Mon Petit Prince
14 Parte 14
------------14-------------John cutucou o sanduiche em sua bandeja, um pouco impressionado pelo pão de aparência estranha ainda não ter saído correndo pra dançar a hula no meio do refeitório, pegando sua caixinha de suco de uva, tomando um gole ainda sem tirar os olhos do pão. Ao seu lado, Jesse parecia inquieto, oçando o braço esquerdo com uma freqüência irritante.Talvez não irritante para os leigos que não tinham a menor idéia do que havia atrás da gase enrolada no pulso do menino, mas para ele, que tinha uma vaga idéia do que havia ali, era um tanto incômodo.Não só porque já fazia quase um mês que ele o havia abordado sobre os cortes, como porque ele já havia confiscado a droga da navalha.
-Me deixa ver seu pulso. –pediu esticando a mão, sequer erguendo os olhos para Jesse. Não queria encontrar os olhos azuis e ver culpa estampada neles.-Não, John... –resmungou o loiro puxando a manga do agasalho até o meio da mão, mordendo o sanduíche.-Você ainda está se cortando, né? –perguntou entre dentes, ríspido. Iria dar bronca no amigo sim! Já haviam conversado sobre isso, já haviam decidido que ele não se culparia pelo que acontecia dentro de sua casa, mas ainda assim o menino continuava abrindo os pulsos em cortes, só para se punir.Não era justo!O Sr.Lacey acabaria com o psicológico da família toda se continuasse com aquilo.-John, por favor... –pediu Jesse terminando de engolir o sanduíche. –Não é tão simples quanto parece...-Jesse se você não tivesse ninguém, mas... oi! –ergueu a mão no ar – Eu estou aqui! Você sabe que eu estou aqui pra quando precisar, pro que precisar. Você não precisa de cortes nos seus braços, eu não vou me sentir melhor sabendo que você se machucou inteiro porque seu pai é um bêbado sendo que você podia ter conversado comigo.Jesse bufou, voltando a encarar a comida, irritado.-Não adianta me fazer essa cara, Jesse. Exteriorizar a dor não vai amenizar o seu emocional. –disse finalmente. –O que está usando pra se cortar?-Um estilete. –murmurou, mordendo a ponta do canudinho do suco. Não se orgulhava daquilo.-Então já tenha o aviso prévio de que o estilete será confiscado. –disse terminando a conversa. Continuaram comento em silêncio, Jesse de cabeça baixa, sabendo que não adiantaria discutir com John, e John determinado a arrancar de perto de Jesse qualquer coisa que ele pudesse usar para ingringir cortes em si mesmo.-Olá, meninos! –exclamou Sherri, se aproximando da mesa deles, o costumeiro boné dos Yankees que usava virado para trás, o moletom da escola largo demais para o corpo pequeno, e um extenso sorriso no rosto. Ao seu lado, a garota de cabelos castanhos, preso em um rabo de cavalo com algumas partes soltas na frente, também sorrindo, o moletom bem mais justo que o de Sherri, segurando a bandeja de lanche com as mãos pequenas.-Hey, Sherri. –disse Jesse sem abrir muito a boca, dando um sorriso fraco, sem ânimo algum.-Podemos sentar aqui, hoje? – perguntou, já apoiando a bandeja na mesa, e antes que Jesse respondesse, John assentiu.-Claro! – sorriu simpático, permitindo que as duas garotas se sentassem, percebendo o olhar de Jesse fixo no lado de sua cabeça.Uh-oh.Girou a cabeça, encarando os olhos azuis, estreitos de raiva, do outro, os lábios levemente entreabertos, parecendo um tanto irritado. Se virou para as garotas, sorrindo cínico.-A Sherri pode sentar aqui, você não, Laura. –disse, vendo os olhos verdes da garota se arregalarem em surpresa, ignorando os olhares pasmos de John e Sherri.-Jesse... –foi a loirinha quem começou.-Ela vai ficar aqui babando no John, e eu tenho assuntos sérios pra tratar com ele, coisas que uma garota não deve ficar ouvindo. –disse revirando o resto de seu lanche, traçando movimentos circulares na bandeja, enquanto seus lábios se uniam em um bico de frustração.John franziu a testa, analisando seu colega, enquanto Laura começava a murmurar algo com Sherri, o rosto um tanto vermelho, ele se esforçando para ignorar a parte em que foi mencionado.