Mon Bijou

1 Capítulo 1 - Charm


O pesado casaco militar negro o difundia na noite, tornando-o um vulto oscilante. Os cascalhos da rua estavam cobertos de limo devido às semanas de chuvas que anunciavam o inverno, congelando-o até os ossos. Seus orbes tiveram encontro com coxas provocantes de moças das ruas. Elas não pareciam notar o frio, agitando seus vestidos finos com as mãos. Suas bochechas eram coradas por maquiagem, assim como seus lábios e olhos, enquanto a pele recebera pó para clarear as deformidades das doenças que seus corpos traziam.

Ele não desejava um calor momentâneo que o aqueceria enquanto estivesse no corpo de alguém. Na verdade, ele ainda mesmo se perguntava se aqueles corpos eram quentes como se mostravam ser. Deviam ser todos duros e gelados, como máquinas da noite, de forma que seria tolerável uma união rápida e certeira de prazer antes que seu coração também congelasse e seu corpo fosse tragado pelas águas profundas dos becos, como as sereias roubavam os marinheiros apaixonados.

O militar ansiava por um fervor que por pouco não derretesse seus órgãos como as drogas que via seus companheiros experimentarem em judeus. Judeus eram criaturas interessantes. Alguns podiam ter a língua derretida pela substância, mas ainda eram capazes de gritar como animais selvagem ao serem abatidos. Outros, porém, como ele, sempre estavam silenciosos, mas estes são os mais perigosos. Aqueles que não lutam ou choram quando uma bala perfura o crânio de seus filhos são aqueles com mais sede de vingança. São aqueles que eles devem fatigar com trabalhos pesados, para que não tenham forças para erguer um punho contra eles. Eles. Ele. Tanto faz.

Uma porta rangeu ao peso de sua mão, que mesmo coberta por uma luva de couro grossa, foi capaz de sentir o arrepiar da madeira. Ele adentrou o recinto que fedia ao álcool que ele desejava. Já estava tarde, então outros oficiais não se encontravam. Nem mesmo bêbados comuns se encontravam. Ele não se preocupou com o nome francês calcado na madeira acima de seus olhos, seguindo diretamente para o balcão.

A madeira das mesas era quase tão podre quanto a perna necrosada de um judeu. Igualmente escura, com partes de verde musgo e possíveis gotas de sangue. Poucos dois fregueses alemães estavam no local a jogar cartas, distraídos, com as armas sobre a mesa. Talvez fosse a presença casual delas que deixara os donos mudos.

A mulher do taverneiro estava a limpar as janelas, sobre um pequeno banco que não partia mesmo sob seus pesados ossos. Seus fios eram loiros, amarrados em um coque desarrumado. Os lábios finos mal mostravam o carmim do batom que sumia aos poucos. Ele notou seu olhar rápido para ele, em seguida se direcionando ao marido que deixou seu banco no balcão e foi servi-lo. O dono parecia mais confiante. Possivelmente um francês com uma carta que deixava sua vida fora de perigo.

— O que desejas, meu senhorio? — Perguntou o taverneiro, apoiando os braços gordos e sujos sobre o balcão.

— Não acredito que possam ter Jägermeister ou qualquer coisa boa alemã. — Murmurou o militar, tendo o sotaque alemão forte no francês.

O taverneiro forçou um sorriso, retirando a boina surrada, lhe mostrando a calvície.

— Temos Kinderpunsch, meu senhorio.

Os orbes de puro azul, quase tão frio quanto os vidros da estalagem, seguiram pelo balcão até a face imunda do dono, em sinal de desprezo.

— Kinderpunsch é bebido por crianças no natal.

A mudez nervosa do homem o fez suspirar e retirar o quepe negro, deitando-o no balcão.

— Dê-me algum uísque.

Uma das mãos se aproximou da outra, retirando devagar a luva. Ele moveu os dedos nus, sentindo-os tensos, quase congelados. Ele sentiu o olhar da mulher, porém não moveu a face para encará-la. Tendo os dedos livres, ele apoiou o rosto nas mãos, colocando o peso sobre elas. Estava cansado.

O copo foi colocado sobre sua frente, em um gesto nervoso.

— Pela cortesia da casa, senhor. — Informou o homem, afastando-se em seguida.

Os dois alemães ainda estavam a jogar. Um deles fumava, deixando o ar pesado e negro. Eles apostavam pertences judeus, como relógios de ouro e colares de moças. Ele já apostara, mas isso já fora há muitos anos. Ele bebia hoje. Gostava de beber. Precisava beber. Tanto faz.

