll go anywhere blindly ♫

I'm a sucker for you, yeah... ♪

Any road you take, you know that you'll find me ♫

◙ ○ ◙ ○ ◙

Parei a moto em frente à sua casa. De acordo com ela seria mais seguro se fizéssemos o caminho que ela havia feito antes de se desviar, a pressa agora era de encontrarmos sua moto antes que a noite caísse e tudo ficasse mais difícil. Elizabeth saiu da garagem balançando uma lanterna relativamente grande em uma das mãos.

— Só por precaução. – ela sorriu e eu concordei com a cabeça.

Assim que passou por mim ela parecia mais tranquila, me fazendo questionar se agora se sentia mais segura ao meu lado. A segui prontamente, fitando seus cabelos dourados que pendiam nas costas, assim como na noite do bar. O desejo de guardá-la e proteger de qualquer coisa era inédito para mim. Mesmo que já o tivesse sentido por Toni, minha mãe ou Jellybean, agora parecia diferente. Elizabeth estava sendo como um imã para problemas e por mais que eu tivesse prometido a mim mesmo que me afastaria, algo me mantinha ali, no meio de uma floresta ao pôr do sol a seguindo floresta afora, desejando que nada de ruim a acontecesse, mesmo que para isso fosse necessário um sacrifício meu.

— Como foi que você passou por essas árvores de moto? – estranhei conforme ela evitada pisar sobre raízes protuberantes.

— Na verdade eu ainda não sei pilotar. – ela continuou caminhando – Iria pedir que Sweet Pea me ensinasse hoje, mas acabei me assustando quando as motos passaram por mim.

Ela para olhando ao redor, a noite já caia e agora era o momento certo para sairmos dali, antes que fosse impossível até mesmo ver os rostos um do outro. Ao avistar algo ela arregala os olhos apontando.

— Ali! – correu na direção apontada e sua perna direita mancava um pouco – Está aqui Jughead!

Também corro em sua direção e ela tenta erguer a moto que agora já estava coberta com algumas folhas. A ajudo a erguer a moto que parecia pesar até mais que a minha.

— Não é possível que você tem uma Scrambler! – analiso sua lataria cinza incrédulo – Se não sabe pilotar como a trouxe para cá? – em uma pausa concluo – Não acredito que a empurrou até aqui...

Ela morde o canto do lábio inferior desviando seu rosto do meu olhar ao erguer as sobrancelhas.

— Tudo bem. — subo na moto — Vamos voltar com ela então.

Ela monta atrás de mim sem hesitar e atravessa suas mãos sobre meu quadril. Diferente da primeira vez, agora parecia mais segura. Perder o medo seria o primeiro passo, mas Elizabeth aprendia rápido. Sem decepções.

Notas finais
Desculpem o sumiço. Pretendo postar mais capítulos esse mês e revisar alguns erros nos anteriores! :)