-Bom, então a Sherri também não deveria ficar, ela é uma garota. –concluiu John, só para ter Jesse o olhando como se ele fosse louco, ou tivesse desenvolvido uma segunda cabeça.-Não, ela não é uma garota. Olhe para ela! Ela gosta de baseball, não pode ser considerada uma garota.-Jesse, isso não quer dizer nada. Eu continuo não tendo um órgão reprodutor masculino, o que me torna, definitivamente uma garota. E ser uma garota me torna no mínimo cinco vezes mais madura do que você, o que me dá direito de dizer que a Laura é minha melhor amiga e por isso ela vai ficar aqui. – terminou, irritada. Jesse abriu a boca para vomitar mais um monte de insultos, quando Laura o interropeu, mordiscando sua maçã.-E eu não estou babando no John. -Laura, ele pode ser meio lerdinho, mas eu não sou. Eu tenho um monte de irmãs, eu tenho uma ótima perspectiva do universo feminino e eu sei dizer que você está de quatro por ele. Há meses. – sorriu vitorioso ao ver a garota corando mais ainda, abstraindo John ao seu lado procurando desesperadamente um buraco para se esconder, e lacrou os olhos azuis com os de Sherri. –E aposto que ela só é sua melhor amiga porque descobriu que você fala com a gente. Encare isso, DuPree: essa garota é um parasita.
Laura arregalou os olhos, de Jesse para Sherri – que se manteve fria – e depois para John, como que pedisse socorro para parar Jesse.-Jesse, isso não faz o menor sentido. Você é louco. –disse Sherri abrindo a caixinha de leite. Jesse voltou os olhos para John, que se mateve o tempo inteiro lendo o valor nutricional do suco de uva, e então para Laura.-Eu estou de olho em você. –disse se levantando com a bandeja.-Lacey, eu não te fez nada! –exclamou Laura, inconformada com o ataque do garoto.-Hey, hey! – John se assustou ao ver o amigo levantar. –Aonde você vai, Jess?Jesse o fitou, sua melhor expressão de desprezo no rosto, seguida de um sorrisinho vitorioso.-Jogar as coisas no lixo e deixar a mesa livre pras duas, afinal, nós dois já acabamos de comer, podemos coversar sobre aquele meu problema lá fora. –disse, então, vestindo sua melhor expressão inocente. John olhou as garotas, deu um breve sorriso de desculpas, e se levantou, seguindo Jesse para fora do refeitório, sem ver a expressão indignada de Laura, e o leve risinho nos lábios de Sherri.Fechou a porta com força, arrastando a cômoda pesada para bloquear a mesma dos socos, pontapés e sabe-se lá o que mais que vinham do lado de fora, seu pai aos berros, anunciando que ele estaria morto assim que ele conseguisse entrar. Jesse se virou de frente para o quarto, suas irmãs encolhidas no cantinho, Kerry com Cody no colo, Jamie, Hayley e Carly o olhando assustadas.Era um inferno não ter Rory mais.Era um inferno saber que agora era ele o responsável por todos eles, era o mais velho dos seis irmãos que ainda moravam com os pais. Queria poder odiar Rory por ter ido embora pra faculdade, mas simplesmente não conseguia, ficava feliz por ele não estar ali, presenciando a cena. Respirou fundo, escutando sua mãe gritar apavorada, e as batidas ficarem mais fortes: ele não arrebentaria aporta, não tinha força para isso. Se virou para os mais novos, mordendo forte o lábio inferior, pensando.-Carly, Jamey, peguem lençóis e comecem e amarrar um no outro. Hayley, jogue todos os travesseiros no canteiro debaixo da janela. –ordenou.-Pra que, Jesse? –perguntou Hayley, já com dois travesseiros nas mãos.-Depois eu explico. –disse, ouvindo um baque forte na porta. –Sabe, a porta não vai sumir conforme você ficar batendo nela. Eu não vou te deixar entrar, Thomas! –disse alto, ríspido.