Os dedos contornaram o copo, sentindo suas facetas quadradas. Ele estava úmido pelo frio, tendo seus dígitos marcando o vapor pálido. Havia alguns cubos de gelo dentro, então ele os retirou devagar com os dedos, assustando o dono.

— M-Me desculpe, eu esqueci de perguntar se queria com o-ou sem.

— Ordnung. Tudo bem. — Traduziu, molhando o balcão com o álcool. — Schwachkopf. — Murmurou, chamando o velho de “imbecil”.

Antes de entornar o uísque, ele fitou sua figura refletida tremulante. Seus olhos azuis estavam adornados por finas marcas de idade, assim como um enegrecer de noites sem dormir. Pesadelos. Seu olhar era estreito e forte, direto. A pele era clara, recebendo o tom vermelho da bebida perfeitamente no reflexo. A barba há muito tempo não era feita, tendo um bigode e cavanhaque escuro salpicado por fios mais claros, clareados pela idade. Os fios eram finos e curtos, sendo penteados para trás, levemente cortados na lateral, falhando próxima de sua orelha cortada no alto, onde um tiro havia raspado sua cabeça. Ele possuía outras cicatrizes. Todos possuíam. Ele afastou o copo e bebeu antes que se lembrasse de cada uma.

Tocando o copo no balcão, ele sentiu uma base macia. Os azuis se voltaram para tal base diferenciada, vendo que era um pano puído. A podridão do pano se contrastava com a delicadeza das mãos que o seguravam. Eram mãos pequeninas e magras, de dedos longos.

O militar seguiu os braços com mínimos fios claros, correndo os olhos para seus ombros e corpo miúdo e delicado, subindo para o pescoço fino parcialmente coberto por fios loiros muito claros. Ele poderia ter apreciado sua delicadeza melhor, porém o encontro com uma face machucada o fez se endireitar na cadeira.

Era um menino. Os fios loiros tocavam pouco abaixo de seus ombros justos. Eles estavam sujos e mal penteados, cobrindo sua face pequena e rosada naturalmente, diferente das meretrizes das ruas. Sua boca também estava vermelha, mas devido um corte no lábio inferior. Recente. Ele era baixo, estando de pé ao seu lado. Somente com ele sentado que era capaz de seus olhos ficarem no mesmo nível. Olhos. Os orbes da criança eram curiosos. Eles tinham um azul celeste rompido por um castanho em uma heterocromia sectorial em formato de cruz no olho direito. O nariz era pequenino, contornado por pequenos pontinhos um tom mais escuro que sua pele leitosa, descendo as sardas pelas bochechas coradas. Seu olhar possuía um fio cristalino de lágrimas sempre presentes que rosavam o canto dos olhos.

O instante em que seus olhos se cruzaram foi uma fração de segundo interrompido pelo senhorio do local, que golpeou as costelas do menino com a ponta de um cabo de vassoura, curvando-lhe o corpo. O alemão foi capaz de ouvi-lo gemer de dor.

O loirinho correu com o seu pano para trás do balcão, onde teve os cabelos puxados para não fugir de uma agressão. O taverneiro chegou a suar depois dos golpes em suas costas, batendo com força a madeira em suas partes, até deixá-lo correr para os fundos da estalagem. O taverneiro se aproximou com um pano pouco mais limpo e terminou de limpar o balcão.

— Idiota. Me desculpe senhor, ele é um imbecil. Eu já repeti milhares de vezes que ele não pode limpar o balcão antes do freguês terminar.

O homem abaixou os olhos, tocando suavemente o úmido do balcão. A criança devia ter se apressado a limpar o uísque que ele bebia. Um dos gelos ainda derretia vagaroso enquanto ele podia ouvir o choro do menino quando a mulher também foi aos fundos repreendê-lo. Ele a ouviu gritar “temos clientes”.

Seu copo foi novamente enchido como um pedido de desculpas. O homem não se pronunciou, tendo os orbes ainda voltados para os fundos. Os homens que jogavam cartas não desviaram seu olhar, como que acostumados a tais eventos. Ele mesmo já havia visto crianças serem esfoladas vivas em sua frente e deixadas a morrer. Ele já viu todo sofrimento que é possível cometer a uma criança nos campos de concentração, onde já fora um dos vigilantes. Porém...As crianças dos campos tinham os fios raspados, e os olhos vagos, como que soubessem que iam morrer. As primeiras gritavam e pediam por ajuda, por um pão, um carinho. Mas com o passar do tempo elas cresciam, e seu coração se fechava a cada dia, perdendo sua inocência. Há muitos anos ele não via um olhar... Como aquele. Quase como um pedido de socorro mudo. Um sofrimento torcido em sua garganta, incapaz de ser pronunciado.

