Monólogos De Pijama

11 Tempo da carne e osso


Notas iniciais
Boa Leitura !

Se há dez anos me perguntassem onde eu estaria em dez anos, eu com certeza não diria aqui. Quando a gente é criança, a gente tem a idéia boba de que 10 anos é muita coisa. Mas o tempo passa, e parece que os anos vão perdendo o valor. Um ano não significa mais grande coisa. Um ano pode passar, e você pode continuar exatamente no mesmo lugar.

Não digo que nesse um ano eu não mudei nada, porque estaria mentindo. Eu mudei, mas mudei pouco, e as mudanças não foram necessariamente boas. Eu me tornei mais racional, mais retraída (acreditem se quiser), e até mais cética em alguns aspectos. Fiquei feito bicho selvagem acuado – nem ataco, nem fujo. Além do mais, foram mudanças – só – de dentro, e parece que ninguém consegue me enxergar por dentro. Eu sou opaca. Não passa luz por mim.

Talvez se eu tivesse radicalizado, pintado o cabelo de azul, raspado as sobrancelhas e passado a usar saia xadrez com blusa estampada, as pessoas percebessem que eu não sou mais a mesma. E talvez parassem de me julgar pelos meus crimes do passado, e talvez parassem de usar meus próprios demônios contra mim, como se isso fosse ajudar.

A impressão que eu tenho, é que eu vivo em uma roleta viciada. Eu giro, giro, giro, e acabo sempre no mesmo lugar. Fico feliz, é verdade, que não seja uma roleta russa. Mas se fosse, pelo menos haveria algo de valor – ou não tanto valor assim – a arriscar.

Eu não sei porque as pessoas bebem, se drogam, ou se matam. Mas deve ter a ver com o que eu estou sentindo agora. Os pulmões comprimidos, como se faltasse ar, mas sem faltar. O ar ta aqui, eu tô respirando. Mas é como comer sem sentir o gosto da comida, ou cheirar sem sentir o cheiro das coisas. É como existir sem viver. [Mas claro que isso é só um surto depressivo. Logo logo vai passar. Sempre passa].

Notas finais
Comentem o que gostaram ! e se acham que eu preciso adicionar algo nos '' Monologos ''