Mon Guerrier

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Digam oi para eu que estou sumida~! Desculpem por não ter terminado a outra fic, mas acabei escrevendo menos em época de vestibular, sabem como é. Agora volto com uma nova história, e espero que ainda estejam interessados na Urbvis, porque pretendo terminá-la!
Essa é uma história de época, e é realmente difícil usar essa linguaguem, estão espero que sejam bem flexíveis, e sim, podem ser bastante críticos~♥3
Obrigada por lerem!
Chovia como nunca há de ter chovido em toda França. Os trovões riscavam o céu em estouros ao colidirem com o solo, a claridade que os fenômenos naturais emitiam fazia qualquer um duvidar da hora que o dia apontava. A cidade se perdia entre a água que caía com força do céu em uma ira divina sobre a capital. Árvores dançavam até o chão na Avenida De L’opera, próxima ao Louvre, Paris. O casarão que se situava na origem da avenida possuía um clima sombrio como nunca hei de ser visto. O asfalto era sujo pela água corrente que trazia a lama, não se tendo a visão de um único ser vivo perambulando pelas ruas. Todavia, há deles serem ouvidos. No casarão Viollet-le-Duc ecoava gritos de dor desesperadores para seus ouvintes, que corriam pelos corredores de paredes luxuosas da grande casa. Acima das escadas brancas cobertas por um importado tapete vermelho, chegava-se ao quarto onde a Condessa de Viollet-le-Duc contorcia-se na grande cama. Ela dava a luz. O médico chamado com urgência atendia as necessidades para o nascimento do futuro herdeiro. O Conde Viollet-le-Duc despertou num susto do próprio pensamento angustiado por ter de esperar o filho vir ao mundo, pondo-se a ouvir o choro tomar lugar dos gritos dolentes da senhora sua esposa. Bêbado de alegria, o mais novo pai da cidade entrou no quarto, contemplando o tão planejado e abençoado novo membro da família. O Doutor espanhol Cristiano Aires deixou os pais junto às criadas sozinhos no quarto para que pudessem conhecer a criança. Os olhos brilhantes de um imenso breu do pai se apagaram instantaneamente ao fitar o bebê. Os olhos castanhos cor de mel da mãe o admiravam sem dar atenção a nada que a cercasse. Amaldiçoado, a criança nasceu com um par reluzente de grandes olhos verdes como o gramado do jardim ficava nas primaveras. As amas se assustaram com o violento tapa desferido no rosto da Condessa. Adultério era só o que se passava na cabeça de Jacques Viollet-le-Duc. Sophie, a mãe mais linda do mundo, ficou a chorar sobre a criança.

Mal se pôde ver os anos correrem. O jovem Victor completou meia dúzia de idade sobre a saia protetora de sua mãe. O Conde de Viollet-le-Duc ignorou seu nascimento, tendo-o como filho apenas em eventos sociais. Recusava aceitar que a genética lhe presenteou com os mesmos olhos do avô de Sophie, Jean Larousse, que a mesma não há de ter de boa memória para lembrar-se, desconhecendo então o motivo do par de esmeraldas recebidas pelo filho. A condessa condenava o menino por ser a causa da enxaqueca do marido. Humilde apesar da herança que o futuro lhe reservava, o jovem Vic gostava de brincar na Rua do Rivoli com as outras crianças. Via hilaridade em voltar para o casarão empoeirado da cabeça aos pés, deixando sua marca por onde corresse, e atormentando tanto as criadas quanto Condessa. Sua infância foi conturbada por suas brincadeiras humorísticas. Ao regressar de suas travessuras costumeiras no parque Monceau em uma tarde comum, chamou atenção de Sophie por entrar nos aposentos dos Do Conde em silêncio, fora da rotina. Tinha um brilho anormal no olhar, que logo pôde ser visto como lágrimas. Seu semblante aparentemente depressivo identificava-se ao do pai, sempre com a face inexpressível quando permanecia em casa. Correu e abraçou a cintura da protetora, interrogando-a do por que fora chamado de bastardo na rua.