Novamente o silêncio penetrava o ambiente, e ele era capaz de sentir outra vez o cheiro podre da madeira que nem mesmo cupins desejavam. Ele tocou os lábios no uísque, e viu que o dono também olhava para os fundos.

— Ele não é muito inteligente, para falar a verdade. — Comentou o homem, fungando em seguida. — Quando foi parido, ele estava torto, enrolado em seu cordão. Ele não chorou de primeira. É o que dá quando a mulher tenta parir sozinha. — Ele apoiou as mãos no quadril, curvando o corpo para o lado, sobre o balcão.

O alemão recolheu o álcool que estava em seus lábios com a língua, antes de perguntar ao homem.

— É teu filho?

O taverneiro riu e se engasgou com o próprio muco, cuspindo-o em um canto em seguida.

— Não. Céus, não! Minha mulher pariu dois filhos homens saudáveis que engravidaram belas moças e tem seus negócios. “Aquilo” nem pode ser chamado de homem. Não sei o que ele tem entre as pernas. Já viste um homem chorar? — O alemão resgatou na lembrança pais que choravam implorando aos soldados por suas filhas não serem estupradas. Sim, homens choram. Mas o taverneiro não o permitiu tempo para expressar-se. — Ele é filho de minha irmã, que Deus a tenha. — Ele fez um sinal da cruz errado e do lado contrário. — Ela o pariu sozinha porque era uma puta que abriu as pernas para um homem que a deixou. Ela foi burra em se apaixonar por ele, e morreu como uma imbecil. Eu tive de acolher o bastardo. Era o mínimo que eu podia fazer por ela. — Ele cuspiu novamente e correu a língua nos dentes que ainda possuía, sendo escuros e gastos. — Mas me arrependo de ter tido coração mole. Com ela morta, nossos pais na cova e seu marido sei lá onde, eu podia ter jogado ele no rio e ninguém sentiria falta.

O taverneiro lhe serviu outra vez e se sentou, continuando.

— Eu tentei ensiná-lo os serviços domésticos, mas o infeliz torceu os braços, não sei, ao nascer, de jeito que não consegue segurar um prato sem derrubá-lo. Ele tem mãos trêmulas. Eu que não pagarei por remédios. Ele já me dá despesas demais.

O moreno pousou o copo e ouviu os homens no canto se retirarem. Um deles foi até o balcão pagando a conta. Ele se perguntou que horas eram. Quando colocou uma das mãos dentro do grosso paletó negro nazista, ele retirou um relógio de bolso e o abriu, porém seus olhos foram chamados primeiramente pelo sorriso torto do homem, do que para realmente os ponteiros.

— Estás interessado nele, senhorio?

Ele nada lhe disse. Seus lábios sempre estavam selados, como se cada fala lhe custasse um dia de vida. E quando era mais novo era exatamente assim que acontecia. Uma palavra errada ao inimigo e eles metiam uma bala em sua testa. Talvez...fosse um velho hábito.

— ...Senhor...?

— Shneider. — Respondeu o sobrenome. Era o suficiente.

— Certo, senhor...Sneid...- O alemão rodou os orbes e ignorou a ofensa. — O senhor não gostaria de ...Sabes...Um tempo a sós com ele?

O moreno ergueu novamente os orbes e guardou o relógio.

— ...O que dizes?

O homem se curvou para sussurrar, mesmo que eles se encontrassem sós.

— Ele até tem um rostinho bonito, não é? Eu não curto garotos, mas bem podemos aproveitar só a boca, para ele não falar nada. O sexo até pode ser parecido com uma mulher, se você é daqueles que curte enfiar no rabo. Deixando-o de quatro não irá notar a diferença. — Ele riu, dando um tapa na mesa, cuspindo saliva no balcão.

— ...Porque está me oferecendo o filho de tua irmã....homem?

— Com tantas despesas, ele pode vir a calhar fazendo outros serviços. Deve estar no sangue o talento. Mãe puta, filho puta. Algo assim.

A mulher surgiu secando as mãos no avental engordurado e foi chamada pelo marido.

