Momentâneo? Talvez não.

2 Consequência de ontem - Megan


Acordei de súbito. Como quando alguém sonha que está caindo e acorda apavorado. Mas eu não lembro o que sonhei. Minha cabeça lateja de dor, e pios estridentes apenas pioram a situação.

—Alguém desliga esse passarinho!! -Grito no impulso, enquanto puxo um travesseiro e coloco sobre a minha cabeça afim de repelir o som.

—Acordou, princesa.

Levo um susto. Me sento rapidamente, e por estar ainda meio tonta devido a bebida, acabo escorregando e caindo para fora da cama. O homem parado na soleira da porta não esconde sua risada enquanto caminha até mim. Ele me ajuda a levantar e a sentar novamente na cama.

—Calma, tá tudo bem. — Ele fala calmamente.

—Desculpa, não sei qual é a sua definição para tudo bem. Mas a minha com certeza não é estar em um quarto que eu não conheço com um cara que eu também não conheço. -Acho que falei muito rápido, não sei, não consigo pensar direito quando estou nervosa.

—Se te deixa um pouco menos apavorada, nós não fizemos nada ontem à noite. — Ao ver meu olhar de confusão, ele continua a falar- Ontem, quando te encontrei, você estava completamente fora. Estava mal mesmo, eu diria que se bebesse mais algum copo você desmaiaria. Tinha uns caras mal intencionados te cercando, eu conhecia aqueles caras, tinha certeza do que ia acontecer com você, e não podia deixar. Então te trouxe pra cá. Quando chegamos você simplesmente capotou. Não aconteceu nada, e não me olha assim, eu não esperava que acontecesse algo.

Levo um tempinho a mais do que normalmente eu levaria pra entender tudo. Ele espera tranquila e pacientemente até que eu fale algo.

—Para. Não. Isso não existe. Não existem caras que salvam garotas bêbadas e as botam pra dormir sem intenção nenhuma. Mas olha -aponto para meu corpo. -Roupas. Eu estou vestida. Você também. O que você quer? Que eu transe com você ago...- Ele tampa meus lábios com um dedo, me fazendo parar de falar.

—Eu não espero nada. Tá tudo bem. Sério. Aparentemente, existe sim esses tais caras. Mas não foi nada de mais, eu apenas fiz o que achei certo.

Ok, Megan, pensa em alguma desculpa pra se livrar dessa agora. Pensa. Pensa. O que a Blar te aconselharia a fazer numa hora dessas? A BLAR!

—A minha amiga. Você não viu a minha amiga? -Falo tão repentinamente que o pego de surpresa.

—Quem?

—Eu preciso ligar pra ela.

Levanto e vou até a minha bolsa, que percebi estar em cima de uma poltrona do outro lado do quarto. Pego meu telefone e digito os números de maneira atrapalhada.

—alô?... -Ela balbuciou de maneira preguiçosa.

—Oi, você está bem? Pela sua voz parece que não muito. Você quer que eu volte pro apê pra ficar contigo?

—Não, pode ficar sabe lá onde você está. Eu só preciso saber onde tem alguns comprimidos pra dor de cabeça. -Parece que, assim como eu, ela bebeu um pouco de mais.

—Acho que acabaram. Eu posso passar na farmácia e pegar pra você, quer? — Pergunto, tentando buscar qualquer desculpa plausível para sair daqui agora.

—Ok, Megan, você está tentando se livrar de algum cara, né. Não precisa responder. -Ela me conhece bem demais.

—Não se preocupa, estou indo pra aí te ajudar.

Caminho até a porta do quarto, e antes de sair, me viro pra o desconhecido.

—Muito obrigada por tudo. Você, literalmente, salvou minha vida. Um verdadeiro príncipe encantado. -Dou um sorriso sincero.

—Posso pelo menos saber o nome da princesa que eu resgatei? -Ele não parece nem triste nem feliz, ele apenas parece tranquilo.

—Camile. -Após mentir na maior cara dura, vou embora.