A partir dos oitos anos completos no dia vinte dois de fevereiro de 1633, a vida de Victor Viollet-le-Duc saiu dos padrões criados por ele mesmo. O arteiro menino que encantava as trabalhadoras da feira e envergonhava os pais diante a alta sociedade, foi abduzido para qualquer lugar longe dali, dentro de alguma história mágica escrita por algum lunático sonhador. Dedicava seus dias apenas para ler, diversas vezes se esquecendo até de dormir e comer. Seu interesse por filosofia era notável entre grandes intelectuais. Passou toda sua adolescência devorando mais e mais conhecimento sobre o universo e seu funcionamento. Suas noites aos poucos trocaram de lugar com o dia, deixando a Condessa ainda mais preocupada. Agora, o jovem rebelde recusava-se a sair com os pais para encontros fúteis da nobreza onde o conteúdo da conversa nunca há de passar das guerras e política. Preferia a companhia do saber, e o antissocialíssimo que adotou para si mesmo. Raridade era ver Victor pelas ruas de Paris em plena luz do dia. O povo inventava e imaginava, alguns diziam que o pai o matara, e esse era o motivo do sigilo, outros afirmavam que ele havia fugido para a Itália com uma rapariga de um cabaré qualquer. E a singela verdade era que ele estava dentro de casa, lendo “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio" de Nicolau Maquiavel.

Em 1641, o querido herdeiro viajou para a Inglaterra a mando de estudar Teologia com um tutor encontrado pelo pai. Passava para uma nova fase de sua vida, longe da mãe e mais perto do conhecimento, sua maior amante. Os dias passados em Londres foram de extrema significância para a formação de caráter e personalidade que construiu o jovem de olhos verdes. Extremamente educado, um inteligente estudioso, dono de uma boa aparência e possuidor do sotaque francês, fez as inglesas caírem aos seus pés, tendo sua indiferença em relação às mulheres um charme indecifrável. Sempre que se foi obrigado por John Summer a sair de casa para socializar-se entre os ingleses, este o fazia impecavelmente. Trajando algo elegante, o jovem era dono de cabelos negros como os do Conde, que lhe batiam até em cima do ombro, seus característicos olhos verdes claríssimos eram um mimo de se admirar. De pele pálida como a boa imagem de um poeta, não lhe faltava beleza. Herdou os traços fortes do pai, mas os lábios e nariz delicados como os da bela Sophie, os olhos há de serem fundos como os de sua avó, Constante Viollet-le-Duc.

Os anos passam mais e mais, e Victor recebe uma carta inesperada de sua mãe. Ela pedia lhe com fervor para que voltasse a Paris, e comparecesse ao velório do Conde, seu pai. Desejos da Condessa era uma ordem, e imediatamente o jovem procurou se dirigir a Paris, na pretensão de se despedir do pai. Verdade era que o Conde não foi o homem mais presente e influente na vida de Victor, mas sangue era sempre sangue. O filosofo possuía o conhecimento que apesar de todas as desconfianças do pai, ele era seu filho legítimo. E como um bom filho que procura a benção do pai, diria um último adeus à altura de um Conde.

Dia 28 de maio de 1645. Dia do velório do grande Conde e amigo íntimo do Rei Louis XIII. As íris verdes iam acompanhando pela janela da carruagem as terras passarem para trás, já atravessado o limite Francês. Lesado de sono, localizava-se dentre as quatro luxuosas e minúsculas paredes ambulantes que o carregavam de volta a terra natal. Oh bela Paris. Mal pôde acreditar quando seus olhos puderam admirar ao longe sua cidade favorita em todo o mundo. Observou curioso as mudanças sofridas naqueles quatro anos distantes, mas foram poucas. Logo que a carruagem virou a Avenida De L’opera voltou a avistar a realidade fúnebre que o trouxera até ali. Pagou o cocheiro e pegando suas poucas malas adentrou no casarão, que parecia o mesmo de anos atrás. Ouviu a gritaria das criadas, festejando sua volta, e ao cruzamento pela porta principal, viu a Condessa a sua espera, possuidora de olhos inchados de tanto expulsarem a tristeza. Ela correu e o abraçou, com todas as suas forças, o filho retribuiu o gesto carente materno, faria o possível para consolá-la.

- Deixa-me te ver! Deus! Estás um homem! – Exclamou em uma sincera alegria de rever o filho.