-Me respeite, Jesse! –berrou ele, socando mais ainda a porta, sem ver Jesse revirar os olhos do lado de dentro do quarto. –Se você não sair, eu mato a sua mãe! Vem receber o que você merece!-Ameaças, ameaças! Você só sabe falar! –revidou. –Você é um bêbado nojento, não vê que todo mundo te odeia? Você ameaça, mas não faz nada, nem o Cody tem medo de você! –gritou dando um chute na mesa. Não sabia se sentia raiva ou pavor porque o silêncio caiu do lado de fora. Seu pai ameaçava há muitos anos, nunca fez nada além de bater, mas Jesse não estava tendo um dia bom, e se lembrar que acordou com um pressentimento realmente ruim não estava ajudando.-Pronto. –murmurou Carly, tremendo, assustada. Jesse pegou uma ponta do lençol, tomando Cody dos braços da irmã, amarrando a criança de dois anos firmemente, se dirigindo para a janela, o corpo dolorido dos chutes que o acertaram enquanto fugia pela escada. A diferença entre ele e Rory era essa: Rory aceitava, Jesse nunca ficou para apanhar.-Seguinte: nós vamos fugir, e chamar ajuda. Ele está fora de controle hoje. –disse, deslizando o pequeno Cody pela janela. –Cody, você vai chegar lá embaixo e ficar quietinho, sem fazer barulho ou se mexer, ok? –disse Jesse, e o pequeno assentiu.-Você é louco? Ele vai cair! – disse Carly segurando seu braço. Jesse a ignorou, deslizando Cody para baixo, segurando pelo lençol.-Tem travesseiros lá caso isso aconteça. –terminou com sucesso, vendo o pequeno obedecer e ficar atrás dos arbustos do canteiro, sem se mexer ou fazer barulho. Pegou a outra ponta do lençol, e a amarrou no pé da cama, se assustando com os gritos de sua mãe no andar de baixo, e os de seu pai dizendo que Jesse aprenderia de uma vez por todas que não se brincava com isso. –Sejam rápidas! –pediu. –Uma por uma, descendo, eu encontro vocês por último. Hayley, você vai primeiro, chegue lá e desamarre o Cody, okay?A loirinha assentiu, subindo no parapeito da janela, auxiliada por Carly. Jesse estava observando o lençol ao pé da cama, cuidando para que o nó não se desfizesse quando os gritos começaram a ficar próximos.-Pronto! –exclamou Carly. –Kerry, vem! –chamou, colocando a outra na janela, a vendo deslizar pelo lençol.-Anda logo! –pediu Jesse, o lençol ao pé da cama estava seguro, não soltaria.-Jesse! –veio o grito do lado de fora, seguido de choros de sua mãe.-Bla bla bla! Lá vem você de novo, Thomas? – gritou do lado de dentro, fazendo sinal para Carly descer também, todos já no jardim. A outra lhe deu um último olhar de súplica, deslizando silenciosamente para baixo.-Abre essa porta! –um murro forte, um ponta pé, algo lascou a porta. –Ou abre, ou eu desconto na sua mãe, seu moleque inútil! Você não ama a sua família! Seja homem e saia daí, Jesse!-Não! –interviu o grito de sua mãe. –Não sai, Jesse! Não deixe ninguém sair! Eu te amo, eu sei que você nos ama, não saia! –ela gritou mais forte, e aquele sentimento de que estava tudo errado tomou conta dele. Avançou para a cômoda, escutando algo bater contra a porta.-Mãe? –chamou.-Não saia! –ela gritou se novo.-Saia daí! –berrou seu pai. Não sairia. Nunca. Correu para a janela, subindo para o parapeito, olhando a porta. Chamaria a polícia, pediria ajuda. –Ela vai pagar por isso, Jesse Lacey!-Foda-se! –berrou da janela. Estava cheio de tudo aquilo, estava cheio do seu pai, de ter que esconder tudo que passava. Se agarrou ao lençol, ouvindo os passos de suas irmãs e Cody no jardim. Ainda fitava a porta.Algo estava errado.Um estrondo, e um buraco na porta, causado pelo machado que seu pai segurava...Desceu rápido pelo lençol, o estômago revirando quando chegou ao chão, ordenando que todos corressem para a casa do vizinho, gritando, pedindo socorro para qualquer um, qualquer coisa que aparecesse. Bateram na porta do Sr. Thompson desesperados, o vendo os olhar assustados, deixando que as meninas e Cody entrassem, vendo o olhar desesperado de Jesse.Ele não deixaria sua mãe sozinha, não deixaria. Se virou e saiu correndo na direção da porta da frente de sua casa, ouvindo o Sr.Thompson pedir que sua esposa chamasse a polícia, o ouviu correr seguindo Jesse.Abriu a porta sem dificuldades, sabia que estava aberta, havia chegado da rua há menos de meia hora. A luz da sala estava acesa, mas tudo estava em silêncio.