— Mulher! — Ele riu. — Diga a Louie que ele vai ter uma cama para dormir hoje. — Ele fitou o alemão. — Estamos fazendo um favor a ele, não é? Ele paga o que nos deve se tornando útil, e nós lhe damos uma noite em nossas melhores camas. Uma cama para um alemão! — O homem deu um soco suave cordial no ombro do moreno que não respondeu ao gesto. — Queres beber um pouco antes? Não que precises...Ele não é homem o bastante para que precise se tornar cego para ser fodido como uma mulher.

Shneider se ergueu arrumando os botões do pesado casaco negro. A mulher adentrou para os fundos e gritou pelo menino. Os orbes azuis buscaram-no, porém o homem se colocou em sua frente, lhe entregando uma chave enferrujada.

— Tenhas uma boa noite, senhor Shinaider.

Uma das mãos retirou algumas notas, deixando-as sobre a mesa. Ele realmente não notou a quantidade, mas fora suficiente pois o homem não pestanejou, pegando-as imediatamente. Seus olhos se voltavam para os fundos da casa, onde ele imaginava que se encontrava a criança. Ele vestiu novamente suas luvas e pegou a chave, subindo as escadas podres para o andar de cima. A chave tinha marcada na cabeça o número do quarto, sendo o número “um” seguido de dois “zeros”. Ele penetrou a fenda antiga com a chave, vendo-a ranger o metal escuro da fechadura quando ele a abriu.

O quarto era suficientemente grande para uma pessoa passar a noite em uma cama larga de casal. A decoração era incerta, de mau gosto, tendo objetos antigos espalhados pelo quarto. Suas paredes eram escuras, e o chão era de madeira negra, deixando-o em um grande ambiente fechado. Uma janela estava coberta por uma cortina bege. Ele afastou um pouco o tecido e empurrou a janela, abrindo-a somente um pouco. Seus orbes fitaram a noite, vendo um poste ao longe, além de uma fileira de lojas encostadas em um canto onde a estrada de cascalho se curvava. Não era ruim.

Aquele quarto não era para um major ou coronel, mais suficiente para um soldado ou um ministro menor pouco amado. Mas sinceramente, ele preferia daquela forma. Estava sozinho. Não haviam homens e mulheres inteligentes e orgulhosos em sua volta, bebendo e comendo pequeninas comidas ricas enquanto conversavam futilidades como filmes, teatro e arte, enquanto coisas maiores ocorriam há poucos metros. Ele estava muito bem ali.

No andar debaixo, a mulher ergueu a saia do vestido para correr até o menino. Ele se encontrava tendo a face encostada em uma janela abafada pelo seu respirar profundo. Ele assoprava o vidro e desenhava nele, enquanto ainda soluçava baixinho.

— Levanta-te, vagabundo! Só sabes ficar sentado chorando. Temos trabalho para você. — a mulher o puxou pelos cabelos loiros e o lançou contra o chão, despertando-o de seu mundo. — Um soldado pagou uma noite com você. — Ela foi até o varal de roupas, apanhando uma camisola solta rendada um pouco mais limpa do que a peça atual que o menor vestia e jogou para ele. — Não sei o que estes alemães veem nesta tua cara imunda. — o pequeno recolheu a camisola e soluçou mais forte. — Arruma-te logo! Ele está te esperando. Não queres que eu perca a paciência, não é? Sabes que não te bato. Mas posso chamar meu marido para tal.

Louie se ergueu com dificuldade. O trapo que vestia exibia os hematomas recentes que ainda queimavam em sua pele leitosa. Abraçando contra o peito a camisola, ele fungou e secou as lágrimas, dirigindo-se até um lavabo que ele dividia com as caças mortas penduradas ao alto para secar. Não havia muito mais do que uma pia e um vaso simples no local, além de um alto balde de metal fino onde ele se banhava.

O loiro colocou cerca de um palmo de água dentro do balde e retirou suas vestes, dobrando-as, mesmo que não fossem muito mais do que trapos. Ele apanhou uma esponja e um miúdo pedaço de sabão azulado e começou a esfregar o corpo, estando sentado encolhido dentro do balde. Louie não permaneceu muito tempo em seu banho, pois a mulher adentrou no lavabo.

— O que fazes aqui? Eu lhe disse que um soldado pagou por ti.

— E-Estou a me lavar, senhora. Eu não estou... — Ele apertou a esponja, vendo-a se aproximar agressiva.