- Deixa disso mãe, é claro que estou.

- Oh! Como está bonito. É a cara de Jacques. – A voz lhe escapava trêmula, mas diante da indiferença do filho, ela prosseguiu. – Como foram os tempos em terras inglesas?

- Não há de poder ter sido melhor. Muito bem aproveitados. E John Summer é um gênio.

- Fico contentíssima de seu bom proveito. – Disse já deixando as malas do filho no chão do hall, o puxando para a sala de jantar. – Vem, vamos almoçar.

- Estou faminto! – Seguiu a mãe até a sala, vendo-a exatamente como da última vez, em quatros anos. A grande mesa retangular de madeira ao centro, rodeada de cadeiras sempre vazias, e as grandes e numerosas janelas, que deixavam o sol daquela manhã invadir a câmara e iluminar o encontro familiar dos Viollet-le-Duc sempre estiveram acesas em sua memória. As paredes eram decoradas de quadros apesar de que o Conde nunca apoiara a arte. Um perfeito ignorante em tais assuntos. O chão liso e brilhante era claro, reluzindo o teto, que expunha um lustre á velas de cristais sobre o centro da mesa.

- Compareceremos ao Louvre às quatorze horas. O velório há de se iniciar às dezesseis. – Sentou-se em uma das cadeiras, e esperava enquanto as criadas terminavam de servir o almoço. – Gentileza de vossa majestade nos ceder o digníssimo Louvre para seu funeral. Jacques ficaria honrado.

- Sem dúvidas que ficaria. – Sentou-se a frente de Sophie. Orgulhava-se de sua mãe, ainda há de ser uma linda mulher. Seus cabelos cor de ouro lhe caíam até a cintura, seus olhos possuíam a bela coloração da lama, e seu rosto que sempre denotava gentileza. Os anos foram generosos com sua tez pálida como a de seu filho. O ar que a envolvia inspirava sensualidade. – Certo, hei de sermos pontuais.

- Absolutamente. – A Condessa iniciou sua refeição, e o filho a imitou, saboreando o frango que lhes eram a quadrar. – Victor meu amor, devo lhe perguntar de quantas inglesas se serviu em sua estadia na terra delas. – Era visível o constrangimento do rapaz ao ter tocado nesse assunto. A verdade é que havia sido poucas apesar da procura ser grande.

- Ora mãe, eu creio não ser essa a questão agora.

- Pois como há de não ser? Estou orgulhosa da beleza de meu filho e julgo de como se aproveitou bem desse poder!

- Não me aproveitei de nada.

- Bobagem sua, pois então. Há de ter passado da hora de se casar.

- No momento, não tenho isso em mente, mamãe. – O filho mal tocara na comida e se levantou da mesa. – Vou me arrumar para sairmos.

Não esperou a Condessa lhe responder. Subiu as escadas que fizeram-lhe falta e caminhou até seu quarto, intacto por anos. Um pouco empoeirado, provando que ninguém mexeu em suas coisas. A câmara estava escura, e ele logo se dirigiu as cortinas cor de sangue e a puxou, pego pela claridade que cegou-lhe por longos instantes, visto que tinha sensibilidade a excesso de luz. Jogou as malas ainda feitas em um canto qualquer, jazendo sobre a cama. Estava cansado para aturar pessoas. Mas o faria em nome de seu pai. Victor fechou os olhos, e acabou por adormecer na enorme cama recheada de travesseiros, e coberta de pura seda.

Um súbito incomodo entre as pernas despertou Victor. Algo pesava na sensível região. Hesitante, abriu os olhos, reconhecendo Sol deitada em cima do humano. A cadela balançou a traseira, animada com a volta do dono, este lhe acariciou a cabeça e sorriu. Indeciso se devia levantar da confortável cama ou não, escolheu rapidamente a primeira opção, notando que o céu já escurecera.

A Condessa não estava mais em casa, e as criadas disseram que fazia tempo que ela se dirigiu ao Louvre. Conhecendo a mãe como conhecia, não quis acordá-lo. Apresou-se para trocar de roupa, vestindo-se de uma típica jaqueta preta que lhe cobria até os joelhos, comum para a época, e nos pés, ocupando espaço que deveria ser tomado pelos finíssimos sapatos com a ponta levemente para cima, ele usava botinas como qualquer pobre do país. Trajado desse jeito, pulou as escadas do casarão e saiu apressado pela Avenida De L’opera.