-Eles fugiram! –ouviu seu pai berrar. Suas pernas não se moviam, mas precisava correr, precisava enfrentar o homem com o machado, acabar logo com tudo aquilo.Salvar sua mãe.-Thomas, deixe eles em paz! Deixe o Jesse em paz! –implorou sua mãe.-Sai da frente! –ele gritou.-Thomas, não! –pediu ela.-Saia da minha frente, Sandra! – gritou ele. Jesse ouviu sua mãe implorar, sentiu a mão do Sr. Thompson em seu ombro, e o grito que veio depois...A polícia chegou em seguida. Jesse ainda estava ajoelhado ao lado do corpo cheio de cortes causados pelas machadadas quando a ambulância veio. Suas mãos ainda tinham o sangue seco quando amanheceu, e ele ainda não conseguia dizer nada.De um lado, o chamavam de herói por ter salvado seus irmãos.Do outro, sua consciência mostrava que havia tudo sido conseqüência da sua falta de maturidade, sua falta de inteligência, sua falta de...John entrou correndo na sala vazia, sem dizer nada, puxou Jesse do sofá, o envolvendo em um abraço.Pela primeira vez naquela noite, Jesse se deixou chorar.As crianças entraram na sala ampla da casa dos DuPree, jogando as coisas pelo chão mesmo, não se importando exatamente como caíam, ou por onde caíam, apenas as deixando de lado algum tempo enquanto corriam descalços para o tapete fofo, Jesse se jogando no sofá maior, Laura no menor, John, Sherri, Chauntelle, Weston e Garron, seu primo, no chão.-Querem comer alguma coisa? Eu posso ver se a empregada fez mousse de chocolate ou bolo de chocolate ou alguma coisa de chocolate para comermos enquanto a Sherri liga o videogame e decide o que nós vamos jogar ou pegamos os tacos de...-Respira! –exclamou Sherri, olhando Chauntelle com um pouco de desespero. –Meu Deus! Você parece que não pensa com vírgulas, ninguém está entendendo nada! E eles não vão fugir, você pode falar devagar.
Chauntelle a olhou, formou um bico e se levantou.-Eu só perguntei se querem comer alguma coisa... –disse devagar, encolhendo os ombros.-E mais um monte de coisas que ninguém se deu ao trabalho de entender. Idiota. –resmungou a garotinha menor, de nove anos, sentada à escada.-Vai querer jogar com a gente, Stacy? – perguntou Sherri, já sabendo a resposta, revirando os olhos. Era horrível ter uma irmã tão anti-social.-Por que você ainda pergunta, Sherri? – a pequena se levantou, terminou de descer os degraus da escada na direção do porão. –Eu estarei lá embaixo, não me incomodem.Na sala, os mais velhos encaravam a porta que dava para a garagem se fechar.-Sua irmã é bizarra. – Jesse soltou sem cerimônias. Sherri, Chauntelle e Weston suspiraram, se entreolhando.-Ela não gosta de companhia, e não gosta muito de vocês. – comentou Chauntelle. -Uma pena, ela se divertiria. – Laura encolheu os ombros, sorrindo. Weston se levantou, com Chauntelle.-Não querem comer nada, mesmo? –perguntou, ao que os outros negaram com a cabeça. –Bom, então podemos pegar uma garrafa e jogar “Verdade ou Desafio”, já que a Stacy está lá embaixo e não quer ser incomodada... –sorriu maldoso, trocando um longo olhar de cumplicidade com Sherri, que tinha um largo sorriso no rosto. -Acho uma ótima idéia, e não, Jesse, você não pode sair correndo dessa vez. – disse ao pressentir o garoto se levantando do sofá.