— Achas que ele se importa como vai se apresentar a ele? Estes homens tem os olhos queimados pela pólvora. Eles só querem enfiar o pau deles em você e se satisfazer. Já viste as meretrizes da rua? Elas não são muito diferentes de você. Ela abraçam vinte homens diferentes por noite sem se banhar. Acredito que ele esteja acostumado com o cheiro de sexo no corpo. — Ela o puxou do balde e o colocou para fora. — Arruma-te! Não me faças falar duas vezes.

Louie ocultou sua nudez juvenil com uma toalha e encolheu o corpo.

— Mas...eu....n-não...

— Se queres tanto assim impressionar o soldado, uses um perfume.

— A senhora....me...?

— EU? — Bradou. — Eu não empresto nada para ti, seu porco imundo. Uses o que tens e vá se encontrar com ele.

— M-Mas o que tenho era de minha mãe...eu...n-não...

— VÁS!

Louie se virou e secou o corpo com rapidez, gemendo ao tocar um ferimento recente. Ele vestiu a camisola, sentindo sua barra deslizar por suas coxas. Abrindo uma pequena caixinha de madeira dentro de um buraco na parede, o menino recolheu um pequenino frasco de conteúdo lilás. Ele tocou a boca do frasco nos punhos, e em seguida dedilhou o perfume no pescoço, guardando-o com carinho, juntamente de papéis e uma foto antiga de sua mãe quando era mais nova. Ela sorria de uma forma que ele nunca sorriu.

Estando pronto, a mulher o agarrou pelo braço fino e o puxou pelas escadas, arrastando-o.

— Lembre-se de não chorar, ao menos que ele peça. Estes soldados se cansaram de choros quando estupravam as mulheres dos campos de concentração. Você é novo, não viu essas coisas. Eu não precisei passar perto para sentir o cheiro de morte daquele lugar. — Ela o forçava a subir com rapidez os degraus, saltando-os. — Lembre-se de oferecer uma bebida. Seja educado. Se você tiver sorte, ele irá querer só uma chupada. Sabes fazer, não é? Não o morda, como da última vez. Aquele soldado nunca mais voltou depois que você o mordeu. Veremos se o problema é você, ou sua boca. Se for, podemos arrancar alguns dentes para caber melhor. — O menino soluçou, cobrindo os lábios. — Fiques quieto na cama e só abra as pernas e deixe que ele faça o trabalho. Estes soldados são tão quentes que gozam rápido. Lembre-se de cobrar a mais se ele quiser outra vez. Enfiar uma vez só e gozar duas é pagar duas vezes. Eles acham que podem nos dobrar dizendo que não tiraram o pau de você, que deveríamos cobrar por penetração. Idiotas.

Alcançando o quarto, ela checou rapidamente o menino.

— Tire essas lágrimas do rosto.

Louie soluçou e secou rapidamente a face, porém a manteve baixa.

Adotando um ar adorável e cordial, a mulher bateu na porta, mantendo o menor preso a ela, caso ele desejasse fugir. Shneider havia retirado o pesado casaco de paletó militar, deixando-os sobre uma cadeira, ficando somente com a camisa social bege e a gravata negra. Ele alargou o nó em sua garganta e retirou a gravata, desabotoando um botão. Quando ele se sentou na beirada da cama para acender um cachimbo curvo, ele ouviu o toque na porta. Shneider dobrou as mangas da camisa até os cotovelos e foi até a porta, vendo o sorriso largo da mulher.

— Desculpe interrompê-lo, senhor. — Ela empurrou Louie para frente dela, exibindo-o. — Este é Louie. Ele irá te fazer companhia esta noite.

O moreno fitou o menino que ainda tinha o rosto baixo. Vendo sua mudez, a mulher lhe deu um toque forte na perna.

— B-Boa noite....senhor. — Murmurou o pequeno.

— Boa noite. — Respondeu ele, em um tom baixo.

A mulher sorriu e se afastou, unindo as mãos.

— Se precisar de algo, podes pedir, senhor. Lhe desejo uma ótima noite!

Shneider viu a mulher ir, tendo o canto dos olhos ainda fixos no menino deixado na porta. Ele tremia, amedrontado. O moreno adentrou novamente o quarto, chamando-o.

— Entres.

Notas finais
Minha gente linda e maravilhosa, posto aqui um romance escrito especialmente para Neiwomi, uma das escritoras do Nyan Fanfiction, e grande amiga minha. ♥
Enquanto outros projetos estão a caminhar, lhes dou um gostinho de ler algo. ♥

Muitos beijos para vocês, e até a próxima!