Atravessando a Rua Rivoli, já entrava no alcance de sua visão o Louvre. Um calor tomava conta dos ares quer circulavam por toda Paris. A noite escurecia as ruas, as casas, as pessoas que seguiam a mesma direção que ele, todos trajando tecidos negros para velar a alma do finado Conde, morto de causas desconhecidas, encontrado ao chão do jardim da casa dos Viollet-le-Duc.

Victor percebeu não está tão atrasado quanto lhe passou pela mente até ver que chegava junto com os primeiros convidados. Cumprimentou os que ainda guardava na lembrança, não dando importância a presença dos demais, encaminhando-se para o caixão aberto de seu pai. O Conde não estava tão diferente desde a última vez vista. Sua pele assemelhava-se a pedra, tanto pela sua cor como sua temperatura. O cheiro de morte o rodeava, apagando até mesmo a roupa importada com detalhes em ouro que vestia. O mesmo sangue parado, secando em seu corpo morto, rodava nas veias de Victor, que fazia promessas diante do pai.

O salão do Louvre estava impecável aquela noite. O Rei Louis XIII estava presente na despedida de um fiel amigo e companheiro. Sentado em seu trono de ouro maciço e pedras preciosas esculpidas em forma de brasões, observava com tristeza a cerimônia de adeus. O Salão se enchia cada vez mais de sinceros votos de pêsames. Ana da Áustria iluminava o salão com sua presença celestial. Vestida em um encantador vestido preto de seda decorado com brilhantes, não usava jóias em um protesto contra a preocupação estética diante da morte de um amigo. Lindíssima, sentou-se ao lado do Rei, atraindo vários olhares curiosos. O próximo convidado ilustre a comparecer logo chegou. Cardeal Richelieu adentrou no salão procurando não chamar muita atenção. Cumprimentou Sophie e Victor, dizendo-lhes palavras cristãs, e seguiu seu caminho para o lado de Louis. O Sr. Tréville, capitão dos mosqueteiros do Rei, também compareceu a despedida do Conde junto com Sr. Widmer, capitão dos guardas do Cardeal.

O salão já estava cheio, alguns choravam, incluindo a Condessa, já seu filho procurava um abrigo, escondendo-se em qualquer canto mais afastado da concentração de pessoas. A forte iluminação atingia no centro a fotofobia de Victor, o obrigado a encarar as sombras no chão a maior parte dos segundos. Claramente incomodado, despediu-se da mãe dizendo-lhe que precisava de ar puro para pensar e encaminhou-se para fora do Louvre. Seguindo a Rua Rivoli, enfiou as mãos nos bolsos andando distraído pela cidade, deserta. A morte do pai, por mínimo possível, o incomodou. O Conde Viollet-le-Duc faleceu. Amigo do Rei, amigo de Tréville, servidor de Ana da Áustria. Pensava no que o pai andara aprontando enquanto esteve fora. Vivia metendo-se em política, sua odiada política. E conflitos políticos na França eram o que não faltava. Mesmo anos longe, sabia o que se passava no seu país por contatos de John Summer com servidores do Duque de Buckingham, suposto amante inglês da Rainha.

Movendo-se por pensamentos, notou ter chego a Rua De Lyon e completamente sem rumo, decidiu-se por dar meia volta ao Louvre. No momento em que Vic se virou para trilhar o caminho ao palácio, um brusco impacto o jogou contra o chão duro, de costas. Levando a mão até a cabeça, tonto pelo choque contra o outro corpo, ele se sentou, observando então com as claríssimas íris verdes que seu agressor caíra ao chão também.

Sentando-se frente a frente, pôde observar-se um homem. Um homem louro de cabelos claros como o próprio sol, que lhe batiam até o início das costas. No que os olhos azuis tão transparentes como as águas do rio Sena se abriram para fitar as íris esmeraldas, o tempo parou. Os dois se admiravam, cada um possuidor de uma beleza diferente. A sombria pálida de Victor e a resplandecente dourada do mistério a sua frente.

Notas finais
Por favor, comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.