Momentum
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1
– Kora -
Na Superfície — 13:54 da tarde — Antiga cidade de Nova York.
Droga! Sua mente repetia sem parar. Mil vezes droga! Kora sabia que não devia ter tentado se aventurar na superfície. Não com Aqueles parados em todos os cantos. Dentes afiados, garras brilhando na luz do sol, pingando com sangue e veneno. Ah não, mas ela tinha que ser a mais curiosa de todos. Quando ouvira que os supridores estavam indo á superfície para procurar alimento para a colônia 5, Kora ficou animada. Sempre quisera ver como era a superfície.
Ela ouvia contos de que o sol era forte e quente, com grama verde e alta e árvores grandes crescendo nas calçadas. Kora nunca havia visto uma árvore em pessoa. Apenas imagens nos livros de estudo. Afinal, era apenas uma garotinha, curiosa sobre o que haveria além dos infinitos trilhos de trem e do cimento que cobria os túneis subterrâneos. Queria tanto ver outra cor além dos cinzas, brancos, pretos e marrons que sua colônia usava.
Agora não tinha mais volta — Ela andava pelas ruas, longe dos supridores — as pessoas que iam para a superfície para coletar suprimentos para a colônia — seus olhos azuis e verdes, o direito era azul e o esquerdo, verde, percorriam o asfalto e as paredes dos prédios caídos e cheios de buracos e vidros quebrados, com sangue escorrendo de algumas janelas — quando ouviu o som alto e forte das garras de um Aquele arrastando no chão, como unhas em um quadro negro. Os cabelos de sua nuca levantaram imediatamente, seus pés congelando.
O focinho da criatura levantou e fungou o ar mas antes que o mesmo abrisse a boca para emitir o som que os Aqueles faziam para avisar os outros de comida, Kora virou e saiu correndo, seu coração batendo mais rápido que o de um pássaro. Seus tênis faziam pouco barulho no chão, por sorte não atraindo mais Aqueles, mas o de antes havia ouvido-a e começara a correr atrás dela, suas garras arrastando no chão. Os tênis de Kora podiam não ter atraído outros, mas a menina de 12 anos sabia que o barulho da criatura que a seguia havia chamado atenção de outros, que começaram a correr junto e rugir, se o som que os Aqueles faziam podia ser chamado de rugido.
Kora sabia o que aconteceria, ou pelo menos ela tinha uma ideia. Ou ela continuava a correr e tentava chegar á entrada do metrô, ou ela era devorada pelos monstros atrás dela. Ela preferia a primeira opção. Ela sentia dor nas pernas de tanto correr
Os olhos heterochromáticos de Kora avistaram a entrada subterrânea do metrô.
É agora ou nunca. Kora forçou suas pernas doídas á correr mais. Preparou seus joelhos para pular pelo buraco. As garras de um Aquele levemente tocaram em seus cachos loiros, cortando uma mecha, antes que a mesma se jogasse pelo buraco e desaparecesse, as criaturas rugindo por terem perdido um bom lanche da tarde.
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