-Eu só ia ao banheiro. –disse, já de pé, recebendo olhares incrédulos dos outros. –Gente, é sério, eu só ia ao banheiro.Quando voltou, o cenário estava praticamente montado como ele temia que fosse: John estava do lado oposto de Sherri e Laura do lado oposto de Weston, Chauntelle entre Laura e Sherri, Garron entre Weston e John e um espaço vago para ele.Se sentou a contragosto no especo que sobrou, vendo Chauntelle girar a garrafa, provavelmente alheia a tudo que estava acontecendo, sem perceber que se Sherri pedisse desafio ele a faria lamber o chão, ou se Laura pedisse verdade ele a humilharia ali mesmo. Ô garota insuportável.Não sabia muito bem o motivo de a odiar tanto, só sabia que a ter atrás de John vinte e quatro horas por dias, sete dias por semana o irritava profundamente, e o que estava para acontecer definitivamente não ajudaria em nada. Ele evitaria ao máximo.Depois de Garron correndo de toalha pelo quarteirão, Chauntelle contando coisas sobre a sua vida e alguns desafios bobinhos, a garrafa caiu exatamente onde eles queriam.-Desafio. –pediu Laura. Jesse teve vontade de gritar. Teve vontade de pegar a tal garrafa e jogar na cabeça da menina. -Quero que você beije o John. De língua, claro. –Na cabeça de Weston também podia ser.Laura corou, John arregalou os olhos, corou duas vezes mais que Laura, e Jesse só conseguiu bufar ao ouvir os risinhos de Chauntelle e Sherri, sorrindo vitoriosas. John se encolheu um pouco, olhando Laura por cima dos óculos, sorriu esperando que ela fizesse algo. Sabia que ela estava com medo de ser rejeitada, porque ele sabia que ela gostava dele, estava ficando difícil ignorar todos os bilhetes que surgiam em seu armário, e o jeito que ela ficava quando estava perto dele. Olhou para Jesse, como se quisesse apoio, mas ele parecia ocupado demais, olhando pela janela.Suspirou e se levantou, estendendo a mão para Laura.-Vem, as pessoas não precisam assistir isso. –disse sorrindo. Laura assentiu, pegando sua mão, sorrindo saiu com ele, sem ver a comemoração dos outros na sala.Sem ver Jesse se segurando para não gritar.Stacy só queria uma barra de chocolate.Só isso.Era seu único objetivo quando subiu as escadas da garagem, indo para a cozinha. Notou o burburinho na sala, viu Sherri gesticulando irritada com Jesse, e a ausência de pessoas, mas não imaginou que fosse encontrar os dois na lavanderia... se beijando.Abriu calmamente a barra de chocolate, os assistiu algum tempo, deu de ombros e voltou aos seus afazeres no porão.Se quisesse ver esse tipo de coisa, pegava filmes de romance na locadora.Jesse olhou o relógio: já passava dos quinze minutos e os dois não voltavam.-Jess, por que a gente não joga? –perguntou Garron, entediado. Era sexta-feira, estavam todos empolgados para fazer algo, e Jesse estava lá, emburrado no sofá, tentando fingir que não se importava que John e Laura estivessem ficando em algum canto da casa.-Eu tenho que ir embora daqui a pouco. –murmurou.-Você gosta da Laura? –perguntou Sherri sem cerimônias. A situação já estava ficando ridícula, era Laura chegar perto de John que Jesse tinha um ataque histérico. Ela não conseguia pensar em outro motivo para os ataques gratuitos de Jesse à garota. Eram amigos, poxa vida, Jesse devia ficar feliz porque John tinha alguém que gostava dele, que era bonita, interessante, meiga. Justamente igual a John.Mas não.-Eu odeio a Laura. –disse friamente. –Um dia você vai me entender, Sherri. Pode ser que demore, mas um dia você vai entender. –se levantou, pegando a mochila jogada no chão, sendo segudi se perto pela loirinha.-Jesse, espere! – pediu, segurando seu braço. Era estranho, mas ele estava realmente magoado. –Quer conversar?Ele suspirou, amenizando a expressão facial, tentando um sorriso até.-Eu preciso ir, preciso estar em casa para o jantar. Diga ao John que amanhã eu falo com ele. –e com isso, se foi.Os cortes que o estilete fez em seu pulso nunca foram tão profundos quanto naquela noite.E seu pai sequer abriu a boca no jantar...
Notas finais
Comentários são MUITO bem vindos, okay? ;)
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